quarta-feira, 28 de julho de 2010

Mais UMA...




Não sei o que se está a passar comigo, mas tudo me tem acontecido ultimamente. É verdade que podia ficar caladinho, até porque não me traz prestígio algum o que vos vou contar. Mas a minha “costela de palhaço” às vezes leva-me a partilhar este gostar de rir de mim próprio.
Hoje, à tardinha, resolvi ir fazer um treino de descontracção, que incluía a ida até à praia da Samarra, num percurso de trilho, em passada muito suave (em cerca de 40 minutos) estar por ali sossegado da vida (cerca de 30 m) e regresso, alternando caminhada com corrida lenta .
Estava tudo a correr conforme planeado, até que a cerca de 3km de casa, resolvi parar. A tripa não me estava a incomodar por aí além mas, aproveitando uma encosta com uma bonita paisagem, achei que era oportuno aliviar ali mesmo.
Agachado e sem pressas, achava-me um privilegiado e, envaidecido, dizia cá para comigo :
-“Haverá casa de banho tão espaçosa, tão livre e bela quanto esta ?”
E ali fiquei alguns minutos, observando a confluência de várias ribeiras que constituíam o sector nascente da Ribeira da Samarra :
“-Aquela traz a água das Areias; a outra traz a água de Bolelas, outra ainda traz a de S.João e todas vão confluir um pouco antes de Catribana...”
Quase toda a bacia hidrográfica estava identificada, enquanto eu ia deixando na natureza, matéria orgânica que já não me fazia falta (e ao terreno, se calhar, também não).
Estava eu a iniciar a parte “das limpezas” , quando sinto um insecto pousar no tornozelo. Era uma abelha que não perdeu tempo e espeta-me o ferrão ! A primeira reacção que tive foi lá ir com a mão que segurava o papel, mas controlei-me, pois apercebi-me a tempo, que o papel já não estava em condições. Abanei, simplesmente, mas eis que outra…e outra…e outra, atacam-me impiedosamente na perna e na nádega!:.. Queria sair dali depressa, mas os calções como estavam, obrigavam-me a dar passinhos curtos e elas não me largavam. Vinham atrás de mim.
A dor provocada por cada uma das picadelas ia aumentando e eu, lá consegui compor os calções e afastei-me dali o mais rápido que pude, deixando para depois… o que ainda não estava feito.
Pergunto-me : -“Terá sido castigo? Terei atentado contra a mãe natureza ?”
Já agora, “respondo-me”:- Acho que não, pois apenas fiz o que qualquer mamífero naturalmente faria. Mas, pelos vistos, eu tive menos sorte.
Como dizia o outro : -“Que mais me irá acontecer?”

sábado, 24 de julho de 2010

Inaugurado Centro de Alto Rendimento do Jamor

Outras Modalidades - Inaugurado Centro de Alto Rendimento do Jamor - RTP Desporto

Foi hoje inaugurado no Jamor, o Centro de Alto Rendimento para o Atletismo, uma moderna estrutura há muito sonhada e que vai dar excelentes condições de treino aos nossos atletas.
Presentes ao acto estiveram membros do Governo (Ministro da Presidência, Silva Pereira e Secretário de Estado da Juventude e Desporto, Laurentino Dias, Presidente do Instituto do Desporto) e toda a estrutura da FPA , Associações de Atletismo, velhas glórias do Atletismo Nacional e, obviamente, toda a selecção nacional que vai estar presente nos Europeus de Barcelona, a decorrerem na semana que vem.
Andei por ali, encantado com o que vi e com o que ouvi, rodeado de ídolos, que, a partir de agora, têm umas instalações óptimas e que serão, certamente, um forte estímulo para um desempenho ao mais alto nível, nestes Europeus. Da minha parte, vai o desejo de grandes conquistas.

terça-feira, 20 de julho de 2010

34ª Meia Maratona de S. João das Lampas



Ora aqui está o "boneco" que vai simbolizar a 34ª Edição da nossa Meia. Sei que já vem um bocadinho tarde. Sei também que já deveria ter trazido informação sobre a prova, mas a verdade é que os tempos difíceis que atravessamos têm provocado alguns receios em assumir a responsabilidade de uma prova de tradição, que tem a sua "clientela" fiel, que é sempre credora da nossa gratidão. A última coisa que queríamos era que a Prova sofresse um retrocesso no seu historial. Melhor seria terminar com dignidade do que moribunda.

