terça-feira, 30 de junho de 2009

Peniche-Porto e a questão das datas sobrepostas

Ninguém me encomendou o sermão, mas acho que é importante que se fale das razões que terão levado a que, este ano, a Corrida das Festas da Cidade do Porto, se tivesse arrastado uma semana e, fatalmente, sobrepor-se à Corrida das Fogueiras em Peniche.
Tal situação obrigou a que os “habitués” de ambas as provas, se vissem obrigados a optar.
Não tendo feito uma comparação com os resultados do ano transacto, numa apreciação um bocadinho “ a olho” talvez possa concluir que a mais prejudicada tenha sido a Corrida do Porto, pois a de Peniche apresentou um acréscimo considerável de participantes.
A realização em Leiria do Campeonato da Europa de Selecções, na data que, por tradição, corresponderia à Corrida do Porto, obrigou a que a Organização tivesse de repensar a data.
Sendo certo que, se para a esmagadora maioria dos atletas, esse factor não teria a menor importância (pois uma coisa é a alta competição e outra são as corridas populares) há um outro factor que deve ser ponderado, em termos de Organização. É que a realização de uma grande competição internacional como é o caso dos Campeonatos referidos, absorveria a atenção dos órgãos de comunicação social e todo o mediatismo recairia sobre esse evento, deixando para um plano muito secundário a Corrida das Festas. Como se sabe, toda a Organização assume a responsabilidade de dar toda a visibilidade possível às marcas que a patrocinam. Obscurecê-las poderia fazer perigar colaborações futuras.
Há quem possa pensar que o adiamento da Prova terá sido demasiado penalizador e que talvez se pudesse manter a data, apelando à compreensão dos patrocinadores para uma eventual “quebra” mediática. De uma coisa tenho a certeza: a Organização ponderou seriamente os prós e os contras e, à luz dos critérios que lhe pareceram os que menos prejudicariam a Corrida, tomou a sua decisão. O resultado foi o que se viu: ainda que tenha tido menos alguns atletas, foi grande a competição nas posições cimeiras e todos os participantes se sentiram satisfeitos por lá terem estado.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

10ª Corrida das Festas da Cidade do Porto

Atrás da máquina, estava "escondido" o meu amigo Margarido. Reconheci-o

Já no regresso




(fotos de Joaquim Margarido)

Um dia, fez agora 4 anos, houve alguém que me contactou pelo telefone, dizendo que, no âmbito do programa da Corrida das Festas da Cidade do Porto, iria promover um debate a que foi dado o nome de “Falar de Atletismo”, convidando-me para apresentar um tema! Ao mesmo tempo que me senti bastante satisfeito pelo convite, senti-me também assustado, pois pelos meus 30 anos de carreira de corredor de pelotão, tão comum e anónimo como qualquer outro, nunca poderia eu vir a esperar tão honroso convite. Iria eu falar de quê? A que propósito? Eu que não tenho formação técnica para abordar a modalidade; eu que não tenho informação sobre os novos valores que vão despontando para o atletismo; eu que apenas gosto da corrida enquanto prática saudável de exercício físico… iria falar de quê? Certamente estariam a convidar-me tomando-me por quem não era e o resultado poderia ser desastroso, pensei eu.
Tal convite estava-me a ser dirigido por Jorge Teixeira, que de mim apenas conhecia alguns textos colocados na net. Falar de quê? Era a pergunta que me martelava o pensamento face à insistência convicta do Jorge, em integrar uma mesa composta por entidades – essas sim, conhecedoras da modalidade.
Deixei-me convencer. Afinal, 30 anos de entrega a uma modalidade, ainda que numa perspectiva de quase não competição; em que se participa nas provas sem a preocupação das lutas que se passam lá na frente; em que o grande prémio está em tomar parte do “cenário” em que se desenrolam as corridas… se fosse para falar disto, talvez conseguisse dizer alguma coisa, ainda que não passassem de trivialidades.
O tema a abordar era “Que papel, que mensagem nos podem dar os últimos das corridas?” Gostei e acabei por aceitar.
Obrigado amigo Jorge por ter acreditado em mim.
Se descobrir onde tenho o texto que fiz para o efeito, hei-de relembrá-lo aqui.

