segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

II Trail Terras de Sicó - Conímbriga


Eu não sei por onde andei. Só sei que andei por ali…


…Por Terras de Sicó!

Não conhecia aquela vasta área montanhosa, a não ser ao longe, quando se passa, rápido, a caminho de outras paragens já conhecidas. Agora percorri-lhe as entranhas, subi-lhe aos cumes, em marcha calma e observei as soberbas paisagens que só dali se podem contemplar. É difícil chegar-se lá acima, mas quando lá se chega, a sensação que nos invade é de um poderoso domínio sobre o relevo com que a natureza nos brinda.

Falar deste Trail, enquanto competição, para mim, tem pouco de motivador, pois já se sabe que quem corre mais depressa ganha. Gosto mais de falar dele enquanto percurso turístico de grande beleza; visitar aldeias recônditas, de gente simpática, guardadora de rebanhos de cabras e ovelhas, que nos aplaudem à passagem e nos indicam o caminho; descer aos vales, correndo, por estradões mais ou menos pedregosos e ver, cá de baixo, o que já descemos, ou o que temos para subir(no que tem de duro e de belo); ver ao longe os nossos companheiros, em fila indiana, quais pontinhos coloridos no vasto cenário verde da montanha.

Corremos porque gostamos de correr, mas também porque sabemos que não temos o dia todo para andar por ali e que há gente à nossa espera e não temos o direito de abusar.

Sobre a minha prova, sempre adianto que demorei 3,36,59; que me classifiquei em 170º (6ºdo escalão) em 243 que chegaram; que foi o Alcino Serras (nome bem posto) que ganhou, seguido do Luis Mota; que quando cheguei já eles lá estavam há mais de uma hora, mesmo depois de estarem um quarto de hora à procura do rumo a seguir (pois houve quem, numa “diversão” repugnante, tivesse retirado fitas do percurso, despistando, assim, os participantes). Saliento aqui, o extraordinário vídeo do Jorge Serrazina, que documenta, de uma forma excelentemente conseguida, a situação vivida pelos atletas da frente e do companheirismo evidenciado para se ultrapassar a dificuldade.

As provas de montanha estão a ganhar espaço no calendário. Cheguei a admirar-me disso, mas foi só enquanto não tive a primeira experiência no terreno.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

IITrail Terras do Sicó - Conímbriga

Estive, hoje, no II Trail do Sicó, na distância de 30Km, disputado nos maciços calcários (estou a dizer bem?)  que constituem as serrarias que estão próximas de Conímbriga. Gostei muito da Prova. Demorei 3,36,59 e classifiquei-me em 170º. Por agora deixo apenas umas imagens, com a promessa de que voltarei para abordar o tema mais em pormenor.
Com a minha colega da ACB, Lúcia Oliveira, brilhante vencedora do Trail curto


Forte animação na partida

Com os meus amigos Manuel Romano e António Almeida

...Já "bufava"...

Foto tirada pela menina bombeira
È entrada de Conímbriga


A caminho do 1º mirante

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Albertina Dias

Petição Albertina Dias

Quando surgiram manifestações de solidariedade para com a Albertina e a situação dramática largamente noticiada, apareceu também quem fosse contra esta onda de apoio que foi crescendo, principalmente no seio daqueles que gostam da Corrida. Vêm então a terreiro, dizer que a Albertina "esbanjou os mundos e fundos que recebeu" nos seus tempos dourados e, foi essa má gestão que veio a provocar a delicada situação em que actualmente se encontra.
Não conheço pessoalmente a Albertina nem tenho procuração para a defender nem é minha intenção desdizer este tipo de comentários.
O que os portugueses sabem da Albertina é o seu enorme contributo para que o nosso País ganhasse o respeito dos outros, como potência no Atletismo. Com os seus feitos, ela ganhou e ganhámos todos. Portugal ganhou. Pouco nos importava saber qual a sua compensação monetária, nem se ela seria ou não competente para administrar aquilo que ganhava. O que queríamos era viver as emoções das suas conquistas, vê-la subir os degraus do pódium, receber as flores e a medalha, ver subir a bandeira de Portugal ao ponto mais alto do mastro.  Ouvir o hino e sorver aqueles momentos tão intensos. Daqueles momentos que nos exaltam o orgulho luso. A Albertina ganhava, todos nós nos sentíamos vencedores.

