sexta-feira, 28 de março de 2008

26ª Corrida dos Sinos-Mafra

A minha chegada em 2007


No próximo dia 6 de Abril, em Mafra, vai realizar-se a 26ª edição da Corrida dos Sinos. É uma das clássicas a que não gosto de faltar. Este ano, vou ver se consigo cumprir.

Entretanto, reponho aqui, o que disse em 2007, a propósito desta grande prova :


Das corridas existentes na zona de Lisboa, a do Sinos é daquelas a que faço questão de estar presente. Das 25 Edições, talvez tenha participado em 20 (Preciso contar os sinos que tenho guardados e juntar-lhes as placas metálicas e de cerâmica que lhes antecederam).O dia não estava grande coisa: amanheceu fresquinho, salpicado com uns pingos de chuva de tal forma que, uma vez equipado, só apetecia corricar para não arrefecer muito.Como acontece em todas as corridas, vemos e cumprimentamos gente amiga, enquanto nos vamos aproximando do local da partida, junto ao Estádio Municipal. De repente, vejo subir uma “nuvem” de centenas de balões amarelos, como que a assinalar, a quem estava longe, que tinha chegado o momento de desfilar pelas ruas de Mafra, uma grande “massa viva”, multicolor… … (desculpem mas não estou a gostar disto, que me soa a repetido ! vou “mudar a agulha”) :


Já se falou da história desta Vila

Da Corrida dos Sinos, grande evento,

Da enorme massa humana que desfila

Ali mesmo defronte do Convento.


Já se falou que os sinos não tocaram

(Como tocaram noutras edições)

E os atletas que por ali passaram

Não deram pelo som dos carrilhões.


Já se falou que mil balões subiram

Augurando uma prova de emoção

Aos dois milhares de atletas que partiram

Para um percurso com muita animação.


Já se falou daqueles que cantavam

E no Sobreiro davam novo alento

Aos que ‘inda iam ou que já voltavam

Sempre com a meta no seu pensamento

.…

Se já foi tudo dito… o que é que eu digo ?

Se à rapidez optei pela demora ?

Quero provar que, sendo vosso amigo,

Vou-me pôr a andar já daqui p’ra fora!


Ah! mas não vos contei que sem ser VIP

No justo anonimato fui tratado

Esqueci-me foi de atar ao pé o chip

E assim corri sem ser classificado.


F. A. (Dorsal 300)

terça-feira, 25 de março de 2008

Maratona de Paris


Em 2002


Já que não posso estar presente na Maratona de Paris, no próximo dia 6 de Abril (iria lá todos os anos, se...) tenha eu, ao menos, o consolo desta grande voz e imagine-me a "circular" pela cidade-luz durante 3h e meia.
Paris en colère
Mireille Mathieu

sexta-feira, 21 de março de 2008

Grande Prémio da Páscoa - Constância

Olá, Constância formosa ...e segura.

Lembro-me bem do que te disse há um ano, pois fiquei verdadeiramente apaixonado por ti. Pelos teus encantos naturais, pelo teu sorriso, pela tua hospitalidade, enfim, por me saberes dar tudo aquilo de que eu gosto. Sei que prometi voltar, pois tu merece-lo, mas infelizmente, não vou poder fazê-lo, este ano. Quero pedir-te que me perdoes esta ausência forçada no teu dia de festa, mas, estranhamente, conforta-me saber que o meu lugar irá ser ocupado por alguém que te quer tanto quanto eu. É que é muito fácil gostar de ti, Constância e admiradores é coisa que não te falta. E também não preciso pedir-te para tratares bem todos os que forem ter contigo. Que correrão por ti. Que deixarão na tua terra o seu suor em sinal do muito que te querem.
E eu que tanto te quero, desta vez não posso transpirar por ti!.

quarta-feira, 19 de março de 2008

O Homem "Invisível"

