sexta-feira, 28 de novembro de 2008



Tenho andado com preguiça! Não sei se é do frio… mas a verdade é que nem me tem dado para correr (o que ainda se compreendia, pois sair de casa à noite, sozinho e com frio é pouco apelativo) nem para escrever. Faço a “ronda” pelos blogues habituais, ainda esboço um comentário, que acabo por apagar por achar idiota ou por receio de ser mal interpretado. Remeto-me a um silêncio que me inquieta, talvez por achar que tudo o que escreva deva sair “direitinho”, esquecendo-me até das outras “parvoíces” que já aqui tenho postado. Por isso, que adianta ficar aqui “atrás do pano” a ver o que se está a passar, sem dizer as “duas ou três coisas que sei dela” (para usar a frase feliz do nosso amigo Margarido, que está de parabéns pelo 1º aniversário da “menina dos seus olhos”, que é o Orientovar) seja “ela “ quem for.
Mas há também as inquietações da vida que contribuem para a “perdição”, tirando-me o ânimo e a disposição para me meter às coisas.
O que vale é que vem aí a Maratona, que sempre dá para “espevitar” um bocadinho a pasmaceira em que me encontro. E, mais uma vez, lá vou eu correr os 42 e tal, com uma preparação muito…”repousada”. Se a coisa correr mal, de certeza que não será por “over training”, eheheh.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Lembrando a Maratona de Lisboa 2007

Ó p'ra ele aflito do pé ( e já com um sapato de cada cor...)

Do que foi a minha participação na 22ª Maratona de Lisboa, em 2007, deixo-vos o relato feito na altura:
Mais uma vez tive o privilégio de participar na Maratona de Lisboa, em que, para o que se dizia da falta de apoios, não se notou a perda de qualidade em aspectos essenciais.
Em termos climatéricos, o dia esteve excelente : sol fraco, temperatura amena, sem chuva nem vento.
Cheguei cedo a Lisboa. Vou até à Praça do Comércio para me encontrar com o pessoal da equipa e outros amigos, receber o dorsal e o chip que ainda não tinha em meu poder. Nisto, estavam a ser 9 horas.
Saio com um certo cuidado na companhia do meu amigo Carlos Neto mas, apesar do cuidado, notámos que estávamos a andar a um ritmo muito mais rápido quer os 5'/km, pois a ideia era passar à Meia com 1,45 e terminar com 3,30.
Aos 10 Km, em vez dos 50' levávamos 46'! Mas, o que nos confundia era o facto de nos sentirmos bem e com margem. Chegámo-nos a uma dupla (atleta invisual e o seu guia) e vimos que aquela era uma passada muito bem controlada e optámos por ir ali.
Aos 15 km levávamos 1,09, mas começo a sentir uma leve pressão na planta do pé esquerdo e pensei logo : - acho que estou a arranjar uma bolha no pé. No Martim Moniz, aos 16km, resolvi parar e ajeitar a peúga, para ver se acondicionava melhor o pé. Pouco melhorou, mas deu para prosseguir, se bem que com um andamento mais moderado. Meia Maratona : 1,39! Lembrei-me que ainida há 3 semanas, na Nazaré, tinhas feito 1,43 e acabei prontinho! Não fora a bolha e continuava a sentir-me com força.
Aos 30Km, no abastecimento, páro,tiro o sapato e a peúga, lavo, volto a calçar e esboço uns passos de corrida. Terrível. Não dava. Tento ir descalço, mas ainda era pior, pelo que os 12 km que tinha pela frente iriam ser duros.
Aos 32, depois da passagem pela meta, vou ao carro, troco a peúga e o sapato e ponho na bolha, que tinha rebentado, uma coisa que eu pensava que era vaselina. Depois, pelo cheiro é que vi que afinal era um creme de massagem do Carlos Neto, que ardia, como o caraças. Com um sapato de cada casta, lá continuei a prova tentando, ao máximo, disfarçar a dor. Claro que, com tudo isto, o tempo fantástico que tinha feito na 1ª parte, já tinha sido todo deitado fora.
Porém, consegui manter uma passada mais lenta, mas regular, que me permitiu chegar à meta com 3,30,25, ou seja, apenas mais 25 segundos do que o objectivo que trazia e que, com toda a certeza, ficaria abaixo das 3,25, não fosse o infortúnio.
Mas fiquei satisfeito.
Da apreciação que faço desta prova, gostaria de realçar que a Pasta Party estava excelente quando comparada com 2006!
Terem utilizado copos com isostar nos abastecimentos, o que permite racionalizar melhor o produto e, na verdade, ninguém necessita de maior quantidade do que aquela que foi posta nos copos. É que é uma "dor de alma" o desperdício que se tem visto por aí. Quando se referem aos aspectos higiénicos parece-me que não são relevantes.
A única coisa que não gostei foi o excesso de zelo com que o abastecimento dos 35 km funcionou, proibindo que, após o retorno, aos 39Km, os atletas pudessem ter uma garrafinha de água, porque a teriam aos 40Km! Tratando-se de um período crítico para os atletas, seria um bom serviço que lhes se lhes prestava. Mas se, de todo, isso criasse confusão, seria melhor, fazer o abastecimento aos 34,5Km e aos 39,5Km, pois num único ponto refrescava-se os que iam e os que vinham.
A animação, já se sabe, não havendo dinheiro, "não há palhaços". Mesmo assim, viram-se alguns na 24 de Julho, que iam largando umas bocas (umas mais engraçadas que outras) que sempre divertiam os atletas.
Para já, é o que me ocorre dizer sobre a 22ª Maratona de Lisboa, mas não quero terminar sem dar os Parabéns à Organização por mais um excelente trabalho.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Maratona : Prós e Contras

