quinta-feira, 31 de julho de 2008

Raide 2007 -Conclusão

António Rebelo e João Hébil, com a "armada madrilena" em alegre recuperação (foto de Ana Pereira)


Vejo que, um pouco à minha frente, um atleta alto, de equipamento escuro, optou por parar e colocar as suas grarrafas na mochila. Não achei má ideia, mas parecia-me que, se eu parasse de novo, ia ser um problema recomeçar, pelo que entendi melhor continuar com ambas as mãos ocupadas.Lá vai mais um atleta a passo. Parece que não mas, quando ainda conseguimos correr, vermos alguém a andar, dá-nos algum alento. Pode é ser por pouco tempo.
Por volta dos 32 Km, a cena do Luis Oliveira, repete-se. Desta vez era o João Serra, meu companheiro de Equipa, a Açoreana.Seguros: - Bora, João - digo-lhe eu.- Eh, pá, estou cheio de caimbras!Dali a pouco, lá me ponho eu a passo. O João “apareceu” ao pé de mim e, ambos a passo, prosseguimos o caminho, que não tinha nada que enganar. Andávamos 100 metros, corríamos o que as caimbras deixassem.
Um trio de atletas, passa-nos e um deles tira-nos uma fotografia.Passa,depois, o José Valentim, o homem que num mês “espeta-lhe” com três ultra-maratonas : Comrades; Freita e esta ! E esta, hein!? De repente, era ela, a Analice ! Lá se ia um “ponto de honra”, mas não havia capacidade de reacção! Pouco depois, passa a Rute Sousa, nossa colega de equipa . Vai bem, dirige-nos um: -“então?, vamos embora!”, mas a nossa reacção foi apenas um “-Vai,Rute, força”, que nós estávamos ... como dizer?... “prontinhos”.
-Agora vamos até à tenda verde! –dizia o João.-Bora! –dizia eu.
-Agora vamos tentar atravessar e praia –dizia eu.-Bora! -Dizia ele- só se a caimbra não deixar !
E falávamos da “loucura” que nos levava para ali, sentida no momento, mas que sabíamos vir a sentir vontade de repetir, logo que esta terminasse. E doía-nos o coração de estarmos apenas a andar, enquanto passávamos por um piso excelente para correr .E andámos nisto. Aos 37,5Km o João disse-me para prosseguir (aliás, já o tinha dito antes) e não voltei a parar até à meta, ganhando, até, algumas posições.5.26.40, foi a marca com que tive de me contentar, que foi boa atendendo à fraca preparação que fiz, mas que foi má se atendermos às excelentes condições climatéricas e... de piso.
Depois foi o repouso na tenda da fruta para ganhar ânimo para ir ao duche. Aí tive oportunidade de conhecer os nossos amigos Miranda e Serrazina, mas, lamentavelmente, o ânimo ainda não se encontrava suficientemente recuperado para conversar um bocadinho com eles sobre as suas experiências “ultra-maratónicas”. Há-de haver outra oportunidade.
Segue-se o duche...frio –brrr. Como não era o único, uns deram coragem aos outros (Um abraço Vitor Silva, António Rebelo, José Valentim).Uma chuva fria e incomodativa fez-nos uma visitinha. E a roupa que tinha não era adequada a estas condições, pelo que passei um bocadinho de “briol”, até que o sol reaparecesse, para permitir a entrega de prémios e o convívio final ao ar livre, na Praça das Quadras.
Caía, assim, o pano, sobre mais uma edição do Raide 2007 .
Uma palavra de apreço pelo excelente trabalho da organização a cargo da Câmara de Grândola e para o grande número de voluntários que foi determinante para mais este grande sucesso desportivo.
E em 2008 ? como vai ser ?