A vida correu-lhe mal, por má gestão, por infortúnio, mas mais do que apurar o porquê de ter chegado à situação actual, importa que todos tomemos a consciência do desespero da nossa campeã para ter tomado a atitude que tomou. O valor da medalha da Albertina é muito mais do que o seu peso em ouro. O seu valor é indissociável do da Albertina. Por muitos milhares de euros que lhe dêem por ela (o que eu duvido) só a Albertina teve o poder para conquistá-la. Só ela a merece.

Por isso, a petição em boa hora posta a circular na net, já lá tem a minha assinatura, no lugar 34. Sinto que, independentemente das outras razões que poderão trazer à baila, esse é o meu dever enquanto amante da modalidade e enquanto cidadão deste País.

Mais um ano

3 anos : 54500
Exactamente há 3 anos, colocava neste espaço, a título experimental, um texto já feito, que nada tinha a ver com Corrida, mas que tinha a ver com o exercício da cidadania e a indignação perante um caso que considerei injusto. Aliás, o nome do blogue, foi inspirado nisso: nos deveres e nos direitos de uma personagem que, por acaso, gosta de correr. O blogue "funcionou" e agora era só alimentá-lo e esperar merecer a atenção de alguém.

Num breve balanço, noto que celebrei o 2º aniversário com 32 mil visitas e o 3º com 54 mil (!), razão que me faz sentir bastante satisfeito, pois, graças a todos vós, queridos amigos visitantes, vejo-me a superar os resultados esperados. É da maior justiça que neste dia, vos agradeça, do fundo do coração, o facto de lerem as coisas que aqui vou escrevendo. Bem hajam.

Como diz o nosso amigo Joaquim Margarido numa  lapidar frase do seu famoso Orientovar :

“As histórias não são nada se não tivermos a quem  contá-las”.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Albertina Dias

Para ninguém esta Medalha vale mais que para ti, Albertina.


Ao conquistá-la, foi todo um povo que rejubilou de orgulho. O esforço foi todo teu, mas todos nós saboreámos o gostinho bom da glória. Merecidamente, foste a fiel depositária daquele disco de ouro cujo valor não vem tabelado mas que puseste, agora, à venda.

O Mérito foi todo teu, o Orgulho foi teu e nosso, mas a Vergonha é nossa, pois não fomos dignos do que fizeste pelo Atletismo Português.

O nosso amigo João Meixedo, trouxe-nos este caso com o link

http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=903681&audio_id=1789156

Para que reflictamos.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

27ª Maratona Ciudad de Sevilla

Na Isla Mágica

Agora, para terminar esta Sevilha-2011, gostava de deixar algumas notas dignas de registo :

Trata-se de uma maratona que tem uma taxa de inscrição, quando feita no período normal, bastante acessível :20 euros !

Com estes 20€, os corredores têm direito a :

- Participar na prova e a serem controlados e classificados ;
- Um equipamento composto por singlete e uns calções de boa qualidade (Joma);
- Porta chaves e pin da Prova;
- Revista da Prova com as classificações do ano anterior;
- Revista da AIMS “Distance Running” (último número, sído há dias)
- Assistência médica na prova, com vários “hospitais móveis” ao longo do percurso;
- Uma toalha aos ombros, no final;
- Uma bonita medalha;
- Um saco com reforço alimentar, após a prova;
- Cerveja e coca-cola à vontade do freguês;
- Duas refeições e uma delas com acompanhante;
- Participação em vários sorteios, durante o almoço da “clausura”.
- Afixação rápida de resultados, no papel, ainda durante o almoço.
- Disponibilização das classificações na Net, também rápida, com gráfico dos tempos parciais;
- Disponibilização de várias fotos no início e no fim da prova;
- Vídeo de chegada para todos!...

...e, se calhar, não esgotei a lista !

