terça-feira, 30 de novembro de 2010

Adriano, o Grande


Soube, há dias, desta estória e acho que a devo partilhar convosco.

No último Campeonato Europeu de Veteranos, realizado na Hungria, Portugal esteve representado.

Com os seus 87 anos de idade, Adriano Gomes ainda lá fez uma “perninha”, acho que nos 1500m e ganhou “aquilo” no seu escalão. Sobe ao pódium e recebe a merecida medalha.

A concorrência, porém, vem alegar que ele não poderia ter competido, pois não tinha apresentado os mínimos que os regulamentos exigiam e, como tal, a sua participação na prova era ilegítima.

E o que é que interessava não ter apresentado mínimos, quando ele provou que era o melhor ? – era o que diziam os seus amigos, que o procuravam tranquilizar.

O Adriano sempre pautou a sua conduta ao longo da sua prolongada carreira de atleta, por um comportamento exemplar e, como tal, não se sentia bem com aquela medalha que, embora a tendo conquistado, com mérito, não obedecia à totalidade dos critérios que deveriam ser respeitados. Não a quis e devolveu-a, ante a estupefacção dos seus amigos e da própria organização que, apesar dos reparos, entendia não dever solicitar a restituição da medalha.

Algum tempo depois, a organização reuniu e notificou o Adriano. Objectivo : entregar-lhe o prémio europeu de mérito e fair play, que lhe tinha sido atribuído.

Parabéns Adriano. Haverá medalha que valha mais do que esta?

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Treino leve, levemente...

Ui  tão fraquinho que isto anda! Reparem que desde as 2 horas nocturnas do tal “treino –festarola nocturna” (exactamente há uma semana, por esta hora, andávamos nós  nas famosas rampas...) corri 45m na 2ªFeira e 45m hoje! Para quem quer ir fazer a maratona daqui a uma semana, isto não serve de exemplo para ninguém.
Mas olhem que esta "paragem" não teve nada a ver com a greve geral.  Nunca este cidadão faria greve à Corrida.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O protesto





Disseram-me, que estátuas conhecidas

Dirão que sim ao alinhar na greve
Porque há muitas promessas não cumpridas
E as limpezas dos bolsos estão p’ra breve.
Mas se as pedras, Senhor, tão bem esculpidas,
Aderem, como nelas se descreve.
Vê-las-emos aí a circular
Que o seu trabalho mesmo, é …descansar.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Assembleia Geral

No próximo Sábado, 27 de Novembro, vai reunir a Assembleia Geral da FPA, o organismo que regula a nossa modalidade. Em análise vai estar o Plano de Actividades para 2011.

Todos nós, sempre que vemos coisas que não nos parecem  bem no Atletismo, temos feito alguns comentários criticando a FPA pelo que fez e não devia ter feito ou que deveria ter feito e não fez.

Deixo-vos aqui um repto: Que questões gostariam de colocar e ver esclarecidas?

Em que aspectos poderá a FPA intervir para melhorar a nossa Corrida?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Centena

Cidadão de Corrida
100
Seguidores

Caros amigos

Reparei agora que, a juntar aos 100 apontamentos que aqui foram colocados em 2010, foi atingido o estimulante número de 100 seguidores deste blogue! 100 Cidadãos que dividem comigo este espaço (de relatos, de registos, de reflexões, de emoções, de…parvoíces também, sobre Corrida e sobre outras coisas) e a quem se deve a sua continuidade. E também sei que, para além destes, há muitos outros que, sem se terem registado, o vão seguindo regularmente. Isso dá-me uma grande satisfação e vontade de prosseguir . Como diria o "Luis, o Grande" para o "real puto" que viria a ser "O Desejado" :

"... Para servir-vos braço às armas feito,
Para cantar-vos, mente às musas dada..."

Muito obrigado a todos.


domingo, 21 de novembro de 2010

Ainda a "Noite"

Mais uma vez, obrigado pelas vossas palavras, que são sempre estimulantes mas tenho que vos confessar que o que fiz não foi nada de especial. Foi-me sugerido um treino nocturno, desta vez pelo traçado da Meia de S.João das Lampas. Aceitei. Conversei com dois ou três elementos da Organização, que também aceitaram. A Sociedade Recreativa cedeu as instalações. Portanto... não era preciso mais nada a não ser que aparecesse gente para alinhar neste desafio que tinha o seu quê de ousado .


A ideia inicial era servir um chazinho e uns biscoitos, no final do treino ( como, aliás tinha sido no ano passado e que foi suficiente para que os convivas saissem satisfeitos ) . Depois, surgem conversas na brincadeira, tipo "agua-pé" do Luis Parro e, claro, a água pé "pede castanhas" e, para "desenjoar" dos biscoitos e das castanhas, talvez, qualquer coisa com mais "substância" e vem então o franguinho e as pizzas, que ajudaram o pessoal a confraternizar por mais alguns minutos, pois o adiantado da hora era pouco convidativo a estar fora do aconchego do lar. Foi bom. Senti-me envaidecido com os comentários feitos, mas quero transferir totalmente para os meus amigos da organização, os agradecimentos feitos pelos atletas. É que eu apenas fui um dos 29 que estava doidinho por correr com companhia, ao contrário do que é habitual. E isso não merece agradecimentos.

O que é que isto tem de especial? É que são os vossos bons olhos que fizeram deste treino, um evento agradável,que, talvez não seja necessário aguardar-se um ano, para repetir (com ou sem variantes).

