quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009





Quero desejar a todos os que me visitam um

ANO DE 2009

cheio de tudo quanto nos possa fazer felizes.

20ª Corrida de S. Silvestre dos Olivais


Como não há duas sem três, resolvi ontem, em cima da hora, ir até aos Olivais, para a 20ª Edição da S. Silvestre.
Nunca na minha vida de mais de 30 anos de corrida, tinha sido tão “silvestrino”.
É uma boa Corrida, que o tempo não quis ajudar. Gostei.
Como não me tinha inscrito, corri “sob pseudónimo” de um colega de equipa. Gostei da minha participação, tendo conseguido baixar dos 46 minutos (305º), mesmo sem forçar o andamento.
Quanto à Organização, acho que esteve bem, para as condições existentes e ter ultrapassado os mil atletas à chegada é bastante significativo. Parabéns à Junta de Freguesia dos Olivais por manter este evento ao longo de 20 anos!

15ª Corrida de S. Silvestre do Porto

A foto possível ao fim da 1ª volta
O Convidado Óscar Pereiro (vencedor do Tour 2006)

ladeado por Jorge Teixeira e pelo Sr.Vereador do Desporto da CMP

A Equipa Portuguesa vencedora da 1ª Copa Ibérica


Tudo isto e muito mais em

http://www.runporto.com/index.html


Domingo, não muito cedo, pois não havia necessidade, na companhia do meu filho (que dá o c… e três tostões para conduzir – só não consigo pô-lo a correr!) lá fui até ao Porto para participar na 15ª Corrida de S. Silvestre.

As más notícias sobre as previsões atmosféricas, felizmente, não se concretizaram, o que proporcionou uma grande Festa Desportiva bem no centro da Invicta, com cerca de dois mil corredores na Prova principal e quatro mil na Mini.

Faltava uma hora para ser dada a partida e já estava tudo preparado, sinal de que a experiente Organização a cargo da Runporto, tinha pela frente, mais um êxito a registar.

Cumprimentei o grande amigo e Director da Prova, Jorge Teixeira, que revelava a tranquilidade de quem tem o evento controlado e outros amigos da Runporto e ainda o seleccionador nacional Prof. José Barros, que se admirou de me ver por aquelas bandas.

Quando já me tinha posicionado para a partida e já estava rodeado de corredores, vejo aproximar-se um grande crucifixo de madeira sobre as cabeças e a “bênção” : Aleluia, Irmãos”. Era o Confrade Trotamontes Moutinho, que me felicitou por estar ali e a quem retribuí a mensagem. Um pouco atrás, ouço chamar o meu nome . Era o Miguel Paiva, com quem tive a oportunidade de conversar um bocadinho naqueles minutos breves. Não muito longe dali, o Miguel (bem mais alto que a média) reconheceu outro amigo e gritou-lhe : - João! O João respondeu-lhe e ele disse-me que aquele é que era o “Leão de Kantawi”, o João Meixedo! Cumprimentei-o à distância, na esperança de que ainda nos viéssemos a aproximar, o que, infelizmente não veio a acontecer. Mas outras oportunidades surgirão.

Dado o tiro da partida, aquelas ruas que já tinham uma iluminação vistosa, ganharam uma outra vida ao serem percorridas por tanta gente. O público correspondeu, incentivando os atletas, escolhendo como local de maior concentração a Av. Dos Aliados, onde reservava uma estreita mas calorosa faixa para a passagem dos atletas, não se cansando de os incentivar. Foi bonito e isso ajudou a que as duas voltas se dessem sem se dar por isso (“sem se dar por isso”... é como quem diz!..., mas que o esforço se faz muito melhor quando se tem aplausos, ninguém há-de pôr em dúvida).

Fiz a Prova sem relógio, mas também não ia com a preocupação do tempo. Vim a saber que demorei 46 minutos e tal ! Talvez fosse por essa altura que se verificasse o maior nº de chegados à meta por minuto, mas não notei qualquer dificuldade na saída. Havia duas tendas a entregar os sacos e rapidamente todos eram “despachados”. Sim senhor.

Novidade, novidade era a 1ª Copa Ibérica, que confrontava uma selecção de 6 atletas ( 3 masculinos e 3 femininos) portugueses, com espanhóis. Ganhámos nós .