A Maratona de Lisboa aproxima-se rapidamente.

Dei por mim a rever um interessante debate entre os defensores e os cépticos da maratona no forum de o mundo da corrida, em 2006. Aqui vos deixo o link para os que tiverem curiosidade . O tópico era denominado " Como cativar novos maratonistas!?" e constituíu um enorme sucesso.

http://www.omundodacorrida.com/phpBB2/showthread.php?t=3654

... e estaria ainda para durar...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

PUUUUM !!!!!






















“… e a terra, de tal maneira é graciosa,que querendo-a aproveitar dar-se-á nela tudo!”

(Da carta de Pêro Vaz de Caminha a El Rei D. Manuel, sobre o achamento do Brasil)



No vasto ciberespaço onde navego
Qual mar imenso e qual casca de noz,
O blogue bem singelo em que me entrego
É garrafa que leva a minha voz.
Sem pressas, à deriva, eis que lá chego
À Terra, feita de benditos pós,
De Vera Cruz, mais tarde, do Brasil
Onde um que se semeia, vai dar mil.








domingo, 16 de novembro de 2008

Não é p'ra me gabar...











Estive, ontem, na qualidade de presidente da APOPA,(acompanhado pelo Vice-presidente, Artur Domingos) na Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Atletismo, na qual foram apresentados o Orçamento e Plano para 2009 e feita a tomada de posse dos órgãos sociais para o quadriénio que se inicia.

A dada altura, o Presidente da Associação de Atletismo de Lisboa referiu, entre outras coisas, que a crise do meio fundo e fundo se devia a factores intrínsecos à FPA e a factores exógenos, como a “atomização dos treinadores” ( quase que cada atleta tem o seu treinador), à “proliferação das provas de estrada”...

Eu gosto de passar despercebido, mas entendi que não podia deixar passar esta afirmação. Seria minha obrigação contestá-la, pelo que pedi a palavra e disse o seguinte :

“- Pretendo apenas referir-me à intervenção do Dr. Marcel Almeida, quando colocou entre os factores responsáveis pela crise do meio fundo e fundo, as provas de estrada. Posso estar errado, mas discordo desta afirmação pois entendo que se não fossem as provas de estrada o nosso atletismo estaria ainda pior.Não devemos esquecer-nos que o número de pistas existentes não cobre satisfatoriamente o território nacional. Eu próprio, que moro a 30 Km de Lisboa, se quiser correr em pista precisarei de andar 20 Km!

O Dr. Marcel Almeida esclareceu que o que dissera era que as provas de estrada desviavam os atletas das pistas. (Será muito diferente?)

Da parte da mesa é feita uma intervenção por parte do Arq. Luis Leite, dirigindo-se especificamente ao presidente da APOPA dizendo que, “ tinha estado a analisar os números europeus e constatei que, em termos de meia maratona, em Portugal existem 10 atletas no top 40 da Europa, enquanto nas outras disciplinas existe apenas um ou dois. E mais não digo!”

Achei interessante esta informação, mas, com toda a franqueza, não vi relação com aquilo que eu tinha dito. Mas aquele “e mais não digo” deixou-me a matutar.

Já a caminho de casa é que se fez luz na minha cabeça e constatei que sou mesmo de compreensão lenta!!!

Lembram-se de um texto que eu pus no Cidadão de Corrida, quando o Samuel Wanjiru ganhou a Maratona dos JO de Pequim, texto esse que o Prof. Mário Machado publicou no último nº da Spiridon? Passo a transcrevê-lo :

O Samuel é um “chavalo” que hoje tem 21 anos, e que, desde muito cedo, se habituou a correr quilómetros e quilómetros lá pelos campos do corno de África. Há cerca de 2 anos, na Holanda , ainda com idade de júnior, cometeu a proeza de bater o record do Mundo da Meia Maratona !Agora, em Pequim, bateu , em quase 3 minutos, o Record Olímpico da Maratona, de que o nosso Carlos Lopes foi detentor durante 24 anos!Refiro-me apenas a dois espectaculares feitos do Samuel só para dizer que isso nunca teria sido possível se ele tivesse nascido em Portugal, onde um junior, não pode ter a “veleidade” de querer correr uma meia maratona!Entretanto, os resultados do nosso fundo e meio fundo, estão mesmo... a bater no fundo.Talvez o Samuel faça reabrir o “dossiê” da discussão em volta do tema.Se se provar que é a saúde do jovem atleta que corre riscos, então, que fique tudo como está. Mas o que parece claro é que esta teimosa interdição dos jovens em participar em provas com mais de 10 Km, impossibilita o aparecimento de novos valores na maratona.De ambos os lados da questão sei que existem sérias convicções, mas o que é visível é que no tempo de vigência desta lei , o “fundista” português é uma espécie em vias de extinção. Pode ser só coincidência, mas custava tentar ?