Falei nisto porque foi a partir dessa altura que conheci a Corrida das Festas da Cidade do Porto, uma das melhores Corridas do País. 15 Km que serão “engolidos” pela Maratona do Porto e com que se pode “ensaiar” o seu percurso, “cheirando” os 42,195, que proporcionam um prazer quase a triplicar. Correr na margem direita do Douro (na Maratona, também se corre pela esquerda) e na Foz, permite-nos praticar o desporto que gostamos em paisagens de rara beleza. (Que “inveja” me fazem aqueles que ali podem treinar diariamente!).

A Prova. Pus-me na conversa com antigos atletas (Elísio Rios e João da Benta) e, quando dei por mim estava na hora da partida. Nem fiz aquecimento nenhum, pois era tempo de nos posicionar-mos. Encontrei aí o Miguel Paiva ao lado dos grandes craques-homens e das grandes craques-senhoras. O desejo de uma boa prova e… em marcha estava a 10ª Corrida Edp Gás Festas da Cidade.
Quando se parte na frente, somos impelidos a correr rápido, como que “disparados” para não causar atropelos aos mais velozes e, à medida que vamos tomando consciência de que não temos “pedalada” para aquilo, vamos encostando e procurando um ritmo mais ao jeito. Assim foi. Depois de um primeiro km em 4,00’ tinha de abrandar, pois sabia que não deveria apontar para um tempo muito inferior a 1,10H. Passo aos 5km com 22,15, com a consciência de que nos 2/3 que faltavam, o andamento iria sofrer alguma quebra. Retorno, 10Km : 45,30 ! Final,15Km 1,08,20. Nada mau.
Durante a corrida, tive a satisfação de rever o grande amigo Joaquim Margarido, que me brindou com algumas fotos, de me cruzar com o José Capela e com o José Alberto . Nos últimos 4km fui alcançado pelo João Meixedo ( finalmente, deu para trocarmos algumas palavras -poucas! e de ter partilhado consigo os últimos 3 ou 4km ).

Enquanto grande festa desportiva não ouvi qualquer crítica ao evento (críticas negativas, bem entendido, pois positivas foram todas), que, como se sabe, está a cargo de uma organização que tem a “máquina muito bem oleada”. Os problemas que vim a saber terem existido só aconteceram nas classificações dos veteranos. Lastimo que continue a haver pessoas que, por negligência certamente, utilizem dorsais de outros atletas (veteranos) e terminem a prova nos lugares premiados. É que, mesmo que não tencionem levantar o prémio, colocam a organização perante um problema complicado, em termos de classificações. Enquanto houver falta de ética da parte de certos “atletas”, não pode esperar-se que uma organização, por mais competente que seja, apresente resultados perfeitos. Pelas mesmas razões, a tendência acabará por ser a extinção dos prémios para veteranos (que também é injusta) ou, pelo menos, que estes deixem de poder usufruir da cerimónia do pódium, contentando-se com uma classificação provisória por um período que possibilite o esclarecimento de todos os equívocos e só depois receberem os prémios legitimamente conquistados.
O que pode parecer um gesto banal ( e até solidário) para um atleta que dá o dorsal de um amigo que não veio, pode ser uma fonte de problemas para a organização e de injustiça para os outros atletas. Em suma, o que se precisa é que cada um cumpra o seu papel no sucesso das provas.

Gostaria ainda de realçar que também as camadas jovens foram contempladas na tarde de sábado, com diversas corridas por escalões, na “EDP Gás Mini Campeões” onde muita miudagem praticou a corrida e se habilitou às várias bicicletas sorteadas.

Uma palavra ainda para a inclusão na Corrida principal (e pela primeira vez) da categoria de “Cadeira de Rodas” para quem, infelizmente, o troço de empedrado, trouxe dificuldades acrescidas.