Nota: -Esqueci-me de falar numa coisa, para esclarecer aqueles que pensaram assim: -" Mas estas coisas custam dinheiro!"
Pois bem, o que acontece - e não sei se isto pode ser considerado inovação- é que do orçamento de uma prova, poderá ser reservada uma verba para este efeito que, no fundo constitui um importante factor de divulgação da mesma e assim, o efeito desejado de uma prova poderá sair multiplicado. Foi isso que pensámos.

sábado, 20 de novembro de 2010

Meia das Lampas Nocturna

 Tudo a postos para a partida dos 29 para os 21


...e partiram
No convívio final
 Acho que fui um privilegiado por ter conseguido reunir à minha volta, toda esta gente amiga que aceitou o convite para participar num treino nocturno em S. João das Lampas. Um treino a desenrolar-se num percurso de” tão má fama”, numa noite que não se anunciava de bom tempo. Este seria o “lado lunar da Meia Maratona de S. João das Lampas”.

Foram 29 os que se lançaram ao desafio. Se houve dois que lhes bastou 100 metros para se apresentarem à partida, também houve quem tivesse feito mais de 50Km para o fazerem.

Foi-me dito que gostaram deste treino ( a rondar as duas horas) e perfeitamente enquadrado na preparação para a Maratona de Lisboa. Também gostei. Muito. E estou imensamente grato a todos os amigos que aceitaram o convite.
João Casquilo,Tomé,Luis Morgado ( e o Manuel Azevedo)

Agradeço também aos meus amigos Tomé, João Casquilho, To Zé e Luis Morgado, terem tratado de toda a logística e à Sociedade Recreativa D.F. S. João das Lampas a cedência das instalações .

Tinha garantido à direcção que faríamos a limpeza do que sujássemos e hoje lá estivemos a fazer a faxina.

Claro que, quando saí de casa ouvi logo : -“ Pois… cá em casa não limpas tu !”

Por último, quero que fique registado que sinto um grande orgulho n a visita de todos (alguns ainda não conhecia) e isso faz-me acreditar na possibilidade de se levarem por diante outras iniciativas com o mesmo fim : promover a Corrida e cimentar a amizade.

Deixo-vos, agora com alguns comentários deixados no Mundo da Corrida :

1. Como já é quase meio dia, já posso colocar aqui um post
Quero agradecer mais uma vez a toda a organização do treino de ontem e todo o calor humano que se fez sentir, foi sem dúvida um momento único que juntou mais do que amantes da corrida, um conjunto de amigos e companheiros do asfalto, mais uma vez, muito obrigado a todos (Mr.Sniper)

2. Bem ........ este treino não foi bem um treino , ouvi um atleta a dizer ao F.Andrade que tinha feito melhor tempo agora que durante a Meia em Setembro ,durante a ceia ainda ouve um assomo para fazer um abaixo assinado para alterar a data e a hora da 35ª Meia Maratona.
Dos 31 inscritos acho que estiveram todos presentes foi um GRANDE treino e uma GRANDE festa de malta que sobretudo se diverte nas corridas .(Manuel Azevedo)

3. Não queria deixar de agradecer ao Fernando Andrade, o magnífico momento de convívio que nos proporcionou ontem à noite. Obrigado a si e à sua equipa de colaboradores. Força para esse Trail das Lampas (Vitor Silva)

4. Provas, para quê?
Fantástico!!! Com treinos destes quem é que quer fazer provas????
Não há palavras para expressar o agradecimento que todos os que participaram no nocturno de ontem devem ao Fernando Andrade e aos elementos da Sociedade Recreativa de São João das Lampas.
Não há realmente palavras para explicar a boa vontade de dar todas as mordomias a quem esteve presente.
E porquê?
Puro espírito de agradar, penso eu.
Magnífico, magnífico, magnífico!!!


Só houve pontos positivos:


- Estacionamento à vontade.
- Ausência de filas para levantar dorsais.
- Ausência de filas para as casas de banho.
- Oferta de coletes reflectores.
- Fotografias para todos os que partiram.
- Partida à hora que conveio a todos.
- Grupos para vários ritmos.
- Muitas subidas...
- Abastecimentos frequentes e amovíveis.
- Guia privado no grupo da frente (Carlos Fonseca).
- Chuva só quando era precisa - nos últimos quilómetros.
- Meta no sítio em que cada um lhe apeteceu.
- Banho quente com direito a cantar à vontade.
- Mesas e cadeiras à espera no fim do treino.
- Bolinhos, bolos, chá, água-pé, pão, frango assado, castanhas, pizza.
- Guardanapos para todos.
- Discurso curto do Fernando Andrade.
- Muita alegria e muita camaradagem.
- Oferta de mochila.
- Saída sem chuva.


Muito bom, sr. Ministro, muito bom!!! (João Lopes)

5. Não ficaram muito boas mas podem ver algumas fotos :
http://picasaweb.google.com/Fotos.de...JoasDasLampas#

Grande abraço ao Andrade e seus companheiros de São João das Lampas.
Obrigado ao Mundo da Corrida por patrocinar este treino.
A todos os presentes um abraço. (António Almeida)


6. Que belo Treino!...
O João Lopes já disse praticamente tudo… Todavia, por ser de todo justo, deixo aqui um destaque para estas três pessoas que tudo fizeram para que não nos faltasse nada!


Isto nos dias de hoje em que já há muito pouca gente a dar alguma coisa a alguém, ainda merece muito mais o meu aplauso, e de PÉ!!!


O meu muito obrigado ao Fernando e à Direcção da Sociedade Recreativa de São João das Lampas, à Associação O Mundo da Corrida e a todos os Amantes desta modalidade que tiveram a generosidade e disponibilidade de darem “vida” a esta “maluquice saudável”!
Até à próxima!
(Orlando Duarte)

Tenho de realçar um "pequeno" pormenor, entre atletas, acompanhantes e organização, movimentou-se ali uma centena de pessoas e todos em perfeita HARMONIA, amigos da corrida.