Tudo esteve 5 estrelas. Lembro, a propósito, um comentário que ouvi do atleta espanhol Pedro Nimo, a um seu colega, dizendo:- “Carreras no Porto, poden ser de sacos que yô estarê cá” !

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

1ª S. Silvestre de Lisboa

http://videos.sapo.pt/vmWdqmfprCz36JzWoEAz

Eu tinha ido ao WC da Estação do Rossio e apareci, de repente, atrás de dois amigos que, abrigados à porta, olhavam para a parte de fora, vendo os corredores a “aquecer” debaixo de uma chuva diluviana. Dizia um para o outro :

-Eh pá, eu gosto muito de desporto, mas com o tempo assim !!!…esta gente não pode ser normal !!!...

Pedi-lhes licença e ante o seu ar de espanto, lá fui também eu para a chuva, aumentar o número dos que “não batiam bem”!

Felizmente que o tempo aliviou e permitiu que enquanto se esperava pelo sinal da partida, não estivéssemos à chuva, mas… encharcados já estávamos todos !

Gostei da Corrida. Bom som, speaker conhecedor do assunto e que incutia algum entusiasmo à festa, portas de entrada com os tempos previstos (embora não respeitadas por muitos), marcadores de ritmo, partida sem problemas, quilómetros marcados, abastecimento a meio, chegada triunfal numa passadeira azul sobre a qual estava instalado um pórtico com um cronómetro.

Correr no coração de Lisboa em pelotão, livre de trânsito, dá-nos uma sensação de liberdade muito grande. E de domínio também. Conquistamos, com o poder simples das passadas que damos, a Baixa Pombalina! É verdade que em alguns sítios, o piso era torto e as poças de água lhe escondiam as irregularidades; também é verdade que em alguns sítios a iluminação era fraquita, obrigando a mais cautelas para ver onde se punha os pés. Mas o que é isso quando comparado com a importância desportiva desta grande “estreia” de uma Corrida de S. Silvestre na Cidade de Lisboa?

A Organização está de Parabéns, pois não terá sido fácil, debaixo de umas condições atmosféricas tão hostis, “montar” toda esta prova que tem “pernas para andar”!

Do que não gostei? Não gostei da dificuldade da saída do funil dos corredores (uma única tenda a dar os sacos, quando existem períodos com cerca de 100 atletas por minuto é …mais que certo que congestiona). E também não gostei ( e isso só vim a saber mais tarde) que muitos atletas não correram porque não lhes foi dado o dorsal (que deveria ter sido levantado com antecedência). Penso que a Organização ao ver que havia muitos dorsais por levantar, poderia – excepcionalmente, dado que se tratava de uma 1ª edição, tê-los levado para uma das tendas instaladas na zona da partida !

E a Organização está também de Parabéns por ter tido a humildade de pedir desculpa pelas falhas cometidas. Esta é uma nobreza de comportamento que importa realçar e que, só por isso, ganha “muitos pontos” na minha consideração.

Quanto ao meu desempenho foi satisfatório. Ainda faltou 1’’ para os 45’. No dia seguinte a trezentos e tal km dali a Invicta estava à minha espera.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Eh lá.!!! Duas seguidas ?!

Nunca na vida me dei a tais façanhas tão perto uma da outra mas, apesar da minha maturidade (já a puxar um bocadinho para a “caducidade”), eis que sou acometido de um acesso de loucura e, este ano, disse para mim mesmo : -“é agora ou nunca!”.

Considero-me uma pessoa “comedida” nos esforços e que dá uma particular atenção ao repouso e recuperação física sempre que “puxo mais pelo canastro”.

Por essa razão, tenho-me contentado com uma, mas desta vez, o aumento da oferta - e a minha fraqueza em resistir - fez-me perder a cabeça e decidi-me : -vou às duas (uma num dia, a outra noutro).

Estou a falar de Corridas, como já perceberam.

Amanhã, dia 27 – S. Silvestre de Lisboa; Dia 28 –S. Silvestre do Porto !

Depois conto como foi.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal

BOAS FESTAS


Sou um escriba dos antigos, daqueles que só não usa mais a caneta porque teve a sorte de, ainda a tempo, conhecer as fantásticas vantagens do “word” aproveitando, ao mesmo tempo, a espantosa velocidade com que um qualquer apontamento que escrevinhe, pode chegar àqueles amigos e amigas que vão tendo a paciência de visitar este blogue.