Raide 2007-Parte II (...mais um bocadinho)

No princípio era o "afundanço". E tanta areia assim, pela frente !
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Desde cedo comecei a sentir a mochila a arranhar as costas, na zona lombar! Mau, Maria! Ponho a mão e vejo que a T-shirt se enrolava, deixando a pele em contacto directo com a mochila (digo sempre “mochila”; não gosto de dizer “camelbag” ! é assim ou não é, Orlando Duarte?). Lá compus a T-shirt (também não gosto de dizer “T-shirt”, vou passar a dizer “camisola” ) para baixo, gesto que tive de repetir mais algumas vezes, mas esta pequena contrariedade, foi suficiente para me deixar a região lombar marcada de tal forma que, depois, no duche, só apetecia dizer palavrões.
Pelo caminho, a minha mente ia a matutar :- que raio de velocidade é esta !?; -será que vou a 7m/Km (condição para concluir a prova nas 5h)!? Só o saberia quando chegasse à primeira das bandeirinhas, colocada aos 5,5Km ! Lá estava ela:- 39 minutos ! Não estava muito fora dos planos, mas a verdade é que o à-vontade e a descontracção com que esta passada deveria ser encarada, não o estava a ser. Achei logo que seria melhor encontrar o tal passo confortável e esquecer o relógio.
À medida que a distância ia sendo percorrida, os atletas dispersavam-se mais. Cada vez era maior o espaço entre o da frente e o de trás. “Levanto o pé” por alguns minutos e olho para trás. Vinha lá a Analice, a 50 metros! Inconformado, resolvo abandonar o estado de “relaxaria” em que estava a correr e, progressivamente, aumentar o andamento sem provocar grande “choque”. Passado um bocado, talvez meia hora, volto a olhar para trás e já não a via. Bom, a coisa compôs-se. Por volta dos 15 Km, os ténis é que começaram a meter areia e eu estava a sentir que uma bolha estava a preparar-se para surgir no dedo grande do pé direito. Antes que fosse tarde, resolvo então utilizar o “material” que estava destinado a esta eventualidade : -“arreio” a mochila e tiro de lá um saco de plástico e um “resguardo” também de plástico. Descalço-me , tiro a areia dos ténis, lavo as peúgas encho de água o saco e vou sentar-me no tal resguardo, para me calçar de novo, podendo tirar a areia dos pés na água do saco! Nisto passa o Eduardo Estevez, que me cumprimenta e a quem digo, por graça, que ia acampar ali (vontade não faltava!) e, depois de calçado de novo e “tralha” arrumada, retomo o caminho. Noto que me vou aproximando de um atleta (pudera… ele ia a andar!) vestido de cor-de-laranja . Era um rapaz meu conhecido e conterrâneo, o Luís Oliveira, estreante nestas andanças. Dirijo-lhe uma palavra de incentivo e continuo, como se estivesse muito melhor do que ele. Mas não. Corri talvez uns 200 metros mais e pus-me, também, a passo. Ele fez um esforço, aproximou-se e lá fomos os dois andando… na maior. E quem é que estava a chegar perto de nós, quem era? A Analice! Nãããooo! - Bora, Luís.E ele veio comigo até aos 28,5km, local do abastecimento.
Prossegui, de novo, sozinho, com uma garrafa de água em cada mão e ainda com quase toda a água na mochila, pois a temperatura não obrigou a grandes consumos. Em suma : fui ainda mais carregado, mas não fui capaz de dizer que não, a quem tão gentilmente, me dava aquela água.
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quarta-feira, 30 de julho de 2008

Raide 2007-Parte I ( ... eu e a "moda dos capítulos", mas é para não chatear muito)