Bem sei que a maioria dos participantes não vai à procura de nada disto, mas tão só, correr a distância, devidamente aferida e avalizada por um júri e reconhecida pelas instâncias internacionais, como ponto alto na sua vida desportiva. Mas tudo o que enumerei são mimos de uma organização atenta a que nenhum atleta poderá ficar indiferente, e que transformam esta Maratona Ciudad de Sevilla numa prova altamente recomendada. E, estando a dois passos, merece, sem dúvida, a visita dos maratonistas portugueses.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

27ª Maratona Ciudad de Sevilla



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O fantástico gupo
Com o Mário Gomes (Os  "Açoreanos" prontos para a função)
 
A fantástica claque

Tudo vai bem (ainda no início...)

Aos 10 (na Ponte de la Barqueta)

Aos 32  (sorriso já...fingido)
Fotos retiradas do Album da Isabel Almeida


Sai-se do estádio e apanha-se a D. Carlos III, extensa avenida em que as faixas ficam repletas de corredores em quase toda a sua extensão, num ir e voltar, onde cada um dos corredores pode ver bem a dimensão humana desta Maratona. O 1º abastecimento, dos 5km, ainda é nesta avenida. Olho para o relógio. Estava com cerca de 30 segundos de avanço dos 25 minutos e isso daria um tempo final muito abaixo das 3,30. Impossível. Este andamento era excessivo e tinha de ser refreado, embora soubesse que ele era consequência de ter saído muito na frente. Abrando. No parque de Alamillo, por volta dos 8 km ia incomodado, pois bastou vir-me à cabeça que precisava aliviar a bexiga, para que isso já não me largasse. Não é que estivesse muito aflito, mas o melhor era arrumar já a questão. Era só escolher uma árvore.

Recomposto da paragem, que também serviu para não notar que tinha metido outro ritmo, passo aos 10 na Ponte de La Barqueta, onde havia novo abastecimento, com 49 minutos. Mau, afinal, não reduzi nada! Continuava a andar abaixo dos 5/km. A continuar assim, dentro de pouco tempo e tendo em conta a preparação feita, estaria a dar o estouro. “Levanto o pé” ainda por vontade própria (que é sempre melhor do que por não poder). Nova chatice: a tripa não vai bem e obriga-me a “encolher” e a sentir-me desconfortável. 15Km: 1,14,30. Já estava mais de acordo, mas ainda acima do que devia. Não custou a adivinhar que, na próxima contagem, toda a vantagem se iria embora, pois o desconforto intestinal travava-me. Não podia ser. Abastecimento dos 17,5: vejo uma casa de banho atrás dos voluntários e decido fazer um desvio. Foram 3 minutinhos sacrificados (podia ter sido menos, mas para ficar mais descansado…) mas que valeram a pena, pois retomo um andamento agradável. Meia Maratona: quase 1,49.

Ora, descontando os 3 minutos e o abrandamento que tinha colocado, ainda ia muito bem e agora, com o espírito (e o físico) menos desgastado. Por volta dos 22km, vejo à minha frente, dobradinha em 4, uma nota de 10€(!). Será? Confirmo e, claro, apanhei-a, ai não! Mostrei-a ao atleta que ia mais perto de mim e disse-lhe :”- já ganhei o prémio!” e ele respondeu numa espanholada qualquer que não entendi bem, mas que interpretei que era qualquer coisa parecida como:.- “bueno, haverá mais?’!

Estava na altura de “meter” gel, para aproveitar a água dos 22,5 e vou esvaziando aos poucos a embalagem até perto dos 30Km. Subi bem aquela enorme recta que começa aos 29, onde, habitualmente, costumo sentir uma forte quebra. 30Km: 2,35 mas já não me preocupava com o tempo, quer ele fosse rápido ou lento. A mente –e isto é errado - começava a centrar-se na chegada. Aos 32, novo gel. Este não me caiu nada bem ! fiquei nauseado e tive de me pôr a passo, durante uns 20metros à espera que passasse. Demorou a estabilizar, mesmo depois de recomeçar a corrida, mas lá fui encontrando o meu ritmo, que ia sendo fortalecido por ir ultrapassando muitos corredores que iam bem pior que eu. Entrada no Parque. Só faltam 3. Está feita. Encho-me de genica e lá vou, decidido a não abrandar, verificando depois que fiz os últimos km ao ritmo dos primeiros. Aquela emocionante entrada no Estádio, a marca dos 42, mais uns metros e… está feita 3,40,45, a uma média de 5,14/Km.