Digo isto porque em termos de modernas tecnologias, não vou além do que disse e fico verdadeiramente “embasbacado” com o grau de evolução que vejo nos blogues amigos, enquanto o meu, é o que se vê : do mais simples que há, não porque não quisesse dar-lhe um “look” todo “xpto” mas é mesmo porque não sei mais. Mesmo assim, dou-me por satisfeito por poder dizer, com alguma vaidade, que “tenho um blogue”!

Com esta conversa pretendo dizer que se eu fosse “bom nisto” arranjava maneira de chegar a toda a família blogueira uma mensagem de Natal cheia de animação – porque eu sei que as há - e, desta forma poder apresentar a todos os meus votos de Boas Festas e retribuir esses mesmos votos àqueles que foram mais rápidos do que eu.

“Arranjei-vos” uma imagem alusiva à quadra e, visualmente, fiquei-me por aqui.

Mas como, no dizer do sábio, o essencial é invisível aos olhos, muito especialmente aos que aqui me visitam, quero que saibam que vos desejo, do fundo do coração,
Festas Felizes, agora e nos restantes 364 dias que se seguem.

Grande Abraço para todos.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Corrida dos 60 Anos do Metro

À chegada!... e aquelas luvinhas amarelas??...! espectáculo!
(foto de José Gaspar AMMA)


Corrida dos 60 Anos do Metro

Para ser franco, desabituei-me das Corridas curtas, pois deixei de ter (se alguma vez o tive!) ritmo para isso. No entanto, foi com prazer que alinhei na Corrida Comemorativa dos 60 anos do Metro de Lisboa.
O percurso é agradável e todo ele percorrido em pelotão compacto, pelas largas avenidas de Lisboa, proporcionando-nos uma enorme sensação de liberdade, numa manhã de Dezembro em que o ar estava calmo, o céu límpido, mas, mesmo assim, o sol não conseguia aquecer a temperatura ambiente. Só mesmo à conta da Corrida, o conseguiríamos fazer.
A partida era dada em Sete Rios e a chegada estava programada para a Praça dos Restauradores. Entre um ponto e outro, os atletas passavam pela Praça de Espanha, Campo Pequeno, Campo Grande (Viragem), Saldanha, Marquês e Avenida da Liberdade. Principalmente os 3 últimos quilómetros, favoreciam a obtenção de uma boa marca, mas isso… lá está, é só para quem tem um ritmo apuradinho que, obviamente não era o meu caso.
Senti-me satisfeito por ter feito a corrida em boas condições físicas, tendo terminado com 44m45s, posicionando-me na 620º posição.
Da Prova, digo que gostei, embora haja uns reparos que gostaria de fazer, mesmo repetindo aquilo que já foi dito por outros, principalmente a propósito da chegada. Mas o percurso, principalmente nos primeiros quilómetros (até Entrecampos) não era respeitado pelo grosso dos atletas que, por falta de balizamento e por falta de atitude cívica, encurtavam caminho. O percurso deve ser igual para todos.
À chegada, esteve instalada a confusão com os atletas a amontoarem-se à saída do funil, para receberem os brindes prometidos contra a devolução do chip. Funcionou deficientemente este sector, pois não previu que, uma prova curta é propícia a um acumular de gente, se não for assegurado um “escoamento” eficaz. Depois, há os que não têm paciência para se sujeitarem àquilo e “saltam fora” e surgem os mais exaltados a “descarregarem” a ira junto do rapaz que recebia os chips, vociferando impropérios tipo : “- isto está muito mal organizado! Tenho ido a muitas provas e não é nada disto! Eu, se acho que está mal falo, não é como alguns que vêem as coisas e ficam calados!” Perante isto eu, rodeado de gente e de “vapor”, por todos os lados não me contive, e disse-lhe:”- Concordo consigo, que isto está mal, mas você está a reclamar no sítio errado. Este homem (o dos chips) está a cumprir a sua função e não é ele que tem de ouvir os protestos. Acho bem que reclame, mas não aqui!” Ficou a olhar para mim e depois disse: “- Mas eu vou escrever para os gajos! Que isto é uma vergonha!”.
Não me competia – e até seria “arriscado” - estar ali a procurar defender o indefensável. Fiquei apenas a pensar como é fácil falhar em pormenores que são tão fáceis de resolver. Quantas questões complexas inerentes a esta Prova foram resolvidas sem que se desse por elas e depois, deixa-se que “escape” um detalhe que pode ser determinante na sua imagem?
Tive pena que isto tivesse acontecido. Se houver quem queira apurar responsabilidades, faça favor.
Em conclusão, detalhes são detalhes, mas a essência da Corrida esteve lá toda e eu gostei de lá ter estado. Voltaria se a Prova se repetisse.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O Ano de Nelson