"Ele" prestes a terminar, na objectiva do CVR

Das duas estreitas rampas para o Largo das Portagens, apenas uma estava em funcionamento, o que provocava um grande congestionamento. Para fazer poucos metros demorou largos minutos, mas por fim, conseguiu. Lá em baixo, 4 “bebés”, vestidos a rigor, tinham, num carrinho de supermercado, um fogareiro, onde iam assando uns chouriços, que acompanhavam com um garrafão de tinto que passava de mão em mão. Enfim, aquele era o folclore habitual de quem via o evento de uma outra forma, mas conscientes que, no sítio onde se encontravam, não seriam empecilho para ninguém. Eram 9,40 e ele foi andando naquela “corrente” de gente.

À direita, o corredor da Mini, à esquerda o da Meia. Seguranças iam controlando os acessos atentos aos dorsais. Ele já sabia que era um “outsider”. Não deveria estar, sequer, ali, pois não possuía “passaporte” para nenhuma das zonas. E sentia-se incomodado com isso. Já tinha em mente fazer a Meia Maratona, mas não iria passar pela “vergonha” de ser barrado ao entrar no corredor respectivo. Já teria muita sorte se o deixassem entrar na zona da Mini.

Felizmente (ou infelizmente, conforme a perspectiva) estava a ser dada mais atenção aos conteúdos das mochilas que alguns levavam às costas, do que ao controlo das entradas. Passou e foi avançando até onde podia, mas incomodava-o não ter o seu numerozinho bem visível na frente, como sabia ser seu dever.

9,45h. Não podendo progredir mais, deteve-se por ali, junto ao separador da Meia, aguardando o sinal da partida. Aparece-lhe à frente o “Frei Bento” que, erguendo a grande cruz de madeira, cumpria o seu ritual da bênção dos participantes : - “Aleluia, irmãos, acreditai, Aleluia!”- com quem conversou breves instantes .

Partida. Quatro minutos depois do sinal, estava ele a passar a linha que marcava o início da prova, mas assim que entrou no tabuleiro da ponte já corria. Não o fazia mais depressa porque não queria, não porque não o pudesse fazer. Atento ao colocar dos pés, sempre que tinha espaço à sua frente, procurava desfrutar da paisagem da linda Lisboa.

Alcântara : abastecimento e separação dos corredores da Mini e da Meia. Ele, claro, avançou pelo da Meia, rumo ao Nascente, sempre com atenção ao pavimento, na esperança de que alguém perdesse o dorsal e ele o encontrasse, pois a eminência de ser “posto fora do percurso” era um cenário que o preocupava. Agarrou numa garrafinha de powerade e levou-a consigo para ir bebendo aos poucos, dispensando os restantes abastecimentos.


Santa Apolónia. Um corredor já “entradote” lança para o ar a pergunta : -“Mas, afinal, quantos quilómetros tem esta maratona?”. 21, respondeu-lhe. – fds!!! Vim ao engano! - disse ele, enquanto voltava decididamente para trás após já ter feito 12Km dos 8 (!) que pensava que iria fazer! Claro que era um corredor da Mini que não se tinha apercebido da divisão que se verificara em Alcântara.

Dorsais perdidos no caminho, era coisa que não existia. E a ânsia era tanta que, ao ver um quadrado branco no chão, fugiu à trajectória para o apanhar. Era um guardanapo!

Não fazia a menor intenção de arranjar desculpas à chegada, tipo “não encontrou o seu colega que tinha os dorsais, caiu-lhe” ou qualquer coisa do género ”. Estava decidido a chegar, ver o tempo e, se lhe fosse permitido, entrar na Mini ou simplesmente voltar para trás, respeitando a vigilância que, certamente iria encontrar. Viu o tempo : 1,59,45 (1,56 de tempo real) e estava ali ao lado a menina com as medalhas! Era bonita! A menina e a medalha. Não teve coragem de não a aceitar. Afinal a Meia Maratona tinha sido corrida na totalidade, tendo havido mais um a “engrossar” a Festa, mesmo sem figurar na classificação. Não era honesto, mas entendia que não estava a enganar ninguém. Mas, de repente, achou que poderia estar a “enganar” todos os outros que tinham pago a inscrição. Mas já tinha uma medalha com que não contava. Já estava contente! E… “bico calado” para não dar maus exemplos.