Se clicarem e escreverem "2545", verão o  meu ondulante desempenho .

Segue-se o ritual da toalhinha pelos ombros e a palavra de felicitações pelas simpáticas voluntárias; a retirada do chip; a água, as laranjas; a medalha; o saco do reforço alimentar; o guarda-roupa; o banho; a cervejinha; a passagem pelo estádio, vendo alguns que ainda iam chegando.

Estava a levantar-se vento. O excelente tempo que fez durante a prova ia mudar, para dar lugar à chuva, conforme as previsões.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

27ª Maratona Ciudad de Sevilla

Já prontinhos para irmos entregar os sacos da roupa e...ala
Sevilha, a cidade onde mais vezes corri a maratona. E foram 12. Por mais que se pense que a “rotina” esbate o encanto que esta prova tem para mim, continuo a vê-la com uma certa magia e emoção e com o desejo de voltar sempre que a termino.

Fui no autocarro de O Mundo da Corrida, na agradável companhia de muitos “viciados” na distância, outros estreantes nesta Prova e outros ainda estreantes na distância e de um grupo de acompanhantes que formavam a mais sonora claque que se ouviu no percurso.

À chegada, fomos, de imediato, ao Estádio Olímpico para levantarmos os dorsais, que incluíam o destacável para podermos ingressar na pasta party. Estava a ser uma da tarde (local) e foi uma hora má, pois a afluência era enorme, o que obrigou a várias filas tanto para os dorsais, como para levantamento do kit do corredor que, como habitualmente, inclui um equipamento composto por calção e singlete e a revista da prova, onde surgem as classificações da edição anterior e a Revista da AIMS, Distance Running que, conforme disse há dias, inclui uma belíssima reportagem sobre a mais participada das maratonas em Portugal: a do Porto.

Há quem ache que a Organização não estaria preparada para tamanha afluência de atletas (quase 5000) e isso implicou alguma demora mas, se virmos bem as coisas, terminada aquela avalanche, nas 2 ou 3 horas que antecederam o almoço, aquele espaço ficou liberto e, segundo me contou quem lá esteve, quase às moscas. Portanto, reconheço que a nossa impaciência em esperar uma hora, pode até ser ingratidão para aqueles extremosos voluntários que davam no duro para despachar os atletas tão rápido quanto possível. Por outro lado, seria um enorme desperdício de recursos humanos, se optassem por aumentar o número de guichés, unicamente para acudir naquelas horas de aperto. E não seria muito mais deprimente chegarmos ali e a feira estar vazia? A solução, parece-me, passa por escolhermos outro horário, se não quisermos participar na “enchente”.

Depois vem o almoço de hidratos, tradicional em véspera de maratona :massas, sobremesa, iogurte, cerveja, etc. Ninguém ficou com fome.

Seguiu-se um passeio pela cidade numa excelente tarde de sábado em que deu para apreciar a enorme animação de rua que ali existe.

Hospedámo-nos arredores da cidade. Feito o check in, o pessoal agrupou-se conforme entendeu: uns foram ao supermercado e arranjaram jantar mais em conta, outros foram até ao centro comercial, que tinha paredes meias com o aparthotel onde estávamos . Ainda houve matraquilhos, bilhar e bowling para descontrair e relaxar um pouco antes de dormir (é ou não é assim, com os jogadores da selecção?) .

Manhã cedinho, ainda noite, o autocarro levou-nos até ao estádio. Quando o dia começava a querer dar sinais, já nós lá estávamos, com pouca vontade de sair pois fazia algum frio e nós já teríamos de levar a indumentária aliviada, pois teria de caber no saco guarda-roupa. Foto de grupo e esperar pelas 8,15 que era a hora de abertura da “porta-sur” que dava acesso ao interior. Fomos dos primeiros a entrar, depois de obrigatoriamente, mostrar o dorsal, pois só os corredores ali podiam entrar. Havia alguns aquecedores a gás junto aos quais, os atletas se preparavam. Procurámos passar algum tempo antes de tirar a roupa, mas lá teve que ser. Os tugas que ali estavam ainda tiraram umas fotos, antes de ir entregar o saco e ir lá para a pista começar o aquecimento. Muitas casas de banho químicas estavam espalhadas por ali e no interior, junto às bancadas do estádio. Só quem fosse mesmo ” javardolas “ é que “aliviava” fora do sítio, condição muito melhorada nos últimos anos, pois cheguei a assistir a que as faixas publicitárias em redor da pista, servissem de mictório em toda a sua extensão e o líquido a escorrer pelo tartan. Vergonhoso (aliás, acho que num dos meus relatos, falei nisso). Agora tudo estava perfeito.