A Hospitalidade do Fernando Andrade e sua Equipa é 5*!!!! Tratam-nos com todos os mimos.
Até 2011 para as 2 Meias das Rampas
(Luis Parro)







sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A pedido do Miguel

No teu Poema

Não vou falar de Corrida, mas reportar-me ao tempo em que comecei a ficar  "virtuosamente viciado" como diria o nosso amigo Vitor Veloso.
Gostei disto e partilho convosco

Ano:1976
Intérprete :Carlos do Carmo
Letra : José Luis Tinoco
Música : José Luis Tinoco
Orquestração : José Calvário
Título da Canção: No teu Poema

NO TEU POEMA
EXISTE UM VERSO EM BRANCO E SEM MEDIDA
UM CORPO QUE RESPIRA, UM CÉU ABERTO
JANELA DEBRUÇADA PARA A VIDA
NO TEU POEMA EXISTE A DOR CALADA LÁ NO FUNDO
O PASSO DA CORAGEM EM CASA ESCURA
E, ABERTA, UMA VARANDA PARA O MUNDO.
EXISTE A NOITE
O RISO E A VOZ REFEITA À LUZ DO DIA
A FESTA DA SENHORA DA AGONIA
E O CANSAÇO
DO CORPO QUE ADORMECE EM CAMA FRIA.
EXISTE UM RIO
A SINA DE QUEM NASCE FRACO OU FORTE
O RISCO, A RAIVA E A LUTA DE QUEM CAI
OU QUE RESISTE
QUE VENCE OU ADORMECE ANTES DA MORTE.
NO TEU POEMA
EXISTE O GRITO E O ECO DA METRALHA
A DOR QUE SEI DE COR MAS NÃO RECITO
E OS SONOS INQUIETOS DE QUEM FALHA.
NO TEU POEMA
EXISTE UM CANTOCHÃO ALENTEJANO
A RUA E O PREGÃO DE UMA VARINA
E UM BARCO ASSOPRADO A TODO O PANO
EXISTE UM RIO
O CANTO EM VOZES JUNTAS VOZES CERTAS
CANÇÃO DE UMA SÓ LETRA
E UM SÓ DESTINA A EMBARCAR
NO CAIS DA NOVA NAU DAS DESCOBERTAS
EXISTE UM RIO
A SINA DE QUEM NASCE FRACO OU FORTE
O RISCO, A RAIVA E A LUTA DE QUEM CAI
OU QUE RESISTE
QUE VENCE OU ADORMECE ANTES DA MORTE.
NO TEU POEMA
EXISTE A ESPERANÇA ACESA ATRÁS DO MURO
EXISTE TUDO O MAIS QUE AINDA ME ESCAPA
E UM VERSO EM BRANCO À ESPERA DO FUTURO.
  


Fonte

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Meia de S.João das Lampas Nocturna


N próxima 6ª Feira, pelas 22h, o pessoal que queira aparecer em S.João das Lampas, para um treino que ficará na memória (tal como o anterior realizado em Janeiro de 2009) é só aparecer. Desta vez, será a Meia Maratona Nocturna. No final, haverá instalações onde o pessoal possa tomar o seu banhinho, confraternizar um bocadinho, um churrasco, chazinho e biscoitos e outras surpresas.
Estão todos convidados. Só é preciso inscreverem-se no forum de O Mundo da Corrida. É à borla!
E creiam que eu e os meus amigos da MMSJL teremos o maior prazer em receber-vos. Não se acanhem.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

25ª Maratona de Lisboa




Lá vem Lisboa
A menos de 3 semanas
Lá lá rá lá ri lá lai
Lá lá rá…

Pois é meus amigos. Isto agora é só manter o que foi feito para o Porto. Nada de colocar carga de que não possa recuperar, nem ficar de tal maneira relaxado que me leve o resultado do trabalhinho feito. Enfim…não quero pedir muito, mas gostava que desse para o gasto.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A "Mãe e o Baile dela"

Gosto de Folclore. E quando se fala de folclore, a Nazaré dá cartas. Também, como se sabe, dá cartas na Corrida.
Quando, há dias, aqui vos deixei o "Baile Grande da Nazaré", já se estava mesmo a ver que aquilo que eu queria mesmo, era fazer brincadeira com os seus versos. Com o devido respeito, claro está, mas achava que tinha que "meter a Mãe ao barulho":


Há Corrida quando a Meia vai p’rà estrada
Bate o passo no alcatrão
Dá-se a volta, vai-se em frente
Passa-se Famalicão

Dá-se a volta ,vira, vira,
Doze e meio já cá estão
Se a estrada não dá a volta
Damos a volta ao bidão

Corre, corre, camarada
Vê bem onde pões o pé
Concentra-te na passada,
Tás quase na Nazaré.

Não vás ao mar, Tonho
Fica a correr, Tonho
Que te faz bem, Tonho
E é bom te ver.
Ai Tonho Tonho
Que bem estimado és
Ai Tonho toma sapatilhas p’rós teus pés.

Adeus amigos, gente de mar,
Que, para ano, quero voltar
Quero cá correr, mais uma vez,
Na Mãe das Meias em português.

36ª Meia Maratona Internacional da Nazaré

Momentos antes da partida
Com um grupo de amigos bloggers (Nuno Sebastião, Luis Mota, Mário Lima, Vitor Ferreira e Joaquim Adelino)

Lá estive, mais uma vez, na Nazaré e cumpri a 36ª edição beneficiando do excelente ambiente que a envolve: Música, muitos amigos, cenário deslumbrante.

Depois de uma semana de “jejum” no que a treinos diz respeito, exceptuando meia hora ligeira na véspera, ainda sentia a mesma confiança com que enfrentei a Maratona do Porto na semana anterior. De qualquer forma, não era minha intenção arriscar muito. O que eu pretendia era marcar presença e fazer uma prova tranquila. Gostei da gestão que fiz até ao retorno de Famalicão. Isso permitiu-me fazer o resto da Prova sem sentir a quebra que quase sempre me acontece por volta dos 14Km, quando me entusiasmo no início. Andei sempre abaixo dos 4,50, tendo terminado com 1,38,04 (1,37,15 tempo líquido), quase 5 minutos mais rápido que em 2009. Todos os resultados estão aqui.