Já tenho comigo um "bocadinho da medalha"



3 pulos de ouro!


“Eu estava do outro lado da pista e seguia atentamente a Prova ! No final, podia-me dar para exteriorizar a grande alegria que senti naquele momento, saltando, gritando, levantando os braços em sinal de vitória ! Mas não ! Fiquei ali, quietinho ! Não quis que a emoção me impedisse de sorver aquele momento! Interiorizei-o e vivi-o intensamente!”



Foi com estas palavras que, ontem, o Prof.Fernando Mota, Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, se referiu ao “Ouro de Pequim” introduzindo uma breve comunicação aos convidados que reuniu em Linda-A-Velha, na festa de Natal, antes da entrega do prémio “Fair Play” que o Comité Olímpico Internacional atribuiu a Nelson Évora, pelo exemplar comportamento que o atleta teve durante os últimos JO.
É que o Nelson Évora não é apenas um grande saltador. A prová-lo estão as suas extraordinárias qualidades humanas reconhecidas, com inteira justiça, neste prémio que lhe foi destinado.
Tive a sorte e a honra de ter assistido a este momento, ainda em 2008, o Ano de Nelson!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Poema em Linha Recta


Hoje trago-vos um poema a sério
Nascido do grande génio pessoano.
Para reflectirmos um bocadinho :







POEMA EM LINHA RECTA (Álvaro de Campos)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Encontro a que faltei


"Explodiu"! Fez PUM! E a força da “explosão”
Lançou no ciberespaço a sã corrida
Em breves testemunhos e a lição
De quem vê que o correr melhora a vida.
Formou-se assim uma “constelação”
Que nos céus de Tomar, aparecida,
Revelou seus poderes extraordinários,
Ou não fosse essa a “Terra dos Templários”?

E o pobre “cidadão” faltou à festa
Que a família blogueira prometia
E tendo lamentado, só lhe resta
Esperar p’la conjuntura noutro dia.
É que a “dança dos astros” nos empresta
Sólidas amizades e alegria.
Que cálculos complexos ditarão
O local para uma nova “observação”?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

23ª Maratona de Lisboa - III

Mais uma foto: com 41km no papo e uma estranha "expressão de prazer"
(foto de Joaquim Adelino)



Sobre a Organização:

Tinha um velho professor que dizia que havia doenças que se curavam espontaneamente, outras por acção da terapêutica e outras ainda, apesar da terapêutica.

A verdade é que a Maratona de Lisboa cresceu e bateu um record de participações nunca dantes visto cá pelas bandas: mais de mil! Mas gostava que esse crescimento não tivesse sido "apesar da terapêutica"!

No essencial, posso dizer que a Organização esteve bem ( e não terá sido nada fácil organizar este "4 em 1" na capital ) mas, com toda a sinceridade, haverá aspectos que precisam ser melhorados.

Cada vez mais a componente lúdica de uma maratona vai assumindo um papel decisivo na sua interacção na comunidade e na apreciação final do evento. Não faltarão, por esse mundo fora, elementos que permitam fazer a comparação entre a grandiosidade de uns e a pequenez de outros e provado foi que muito mais de metade dos participantes na Maratona de Lisboa vieram da estranja e conhecem o que, neste tipo de eventos, por lá se faz. Vale-nos o facto de a cultura desportiva dos visitantes lhes permitir ficar satisfeitos com o "essencial", relegando para segundo plano a tal envolvência lúdica a que antes me referi. Têm, em Lisboa uma cidade bonita, barata, com uma temperatura amena nesta altura do ano - logo, um destino turístico-desportivo preferencial. Gostam de correr e… havia Corrida! Era o bastante! Foram centenas que quiseram vir demonstrar aos portugueses que não existe razão para se temer a maratona. Sem eles seriam umas escassas três ou quatro centenas de "desmiolados" lusos. Mesmo que não fosse por mais nada, (e também não é que tenha ouvido qualquer tipo de queixa) penso que Lisboa deveria tê-los acolhido de braços abertos, pois aliaram ao turismo uma função pedagógica que devemos reter.