De parabéns está, mais uma vez, a RunPorto.com por mais esta excelente jornada de atletismo na Invicta.

domingo, 28 de junho de 2009

Corrida das Festas da Cidade do Porto


Em cumprimento dos "desígnios" anunciados no último post, estive hoje nas Corrida das Festas da Cidade do Porto, cidade que sinto acolher-me de braços abertos, onde já tenho muitos amigos ligados à Corrida e para onde tenho sempre uma grande vontade de voltar.
Encontrei lá vários amigos da blogosfera e, nesses encontros, mesmo fugazes que sejam, consegue-se tornar mais real o conhecimento que temos uns dos outros. Um simples cumprimento enquanto nos cruzamos na corrida, deixa-nos felizes. Uma "magia" que talvez se consiga explicar, mas não eu.
Da Corrida falarei no próximo texto, mas sempre adianto que fiz o tempo de 1.08.20.
Mas acabei, eheheh.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Balança






Servi-me da balança para tomar uma decisão que dantes nunca tive de tomar. A Corrida das Fogueiras é uma das clássicas em que estive presente mais vezes (mais de 20) e sempre me deixou as melhores impressões e vontade de voltar. A sua especificidade, a sua mística nocturna que as fogueiras ajudam a intensificar, mais o enorme calor popular que ali se sente (para não falar da sardinhada para os atletas e acompanhantes, pois não seria por aí que eu lhe seria mais fiel) cativam-nos .
Em 2005, pelo S. João, mais a Norte conheci a Corrida das Festas da Cidade do Porto e, deixem-me que vos diga, fiquei seu fã! Tomei contacto com uma nova dinâmica organizativa que mobiliza milhares de corredores, onde a hospitalidade, a alegria e simpatia das pessoas muito me sensibilizaram e justificam um registo gravado a ouro no meu "caderno de apreciações". E a Cidade do Porto é a Cidade do Porto, onde se respira o encanto das paisagens e da história.
Este ano, por razões que lamento, mas que compreendo, a Corrida das Festas da Cidade atrasou uma semana indo "colidir" com a das Fogueiras! Tal facto, obrigou a que muitos (e eu sou um deles) tivessem que tomar a sua opção.
Optei pelo Porto. Porquê ? Porque gostando de ambas, mesmo que não voltasse a correr em Peniche, a minha "provável longevidade desportiva" não me permitirá fazer a Corrida das Festas tantas vezes quantas as vezes que fiz a das Fogueiras.
Uma e outra constituem excelentes exemplos de como bem tratar a Corrida, pelo que a ambas desejo o maior sucesso.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O mostrengo dos 100


O mostrengo que estava em Colmenar
Na tarde escaldante pôs-se a pairar
Avisando todos mais de três vezes
Que mais de três vezes os faria parar;
E disse : -“ Quem é que ousou percorrer
Estes meus caminhos, que não desvendo?!
Aqui tão perto da Bola do Mundo!?!?”
E o homem do blogue disse tremendo:
-Aventureiros, monstro vagabundo!

- De quem são as pernas que pr’aqui vejo?
- Quanta é a afronta em vosso desejo?
Disse o mostrengo e rodou três vezes
Depois de soltar um enorme bocejo.
- Quem vem correr onde só eu corro?
E onde esperavam que eu dormisse
Nas longes terras que aqui circundo?
E o homem do blogue tremeu e disse:
-Aventureiros, monstro vagabundo.

Três vezes à bolsa a mão meteu
Muito mais de três, água bebeu
E disse no fim de correr 6 léguas
- Já estou arrumado! Tens razão, oh meu!
Q’ria muito vencer o espaço teu
Mas mais que o desejo da minha alma grogue,
De te derrotar, monstro vagabundo,
Manda a vontade que é lema do blogue:
Saúde em primeiro, Desporto em segundo .
e pronto, já "avacalhei" mais um clássico, mas isto andava-me cá atravessado...

domingo, 21 de junho de 2009

Marcha de S. João 2009

Acabei de assistir à exibição da Marcha de S. João 2009. Percebo pouco do assunto, mas pelo menos, dá para emitir uma opinião, ainda que naífe, daquilo que me é agradável aos sentidos. Fiquei, mais uma vez, maravilhado com o trabalho que ali está. O tema escolhido desta vez foi o de “Sintra-Património Mundial”, em que os figurantes (24 pares) trajavam de branco com aplicações em azul, ao jeito do século XVIII e os arcos ostentavam ilustrações dos principais monumentos sintrenses.
Foi o 5º ano consecutivo em que, na minha terra, este evento saíu para a rua, começando a ganhar “raízes” que o credibilizam e de que me orgulho.
Desculpem-me o facto de isto não ter nada a ver com corrida, a não ser que muitos destes elementos (marchantes e organizadores) serem meus companheiros na organização da Meia Maratona de S. João das Lampas ... e imprescindíveis. Não se ouve o som, mas ficam umas imagens.