Tive, depois, a oportunidade de confraternizar com a rapaziada da Organização e ouvir algumas estórias de edições passadas, por parte de quem, de forma voluntariosa e empenhada, conta com uma experiência enriquecedora de 35 anos, a organizar uma Meia Maratona de eleição, a inovar, a corrigir as coisas que falham. Foi uma honra conhecer de perto (e contadas pelos protagonistas de sempre) a Meia da Nazaré, na vertente humana, de quem a criou e segura. Já era noite escura quando saí da Nazaré, com a sensação de ter feito uma agradável viagem aos primórdios do atletismo popular.



sábado, 13 de novembro de 2010

...aos saltinhos pelo chão



Andava eu na Infantil, talvez, com quatro ou cinco anos e uma das primeiras cantigas que nos ensinaram foi esta:

Baile grande da Nazaré               
A sardinha cai na rede descuidada
Vai encher o galeão
A sardinha cai na rede descuidada
Vai encher o galeão
Ela e viva prateada
Aos saltinhos pelo chão
Ela e viva prateada
Aos saltinhos pelo chão

Vai de roda bem saltada
Cada um põe o seu pé
Não há vida mais gabada
Que a vida da nazaré
Vai de roda bem saltada
Cada um põe o seu pé
Não há vida mais gabada
Que a vida da nazaré

Não vás ao mar Tónho
Podes morrer Tónho
Tá lá um bicho Tónho
Pra te comer
Ai Tónho Tónho
Tão mal estimado és
Ai Tónho Tónho
Nem mais meias tens prós pés

Adeus Maria que eu vou pro mar
Buscar sardinha pra seres rainha
Ela é bonita da cor da prata
Não tenhas medo que o mar não mata.


Estou convencido que foi um factor determinante para que, ao longo da vida fosse associando esta bonita Vila. à  mística que, mais tarde, a Meia Maratona lhe veio alimentar. Viva a Nazaré!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Mãe chama-nos

Mãe é sempre mãe. Muitas das suas filhas (que é extensa a sua prole) já cresceram e se emanciparam. São muito senhoras do seu nariz. Outras ficaram meio raquíticas mas nunca perderam a grande admiração que têm pela progenitora.


Num ritual que se vai repetindo há três décadas e meia, as boas filhas vão junto dela, uma vez por ano, em Novembro, pedir-lhe a bênção. É um procedimento antigo, em desuso, mas que continua a ser revelador de grande respeito. E sempre, em Novembro, há festa, que celebra o aniversário da Mãe, num grande cortejo de vida que desfila entre o casario e o mar.

Que ninguém falte aos anos da Mãe.
Ela chama-nos, não a ouvem ? :
- "Oh Tóooonho!"

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ainda a 7ª Maratona do Porto

Com o perdão da “Mãe”, que já está à espreita, na semana que se segue à Maratona do Porto todo o tempo é curto para dar largas ao extasiado estado de espírito de quem cumpriu aqueles quarenta e dois e picos à volta da Foz do Douro.

Foram muitas as emoções vividas durante a Prova e talvez ainda maiores aquelas a que assisti quando, já refastelado no autocarro que nos transportaria ao Hotel, contemplava os momentos finais da Corrida de muitos atletas.

Separava-me deles a vidraça e dois ou três metros e deixei-me levar pelas expressões de sofrimento e de alegria, pelos gestos de contentamento, pelo entusiasmo do pequenino que se aproximava do pai para lhe dar a mão e partilhar com ele a curta viagem triunfante pela passadeira (abraço António e Vítor), pela esposa que beijava enternecida o marido-herói, pela alegria contagiante de quem tinha dúvidas de que conseguiria e… exultava.

Sei que é parvoíce, mas tive de pestanejar muito rápido, para conseguir dissipar aquele rasto aquoso que se desprende nos olhos, quando somos tocados na alma.

Meus amigos, isto é a Maratona.

E fui ao meu “baú”, procurar um escrito feito em 2006, meio a sério, meio a brincar, quando se discutia se correr a maratona era bom ou era mau, mas, no fundo, o que eu queria dizer é que estava “apanhado” :


“De ti já sou cativo! Sou teu escravo!
Vais-me levar até ao fim do mundo.
Tenho a pena perpétua e com agravo;
Por tanto desejar-te mais me afundo
Neste mar onde … não ganho nem um chavo,
Pois nunca fui primeiro nem segundo.”
É assim que minha mente funciona
Depois que conheci a Maratona,

A grande prova de capacidade
De autocontrole e de superação
Da resistência, da tenacidade
De treino intenso, de motivação,
Que nos traz calma e tranquilidade
Logo que feita uma primeira acção;
E o nosso ego solta confiança
Que o mundo é nosso; de quem não se cansa!


“Deixei tudo por ela, deixei, deixei…”
Dizia o Zé Cabra, do amor da vida,
Assim ando eu, sem regra, sem lei,
Neste fascinante Mundo da Corrida
Onde fiquei preso e onde, ao que sei
Há aí boa gente que ficou “detida”.
Venham, venham mais ver-nos à “prisão”
Quantos mais vierem, mais livres serão.











quarta-feira, 10 de novembro de 2010

7ª Maratona do Porto - Um prémio

Quando se participa numa prova e se gosta, é naturalíssimo que se pretenda lá voltar. Voltei. Notei que o grau de exigência, não eram os atletas que o determinavam, mas sim a própria Organização. Essa sim, exigia de si própria, tudo quanto pudesse ser do agrado dos atletas, desde o essencial, ao pormenor. Foi assim que a Organização da Maratona do Porto, em 6 anos, fez dela, a maior e a melhor de Portugal.