Certamente que a Organização soube lidar com a situação mas, para os portugueses atentos , não era isso que transparecia. Nós sabíamos onde levantar os dorsais : na Rua do Arsenal, no Wellcomecenter , mas a porta de entrada passava despercebida (!) pois não havia qualquer elemento decorativo assinalando a festa. E eles ? Apenas um A4 em inglês e outro em francês, colados toscamente numa prancheta de expor os menus no exterior dos restaurantes. Entrava-se e aquilo que poderia ser um local de encontro proporcionado pela entrega dos dorsais, a "Feira da Maratona", apresentava-se nu. Os dorsais eram rapidamente entregues (ponto positivo), confirmávamos o chip, tomávamos um cafezinho para fazer horas, adquiríamos uma recordação no stand de merchandising, dávamos uma olhadela pelo mapa do percurso afixado na parede e pronto… já não estávamos ali a fazer nada.
Pareceu-me demasiado pobre a feira em contra-ponto com o crescimento que a Maratona teve este ano. Outros aspectos:
Pasta Party : A tenda na Praça do Comércio até serve, para o efeito, mas fica muito dependente das condições climatéricas, sempre inseguras. Quem estava à espera na rua, em caso de chuva, "desopilaria" e iria comer massa para outro lado mais abrigado. As "simpáticas sevilhanas" animaram o ambiente, mas… estamos em Lisboa pelo que seria mais apropriado mostrarmos qualquer coisa nossa.
Guarda-roupa : Não usei, pois deixei o carro relativamente perto. Mas vi que, quando estavam a ser 9h, havia uma fila interminável de atletas para entregar os sacos que seriam guardados na tenda. Não terá havido demasiada parcimónia na recepção dos sacos ?! É que, desde que identificados com o nº do dorsal (e isso seria elementar) os sacos poderiam ser arrumados depois pelos voluntários durante a prova.
Animação : Não dei por nada. Compreendo, no entanto, que as condições climatéricas complicariam qualquer acção, mas não se vislumbrou qualquer tentativa de actuação de um qualquer grupo musical.
Meia Maratona : Para os atletas apostados num tempo próximo do meu (3,30) acho que até foi bom usufruírem da companhia de colegas mais "frescos" nos últimos km, mas compreendo que, para os que iam mais rápido, não terá sido nada agradável, ziguezaguear num pelotão compacto que lhes surgiu pela frente. Fazer só a Maratona ? Fazer a Meia em sentido contrário ? É, de facto, difícil agradar a todos! Sair ao mesmo tempo, como era dantes (ou 5 minutos depois) parece-me o melhor, pois termina a Meia e os que continuam em prova sabe-se que pertencem à Maratona e o facto de "atravessarem o deserto" sem companhia, vai sendo menos notado, dado o aumento do número de maratonistas.
Estafeta : A grande novidade do ano. Parece que resultou, havendo apenas que acautelar mais o transporte dos atletas para as zonas de transmissão.

Mas o que envolve a organização de uma Maratona é todo um mundo de preocupações, do qual elenquei apenas alguns aspectos que me chamaram a atenção e que, se não se tivessem verificado teriam tornado o evento mais rico. Não sabemos o que a Organização terá para nos dizer acerca do sucedido. Certamente haverá razões que o justificam: orçamento escasso, dificuldades de pessoal. A minha dúvida é se terá havido um forte empenhamento da Organização, para suprir as lacunas apontadas. Se houve e não conseguiu, aplaudo o esforço como se o tivessem conseguido. Se não houve, parece-me que são pontos a merecer uma maior atenção no próximo ano. De qualquer das formas, manter este evento e fazê-lo crescer é merecedor de conversas de estímulo e não de desânimo, mas os louvores devem ser sinceros. É mais útil uma crítica honesta e bem intencionada do que elogios hipócritas.

"Apesar" do que disse a Xistarca está de Parabéns porque não falhou no essencial e o acessório… é acessório.