As dificuldades orçamentais obrigam-nos a tomar opções que, esperemos, se repercutam o menos possível na qualidade da Prova. Que nos perdoem as elites, mas a nossa opção nos "cortes" foi para os prémios monetários, conforme se notará na grelha de prémios que dentro de dias será publicada. Tentaremos que os atletas de pelotão, esses que nunca ganhando nada não deixam de marcar a sua presença, continuem a gostar da Meia de S. João das Lampas.

Não é que os atletas de topo não mereçam ser estimulados e recompensados pelos seus árduos treinos para se conseguirem manter com um alto nível competitivo, mas não podemos prometer aquilo que não estamos em condições de cumprir e, apesar disso, esperamos também que continuem a gostar da Meia de S. João das Lampas.

Para quem quiser inscrever-se já pode fazê-lo aqui, onde também irão surgindo mais informações.

Sei que até chegar Setembro, há outros desafios pela frente, mas vão pensando numa visitinha a S. João das Lampas. É numa tarde de Sábado.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Bolinha "baixa"

Oh p'ra ela...redondinha... ( Jorge Branco e os seus "cartoons")


A atracção é imediata :
Uma bola junto ao mar.
Seja chumbo ou seja lata
Se é redonda, é p’ra chutar !


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Malditas aparências!








Hoje, ao fim do dia, fui até à praia, para fazer 30m de corrida ligeira na areia. Já só estavam por ali dois ou três pescadores, pelo que todo aquele espaço estava por minha conta. O mar estava agitado, mas na vazante e tinha alisado toda a areia, que também estava compacta. Para ser franco, preferia que ela estivesse solta para melhor adaptação às condições do Raide. Assim, corri em condições privilegiadas e, diga-se, muito agradáveis.
Estava eu a correr há 10 minutos, avisto, a cerca de 50m, uma bola branca, muito perfeitinha, sozinha, na areia, como que a convidar-me para ir a “dar uns toques” até ao fim da praia e voltar. Pensei duas coisas: que seria a bola de um miúdo que o mar “pensou” em devolver quando ele já lá não estava, ou uma bóia que se tivesse soltado de uma rede de pesca. Qualquer das hipóteses serviria as minhas intenções, se bem que a 1ª fosse mais a meu contento. Fui-me aproximando e continuava a não tirar conclusões sobre a natureza do material de que era feita a bola. – Bom – pensei – se for uma bóia, também tem que ser leve. Deve ser qualquer coisa tipo poliuretano. Vai, chuta!!!
-“FÔ**?*?*?*?!!!!!-SE!!*!*!*!*!*”- Até vi estrelas! A bola andou meio metro e eu fiquei a saltitar sobre a perna esquerda com o dedo grande do pé direito a receber o efeito terrível do impacto. Outra vez o pé direito!
Continuei a correr, mas já não sentia grande prazer nisso, pois o rolamento do pé já não era normal, pois tinha que defender o dedo afectado. De regresso, trouxe comigo a maldita bola, só para ver o peso que tinha: 3,5Kg ! Que tal?
O dedo está um bocadinho arroxeado e muito dorido quando o pressiono. Estive a pôr gelo, mas dou comigo outra vez a dizer : mau Maria, mau Maria!
Não sei se vou poder correr nos próximos dias, mas estou a pensar seriamente em não voltar a treinar até ao dia do Raide. Ao menos assim, se me acontecer mais alguma, que seja em prova.
Mas que esta foi “muita estúpida!...” foi.

terça-feira, 13 de julho de 2010

UMA 2010












Dantes, nunca a corrida despertara
Tamanha inquietação e ansiedade;
As ultras ainda eram coisa rara
Quando voltou o Raide, a novidade.
É grande o desafio que então se encara
A pontos de parecer infinidade
Foi quando se apelou ao Rei Neptuno
Que, agora, o seu favor era oportuno.