Antes da partida, com António Pereira, João Hébil e Carlos Neto



“Se não fosse pelo dinheiro, a gente não andava aqui, não!” – Depois de seis horas e tal de prova, era assim que um raider, todo "torto", a coxear, com bolhas num pé, dizia para outro que estava nas mesmas condições. Era o nosso amigo João Hébil a caricaturar a nossa participação nesta prova que é tão longa e tão dura, mas também tão aliciante.
Vá-se lá explicar esta misteriosa atracção que continua a ser incompreensível para o comum dos mortais.
7,30 da manhã. Estacionado em Melides (desta vez não fui no autocarro disponibilizado pela Organização) tudo o que via à minha volta me era familiar. Quase todas as caras eram conhecidas, o que atesta que a “reincidência” neste “martírio” é uma das principais características dos raiders.
Dorsal levantado, equipo-me e avalio o "conforto da carga” (2 litros de água, 3 cubos de marmelada, 2 powergels, 2 barras energéticas, uma banana, uma maçã, uma garrafa de pawerade. Ah …e ainda, umas peúgas, um saco de plástico e um pedaço de plástico. E telemóvel). Convenhamos que era mais pesada do que aquilo que eu queria, mas…Apliquei protector solar disponibilizado pela Organização (…e graças à influência do nosso amigo Luís Parro junto da Coppertone) e, enquanto nos fomos aproximando do local da partida, troca-se umas larachas com amigos, tiram-se umas fotos e ouvimos atentamente as palavras da Directora da Prova e do Sr. Vereador, esclarecendo dúvidas e desejando a todos uma boa Prova.
O tiro da partida pôs em movimento a centena e meia de atletas inscritos que, cheios de energia – ainda – remexiam a areia seca de forma determinada, o que provocava um som engraçado. A maré já tinha deixado a descoberto uma superfície de areia lisa, se bem que ainda “fofa” e a obrigar a correr em plano inclinado, pelo que houve quem, nos primeiros quilómetros tivesse optado por correr na areia seca, pela parte superior da duna. Eu, ao ver que uns iam para a esquerda, outros para a direita, fiquei meio despistado, sem saber quais é que havia de seguir. Optei pela esquerda, se bem que procurando acautelar que os pés se molhassem logo no início. Desta vez não via ninguém subir as dunas. Antes pelo contrário, ia-os vendo a descer para junto da água.As condições atmosféricas estavam excelentes: céu encoberto, vento fraco e a favor, uma ligeira neblina que, contudo nos encurtava o horizonte, escondendo-nos a paisagem e trazendo uma certa monotonia no percurso. Gente “normal” não havia (e logo que desta vez, estava preparada uma campanha informativa aos banhistas) e, não fossem uns quantos pescadores – também poucos – e um ou outro familiar ou amigo de raiders em prova, teríamos mesmo atravessado 43 km de “deserto” (não! O ministro não é pr’aqui chamado).
Para pôr em prática uma das minhas “ideias”, a de “relativizar” o tempo, 10 minutos depois de andar a correr, coloco os auriculares e lá vou eu a ouvir música, numa selecção da responsabilidade do meu filho (-acho que vais gostar destas - dizia-me ele ). Duração da música: 2 horas ! Mas, a grande verdade é que a teoria é uma coisa e a prática é outra, pois a música acabou e demorei mais de meia hora a aperceber-me disso. Apesar disso, “vira o disco e toca o mesmo” para mais duas horas, mas não chegou ao fim, porque já tudo me irritava : a música, a pressão nos ouvidos… ná! 1º Erro – Só deveria ter ligado a música depois de 2 horas de corrida. (outros se seguiram, mas, por agora...)

sábado, 26 de julho de 2008

Apontamentos do Raide 2006 - IV (conclusão)I

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Pensava eu que, por este ano, as coisas acabariam por aqui. Mas não! Como vim por Alcácer e apetecia-me um cafezinho, parei na estação de serviço de Palmela. Cruzo-me então com o nosso amigo Joaquim Antunes e sua família. Sou confrontado com uma situação nova : “pôr um autógrafo na compilação das Melíadas, que ele se tinha dado ao trabalho de fazer e a que chamou "Melíadas Forever” . Obviamente que me senti bastante honrado com isso, mas também é verdade que fiquei meio engasgado com tal distinção. Tanto mais que foi ele que teve o trabalho de reunir todas aquelas estrofes que me diverti a fazer enquanto falávamos do Raid. Obrigado, Antunes. Forever !

Ainda falta falar da apreciação que fiz desta edição do Raid, se calhar, a única parte que interessa deste “estendal” que tenho vindo a fazer e que, se não me ponho a pau, vai demorar mais tempo que o próprio Raid.

Falta, então, a crítica que, como não podia deixar de ser, pretende ser construtiva :

1-Potencial – Trata-se de uma Prova com um enorme potencial turístico-desportivo que, bem promovida poderá captar muitos participantes estrangeiros, pois em Portugal, infelizmente não chega às 5 centenas o número de maratonistas e destes, apenas uma parte se dispõe a envolver-se na aventura. No entanto, a quase duplicação do número de participantes de 2005 para 2006 é um forte sinal de que este Raid estimula a apetência dos atletas que gostam de grandes distâncias.

2- Promoção – Caso a Organização pretenda crescer além fronteiras, será necessário promover a Prova a partir de agora ! Em todos os locais onde se fale de Desporto-Aventura e na internet, principalmente nos sites espanhóis.

3-Calendário – A escolha da data, tendo como referência a previsão das marés, é muito importante. Por outro lado, este ano, aconteceram 3 eventos (Trail da Freita –Raid Melides Tróia e de ultramaratona, no mesmo mês! Não é bom para nenhum, pois a “clientela” é a mesma.