Nos preparativos


Alguns marchantes "apalhaçando"



Nas coreografias


quinta-feira, 18 de junho de 2009

100Km/24h - Conclusão

Era aqui que tudo iria começar...

Para estes "100Km era pouco"!!!



Bem… é melhor concluir a estória, pois a prova já estava concluída.

Enquanto esperava pela boleia, sentei-me, à beira do caminho, sobre umas ervas secas e encostado ao muro de pedra, junto ao qual estava um arbusto “de sombra quente”, a 20 metros da tendo do abastecimento. Fui pedir outra garrafa de água e uma das meninas que ali estava diz-me “:- quando non se puede, non se puede! Mejor assi!” – Soube-me bem ouvir aquilo, pela sensatez demonstrada. Melhor que aquelas expressões de incentivo a que não conseguimos responder e que só servem para que nos sintamos pior.
Chega o João, que tinha ido dar uma enorme volta para conseguir chegar ali e já recolhera as mochilas de Colmenar. Entro no carro e…era o abandono. Irreversível.

Depois de tomarmos banho, fomos “hidratar” com umas cervejinhas e uns “biquerones”. Cerca das 19,30h liga-nos o nosso amigo Carlos Neto, a perguntar como é que nos estava a correr a prova. Disse-lhe que estávamos num, “abastecimento”, a descansar um bocadinho e que já levávamos perto de 70km,eheheh .Pretendia desmentir logo de seguida, mas como ele anda sempre a “entrar” comigo e vi que ele acreditou, resolvemos manter a encenação até ao próximo contacto.

Entretanto tínhamos de ir recolher as mochilas ao pavilhão de Três Cantos (55km) e a S.Sebastian de los Reyes (78). No primeiro, estava lá um amigo do João, com uma cerveja de litro, geladinha, que retirou de uma mochila que levava. Há quase duas horas (!) que ele ali estava e já estranhava de não aparecermos. Surpreendido, mas com a mesma boa vontade, lá nos passa duas canecas para a mão cumprindo, na mesma, a “missão” que ali o levara. A verdade é que àquela hora só ali tinham passado 27, quando em 2008 tinham passado mais de 50.

Já começava a cair a noite quando fomos ao pavilhão de S.S.Reyes. Tinha acabado de chegar o 2º atleta, que se sentou no chão, queixando-se (adivinhem…) do calor que teve de aguentar para chegar ali.

Durante a noite, veio trovoada e alguma chuva, apesar dos mais de 30º que persistiam.

O dia seguinte foi passado com uma visita à jovem e bonita cidade de Três Cantos e à tarde, tive o privilégio de uma visita guiada pela Serra, Santo Ildefonso e Segóvia, que muito me agradou.

Ponto final nesta aventura, em que a parte desportiva não correu bem não pelo meu abandono mas porque também levei o João à desistência .

Porém, como li no título de um blogue de um atleta que também abandonou:

Antes cobarde de rodillas, que herói de camilla!”

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Comunicado de la Organización 100km/24h

Trago para post principal o que o João Hébil já tinha referido no seu comentário, pois entendo que pode contribuir para uma mais avalizada informação sobre o que se passou neste evento. Deixo-vos, pois, o Comunicado que a Organização enviou aos participantes , procurando justificar críticas de alguma gravidade, principalmente as relacionadas com abastecimentos deficientes.