E as Musas reunidas começaram
A tornar épico este grande evento
E em verso, muitas coisas nos cantaram
Das quais se fez, depois, agrupamento.
Com imagens que a elas se juntaram
Em número que é muito mais que um cento,
Aí estão as Melíadas que, em suma
São a história do Raide, ou seja, a UMA.

domingo, 11 de julho de 2010

Revés !?

Estou feito.
Sempre tenho cultivado a ideia de procurar enganar a idade, fazendo coisas e aceitando desafios que se encaixam no perfil de um jovem adulto. Se, por um lado, isso pode ser bom, por outro, um cinquentão assim iludido, sujeita-se a exigir do seu corpo, performances que já não lhe pertencem.
Eu sei que, em termos de corrida, não exijo de mais de mim. Gosto de dar tempo de recuperação e privilegio, até, a recuperação em detrimento do treino activo. Mas há outras componentes que tenho descuidado, por preguiça (não que não saiba que elas são necessárias) como é a flexibilidade, elasticidade, o fortalecimento dos ligamentos articulares, exercitar os grupos musculares com menos influência directa na corrida, etc. Esse trabalho reveste-se de importância fundamental na prevenção das lesões.
Ora, estando eu a fazer o meu treino longo de hoje, visando a UMA, que incluía duas horas em percurso de trail e 30minutos em areia, quando tinha feito cerca de meia hora de corrida, ao saltitar sobre pedregulhos, apoio o pé direito no seu terço anterior e descarrego aí todo o meu peso. De imediato, senti uma dor violenta no tornozelo, como se os ligamentos articulares se tivessem estirado em demasia, provocando a dor. Claro que soltei palavrão e coxeei, em marcha, durante dois minutos. Passou e até me esqueci do sucedido, tendo feito, no total, 2,30h entre marcha e corrida.
Passadas umas horas, começou o tornozelo a doer-me novamente e a complicar-me o andar.
Estou a pôr gelo, e vou-me deitar, a ver como é que isto está amanhã. Já tinha ideias de não treinar neste Domingo, mas era a pensar na recuperação e não na impossibilidade física de o fazer.
Mau Maria, mau Maria…

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O "Trailer" em construção





.../...

E atenção, muita atenção:
P’ra evitar que atletas
Vão até à exaustão
Há os tempos de passagem
E tempo p’rà conclusão,
Que vão fazendo a crivagem
Em restrita selecção:
Uma aos 20, outra aos 40
E aos 60, porque não?!
Veremos quantos resistem
A tal esforço e ambição,
Que é isto assim, meus amigos
Um Ultra Trail de eleição
Que não terá noutra prova
Termo de comparação.
Haverá quem goste disto
E poucos dirão que não
Mas quem quer o paraíso
Tem que ter a provação.
Vamos então concluir,
Em termos de exposição,
Porque depois desta prova
Sois vós, os que falarão
E espero ouvir comentários
Da justa apreciação.
A todos deixo o desejo
De plena satisfação,
Que a serra aguarda por vós
P’ra sua contemplação.”

Disse e fitou os atletas
Cheinhos de inquietação
E todos já preparados
Ninguém pôs qualquer questão.
E o som nobre de Vangelis,
Soando na escuridão,
Encheu a alma daqueles
Que não sabem dizer não
E é dada então a partida
Para a grande competição.

E lá se foram lembrando
Daquela dissertação
Quando o tempo ia passando
E os quilómetros não
Mas quando o dia, já dia,
Nos dava a grande visão
Da área já percorrida
E sua contemplação
Tínhamos à nossa frente
Uma séria explicação
Porque povos do passado
Deviam adoração
A quem tinha da montanha
A sua governação.