Mas ele aguentava-se lá sem dar a conhecer esta aventura, mesmo que ela abonasse pouco em seu favor! Valia-lhe, no entanto, a “doutrina do Frei Tomás : - Façam o que ele diz e não o que ele faz”.



terça-feira, 18 de março de 2008

Inesperadamente

Apenas naquela semana ele experimentou dar umas voltinhas para desentorpecer as pernas, depois de mais de um mês sem as “mexer”. Por isso não fazia parte dos seus planos inscrever-se (ou pedir para que o inscrevessem) na grande Festa da Corrida, se bem que nunca se tivesse conformado com uma ausência que lhe ficaria a “martelar” na cabeça sabe-se lá por quanto tempo, pois de todas as edições realizadas, apenas tinha faltado a duas ou três.

Às sete da manhã, acordou com a algazarra que os vizinhos faziam, ao estarem de partida para a Mini. Deu mais duas voltas na cama a ver se o sono voltava, mas não. Era o dia da celebração da Corrida, afinal, uma espécie de clímax colectivo em que um País inteiro se punha a mexer atraído pelo deslumbramento de uma vista da Capital, só possível a partir da Ponte 25 de Abril. Era ponto de honra. Não. Não podia faltar, ou não fosse ele um adepto e admirador dos grandes eventos promotores da sua modalidade preferida.

Vestiu uma T-shirt e fato de treino, calçou uns ténis e, no bolso, levava escondidos uns calções, pois tinha dito lá em casa que não iria correr, ou se corresse, apenas o faria em algumas partes do percurso.

Às 8,30h estaria a partir da Torre de Belém o autocarro do pessoal da equipa, que ele pretendia surpreender. Podia ser que houvesse ali um dorsal para a mini…! Mas a essa hora andava ele, às voltas pelas imediações do Estádio do Restelo, à procura de uma nesga onde pudesse estacionar. Conseguiu, mas, certamente, teria de se conformar com a condição de espectador, pois dorsal…

Perto dos Jerónimos, estavam a sair autocarros, apinhados de corredores. Ele chegou-se e ficou por ali, até que uma avalanche de gente entrou no autocarro e ele, propositadamente, deixou-se “arrastar”. Sabia para onde ia, mas não por onde ia!

Campolide. Três autocarros articulados, “descarregavam”, às centenas, pessoas de todas as idades, que caminhavam na direcção da estação dos comboios. Lá vinha um! Já estava repleto, mas uma pressão de fora para dentro, “compactou o conteúdo” de tal forma que ninguém precisava segurar-se. Aliás, virar-se ou simplesmente mudar a posição dos pés, já era tarefa impossível. Consolava-o saber que a viagem seria curta e que, apesar de “prensados”, havia boa disposição entre os viajantes.

Pragal. Uma multidão deixava o comboio e caminhava para o “garrafão” da Ponte.

segunda-feira, 17 de março de 2008

18ª Meia Maratona de Lisboa

A bonita medalha



Mais uma Meia Maratona de Lisboa se realizou. A 18ª! Embora subscreva muitos dos comentários negativos que já se fizeram, e sem que ninguém me tenha “encomendado o sermão” julgo que todos devemos ter a noção da diferença entre o controlar de uma prova e o controlar de uma multidão. Numa prova, embora com níveis competitivos dos mais díspares, todos têm (ou deveriam ter) uma noção do que é correr, do doseamento do esforço, do que significa partir na frente ou mais atrás. Aqui, o que aconteceu para 80% dos participantes foi simplesmente passar a ponte a caminhar. Saudavelmente, sublinhe-se, iniciando-se assim, para muitos, a prática da corrida e o nascimento de mais corredores! Porém, poucos teriam consciência das implicações de um posicionamento, na partida, menos… reflectido, digamos assim.