4-Regulamento – A grande maioria dos atletas são veteranos. Acontece que apenas são consideradas 2 categorias de veteranos ! Em minha opinião seria preferível atribuir prémios quase que simbólicos às diferentes categorias, dando primazia à geral masculina e feminina. É que assim como foi (quando é um veterano que ganha a prova) gera-se sempre a dúvida relativamente aos outros veteranos, tipo, “fui o 2º, mas como o vencedor optou por ser sénior, vou passar a 1º?, ou será que ele foi sénior só para o prémio?).

5- Animação nas Praias - No sentido de informar os banhistas, seria de grande utilidade informação através de aparelhagem sonora da passagem dos raiders, fazendo com que alguns desses banhistas, pudessem ser público. É que 99% dos banhistas não fazia ideia de quem eram aqueles “malucos” que ali passavam, de mochila às costas e com ar cansado.

6- Recipientes de recolha de lixo – Não vi. A menos que estivessem colocados no mesmo local onde eram dadas as garrafas. Deveria haver informação sobre esses locais.
No meu caso, trouxe tudo comigo (excepto os caroços da maçã, por serem biodegradáveis e a tampa de uma das garrafas, que perdi).

7 – PARABÉNS –Estes pontos são apenas pormenores que, na minha modesta opinião – que ninguém pediu – poderiam contribuir para melhorá-la. No entanto, quero endereçar à Câmara de Grândola sinceras felicitações pelo excelente trabalho efectuado e um grande Bem Hajam a todos os voluntários que, durante todo o dia, se empenharam na assistência aos atletas em prova, para que nada lhes faltasse.

Já estou com saudades. Venha o Raid 2007.

Apontamentos do Raide 2006 - III



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Para não ir com as duas mãos ocupadas, resolvi prender uma das garrafas na correia da mochila. Quando dei por isso, a tampa tinha saltado e a garrafa, na minha perspectiva, já ia meio vazia. Continuei com uma em cada mão, optando, no entanto por gastar primeiro o resto da que ia na mochila, dado que era incerta a quantidade de água ela ainda continha. A das garrafas estava à vista e podia dosear !

O piso, entretanto melhora. Como o meu relógio não contava as horas, cada 60 minutos voltava ao princípio e eu já não fazia ideia de quantas horas tinha de prova. Seriam 4?, seriam 5? Seriam 6?

Impiedoso, o sol ia-me atacando por trás e eu já começava a sentir os seus efeitos. Alcanço mais alguns companheiros que, lá atrás, me tinham escapado (um abraço Valentim e Analice) e entro na sucessão de curvas à direita e “nenhuma” delas era a última! Recebo os aplausos de um naturista (“tostado” como se passasse ali dias e dias ao sol) que, obviamente, agradeci, tentando encarar com naturalidade, o insólito incentivo de uma “saudação pendular de um quinto membro” que se movimentava ao ritmo das palmas.

Com cerca de 35 Km de Prova fui "apanhado" pelo amigo Alexandre Beijinha, que estava a curtir um solzinho


Dou mais uma curva para a direita. Desta vez era a última. Lá muito longe avistava o desejado pórtico que parecia minúsculo. Mas pronto… estava à vista o que ainda tinha para correr. Bebo os últimos goles de água, aproximo-me e, como a distância mais curta entre dois pontos é um segmento de recta, procurei a perpendicular ao pórtico, para não entrar lateralmente. Asneira ! Andei para ali a contornar chapéus e toalhas, a incomodar banhistas, até que um elemento da organização me vai encaminhar para o corredor final. É que eu deveria ter continuado por mais alguns metros junto à água. Mas a verdade é que o pórtico também deveria posicionar-se na perpendicular desse corredor para não induzir em erro.

Últimos 20 metros. YEEEESSSSS.!!! Já cá canta ! Com uma corrida estranha, ergo os braços de contente, saboreando aqueles momentos que gente amiga, na meta, registou de forma sublime.


Ó p'ra ele: feliz e contente por chegar !



Já não sabia andar! Encaminho-me para o gradeamento, meio nauseado e sob a vigilância de dois elementos da Cruz Vermelha, “esboço” uns vómitos sem conteúdo e fiquei bem.