Se no conto do Vinício
O operário disse não
Aqui o bom do atleta
Não resiste à tentação
E vê-se então dominado
Pela mágica poção
Criada a partir da água
Levada no cinturão.
Era bem duro o caminho
Que ninguém tenha ilusão
Mas aquele que o seguir
Terá a retribuição
De conseguir atingir
Uma nova dimensão
E tudo a partir dali
Ter outra apreciação.

Um abraço p’ro Moutinho
E a quem lhe deu a mão
Também aos 4 Caminhos
Que abriram um novo portão
O de ganhar a corrida
Através da lentidão
De combater a fadiga
Usando contemplação
E em que até a desistência
Não nos traz a frustração.

Bendita sejas montanha
Esta é minha oração
A ti devo esta mudança
Digo-o com emoção.
Ao conhecer-te as entranhas
Fizeste a transformação
De um atleta construído
Num "trailer" em construção.

sábado, 3 de julho de 2010

O "Trailer" em construção



Levou-o até ao alto do monte e disse-lhe :

-“Dar-te-ei todo este poder e a sua satisfação,
(porque a mim me foi entregue e dou a quem bem quiser ),
dou-te tempo de lazer, espaço para andar e correr…
portanto, tudo o que vês será teu se o conquistares
E ainda mais, se abandonares
Esse maldito alcatrão!"

Venho então comunicar
Em breve apresentação
O que estive a preparar
Neste evento de excepção.

Já defini os caminhos
Que todos percorrerão
Atando fita aos arbustos
Que vão nascendo do chão.
Ninguém tem dificuldade
Em ver onde elas estão.
Mas haverá alguns locais
A precisar de atenção
Podem por um pé mal posto
E arranjar uma lesão.
E enquanto a noite durar
Vão ter de usar lampião
Se quiserem que os caminhos
Se vejam na escuridão.
Vai ser bem longa a jornada
E a sua duração
Espero que se previnam
Para boa hidratação
Se protejam do calor
E de alguma insolação,
Levem coisas p’ra comer
Que sirvam de refeição.
Mas o que é mais importante
Para além da preparação
É poupar as energias
Fazendo boa gestão
Pois hão-de lembrar-se disso
Em momentos de aflição.
Vai ser preciso subir
(Há aí muita elevação)
Vai ser preciso descer
Evitando o trambolhão
Saltitar pedras no rio
(Até fazer natação)
E quando derem por isso
Muitas horas já lá vão.
Sê fortes na vossa mente
Fortes na motivação
Deleitei-vos com as paisagens
Que bastante ajudarão

(…e que tal um intervalo
Antes da continuação?)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

UTSF-Memorial Sálvio Nora...a brincar!





Otília e Adelino, quando o sol nascia

O António Pereira "a quatro"



O Adelino e o Jorge "no banho"




O "Abutre "Vitorino (Ah valente!!!) para os mil metros finais, aproveitando o incentivo do Adelino
.../...(então vamos ao resto)

Vou-me à água, lavo as meias
P’ra lhe tirar as areias
Que me lixam o andar
Ponho as pernocas de molho
E contente com o que escolho
Sinto-me revigorar.

Antes vi gente a passar
Com bastões p’ra se apoiar
Tornando o corpo ligeiro
Achei boa solução
Apanhei uns paus do chão
E lá vou eu mais lampeiro.

Ia começar a “farra”
E já lá p’ro meio da Garra
Vai um gel p’ra ver se anima
Começa a fazer efeito
Sinto força e encho o peito
E eis-me já lá em cima.

Vem então estradinha lisa
Como prémio a quem a pisa
Depois de tanto penar
Mas no último moinho
O maroto do Moutinho
Faz-nos desmoralizar.

Tinha dito p’ro Adelino
Que sem algo repentino
Os 40 tão no papo
Depois a gente decide
Sem que ninguém se suicide
Nem chegue feito farrapo

O tempo ia controlado
Mas um troço inesperado
Tornou tudo bem mais feio
Descer a desviar mato
Foi o bocado mais chato
Em dois km e meio.