Todos sabemos :

-o que nos custa ver gente da mini, muitos que nunca correram, posicionados lá na frente, enquanto atletas com 1,15 são relegados lá para trás;
-o que nos custa ver alguns “alarves” que, à chegada, querem levar sacos para a família toda (neste aspecto pareceu-me que se registaram excelentes progressos);
-o quanto nos cai mal o aproveitamento que algumas figuras (ou figurões) fazem do evento; -o quanto injusto nos parece uma transmissão televisiva que apenas se concentra nos primeiros e numa ou noutra”figura de circo” que apareça entre a multidão, omitindo imagens que reflectissem com mais verdade, em amostragem, claro, participantes em vários estratos do pelotão.
-o quanto custa pagar uma inscrição cara, que não nos garante um distinção clara entre os que querem correr e os que simplesmente querem caminhar.

Mas também sabemos (ou se não sabemos é porque não pensámos nisso), que:

-A organização tem o direito de convidar pessoas que, de uma forma ou de outra, estarão ligadas à sponsorização da prova;
-É difícil garantir a 100% que as instruções dadas no gabinete coordenador dos vários sectores, sejam fielmente cumpridas;
-A transmissão televisiva está condicionada pela impossibilidade de um helicóptero poder sobrevoar o percurso (que está abrangido pelo corredor aéreo) tendo que se “contentar” com as imagens obtidas de mota. Mas também é verdade que poderiam circular mais motas.
-Não podemos, ainda, pensar nesta prova com fins competitivos, mas apenas de participação na grande festa da corrida em Portugal. E que bonita ela esteve este ano, com uma animação, em pontos estratégicos do percurso, muito melhor que nos anos anteriores !

Há coisas que podem ser melhoradas, merecendo mais atenção? Há sim senhor. Estou a lembrar-me da zona VIP:

-Porque não criar uma zona VIP para a Meia e uma zona VIP para a Mini? Não seria difícil e acabar-se-ia com uma das situações que mais incomodam os corredores que são também atletas.
-Porque não fazer, na zona da Mini, a separação dos caminheiros?

Outro aspecto que não me merece aplausos é o da partida de Algés para as elites! Percebe-se da importância de Lisboa ter o record do mundo, mas a verdade é que, com a partida de Algés estamos perante uma outra prova.

Mas acho que tudo o que possa dizer-se de menos positivo é irrelevante face à grandeza desta prova.

Diz-se que quanto maior é a nau, maior a tormenta! E esta “nau” é enorme! Tem, por isso, que ter um comando competente e firme e tenho a certeza de que, em tudo aquilo que não mereceu nota positiva, a organização irá pedir responsabilidades e corrigir. Podem achar que sou ingénuo, mas acredito.

sábado, 15 de março de 2008

Que mau, Carlos Lopes !

Foto: omundodacorrida.com

A cidadã belga radicada há vários anos em Portugal, Chantal Xervelle, ganhou, em Abril de 2007, a Gold Marathon organizada pela Fundação Carlos Lopes, na cidade de Lisboa.

Foi ao controlo anti-doping, esteve no pódio e tudo e foi até fotografada com um gigantesco cheque na mão, em sinal da quantia que viria a receber como prémio. Mentira!

Soube, há dias, que não lhe deram nada dizendo que o regulamento previa que tal prémio seria só para quem tivesse nacionalidade portuguesa.

Fica no ar a pergunta : -“que prémios teria ganho Carlos Lopes no estrangeiro, se as organizações das provas tivessem tido semelhante procedimento ?”

Uma organização tem toda a legitimidade para – e só a ela compete - elaborar os regulamentos dos eventos que promove.