La organización de los 100 km en 24 horas desea manifestar y exponer a todos los participantes de la prueba lo siguiente:
1.- Nunca hemos escondido las críticas que se hayan podido recibir y menos aún lo vamos a hacer en esta edición. En la puesta en marcha de este evento, pionero en España, no nos mueve el interés económico y sí un sentimiento de servicio absoluto a los participantes. Por ellos y para ellos, nos entregamos el personal de las revistas Corricolari y Airelibre -y un contratado y seleccionado grupo de voluntarios- varios días y noches.
2.- El posible error de previsión en las cantidades de agua enviadas a los 2 primeros puntos del recorrido -ya superiores a años anteriores- pudo venir motivado por la gran cantidad consumida por los participantes que llegaban en los primeros lugares y, sin duda, por las elevadísimas temperaturas que superaban incluso las anunciadas por la AEMET (36º-37º), cuando los 41º-42º fueron muy habituales en ciertos puntos. Era difícil trasladar más agua y más fría pues los tres vehículos todoterreno de la organización no dejaban de ayudar a la Cruz Roja y a Protección Civil AOR a recoger gente afectada por mareos, golpes de calor, vómitos, algún esguince... Participantes que en algunos casos manifestaban tal ansiedad, tales deseos de ser trasladados al polideportivo de Colmenar, que impedían realizar otras funciones.
3.- Hasta tres eran también los camiones frigoríficos existentes en la prueba para enfriar el agua y los zumos. Incluso una empresa traía hielo. Pero la prueba desde el primer momento daba a entender que estábamos ante una edición compleja y difícil. Superior incluso a la de 2002 cuando las temperaturas alcanzaron los 47º-48º. Lo pone absolutamente de manifiesto el número de participantes que finalizaron la prueba, solo 334 de los 1.070 que tomaron la salida, la cifra más baja de todas las quince ediciones de los 100 km en 24 horas. Probablemente en muchos casos consecuencia de esas elevadas temperaturas y en algún caso, quizá, consecuencia de esos fallos de abastecimiento o temperatura del agua. A nadie le duele más que a nosotros. Aceptamos y recogemos esas críticas. Tanto las que se hicieron elevadas de tono –muy pocas, una o dos-, como las que se hicieron con enorme corrección y respeto.
4.- Dar a conocer la complejidad organizativa de los 100 km en 24 horas sería muy largo, pero desde la atalaya que nos posibilita el conocimiento de casi todos los eventos deportivos, queremos deciros que estamos hablando por diversos motivos, del más complicado de todos. Camiones de traslados de material -este año con la ausencia del Ejército-, furgonetas, todoterrenos, personal médico, autobuses de recogida de retirados, habilitación de polideportivos –este año también con ese pequeño espacio en San Sebastián de los Reyes-, marcaje de recorrido (y remarcaje, pues son quitadas numerosas señales), y mil vicisitudes diversas son tenidas en cuenta. Intentamos dar solución a todas las necesidades que pueda requerir el participante, pero eso no exime de algunos fallos de previsión que podamos tener como ha sucedido en la edición de 2009. Pedimos nuestras disculpas a quienes puedan haberse visto afectados. Pero también queremos comunicar que hemos recibido numerosos correos de agradecimiento y felicitación que nos hacen felices, pero que no evitan el “manifiesto” sentimiento de insatisfacción que nos ha dejado ese pequeño fallo de abastecimiento de agua en dos puntos y su elevada temperatura.
5.- Gracias a todos por vuestra presencia en la prueba. Ánimo a quienes no pudieron completarla y enhorabuena a quienes consiguieron finalizarla. En la página web de corricolari (http://www.corricolari.es/), así como en las ediciones de papel de corricolari y AireLibre, publicaremos la relación de llegados a meta y el reportaje fotográfico de la prueba.