Ora, aquele “mais não digo” -suponho eu - era uma espécie de contraponto ao que eu dissera neste texto: Afinal, o nosso fundo não estava nada no “fundo”, pois havia 10 meio-maratonistas nos 40 mais da Europa. E isso é bom !

Subtilmente, o que o Arquitecto me disse, afinal, podia ter a seguinte leitura : “Olha lá, meu, andas p’raí com apontamentos desbocados, mas os números provam que afinal, o nosso fundo está bem melhor que qualquer das outras disciplinas, o que demonstra que estamos a trabalhar bem”.

Imaginam, agora, a minha cara de parvo a perceber isto só duas horas depois !

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Nazaré e Guarda-louça

Graças à Vitória, consegui dar nas vistas, colando-me à imagem de marca do Amigo António Almeida.
(Foto de Antonio Balau, a quem agradeço este registo que guardo com muito carinho)



Permitam-me agora que brinque com os "Pratos da Vovó", que há algum tempo "passou" no Palavras de Corredor.
É que os pratos ganhos na Nazaré, por já serem tantos e ...nunca usados, fizeram-me lembrar o excelente poema de António Roberto Fernandes.
A moral da estória não tem nada a ver, mas... é só para "aparvalhar" um bocadinho.


Os Pratos do ... "Vovô"

Eu vou guardando, com muita alegria
Muitos pratos, lindíssimos de louça
Que ganhei como prémio pela “coça”
Que levei sempre que a “Mãe” por lá me via.

É que era a minha idade, ainda moça
Quando a “Mãe” me chamou, num belo dia
Para saber se a Meia aguentaria
Ou se eu iria fazer asneira grossa.

Corri. E desde então, pela Corrida
Faço a visita anual bem merecida
A quem lançou a ideia... ainda pirata.

Trinta anos passaram! Uma vida
Contada em tantos pratos, colorida,
E que a Corrida não deixou ser chata.

domingo, 9 de novembro de 2008

34ª Meia Maratona da Nazaré


Fui, mais uma vez, visitar a “Mãe”, cumprindo uma espécie de ritual desportivo a que me obrigo, desde que abracei a popularidade da Corrida. Em 34 edições, já estive presente, talvez em 27 (estou com curiosidade em saber se tenho em meu poder elementos que certifiquem o que digo !) !

Mas... o que me leva à Nazaré ? Muito provavelmente, serão as mesmas razões que assistem a muitos outros, sobretudo aqueles que assistiram ainda aos seus tempos áureos, em que uma Organização pioneira, bem preparada, conseguia, sem as tecnologias de hoje, dar conta do recado, controlando e classificando vários milhares de atletas. Confesso que fiquei, até, embasbacado com a gigantesca máquina organizativa daquela 4ª edição, em 1978 e seguintes!

Estamos, agora, em 2008! Da Edição deste ano, mereceram reparo alguns aspectos a que, a Organização, apesar de merecer justíssimas felicitações pelo seu empenho e pela longevidade da Meia Maratona da Nazaré, deverá estar atenta.

Começo por referir-me aos factores positivos :

-Inscrições : As inscrições on-line, facilitam bastante o processo e, temos que admitir, que a tendência será para uma massificação deste sistema;
-Dorsais Personalizados – Excelente! Não sendo novidade, é uma mais valia que contribui significativamente para um melhor conhecimento entre os intervenientes na Prova;
-Quilómetros bem marcados;
-Bons abastecimentos;
-Rápido funil de saída;
-Saco com a tradicional prato de porcelana, uma bonita camisola, um bloco de notas com o logo da prova e a revigorante broazinha de mel;
-Água sem restrições.

Factores negativos:
-Inscrições – elevado custo não só na Meia Maratona, mas também nas outras Provas acessórias.
-Perigo no Percurso : aos dois km, quando o pelotão circulava ainda bastante compacto, existência de diversas grades no meio do percurso com os quais os atletas eram surpreendidos e à menor distracção chocavam com elas, ferindo-se. Descuido que poderia ter sido evitado.

Sempre me senti bem tratado na Nazaré e irei continuar a lá ir. O que me entristece é ouvir comentários desagradáveis (alguns, com razão, como os que referi) que não se compadecem com o voluntarismo comprovadamente competente que tem sido exibido por uma Organização que vive, de uma forma muito intensa, todos os trabalhos necessários para pôr de pé esta Meia Maratona da Nazaré. Desde 1975 !

Não basta ter o Sítio ali ao pé. É preciso tê-los no sítio!

PARABÉNS, NAZARÉ !