Perguntam-me agora, se com esta conversa, eu seria capaz de fazer melhor?! Não,não era! Por isso calo-me já.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

23ª Maratona de Lisboa -II

Aos 20 Km, na Rua da Prata
(Espiralphoto)

Aos 40 Km (+/-) com o "rebocador" J.Adelino (Um,dois, Pára, não pára;um, dois...)
(Espiralphoto)


Tinha ido para Lisboa com o Carlos Neto e com o Manuel Faísca, que acabei por "perder de vista" depois que fui ter com os meus colegas de equipa, para a foto de família .
Em prova, no primeiro km chega-se a mim o Helder Francisco que, há duas semanas tinha feito a Maratona de Bangkoke (onde ele se encontra a trabalhar) e que me contou uma particularidade cuiriosa dessa prova: é disputada às duas da manhã (para evitar problemas de trânsito e fugir à poluição). Não está mal pensado, não senhor. Passo pelos meus colegas de equipa Tam Afonso e Virgílio Madeira, que iam mais à cautela". Estávamos a andar a 4,45 e, nisto, passa por nós o Luis Sousa, dizendo que assim dava para terminar em 3,16 ! é lá!!! ... e as contas até eram capazes de estar certas, mas sabia que seria um andamento "suicida". O Helder ficou, mas eu fui continuando pois sentia-me bem. A Maratona deve ser feita num andamento muito próprio sem a preocupação de nos regularmos pelo dos outros. Mas há sempre momentos em que nos parece que um corredor que nos acaba de ultrapassar, afinal até vai num ritmo bastante confortável e lá se fazem 2 ou 3 km "na cola" até que se toma a noção de que é capaz de ser "muito" e o melhor é não ir ao engodo. Após o retorno dos 10km aparece junto de mim o Venceslau Jesus, do Machada Runners, que ia num bom ritmo. Ainda fui com ele até aos 17km, mas deixei-o ir embora, pois vi que "era muita fruta". Entretanto já tinha passado o António Belo, em passo curto mas rápido que só dá para "ver ao longe" ( e acabou em 3,15!!!).
Aos 25 km.avisto o Luis Sousa que estava em forte quebra e deixou-me seguir. Com o retorno dos 27 km aumentavam as dificuldades, pois voltávamos a ter o vento de frente.
Eis que sou novamente "caçado" pelo Helder Francisco que soube dosear o esforço muito melhor que eu. Alí para as bandas do Cais do Sodré, cerca dos 35km passo o José Valentim que, ia mais lento. Em sentido contrário, vinham uma série de altetas que apontavam para as 3h, empenhadíssimos e concentrados, que nem respondiam ao meu grito(Herculano Araújo, Jorge Serra, Nuno Espírito Santo, Luis Mota) . Chego então ao desejado retorno dos 37km, na esperança que o vento desse uma ajudinha. E deu! pouca, mas deu! Vou vendo, agora, os que iam atrás de mim. Uns a ganharem-me terreno outros nem tanto. Eis que aos 39km (conforme disse no post anterior) aparece ao pé de mim o Joaquim Adelino, decidido a "fazer-me forte" para não claudicar nos últimos metros. Tirou-me o retrato e tudo (que ainda não consegui copiar do seu blogue ).Um pouco mais de esforço e …a entrada triunfal na Praça do Comércio.
Depois... acabou.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