Ao ficarmos abalados
Esfarrapámos os cromados
Até à Póvoa das Leiras
Impossível ir depressa
Porque ainda se tropeça
Na descida traiçoeira

Lá chegámos, finalmente
Onde estava tanta gente
Que ali tinha desistido
Só esperavam por transporte
Pois o resto era de morte
E isso pôs-nos em sentido.

Resignados, encostámos
E o tempo que gastámos
Era mais que o permitido
Mas também nós nos vingámos
Descansadinhos ficámos
E acabou-se o pé dorido.

Mas S. Pedro, não gostou
Que a gente, quando parou,
Tivesse abancado ali
Manda, então uma caldeirada
E uma forte trovoada
Mas eu não me arrependi.

Depois, saímos da aldeia
De carrinho, de boleia,
Para o Parque de Campismo.
A banhoca e o almoço
E ver o último troço
De escalada e montanhismo.

Todos chegavam já fartos
E com cobras e lagartos
Referiam-se ao Moutinho
E este sem se incomodar
Pois já estaria a contar
Que surgisse borburinho

Dizia ele, contente
Que esta Prova é bem diferente
Vira as outras do avesso.
Ver atletas dizer mal
Tem nisso o melhor sinal
De que a Prova foi sucesso.

E quando ouvi comentado
Que por ter abandonado
Tive um acto de coragem.
A mim isso não consola,
Só se fosse cobardola
Quem cumpriu toda a viagem.

DNF, assim constou
Na folha onde se anotou
Meu nome classificado
Mas para o ano voltarei.
Volto a desistir, já sei,
Mas sou “rei” por um bocado.

Ufff.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

UTSF-Memorial Sálvio Nora...a brincar!




Num acesso de desatino
Fui com o Joaquim Adelino
Até à Serra da Freita
Mas, sem estarmos preparados
Íamos desconfiados
Que o diabo estava à espreita.

Essa noite ia ser breve
Sem dormir o que se deve
No Parque do Merujal
E às 4 da matina
Acabámos com a espertina
Ficámos a bater mal.

Vestido o equipamento
Com todo o descaramento
Alinhámos à partida
Triste era a nossa figura
Mas como era noite escura
Passou por despercebida.

E foi então que o Moutinho
Nos lembrou do mau caminho
Que estaria à nossa espera
Lá fomos com a luz na testa
Começar com aquela “festa”
Que eu nunca dantes fizera.

Tudo bem até ao rio
Sem entrar em desvario
Na Descida do Carteiro
E p’ra chegar ao Covelo
Tive que molhar o pelo
Mas até que foi porreiro.

Agora a subida é suave
Mas até chegar a Drave
Velha aldeia abandonada
Lá fomos em marcha lenta
Que vinha aí a tormenta
De começar a escalada.

Ao chegar a um planalto
Sem entrar em sobressalto
Contemplámos a paisagem
Descansámos um bocado
Numas manilhas sentados
Para ganharmos coragem.

E enquanto se descansava
Ela nos ultrapassava
Com saudável maluquice
E quem era esta mulher?
Que responda quem souber,
Claro que era a Analice.

Depois de passada a Aldeia
Viria a maior tareia
Desde que ando no desporto
Descansei vezes sem conta
A cabeça estava tonta
E os pés em desconforto

Enfim lá cheguei ao cume
E nos pés sentia lume
E o moral a arrefecer
Com cansaço em abundância
Mas recusei a ambulância
Pois agora era a descer

Num estradão serpenteado
Agora vinha embalado
Até chegar a Goudim
Aliviou a canseira
Vou-me à água da torneira
E fiz ali um festim.

Ao sentar-me novamente
Pus os olhos lá p’ra frente
No monte que se seguia.
Caem-me os “ditos” ao chão
Pois a Garra era um Garrão
Que até medo nos metia.

Ah, Moutinho, meu maroto
Eu já estava todo roto
E a conta tinha que dar
Mas subir aquilo tudo
Era um caso bicudo
Mas ninguém me ia buscar

Nem vale fazer apostas
Volto a pôr a tralha às costas
E andar por ali acima
Porém, ao passar o rio
Sinto um novo desafio
P’ra ver se isto reanima.
.../...(amanhã há mais)