AireLibre - Corricolari

terça-feira, 16 de junho de 2009

100Km/24h - II



A água já não me satisfazia, pois continuava a sentir o estômago vazio. A temperatura (vim a saber que rondava os 40º!) potenciava a minha “desgraça” e ia ficando fragilizado. Cada vez mais se ia apoderando de mim a ideia negra de que se ainda não tinha um terço da prova feita e já estava assim, como é que poderia completá-la ?! O João bem que tentava fazer-me pensar de outra forma : -“bolas, não penses no que falta. Pensa em chegar a Colmenar (38Km) e aí, comemos, descansamos um bocadinho e depois logo se vê a etapa seguinte!”. Eu sabia que ele tinha razão e tentei seguir os eu conselho. O percurso agora era plano e até descia ligeiramente. Reiniciámos o passo de corrida, que durou apenas um ou dois km. Mesmo a descer, já tinha de ir a andar ! “Ná… isto não pode ser só psicológico!” – pensava eu, pois nunca me tinha visto numa situação daquelas, sem força nas pernas. Passámos por um charco, de onde saía um atleta que se tinha ido refrescar. Eu também tinha de lá ir. Achava que não me podia molhar por receio de que a água retirasse o protector e a pele ficasse vulnerável ao mais que certo escaldão. Desço e encharco o chapéu, voltando a pô-lo na cabeça para “refrescar as ideias”. Aceito a ajuda de um corredor que passava, que me estende a mão para subir a rampa e retomo a marcha. Faço uma tentativa de compreensão (pelo menos teórica) do que se estaria a passar comigo : -nunca tinha corrido (ou caminhado) debaixo de 40º; a altitude andaria pelos 8oom, logo o ar estaria mais rarefeito e ao mesmo volume corresponderia menos oxigénio; as perdas da transpiração não poderiam ser repostas apenas com água, pois os sais (sódio, principalmente) também precisaria ser reposto, ou a hiponatrémia iria a fazer das suas; comecei a ficar desapontado por levar comigo uma bolsa sem que nela houvesse alguma coisa que pudesse valer-me! Tudo isto enquanto caminhava, ouvindo o que o João, paciente, me ia dizendo. Lá está outra tenda : Água e glicosport. O João, no seu castelhano perfeito, pergunta à rapariga se tinha um pouco de sal. Resposta :”- quê? Sal? Si pero em mi casa !” . Um atleta, faz-me o gesto para lamber os braços e eu até já me tinha lembrado disso, não fora a camada de protector com que cobria a pele exposta. Não dava. Afasto-me um pouco, nauseado, e “esvazio” a água que tinha no estômago. A sensação de náusea desapareceu, mas não sentia melhoria na condição. Agora, seguia-se um troço ao longo da linha do comboio. Interminável. Digo para o João que assim que encontrasse uma sombra iria sentar-me um bocadinho a ver se reanimava. Lá estava uma! Sentei-me um bocadinho numa pedra e ia-mos vendo os outros a passarem, caminhando num ritmo certo, de fazer inveja. Já ninguém passava a correr. Estar à sombra ou não era quase a mesma coisa pois a temperatura era igual, só que não recebia o sol directo. Talvez dez minutos depois, retomámos a marcha. Nesta altura já o João se conforma que, naquelas condições, era melhor interromper a prova e pergunta-me se queria que chamasse o socorro. Disse que não, que iríamos prosseguindo lentamente até ao próximo abastecimento. Este correspondia ao primeiro que tínhamos encontrado, pois uma vez saídos da linha do comboio, voltámos a percorrer o mesmo caminho do início. Água e havia também umas barras de cereais. Tentei comer uma, mas… “veio fora” , pois o estômago não aguentava nada. Sentei-me. Tinha percorrido cerca de 33Km! Olhei para o relógio do telemóvel, que marcava 4,30h de prova. O João disse-me para esperar ali, que ele iria buscar o carro (que estava a cerca de 5 km dali) e arrancou a correr (via-se que estava bastante bem). E fiquei ali sentado a “vê-los passar”. Alguns metiam-se comigo. Percebia as piadas de uns, de outros não, mas retribuía com um sorriso e um sinal de “que se tinham acabado as pilhas”.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