Houve visão. Houve paciência para esperar (e não foi preciso muito tempo). Houve cuidado no tratamento da imagem. Houve boa negociação com os patrocinadores (que tiveram retorno). Houve boa promoção (dentro e fora de portas). Houve humildade para aceitar uma ou outra crítica. Houve sabedoria.

O resultado está à vista.

A Runporto tem razões para sentir orgulho no trabalho gigantesco que tem realizado na Invicta, em prol da promoção da Corrida e tais pergaminhos tornam-na credora do maior respeito e credibilidade.

Voltei sempre. E o gosto de voltar é o meu melhor prémio. É um privilégio. Mas até nisto a Organização pensou: - que os totalistas deveriam ter um prémio especial pela fidelidade à Maratona do Porto! Fiquei sem palavras, pois não fui fazer favor a ninguém, fui sim porque gosto de correr onde somos bem tratados. E isso é o melhor prémio. Não precisa de mais nada. Mas se a Runporto quis ter um gesto amigo, reconhecendo e brindando esse honroso estatuto, só tenho de ficar muito grato e redobrar a grande admiração e apreço que já tinha por ela.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

7ª Maratona do Porto -A minha Prova

Mais uma foto (da Isabel)

A manhã deste Domingo, 7 de Novembro, o dia da 7ª Maratona do Porto, apresentou-se cinzenta e molhada. Caía uma “chuvinha molha-tolos” como que a dar razão a muitos que não conseguem compreender que força era aquela que concentrava ali tanta gente, disposta a correr uns ”intermináveis” 42 Km, esteja o tempo como estiver.


Ainda ninguém estava em acção, mas aquela meia hora passou-se “a correr”! O encontro breve com um amigo, com outro…e outro, e , muitos que sabia que estavam por ali, só em plena prova, quando nos cruzámos, tive o grande prazer de lhes enviar uma saudação. A foto da praxe com a malta da minha equipa, a ACB, que participava com 26 elementos na Maratona e encaminho-me para a zona da partida.

O camião guarda-roupa, esperava e, à medida que se aproximavam as 9h, ia tendo mais “clientela”. Os atletas vão tomando posição na zona que lhes está reservada. À frente saem os da Maratona, atrás os da Family Race ou, melhor dizendo, da Corrida Convívio, na distância anunciada de 14 Km.

Pelo som ambiente, somos convidados a olhar o ecran gigante que nos mostra fantásticas imagens da edição anterior, acompanhadas de uma banda sonora daquelas que penetram no espírito de todos e faz com que cada um acredite mais naquilo que se propõe fazer. O speeker deseja uma boa prova a todos e é dado o tiro de partida.

Aquela breve inflexão do início do percurso, descendo do Palácio de Cristal e subindo a Júlio Dinis, repleta de gente, proporcionava uma panorâmica memorável, de uma multidão feliz, em movimento, compacta, determinada, colorida. Espectacular!

À passagem ao 1º Km, na Rotunda da Boavista, olho para o relógio, só para ter uma 1ª noção do andamento :zero(!), eheh. Afinal, só tinha “fingido” que carreguei no botão. Ligo agora, mas ficando a contar com 1 km a menos, “complica-me” as contas, já sei.

Começa a descida e a passagem pelo Estádio do Bessa. Alcanço o Cláudio (que arrancou rápido mas começava a ter preocupações com o ritmo), o retomar da Av. Da Boavista e a passagem pelo local da Meta, no Parque da Cidade. Chega-se ao pé de mim o José Brito, e ainda vou com ele alguns Kms e reparo que estava a andar a cerca de 4,40. Para quem queria passar à Meia com 1,45 é claro que ia rápido de mais (era a “estratégia do mealheiro” no seu esplendor): ou faria um grande tempo, ou estaria a “hipotecar” os meus recursos. Mas sentia-me confiante, pois tinha feito mais treinos longos que nas edições anteriores e isso fazia-me alimentar alguma esperança.

No 1º retorno, junto ao Edifício Transparente, vou atento à “concorrência”, não para fugir dela, mas para tomar consciência do meu posicionamento. É claro que, tendo eu partido na frente, a minha sina era ir sendo ultrapassado.

Por volta dos 10, chega-se o Vítor Veloso e o Filipe Fidalgo, quando eu já tinha pensado em deixar o Brito ir embora, pois sabia que não tinha pernas para ir com ele. O Vítor vai cheio de “pica” e olha para trás como que a convidar-nos - a mim e ao Filipe - a ir com ele. Ná! Vou bem assim e o Filipe, mais prudente, dado que esta era a sua 1ª experiência na distância, achou melhor ficar comigo. E… mesmo assim, continuávamos a andar a 4,45.

Ponte D. Luís. Conseguimos passar antes que os quenianos entrassem na ponte. O Paulo Gomes seguia-lhes na peugada. Era grande o intervalo entre os atletas que se lhes seguiam. A caminho da Afurada, acompanhado das suas meninas, lá estava a aplaudir-nos, por fora, quem costuma estar bem por dentro da Corrida e que ali mesmo, há dois anos atrás, se tinha tornado maratonista. Obrigado pelo incentivo, António, mas teria sido bem melhor se ali, ao nosso lado, mais à frente ou mais atrás, estivesse a fazer parte do “desfile”. Mas é uma decisão que respeito.