Nunca este direito foi posto em causa.

Mas, mesmo para quem não entende nada de leis como é o meu caso, sabe que os regulamentos não podem ferir as leis que, hierarquicamente, lhes são superiores.

Sem invocar essas leis - que desconheço, mas que presumo existirem (é só procurar) - parece-me que um regulamento que pretenda defender os atletas portugueses não pode contrariar os compromissos do nosso país com o resto da Europa. Um português na Bélgica tem os mesmos direitos de um belga em Portugal. E se um qualquer regulamento vier dizer o contrário e tiver força legal, então, meus amigos, se já percebia pouco disto, passei a não perceber mesmo nada .


Lembremos o destino da Chantal
Que, decidida, ousou vencer a Prova.
Ao pódim vai, em gesto triunfal,
Recebe aplausos e a força se renova.
Eis senão quando, ordens do maioral,
Sem argumento algum que o demova,
Lhe é dito da forma mais descarada :
“- Ganhaste, mas não tens direito a nada!”

sexta-feira, 14 de março de 2008

"Douceman"

Depois de um “sono” de 40 dias (certinhos) - disse “sono” mas seria mais correcto falar de “tortura” que me foi infligida por uma sinusite tramada - estou a ver se recomeçoas minhas corridas.

Como me disseram que era bom água do mar, resolvi pôr-me a correr na direcção do dito, num treino leve e descontraído como tantas vezes fiz durante o Verão.

Terça Feira ao cair da noite, pelo caminho velho, lá fui eu, levando comigo um boião para trazer cheio com a “milagrosa” água do mar e poder, depois, “snifá-la” sempre que quisesse e no aconchego do lar.

29 minutos, foi o tempo que levei a chegar à Praia da Samarra, contra os 24 que, em boa condição física costumava fazer . Nada mau, pois eu ia mesmo apenas reiniciar as corridas, consciente que o deveria fazer sem forçar mesmo nada. “Douceman” (como dizia o Ti Miguel Ratão, meu progenitor, que há vinte e um anos partiu para a “grande viagem” quando queria apelar à calma) !

O mar estava terrível ! “De branca escuma os mares se mostravam /cobertos…”. Na Samarra também. E “cavalgava” nas fortes ondas que avançavam pela estreita língua de areia e seixos e “regressavam”, enérgicas e dispostas a arrastar consigo o que lhes aparecesse no caminho. E eu ali, com o boião na mão, à espera da melhor oportunidade para não ter de “beber” muito mais água do que aquela que pretendia. Ainda por cima, a luz começava a ser pouca.

À beira de uma rocha maior, tinha-se formado uma poça. Era aí que eu devia aproveitar. Com um ”olho no burro e outro no cigano” – e preparado para sprintar – lá enchi o frasco, desta vez, para “consumo no local” : vai numa narina, vai na outra e é “péssima” a sensação! Segue-se o “expelir” da água que entrou na esperança de que arrastasse consigo outros fluidos mais “teimosos” alojados nos meus seios frontais. Sem o meu consentimento! Repetido o gesto, encho mais uma vez o recipiente e… ala, de regresso.

Agora já era mesmo noite. Já tinha de vir a”apalpar” para não torcer um pé e, como tal, a passo. Só corria onde o podia fazer com alguma segurança, pelo que, talvez metade do caminho, foi feito a andar.
Tempo total 1,15h .

No dia seguinte, parecia que tinha feito uma maratona, tal era a sensação de peso nas pernas. Mas seria pior se não sentisse nada .

Ontem, mais meia hora. “Douceman.”

sexta-feira, 7 de março de 2008

Dorsais Galucho , "jamé"... ou um patrocínio que "dançou"

O "internacional" Carlos Neto, ao Km 5 da 31ª Meia Maratona de S. João das Lampas


Numa retaliação "primária" ao exercício da cidadania em interesses não coincidentes com a administração da Galucho, foi-nos solicitada a entrega de todo o material promocional da empresa que, ao longo de décadas temos exibido na Meia Maratona de S. João das Lampas.