Logo a seguir a estas “náuseas de alívio” (gostaram desta?) entro na tenda e fazem-me uma massagem. Devo dizer que, muscularmente sentia-me óptimo, o escaldão é que me estava a incomodar.



Ó Gregório !!!!!!

Segue-se um período de repouso na sombrinha da tenda de recuperação, onde me podia refrescar à vontade com água, fruta, ice-tea.

Depois dos necessários momentos de relaxe em que troquei comentários com outros companheiros e em que ia vendo chegar um… e depois, outro…, fui buscar o carro e tomar uma banhoca. Ao espelho vi melhor o bronzeado de ciclista que tinha ! Espectáculo ! As partes escurecidas, principalmente as da região posterior (que apanharam com o “espertucho” doíam-me com’o caraças e hoje já passaram à fase do prurido. Falta pouco para entrar na fase da “esfola”. Continuando, juntei-me a um grupo de amigos e encaminhámo-nos para o local do convívio, onde iria ser servido um lanche e distribuídos os prémios. Aí, enquanto mordiscávamos qualquer coisa, íamos vendo o filme do Raid de 2005. Ainda estou impressionado com aquelas excelentes imagens. Umas, porque mostravam em grande plano e em grande forma o saudoso João Campos, que ficou na segunda posição, depois de ter sido “ameaçado” por um caniche; outras, pelo vigor na passada demonstrado pelo Pedro Pessoa já na parte final da Prova! Parecia que estava a fazer 400m ! Seguiu-se um breve discurso do Sr. Presidente da Câmara ( o respeitável Edil, nos versos do “outro” ) em que deu ênfase ao facto de “os grandes embaixadores do litoral de Grândola sermos nós”. Gostei de ouvir isto e até fiquei sensibilizado. Prémios entregues, despedidas feitas e eis que sou brindado com um prémio que não estava nos planos: então não é que o João Hébil vinha preparado com uma tacinha para me oferecer, pronta para corrigir uma eventual ausência de prémio de participação !? E até vinha gravada e tudo: “ Raid Pedestre Melides-Troia “-30.JUL.2006 – Participação AtlasCopco/Madrid”. E esta hein!?? Obrigado, João!


(o próximo é para concluir!)


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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Apontamentos do Raide 2006 - II

Ainda na partida

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De facto, agora sentia-me mais solto e, mesmo pela areia seca, fui recuperando posições, até que tive de afrouxar. Por volta dos 11Km, olho para a esquerda e, lá em baixo, juntinho à água, vinha a Chantal, que ganhou em 2005. Admirei-me de ela ainda vir ali, mas reparei que os seus pés, embora molhados, não se afundavam. “Olá! Troco já a areia solta pelos pés molhados!”- pensei e, na verdade, até deixei a Chantal para trás depois de meia dúzia de palavras (disse-me, com o seu sotaque engraçado, que este ano estava com anemia e, por isso, não arriscava muito) . Então… já que o piso agora era favorável, aproveitei e ia vendo os outros lá em cima, na areia solta, a ficarem para trás .

Porém, a rebentação das ondas, interceptava a minha trajectória e a água foi-me enchendo os sapatos de areia até que os pés já tinham dificuldade em lá caber. Não tive outro remédio que foi descalçar-me, tentar tirar a areia e voltar a calçar-me. Isto repetiu-se mais duas vezes. Cerca dos 16 Km resolvi descalçar-me, atar os sapatos à mochila e … andar. Ia-se bem, a usufruir, sem cansaço, daquela interminável costa, com a água a convidar a uma banhoca. Mas não. Foram talvez 3 Km aqueles que fiz a passo, e, neste período, muitos foram os raiders que me passaram e me dirigiam uma palavra de estímulo, mas eu… estava noutra! Comecei a fazer contas e vi que, a continuar assim, chegaria a Tróia já com o controle encerrado. Não podia ser. Encontrei uma garrafa de 1,5 L abandonada por ali e fiz com que ela tivesse alguma utilidade: enchi-a de água do mar e, calmamente, sentei-me tirei a areia dos pés e das peúgas. Um companheiro aproximou-se da garrafa para fazer o mesmo :-“Ohh… mas isto é uma bolha! Eu a pensar que era areia! Não há nada a fazer, vou ter que gramar!”-disse ele. E continuou. Acabei de me calçar, enchi-me de coragem e fui atrás, agora com mais atenção à água para ver se me mantinha a correr por mais tempo. E a verdade é que até consegui não voltar a parar. Recuperei novamente muitos dos lugares que tinha perdido.