O retorno e a metade do percurso estava feita : 1,38 ! Sorri de escárnio para o Filipe e torço o nariz de desconfiança, dizendo que “agora é que vai começar a Prova”! Ainda vamos bem, cruzando com a malta conhecida que vem em sentido contrário. À saída da Ponte (25Km) começa a parte mais monótona do percurso até ao retorno dos 28,5km. Decido abrandar ligeiramente, para procurar retardar o “estouro”. O Filipe alinha. Vemos que vai aumentando a distância em relação aos que iam à nossa frente, mas encurtando em relação a quem vem atrás. Virámos. Agora era sempre em frente até aos 40 e picos. De repente, e sem que tivéssemos dado por isso, vemos que o Ricardo Batista, já nos tinha ultrapassado, levando uma vantagem de uns 30m. Passa também o Miguel Paiva, que ia num bom ritmo. À passagem do túnel (31km) noto que o Filipe estava a travar por minha causa, ao mesmo tempo que somos passados pela Margarida Pinto, maratonista de grande experiência, e recomendei ao Filipe que a seguisse, pois ela tinha um andamento bastante regular. Agradeceu a sugestão e assim fez .

32Km. “Dor-de-burro” à direita! Não vinha nada a calhar. Tive mesmo de abrandar à espera que passasse, mas quem passava eram os atletas que vinham atrás. “Arrastei-me” sem, no entanto, sucumbir à tentação de me pôr a passo, até aos 35Km. A dor abrandou, mas o ritmo tinha-se ido embora e não conseguia retomá-lo. 38Km, volto a passar pelo Miguel, que estava a correr ainda mais lento que eu e não reagiu. Algo se estava a passar, mas pensei que fosse passageiro. Vim a saber, depois, que ele tinha abandonado a prova pouco depois. Nestas alturas, confesso, que o sentido de entreajuda anda “um bocadinho por baixo”, pois “andamos todos ao mesmo”. É quase como tentar ir salvar alguém do rio e… não saber nadar. Desculpa Miguel.
Passo também pelo meu colega de equipa, Paulo Torrão, que, mais uma vez foi traído pelas caimbras e pelo Ricardo Plaza (que pretendia fazer 3h e tinha dado um estoiro monumental) , que também vinha a passo e grito-lhe: -Então, Ricardo !?"-Estou muerto!" - disse-me ele.
Rotunda do Castelo do Queijo: Estou eu a contorná-la e vejo levantar-se do lancil um corredor. Era o Filipe! Tinha feito uma pausa para "trabalho de ginásio” a fazer alongamentos para ver se se livrava das caimbras que o tinham apoquentado e impedido de seguir o ritmo da Margarida. Andou uns metros comigo mas as malvadas obrigaram-no a caminhar.

Retorno de Matosinhos: vejo a aproximação de alguns que antes estavam longe e ganho um novo fôlego.

Início da última subida. A orquestra começa a tocar “Os filhos do dragão”. Apesar de benfiquista (podia passar sem dizê-lo, numa altura destas, mas enfim) aquela música deu-me o último estímulo para subir aquele quilómetro e meio. Uma ligeira lomba e lá se vê o pórtico dos 42. Acho que levava um bom ritmo, pois passei muita gente por ali acima. O público, que aplaudia, formava uma estreita e acolhedora passagem junto ao pórtico, a partir do qual estavam instaladas as vedações da zona de chegada. A curva para a esquerda, a passadeira vermelha, mais aplausos. Um gesto de saudação e de agradecimento e o olhar para o relógio lá em cima. 3,34,40! Falhei as 3,30, mas fiquei contente na mesma. E vão 38 !


…ainda quero voltar ao assunto, num próximo texto, que este já está longo de mais.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

7ª Maratona do Porto

Com o Filipe Fidalgo, aos 19Km (Foto Isabel Almeida)

Emocionante.


A excelência da organização da Maratona do Porto ficou mais que demonstrada nesta 7ª Edição de uma Maratona que, com tão poucos anos de existência, sai consagrada como a melhor e mais participada Maratona de Portugal, ao registar 1180 atletas na linha da meta.

O crescimento enorme que aqui se tem verificado só pode ser justificado com o enorme empenho que a Organização tem aplicado não só na sua promoção além-fronteiras, como na qualidade do serviço que é oferecido aos atletas.

A RunPorto, com esta Prova tem tido um importante papel no aumento de número de maratonistas no nosso País (só o Portorunners participou com mais de uma centena).

Vêm de todo o lado os  merecidos elogios que, pelo que me foi transmitido pela Organização, são para distribuir, gentilmente, por todos aqueles que acreditaram no Projecto Maratona do Porto, que passou a ser um caso sério e promissor na Corrida Popular em Portugal.

Muito me honra ser totalista desta grande Prova.

Voltarei para falar da minha participação, bem como de outros aspectos que, na minha óptica, deverão ficar registados.

Por agora só digo que fiz a marca de 3,34,40.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O "Baralho" incompleto.

Ainda não consigo "jogar com o  baralho todo".  Como nas cartas, tenho 4 "naipes" (Lisboa, Porto, Madrid e Sevilha)  e alguns "jockers" de participações únicas : Spiridon, Paris, Carlos Lopes, Lisboa 04 e Badajoz). As UMA e os TNLO não contam. Aqui é sempre estrada...