23ª Maratona de Lisboa - I

Está feita a última maratona do ano! Posso dizer que, sem ter feito qualquer preparação especial, cheguei ao fim com a sensação de ter cumprido o meu objectivo que era fazer um tempo a rondar as 3,30.
A manhã, não estava grande coisa, pairando no ar a ameaça de chuva. Mas o que choveu foi pouco. O vento foi mais perturbador.
Às 9h soa o tiro da partida e sai da Praça do Comércio em direcção ao Dafundo, o maior pelotão de maratonistas alguma vez visto em Portugal (mais de mil!). Até ao 1º retorno, aos 10 km, o vento, sendo “de caras” não facilitava as coisas. Valia-nos a esperança de que, ao virarmos, teríamos muitos kms em que beneficiaríamos de um empurrãozinho.
Pensava eu que, à Meia Maratona iria passar com 1,41 a 1,43, o que representaria cerca de 4,55/km! Contra o vento, reparo que estava a andar a 4,45/km! A favor não haveria razão para baixar. Ou haveria?
Meia Maratona : 1,39 ! Ah valente! Para quem andou p’raí a dizer que até à Meia, a Maratona devia ser encarada como um “aquecimento” estava “um rapazão”! Seria inevitável o estoiro, pois eu sabia bem que não tinha treinos longos e os que fiz foram curtos, fracos e poucos!
Abrando e ponho-me a andar a 5m/km, pois sabia que a partir do retorno dos 27Km, teria 10 km muito mais difíceis que os primeiros 10, porque a frescura não era a mesma e porque não havia tantos atletas para nos abrigar como no início. Os que iam “aparecendo” eram da Meia Maratona (que tinham partido 1,30h depois de nós) e para aproveitar o “abrigo” teria de reduzir o andamento, o que seria ruinoso. Procuro estar mais atento ao relógio, para me aperceber a tempo da esperada quebra de ritmo. Aguentei bem com 5,10/5,15 até final, tendo nos 3 últimos km recebido a ajuda preciosa do amigo Joaquim Adelino que não me deixou desmoralizar quando ia surgindo a decadência da vontade própria. Obrigado, Adelino! Aos 40km estava o meu colega Paulo Torrão, parado, pois tinha sido traído por caimbras (outra vez, Paulo?! É de galo. “Chega-lhe” com potássio e magnésio!!!). “Maratona para a esquerda, Meia para a direita” dizia o Joaquim Sobral para pôr ordem na chegada. Et voilà ! A passadeira, o “arco do triunfo”, um cronómetro pendente : 3,26,44 ! Missão cumprida!
Depois foi a descompressão, sentando-me numa cadeira para tirar o chip, cumprimentar alguns companheiros da jornada, um chazinho quente, 3 figos, um powerade, um saquito com uma banana , uma barra de cereais e um cubo de marmelada e... a medalha ao pescoço, testemunho fiel de mais uma “proeza” pessoal neste sedutor e mágico Mundo das Maratonas.

Voltarei para abordar outras questões .

domingo, 7 de dezembro de 2008

23ªMaratona de Lisboa-Algumas imagens

As "sevilhanas" na Pasta Party da véspera
No final da 23ª Maratona de Lisboa
Uma maratona, duas "medalhas"


BREVEMENTE, MAIS IMAGENS E O RELATO
TEMPO FINAL : 3,26, 44 / 260º


Todos os resultados :

http://www.revistaatletismo.com/maratona_files/res_marat08_geral.txt

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A minha Equipa

A minha estreia na Equipa (Lisboa - Dez.2005)
A nova Imagem de 2008



Esta será a 3ª vez consecutiva que participo na Maratona de Lisboa, envergando a camisola da Açoreana, a única que passei a usar depois que em Dezembro de 2005, na 20ª Edição da Prova, o meu amigo Jorge Serra me convidou (para ser franco já não sei bem se foi ele que me convidou ou se fui eu me fiz convidado) para alinhar pela equipa. E fui ficando. Honro-me – embora com uma participação modesta - de pertencer a um grupo que foi crescendo, sendo um dos mais numerosos que animam as muitas provas de atletismo que se vão realizando no País e fora dele e nas várias distâncias possíveis, desde as curtas - mas saudáveis - caminhadas, até às ultramaratonas, sem se descurar a iniciação à corrida por parte das camadas jovens.Para lá da qualidade competitiva dos membros da equipa (e temos, no seu seio, grandes atletas) existe um agradável espírito de camaradagem que se vai fortalecendo em cada encontro. Cultiva-se a Amizade a par de se manter sempre vivo, em cada um de nós, o interesse pela prática desportiva regular.O Açoreana Clube Banif, ao reconhecer estes valores, está a prestar um importante contributo para o panorama desportivo nacional, marcando uma posição de destaque nas Provas em que participa e a dar ao grande público uma imagem simpática que deveria servir de exemplo a muitas outras entidades que se dizem “apostadas” em servir o Desporto.Se me é permitido, tiro o meu chapéu a quem segue tão notáveis princípios.