Nas praias, por onde ia passando, houve alturas em que tinha de ziguezaguear por entre os banhistas que não se apercebiam da aproximação. Alguns até aplaudiam, mas 99% nem sequer sabiam quem eram aqueles “malucos” que a espaços tão prolongados, iam passando pela praia. Que bom seria que aquela quantidade de banhistas assumisse a função de público! E não teriam de alterar muito os seus planos : estavam na praia e continuariam na praia. Só precisariam de saber quem era aquela gente estranha. Uma aparelhagem sonora nas principais praias teria dado um excelente resultado. Mas esta é uma questão a ser abordada mais à frente.

Impressionantes são as aproximações e os afastamentos dos nossos companheiros de jornada. A falta de sincronização das performances, acaba por apelar ao esforço individual, se bem que registe com muito agrado o grande espírito de entreajuda. Na alternância de posições (um abraço, Vítor Silva) há sempre uma palavra de estímulo para quem vai mais lento.

28,5Km – Lá estão as duas garrafinhas com água fresquinha. A da mochila estava morna e devia estar a acabar.

(continua)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Apontamentos do Raide 2006 - I

Com o Zen e o Joaquim Antunes, antes da partida (já a seguir)


Nestes breves dias que anteced em mais uma edição do Raide Melides-Tróia, revivo momentos resultantes da experiência tida nestas andanças. Para quem tiver a paciência de ler, vou "falar-vos" do que vivi em 2006, na minha 2ª participação na prova .

Raide. Para a grande maioria das pessoas trata-se de um dos esforços mais inúteis que alguém pode fazer! Mas, para quem o fez, trata-se de uma conquista que não encontra equivalentes neste mundo. E é a prova de que a vida, para além da demanda a que nos habituámos, é recheada de outros grandes valores. Podem ser insólitos, inexplicáveis, bizarros. Mas o que é preciso é saber descobri-los, na certeza de que não valem menos que os convencionais. É, no fundo, o valor do ser-se capaz!

E foi assim, que no dia 30 de Julho, manhãzinha cedo, depois de uma contagem decrescente cheia de imaginação, 157 dos 164 inscritos, se apresentaram, à hora marcada, na Praia de Melides, para cumprir a dura (mas gratificante) missão que impuseram a si próprios.

Uns minutos de espera, a aplicação de um protector solar “rasca” que não veio a servir de nada, o reencontro com muitos amigos destas andanças e a satisfação de, finalmente ter conhecido o Zen ! Umas fotos a assinalar esses momentos e vou bebendo uns goles da garrafa de litro e meio de água que nos deram.

Nuns breves momentos de concentração vou até à beira da água para experimentar a areia. “–Isto vai ser lindo, vai !” – pensei cá para comigo, depois de ver que a maré não “estava a jeito” e escondia-nos a “passadeira” por onde pretendíamos correr. Por outras palavras : “puxou-nos o tapete!”.

Ouvimos com atenção as indicações da Organização e as palavras de incentivo do Senhor Vereador, enquanto não podíamos deixar de dar atenção aos diferentes tipos de indumentária com que cada um iria enfrentar o desafio. E lá estava o trio da Atlas Copco de Madrid “capitaneado” pelo nosso João Hébil, em grande estilo, impossível de passar despercebido. Uma iniciativa publicitária bem conseguida (João, vais ter direito a mais umas reuniõezinhas na estranja, na altura em que houver por lá uma maratona!)!

Soa o tiro da partida ! Pela areia plana, porém seca, o grupo foi-se dispersando, procurando inutilmente os locais onde houvesse maior firmeza do solo. Cada um foi encontrando o seu ritmo como pôde. De facto, era mau correr na areia solta, mas a verdade é que todos os que tentavam descer a “rampa” para correr junto à água, acabavam por voltar a subi-la, constatando que a grande inclinação não facilitava a corrida e que areia, embora molhada, “afundava” juntamente com o sapato. “-Não adianta” - dizia um – “é mau na mesma”! Tínhamos mesmo de continuar na areia seca.