1. 18.Dez.1983 -Maratona Spiridon 3h03m15s
2. 28.Nov.1993 -   7ª Maratona de Lisboa 3h05m00s
3. 24.Nov.1994   - 8ªMaratona de Lisboa 3h35m00s
4. 07.Dez.2003  -18ª-Maratona de Lisboa 4h.01m46s(4.01.07)
5. 05.Dez.2004  -19ª Maratona de Lisboa 3.27.59 (3.28.39)
6. 04.Dez.2005  -20ª Maratona da Lisboa 3.29.30 (3.30.20)
7. 03.DEZ.2006 -21ª Maratona de Lisboa 3.27.45 (3.28.05)
8. .02.Dez.2007 -22ª Maratona de Lisboa 3.30.25 (3.30.42)
9. 07.Dez.2008  -23ª Maratona de Lisboa 3.26.44
10. 06.Dez.2009 -24ªMaratona de Lisboa 3,46,32
11. 25.Fev.1995 -11ª Maratona de Sevilha 3h07m16s
12. 27.Fev.2000 -16ª Maratona de Sevilha 3h25m07
13. 25.Fev.2001 -17ª Maratona de Sevilha 3h24m41s
14. 24.Fev.2002 -18ª Maratona de Sevilha 3h23m.19s (3.22.25)
15. 23.Fev.2003 -19ª Maratona de Sevilha 3h29m59s (3.28.54)
16. 29.Fev.2004 -20ª Maratona de Sevilha 3h28m41s(3.27.43)
17. 27.Fev.2005 -21ª Maratona de Sevilha 3.22.30 (3.22.36)
18. 26.Fev.2006 -22ª Maratona De Sevilha : 3,15,26 (3,16,46)
19. 11.Fev.2007 -23ª Maratona de Sevilha 3.33.25 ( 3.33.00)
20. 01.Fev.2009 -25ª Maratona de Sevilha 3,46.04
21. 14.Fev.2010 -26ª Maratona de Sevilha 3,43,30
22. 7.Abr.2002 -26ªMaratona de Paris 3h18m31s (3.20.04)
23. 27.Abr.2002 -25ª Maratona de Madrid 3h27m36s (3.26.07)
24. 24.Abr.2005 -28ª Maratona de Madrid 3.16.09 (3.17.08)
25. 30.Abr.2006 -29ª Maratona de Madrid 3.26.50 (3.28.05)
26. 22.Abr.2007 -30ª Maratona de Madrid 3.44..07 (3.45.42)
27. 26.Abr.2009 -32ª Maratona de Madrid 3,31,33
28. 25.Abr.2010 -33ª Maratona de Madrid 3,40,08 (3,40,34)
29. 17.Out.2004 - 1ª Maratona do Porto 3.23.54 (3.23.45)
30. 2.Out.2005 -   2ª Maratona do Porto 3.16.50 (3.16.30)
31. 15.Out.2006 - 3ª Maratona do Porto 3.28.53
32. 21.Out.2007 - 4ª Maratona do Porto 4.08.45
33. 26.Out.2008 - 5ª Maratona do Porto 3,27,15
34. 0 8.Nov.2009-6ª Maratona do Porto 3,28,50
35. 18.Abr.2004 -Maratona de Lisboa 04-3.21.29
36. 10.Maio.2009 -Maratona Carlos Lopes 3,33,21
37. 1.Fev.2009 -17ª Maratona de Badajoz 3,46,09

Faltam 3 para podermos jogar uma "suecada". Convido-vos lá para Fevereiro.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"Viagem à 5ª Maratona do Porto"

 Com os meus amigos Jorge Serra e Paulo Torrão (estreante)
O meu "tempo-canhão"

.../...
Depois de uma noite bem dormida, o dia amanheceu sereno. Corria apenas uma ligeira brisa fresquinha mas que indiciava vir a transformar-se em calor lá mais para o meio-dia.

Combinam-se estratégias e, curiosamente, quase todos apontavam para as 3,30h como tempo desejado. Daria para se formar um bom pelotão a que só faltaria o balãozinho atado por um fio à cintura de um, como clássica identificação para o marcador de ritmo, que é importante principalmente para os estreantes – e eram muitos.

Cedo chegámos ao local da partida e, à nossa espera, lá estava a tenda do cafezinho. Naquela hora que antecedeu a partida houve oportunidade para reencontrar amigos e conhecer finalmente o Miguel Paiva, que se tinha preparado especialmente para fazer a sua estreia na maratona, tal como o António Almeida. Pudemos, então trocar algumas impressões sobre andamentos, margem de “reserva”, equilíbrio, combate à saturação, procurando ter presente que a prova só “começaria” aos 21km. Algumas fotos e, quando ia entregar o saco da roupa, encontro o Jorge Serra e o Paulo Torrão da minha equipa: Açoreana Clube Banif e com a máquina de amigos de Madrid (Javier Almenderia e João Hébil), ainda conseguimos um “boneco” da equipa, que espero, me seja enviado.

Era, agora, tempo de ir para a zona reservada aos maratonistas. Ainda ouvimos a Vanessa Fernandes, o Carlos Lopes e a Aurora Cunha darem o seu incentivo e a verdade é que, junto a mim, já só tinha os meus amigos Cláudio e o Faísca. Olhei em redor e não vi o Paiva nem o Almeida, pois tinha alguma curiosidade em acompanhar estas duas estreias, que tinham fortíssimas possibilidades de fazerem, connosco, um tempo a rondar as 3,30. Com pena minha, não os vi.

Estavam a ser 9 horas! Num gesto que se regista com satisfação, os atletas, com uma prolongada salva de palmas, agradeciam à Organização, de uma forma simples, mas franca, o gigantesco trabalho e competência que é necessário para pôr de pé, esta Maratona que, com grande entrega, lhes era destinada.

Um helicóptero pairava sobre nós, preparado para captar imagens da partida. À frente saíam os da Maratona, a seguir os da Prova de 14 Km e por fim, os da caminhada, de 6 km.

Ouviu-se um tiro ! Um cumprimento ao Cláudio e ao Faísca e o desejo de uma boa prova a todos e... lá vamos nós enfrentar o “mostrengo” para muitos, mas que vem a revelar-se uma “atracção” cada vez para mais gente.