100Km/24h - I






O João na fila dos dorsais




As distâncias vão deixando de ser míticas à medida que vão sendo conquistadas. Os mitos vão caindo e cada vez mais um “cidadão” sem atributos especiais, sente que poderá também “derrubar um mito”.
Fui surpreendido durante a Meia Maratona da Areia, pelo convite do nosso amigo João Hébil para participar numa iniciativa com 15 anos, da Revista Corricolari, denominado 100km/24Horas, nos arredores de Madrid, em que não se fala de “corrida” mas sim de um “passeio” em que é dado o tempo limite de 24h.
Enchi-me de coragem e... aceitei o desafio e na véspera lá fui eu até à capital espanhola, onde, em consequência de um atraso do voo, cheguei por volta da meia noite, estando o João à minha espera.
No dia, por volta das 10h da manhã, fomos levantar os dorsais a Colmenar Viejos “quartel general” da prova. Voltámos a casa do João para nos equiparmos e trazermos as mochilas destinadas a ficarem nos pontos- chave da prova (Colmenar -38Km; Três Cantos-53; S.Sebastian de los Reyes -78). A temperatura já prometia e à medida que se aproximavam as 12h, mais “respeito” o calor nos metia! Protector solar bem aplicado (Factor 50) para ver se resistíamos à radiação violenta.
Concentram-se os mais de mil participantes no campo de futebol com relva sintética e é dado o tiro da partida à hora marcada. Ninguém tinha grandes pressas. Meia volta ao campo e saímos, tendo em mente só voltarmos ali na passagem aos 38km. O andamento era muito suave, talvez 6,30/km nos primeiros 2 ou 3 km fazendo parte dos planos caminhar sempre que o percurso se apresentasse a subir. À nossa frente, em fundo, a Serra. Era para lá que nos encaminhávamos, se bem que soubéssemos que não tínhamos de a subir. Bonita a paisagem e o perfume das alfazemas e de outras plantas aromáticas que ladeavam os caminhos, convidavam-nos a percorrê-los. Fomos tirando umas fotos e lá aparece uma primeira tenda com água fresquinha. Nessa altura estaríamos posicionados, talvez no top 40, mas gostaria de salientar que não íamos em esforço. É certo que não levávamos relógio, precisamente para não sermos influenciados pelo tempo que estávamos a fazer, mas como os km também não estavam marcados, nem os abastecimentos estavam distribuídos com rigor, até teria feito jeito, mas...
O sol ia aquecendo e rapidamente a garrafa de água fresquinha (retirada de bidons com gelo) aquecia. Quando apareceu a 2ª tenda, já fizemos “uma festa” muito maior pois o desejo era mais intenso.Os Caminhos de Santiago “passavam” por ali, pois vimos um marco (634Km).










Descrevemos um arco para a direita subindo ligeiramente e, depois uma descida abrupta até ao vale de Manzanares, onde havia gente à sombrinha, num parque de merendas de fazer inveja. E nós, ressequidos, tínhamos de prosseguir, agora subindo a passo e avistando ao longe a albufeira.
O desejo de água começava a tornar-me impaciente e não havia alternativa a não ser caminhar ao sol. Só de longe em longe se sentia uma brisa fraquinha, mas quando vinha sabia tãoooo bem! No topo lá estava mais uma tenda!

Já tive que me beliscar para me certificar que não era miragem. Para além de água, aqui havia glucosport.Agora fizemos uma curta paragem e tirámos mais umas fotos, até ganhar ânimo para novo troço. Junta-se a nós um jovem de Burgos que no ano passado tinha abandonado aos 78km, tentando este ano, fazer toda a prova. Deixou-se ficar para trás, mas dali a uns 3 ou 4km passou por nós e não conseguimos (eu é que não conseguia!)acompanhá-lo. O João ia-me dizendo que agora iríamos ver os que ainda vinham em sentido contrário, pois iríamos utilizar um troço comum do percurso, e isso iria dar-nos algum alento! Passámos por uma outra tenda (esta ainda muito próxima da anterior) . Mais água. E eu a lembrar-me da mochila que tinha aos 38 e que tanta falta me estava a fazer...

.../...

100Km/24h - "O Fiasco"

Indo directo ao assunto, meus amigos, FALHEI!
Já arranjei, até, justificação para o insucesso materializado no abandono da Prova, aos 33km.
Lembrei-me dos vossos incentivos e procurei aplicá-los quando as forças me começavam a faltar; lembrei-me do meu "historial" que não incluía qualquer desistência; procurei os pensamentos positivos; deixei-me conduzir pelo ânimo que sempre me foi incutido pelo meu amigo e grande companheiro de jornada João Hébil, até onde pude. Custou-me "arrastá-lo" comigo à desistência quando sabia que ele se sentia bem para continuar. Um abandono solidário que não me pode deixar indiferente.