Tudo estaria bem, se isso não fosse interpretado como um "corte" numa colaboração entre a maior empresa da Freguesia ( e talvez do Concelho de Sintra ) e um dos mais conhecidos eventos desportivos da região.

Cumprimos com o que nos foi solicitado, mas achámos que deviamos enviar uma carta, que agora fica aberta, e que reza o seguinte :


Sr.Comendador


Muito provavelmente não pretenderá despender o seu precioso tempo com uma carta desta natureza e também não é minha intenção justificar a atitude que tomei (pois já o fiz no público texto da “discórdia”). Ambos temos mais que fazer. Ficou V. Exª surpreendido pelo meu descontentamento face à ampliação da fábrica, como se eu não tivesse o direito a falar, por maior que fosse o respeito e consideração que me merecesse?!

Pretendo apenas dizer-lhe o seguinte:
A Meia Maratona de S. João das Lampas tem 31 anos de existência e, mais pelo respeito a uma marca da terra de que nos orgulhamos, do que pelo apoio financeiro obtido (nem sempre recebido), tivemos sempre associado o nome da Galucho na nossa imagem. Com muito orgulho e honra, sou um dos elementos de uma organização que alcançou uma posição de referência no panorama do desporto português. Mas sou apenas um elemento de um grupo homens e mulheres, empenhado e voluntarioso que nada tem a ver com a questão levantada e que, sem pretenderem qualquer protagonismo (e talvez, por isso, não conhecidos de V. Exª) têm desenvolvido um trabalho tão ou mais importante que o meu na organização.
Foi, há dias, solicitado o material publicitário da Galucho à Meia Maratona de S. João das Lampas, em sinal de “rotura”. Ele aqui vai juntamente e desejo, sinceramente, que outros lhe dêem o relevo que nós lhe demos.
Mas com esta atitude, está a transportar-se para o plano da comunidade, uma questão do plano estritamente pessoal. Não era a mim (embora me fosse dito que eu “estava a elevar-me com o dinheiro dos outros”) que a Galucho apoiava, mas sim a um evento que fez tradição e que promove o nome de S. João das Lampas, pelo que me abstenho de comentar esta atitude da Galucho, agora sim, na pessoa do seu Presidente do Conselho de Administração…!
Sr. Comendador
Nas suas palavras, não tenho “dimensão” para me dirigir a si e sei que não sou ninguém, mas atrevo-me a lembrar-lhe que, na vida e nas relações humanas há valores que são bem mais importantes que o do dinheiro e há quem teime em afastar-se deles.
Respeitosamente.


quarta-feira, 5 de março de 2008

Uma Corrida Especial










Pela primeira vez, neste espaço, vou falar de corrida. Já era tempo. Já sinto saudades de expressões do tipo “coloquei o dorsal; aquecimento; partida sem problemas; passada confortável; sentia-me bem; começou a subida; sem sinais de cansaço; aumentei a passada; 4,40/Km; corria nas calmas; tive que abrandar; abastecimento; etc,etc,etc.”

Mas, já fez um mês que me afastei dos “palcos” das corridas e dos treinos e entrei num período de “quarentena”. A contra-gosto, diga-se!

Mas falo de uma corrida que, para mim, tem um significado muito especial: a MEIA MARATONA DE S. JOÃO DAS LAMPAS, que terá a sua 32ª Edição no dia 13 de Setembro de 2008. E quando disse “muito especial” é porque foi nesta prova que me abalancei nas “longas” distâncias, quando ainda não se falava em maratona. Decorria o ano de 1977 e, comigo, outros vinte companheiros, puseram-se à estrada para fazer, pela primeira vez nestas paragens, 21 km a correr.

Em cada um dos anos que se seguiram, sempre em Setembro, S. João das Lampas e aldeias em redor passaram a ser local de destino de muitos atletas oriundos dos mais variados pontos do País.