As contas estavam feitas (embora o Cláudio estivesse um bocadinho renitente em aceitá-las) : a 5 minutos por Km, faríamos a prova em 3,30h ! Como ele levava um cronómetro daqueles que apita em cada km, avisou logo que, o primeiro km ia demasiado lento. Não admira : pelotão ainda compacto e uma subida de cerca de 500m...Havia tempo para recuperar, mas abriu-se um bocadinho o passo e ao 2º km já estava tudo certinho. (Isto é coisa que não se deve fazer, mas pronto...). Estávamos a passar à Casa da Música quando passamos pelo João Hébil que ia calmamente com o seu amigo Javier e não se deixou impressionar pelo nosso andamento (e bem, pois no próximo Domingo vai fazer a Maratona de Nova Yorque e tinha de se controlar). Pela Avenida da Boa Vista abaixo, mesmo a travar íamos com um ritmo muito mais rápido que o previsto, mas como nenhum de nós ia em esforço –por ser a descer, certamente- lá nos deixámos ir a “amealhar”, dizíamos na brincadeira, porque sabíamos que poderíamos vir a ter de gastar todas as “economias” feitas. Aos 7 km, diz o Cláudio: - já “amealhámos” um minuto em 7 km! Daqui a bocado, vai ser 1 km em 7 minutos!”. Rimos, mas sabendo que era muito provável que assim acontecesse.

Na passagem pelo Edifício Transparente, quando nos cruzámos com os atletas que vinham em sentido contrário, “marcámos” alguns conhecidos que, até aos 15 km, conseguimos apanhar, pois ainda íamos na fase de “amealhar”. Passámos pelo Tigre, pelo Vitor Silva e Zé Magro e juntámo-nos a um pelotão com malta do Real Academia e onde iam os meus colegas de equipa, Jorge Serra e o Paulo Torrão que continuaram connosco mantendo o ritmo e o tal pelotão que tinha, talvez, uns dez atletas, desfez-se, ficando apenas nós cinco.

Meia Maratona : 1,40,30! O “mealheiro” ainda ia receber umas “moedinhas”. Entre os 21km (Afurada) e os 25km (Ponte D. Luis) assiste-se a cenas pouco recomendáveis, com ciclistas pouco atentos, a esquecerem-se que havia atletas nos dois sentidos.

-Estamos a “andar” para 3,20! dizia o Jorge Serra !

-Eh lá- disse eu

- Daqui a bocado ouve-se um estoiro, dizia o Cláudio.

–Estoiro vai haver de certeza - disse eu – ou rebentamos nós, ou rebentam foguetes por termos feito uma grande prova !

-Acredito mais na 1ª hipótese – disse o Cláudio.

Na Ponte, vejo o Paulo Quaresma, a passo e lembrei-me que, em 2007, tinha sido precisamente ali que me pus também a caminhar ...e ia com mais 4 minutos que este ano!

Mas agora sentia-me bem. Ainda ! Vejo o Luis Mota, que vinha do retorno dos 28 e pareceu-me que vinha em quebra, pois na Afurada ele tinha passado com outro andamento. Ainda lhe dei um grito, mas não sei se ele ouviu, pois já devia de vir a apelar a toda a concentração possível. Apanhámos o Zé Valentim (que se meteu em "aventuras de copos"na véspera) que vinha também em dificuldade.

Jorge Serra diz ao Paulo Torrão para seguir no meu ritmo, que ele já recuperava e eu achei logo estranho: -mau! Estou mesmo a ir depressa demais-! Resolvi abrandar por vontade própria, antes que fosse obrigado a fazê-lo e perguntei ao Cláudio, que estava a revelar alguma dificuldade, como é que iam “as contas” :

-Já estamos a gastar do “mealheiro”! disse ele - vamos ver até onde é que chega!

O Torrão “desapareceu-me” da vista e o Jorge Serra arrancou atrás dele. Estávamos pelos 29km. Ainda havia muito km pela frente. O Faísca que parecia ter energia para ir para a frente, foi-se abaixo e o Cláudio abrandou. Pensei : -bom, se eu reduzo agora, estou feito. Vou ter de continuar com o passo que trago!

Agora, a preocupação era procurar ter sempre um”bocadinho de reserva”; não correr no limite;.a luta era contra o desgaste psicológico de quase 3 horas de corrida. Entrávamos na zona em que aqueles que tinham calculado mal o esforço, estavam “a pagar a factura”caminhando ou correndo num andamento muito lento. Ir passando por estes atletas, ia-me dando algum alento, embora pensasse cá para comigo que, dali a pouco podia ser eu,; por isso, nada de pensar que “estava no papo”.

Só próximo dos 40km acreditei que já não iria ter quebras e ainda me cruzo com o Torrão (que já vinha em sentido contrário), e que entretanto se tinha visto a braços com caimbras.

Continuava a sentir-me com força para subir aquele “restinho” da Avenida da Boa Vista onde várias pessoas nos incentivavam pronunciando o nome inscrito no dorsal. E que ânimo isso nos dava !

O pórtico, a última curva e… lá estava a Meta: 3.27.15 !!!

Medalha ao peito e eis-me na zona de descompressão, feliz da vida, sem as náuseas que às vezes me atormentam quando exagero no esforço.

Dois dedos de conversa com amigos enquanto se espera por outros, as merecidas felicitações ao Jorge Teixeira, saquinho ao ombro e lá vamos até ao camião-guarda –roupa antes de entrarmos no autocarro para o regresso ao hotel.

Caía o pano sobre esta extraordinária Maratona que conquistou um lugar de destaque entre as grandes provas internacionais e à qual, enquanto puder, não deixarei de marcar presença.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tabuada à "moda do Porto"

1ª - 17.Out.2004 - 3.23.54
2ª - 02.Out.2005 - 3.16.50
3ª - 15.Out.2006 - 3.28.53
4ª - 21.Out.2007 - 4.08.45
5ª - 26.Out.2008 - 3,27,15
6ª - 08.Nov.2009- 3,28,50
7ª - 07.Nov.2010 - faltam 4 dias.

Será a minha 38ª maratona de estrada. Aguardo, calmamente, por ela.