Encontrámos um rodado de um tractor ! Era vê-los a colocarem-se em fila indiana por esse trilho, na esperança de que o tractor já tivesse calcado a areia. Lembrei-me do Aleixo naquela quadra : “Quando um náufrago se estafa / Julga ver, triste ilusão / Na rolha de uma garrafa / A tábua de salvação “ . A rolha, claro, era o trilho e o náufrago era uma “espécie de raider” (no caso, eu) que já ia com umas dores lombares desconfortáveis – e nem cinco Km tinha ainda feito! Como se isso não bastasse, os intestinos também se insurgiram contra mim.

Vejo lá à frente a bandeirinha dos 5,5 Km ! –“Acho que vou ter de fazer uma pausa”- mas sem querer levantar suspeitas aos membros da Organização que ali estavam, esperei que anotassem o meu dorsal e disse-lhes que iria alterar a minha rota para junto dos arbustos, mas que voltava. Havia uma certa curvatura da duna naquele local e eu, agachado, ia vendo as cabeças a passarem : “-Lá vai uma! Lá vai outra, outra…” e eu sem me apetecer sair dali! Foram, cinco minutos bem passados e, quando retomei o rumo, a disposição era bem melhor e voltei a ter um ritmo de passada mais a meu contento.

(continua)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

32ª Meia Maratona de S. João das Lampas



Hoje é um dia especial, pois foi colocado on-line o logotipo da 32ª Meia Maratona de S. João das Lampas, a realizar no dia 13 de Setembro. Embora possa ser suspeito, devo dizer que considero este trabalho, um dos melhores que já vi, em termos de imagem de provas, e cuja autoria é dos nossos amigos da Runporto, competente equipa liderada por Jorge Teixeira que, tal como em 2007, presta uma colaboração especial à Meia Maratona de S. João das Lampas. Para eles, um grande abraço de gratidão.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Raid Melides-Tróia 2008

A chegada em 2007





A chegada em 2006



A carinha dele após o Raide de 2007


Eu devo ser mesmo “passado da carola” ! É verdade que a força da mente vale metade da que é precisa para se atingir um objectivo. Mas eu já estou a querer que valha 90% !
E o pior é que se trata de um objectivo que, embora já tenha sido alcançado por 3 vezes, é um bocadinho ousado para o meu estado actual de preparação.

Então não é que, só pelo facto de eu ter “encabrestado” nele, fui fazer um treino de 2 horas (que incluíu 35 minutos na praia), senti-me bem e... fiquei a pensar que o Raide Melides-Tróia 2008 já cá canta!??

Devo dizer que esta aventura do Raide, em 2005, pela “transcendência” que o envolvia, se transformou numa autêntica “saga” de devaneios, mas que me proporcionou excelentes e divertidos momentos de reflexão e recreação nos foruns de corrida, que se repetiram em 2006 e 2007. Foram as intermináveis “Melíadas”, com que iam sendo feitas as actualidades sobre esta Prova.

43Km corridos na praia entre Melides e Tróia é uma experiência inolvidável que, enquanto puder, gostaria de repetir sempre. Voltarei ao tema .

terça-feira, 8 de julho de 2008

O Tarik


Cada vez mais me convenço que, por obra do Homem, as restantes espécies vão tendo cada vez mais dificuldade em saber qual o espaço que têm direito a ocupar neste mundo e vão ficando, progressivamente, desadaptadas às condições que, abusivamente, lhes fomos impingindo.
Só porque nos achamos superiores (temos “alma” e tudo) entendemos que os restantes terráqueos devem seguir os nossos valores e sujeitar-se às nossas pressas e a viver de favor no espaço de que nos apropriámos e que eles também têm o direito de utilizar.
O mundo tornou-se hostil. O menor descuido pode traçar o fim.
Digo isto em reflexão, pois habituei-me a ter, todas as manhãs, quando abria o estore da janela do quarto, a saudação amiga do Tarik. Dava o seu “miau” a pedir uma festinha e ficava ali, sossegado ou a roçar-se, meigamente, a pedir mais. Hoje, ninguém sabia, mas fê-lo pela última vez!
Quando eu saía do portão, após o almoço, vi que ele jazia no meio da estrada, após um atropelamento que, desta vez, foi fatal.
À distância, pode pensar-se que foi apenas um gato que perdi e que é “lamechas” este apontamento. Mas se a relação de afecto que estabeleci com o “bichano” se perde por causa tão forte, cria-se uma espécie de ferida que, como tudo aquilo porque passamos e nos magoa, só o tempo há-de sarar.