Estive – e mantenho-me - na organização até aos dias de hoje, apoiado por um grupo com dezenas de elementos que dão o melhor de si visando o êxito de uma prova que passou a constituir uma referência no panorama do atletismo português.

Faltam seis meses! Muito tempo e muitas outras corridas haverá (ou haverão?) até lá. Mas queria deixar já um convite a toda a gente que gosta de correr, para reservar a data de 13 de Setembro. É um Sábado, às 17 horas.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Salvo pela elipse

A Língua Portuguesa é “muito traiçoeira” e, às vezes, pensamos que escrevemos bem e, posteriormente, ficamos na dúvida se não teremos cometido erro.

Há dias escrevi um texto – o 2º deste blog - a que dei um título que pareceu padecer de falta de concordância e fiquei a pensar se teria cometido erro.

Aproveitando um “canal” para esclarecimento de dúvidas sobre o Campeonato de Língua Portuguesa, apresentei a questão da seguinte forma :


OláVenho solicitar-vos um esclarecimento que não tem, propriamente, a ver com os dois testes do Campeonato já efectuados, mas com uma dúvida que me surgiu.Escrevi um artigo para a comunicação social a que chamei : "Poderes que se sobrepõem ao das Leis". Na altura soou-me bem, mas, à posteriori, pareceu-me que errei, pois penso que deveria ter escrito "aos das Leis" (no plural).Será que haverá alguma possibilidade interpretativa (benevolente, claro) que possa aceitar como correcta a contracção "ao" no singular ? Ou a minha "argolada" é de palmatória ?Agradecendo o esclarecimento, subscrevo-me com a maior consideração.Fernando Andrade

Entendendo que não cometo nenhuma inconfidência, pois quanto mais abrangente for o esclarecimento, mais propósito haverá nele, aqui vai a resposta :


Caro Fernando Andrade
Embora, como refere, ela nada tenha a ver com os temas dos testes do Campeonato da Língua Portuguesa, aqui estamos a responder, gostosamente, à sua pergunta.
Intitulou um seu artigo de "Poderes que se sobrepõem ao das leis". Posteriormente pareceu-lhe que o título estaria errado e que deveria ter escrito "Poderes que se sobrepõem aos das leis", forma de cuja correcção ninguém duvida, mas que tem um conteúdo diferente. Enquanto que no 1.º caso considera que as leis têm um poder, no 2.º caso já admite que os poderes são vários; daí que as redacções sejam diferentes, conforme os casos: "Poderes que se sobrepõem ao (poder) das leis" e "Poderes que se sobrepõem aos (poderes) das leis".
Mas vamos ao que interessa, que é saber se aquela forma que utilizou, e sobre a qual tem sérias dúvidas, é defensável, mesmo que para tal haja que apelar a alguma "benevolência", para utilizar a sua expressão. Do nosso ponto de vista, não se trata de uma "argolada", muito menos "de palmatória". Basta invocar uma figura de estilo, a elipse, para considerarmos correcto o tal título. Na verdade, ao escrever "Poderes que se sobrepõem ao das leis" fica subentendido o substantivo "poder", vocábulo que se omitiu "ao abrigo" da referida figura de estilo, assim evitando a repetição da palavra «poderes», embora no singular. É, pois, inteiramente pacífico aquele título: "Poderes que se sobrepõem ao das leis", pois equivale a "Poderes que se sobrepõem ao poder das leis". É válida a supressão de uma palavra num enunciado quando essa mesma palavra pode ser subentendida no respectivo contexto. Um exemplo de elipse: "Há vários poderes, mas o judicial é o que actualmente mais nos preocupa". A elipse não prejudica minimamente o entendimento da frase.
Pensamos que estará dada a reposta solicitada.Com os nossos cumprimentos,
a Comissão Técnico-científica


… e esta hein!???