Eis a representação do

Açoreana Clube Banif na 23ª Maratona de Lisboa :


Na Maratona :

Rute Sousa
André Cunha
André Quarenta
António Neto
Carlos Fonseca
Fernando Andrade
Francisco Pereira
João Cabrita
Jorge Serra
Luís Sousa
Marco Malaguerra
Nuno Coelho
Nuno Espírito Santo
Paulo Pereira
Paulo Torrão
Rui Silva
Tam Afonso
Valter Cunha
Virgílio Madeira
Na Meia Maratona:

Carolina Silva
Lúcia Oliveira
Paula Silva
Rita Carrola
Tânia Machado
Álvaro Santos
António Jorge
Carlos Candeias
Carlos Vicente Souto
Diogo Ferreira
Homero Magalhães
José Pavão
Luís Melo
Luís Prego
Michel Costa
Miguel Peixoto
Nuno Talhadas
Paulo Moradias
Paulo Peixoto
Pedro Burguette
Pedro Pinha
Ricardo Lanceiro
Timóteo Pfumo
Jorge Canteiro

Na Prova Aberta:

Ana Canaveira
Idalina Madeira
Ma Fee Hung
Maria Santos
António Carvalho
João Serra
José Canaveira
Pedro Canaveira
Valter Canaveira
Paulo Fernandes

A toda esta boa gente (eu incluído, pois claro) e aos outros amigos e amigas que irão participar, desejo uma excelente Prova.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Prémios Monetários nas Corridas

Isto dos prémios monetários nas nossas provas tem que se lhe diga.

Fui dos que, durante muitos anos, achava que a atribuição de prémios monetários seria desvirtuante do espírito que se pretendia que as corridas para todos tivessem. Correria quem gostasse de correr e não quem quisesse fazer vida da corrida.

Porém, às tantas, acabei por vacilar neste princípio. Porquê?

É que o correr por gosto, sem exigir mais de nós do que aquilo que nos proporciona prazer, de facto, não precisa de dinheiro. Uma taxa de inscrição acessível já nos torna felizes e contentes.

Mas pensemos agora na modalidade Atletismo, na sua vertente do Fundo e Meio Fundo!

Os nossos primeiros planos, que para se manterem ao mais alto nível, precisam de treinar no duro, ter custos consideráveis com suplementação alimentar, etc, têm como único rendimento um magro subsídio da FPA. A menos que sejam mesmo “fora de série” e consigam umas receitas extra de publicidade e de cachés para participar em meetings. Teremos dois ou três atletas assim.

Ora, penso que as organizações, ao promoverem a corrida e torná-la ao alcance de um número crescente de pessoas, têm também o dever de colocar junto do pelotão os melhores valores que a modalidade tem, proporcionando-lhes, desta forma, a possibilidade de um rendimento extra que complemente, com inteira justiça, os magros subsídios federativos.

É que também cansa ouvirmos constantemente falar que o “Atletismo é o parente pobre do desporto nacional”.

Será errado que, à conta dos prémios para os primeiros, se descure o grosso do pelotão que apenas pretende ter um bocadinho de atenção por parte das organizações. Também será errado pensar que o que se poupasse nesses prémios iria contemplar muito mais gente.

Não nos esqueçamos que cada um tem o seu papel a desempenhar na modalidade.

Às organizações, como disse, competirá valorizar conforme lhe for possível, o esforço dos que melhor representam a modalidade. Se assim não fosse, as verbas que são colocadas à disposição dos atletas pela FPA, seriam manifestamente insuficientes para justificarem uma tal entrega à Corrida, que possibilite a todos nós, estarmos representados ao mais alto nível.

Devo dizer que existem grandes reticências por parte de alguns responsáveis, relativamente ao que acabo de referir. Há até quem considere que as Corridas de Estrada sejam referenciadas como factor de entrave ao desenvolvimento do nosso Fundo e Meio Fundo, pois se nas provas de pista não há prémios monetários, os atletas optam pelas de estrada...

No entender destes responsáveis, os atletas não precisariam de estímulo para atingirem a performance ideal. Discordo.

Em suma, os prémios monetários, na minha óptica, são uma espécie de justo contributo da “sociedade civil” para os nossos melhores atletas.

Porém, devo dizer que, se surgirem dificuldades financeiras às organizações, a primeira rubrica orçamental a ser reduzida, seria sempre a dos prémios monetários, nunca (ou só em último caso) qualquer das outras que se reflectisse no atleta de pelotão como perda de qualidade da prova .