O relato mais pormenorizado virá a seguir.

Por agora, deixo-vos apenas algumas fotos. Mas tenho mais algumas





A firmeza que à prancha o segurou,
Conforme disse, referindo a vaga,
Mais cedo que o previsto se esgotou
Dando um final à prometida saga.
A fortuna com que sempre contou
Veio dar lugar a uma tarde aziaga.
A musa antiga… enfim, ainda canta
Que um feito assim tamanho…era “garganta” !

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pausa



Queridos amigos e amigas, estou de partida! Vou “desligar as luzes deste palco” por uns dias e espero voltar carregado de novas emoções. Penosas, de certeza, mas espero que enriquecedoras e que gostaria de vos transmitir. Assim não me faltem as pernas nem me faleça o engenho. Agradeço-vos todo o apoio que aqui me deram, o que é determinante para ganhar esta aposta. Bem hajam.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A Vaga




Pela vaga dos ultras fui varrido,
Quando em águas serenas chapinhava,
Colei-me à prancha, firme e decidido
Arrastado p‘la força que chegava.
Não sei onde vou dar e, já esquecido
Do que a antiga musa nos cantava
Só espero aqui voltar após os cem
Com estórias que não lembram a ninguém.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A grande aventura


Tenho estado em “reflexão”! Não aquela em que sossegámos após 15 dias em que os vendedores de soluções para a crise nos bateram incessantemente à porta. Cada um comprou a quem quis, certo de que não comprou o artigo ideal, mas pelo menos, o que lhe pareceu menos mau.
Mas isto é outra conversa. A minha “reflexão” dizia respeito a mim mesmo e à avaliação da minha actual performance para me abalançar a um desafio que assusta muito boa gente.
Não se trata de uma competição – e isso já é bastante tranquilizador – mas trata-se de efectuar um determinado percurso num determinado espaço de tempo. Com controlo, mas sem classificação! Tal condição favorece a que não haja excessos por parte de ninguém.
Farei dupla com o João Hébil (ou tripla se o Xavier se juntar a nós) . Vai ser no próximo Sábado, em Madrid, numa organização da Revista Corricolari. Vou dispôr de 24h para percorrer 100 km !Às 12h terá início este longo passeio que será a minha maior aventura pedestre de todos os tempos. Procurarei sorvê-la o mais que puder e depois... contar aqui, tal como fez o João Hébil a propósito da edição de 2008. Veremos como saio desta.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"O sapateiro a tocar rabecão..."


...ou "eu e a Orientação"














Às vezes meto-me em assuntos que não domino e depois…dou barraca.
Vi um título sugestivo no Orientovar, do meu grande amigo Margarido, que se apaixonou pela Orientação e sobre esta modalidade tem vindo a desenvolver um notável trabalho. O título, dizia eu, era o seguinte: ”Relógios GPS, sim ou não?” e referia-se a uma directiva que estava a ser imposta pela IOF, proibindo o uso deste equipamento, bem como à contestação que estava a verificar-se por parte dos entendidos na modalidade.
Eu, por ter a “ideia” de que o GPS poderia facilitar a navegação, entendi que o uso de tais relógios desvirtuaria o espírito da Orientação, que devia assentar unicamente na leitura do mapa e no uso da antiga bússola, renegando as “modernices”.
Apresentando esta ideia, achava eu que estaria a prestar um “douto” contributo a uma modalidade que mal pratiquei. Incautamente, comentei dizendo que sim senhor, que a IOF tinha estado bem nesta determinação! Pelos comentários que se seguiram, vi o quão ridículo era o meu ponto de vista, pois aqueles que, efectivamente percebem do assunto, demonstraram por A mais B que se trata apenas de uma medida tacanha, pois ninguém consegue tirar partido do relógio para obter um melhor desempenho.
Só vi uma solução: voltar lá, retratar a minha ignorância e pedir desculpa aos orientistas pela imbecilidade do meu comentário.
Fiquei, no entanto, a pensar se a IOF não estará a ser dirigida por quem percebe tanto de Orientação como eu, eheheh .