Um grupo de músicos andava por ali mas, por azar meu, nunca os ouvi tocar.

Umas corridinhas para cá e para lá e a concentração começava a fazer-se.

Soa o tiro da partida. Este ano o ambiente esteve um bocadinho melhor que no ano passado, mas ainda longe de outros tempos, no que respeita à aparelhagem sonora.

Começa toda aquela gente a sair (há um vídeo excelente feito pelo nosso companheiro Paulo Pires, que mostra muito melhor que quaisquer palavras, o que representa a saída do estádio).

Agora havia que fazer a gestão da Prova e trazer à mente todos os factores que têm que ser avaliados : Preparação: Fraca; Descanso na véspera: Fraco; Confiança: Fraca; Vontade de acabar : Muita. Ora isto tudo bem combinado permitia-me apontar para 3,45, mas logo se faria a revisão dos cálculos à passagem da meia (esta já é clássica).

…vai uma pausa ?...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

27ª Maratona Ciudad de Sevilla

CorriendoVoy.com Videos gratis de Maratón de Sevilla [Sevilla]

Sobrevivi à minha 40ª maratona. No vídeo acima (peço desculpa por apenas apresentar o link e não vídeo - pois não sei fazer isso ) quando o relógio marcar 3,40,45, há um sujeito que se desvia para direita, para ficar bem visível na fotografia e poder testemunhar que completou a 27ª Maratona Ciudad de Sevilla.
Esse sou eu, orgulhoso por ter terminado a prova, mas menos orgulhoso pelo tipo de marcha que apresentava logo após passar a linha da meta.
Impressionante a quantidade de corredores que chegaram no meu minuto.
Este vai ser um assunto a que me dedicarei nas próximas linhas.
Volto já.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Te amo, Andalucía

A Maratona de Sevilha marca a minha primeira “internacionalização” e o deslumbramento perante uma realidade tão diferente da que por cá conhecia! Pouquíssimos (escassas centenas, eram os que se aventuravam na distância) no nosso País. Ali eram mais de 3000 (e sem meias ou minis à mistura)! Ainda o Estádio Olímpico não existia (ou se existia, não era utilizado para estas coisas), sendo a partida dada na Calle Menéndez Pelaio e a chegada na Plaza Maria Luiza. Estávamos em Fevereiro de 1995, quando eu e mais 3 amigos, nos aventurámos, de carro, até lá.

O ambiente era de festa e aquela Pasta Party na Av. Kansas City, ao ar livre, num estádio universitário (que hoje corresponde à passagem do 13º Km da prova), com música e sevilhanas com as suas danças, ficaram-me bem gravados na memória.

Nesse ano, fiz a marca de 3,07,16. Velhos tempos.

Desde então, atraído pelo mesmo fascínio, fui voltando, voltando, voltando, e lá estarei pela 12ª vez.

Vai ser o meu entretenimento deste fim de semana.

Os ovos e a Omelete



Tenho estado a pensar se o texto que fiz há dois dias atrás “Autodeterminação”, não poderá parecer “revolucionário”.!?

Não é que eu tenha algo contra os revolucionários na perspectiva de quem procura lutar contra um situacionismo hostil, mas, nesse texto, poderia parecer que as organizações seriam dispensáveis para que pudessem continuar a existir provas.

Ora, isto dito por um organizador, poderia parecer contraproducente e levar-vos a pensar:”- o gajo já não deve estar a bater bem!”

Por isso, sinto-me na obrigação de explicar melhor o meu ponto de vista, pois o que quis dizer é que, em certas circunstâncias, podem os atletas assumir-se como organização.

O que é que é preciso para se fazer uma prova?

-Escolha de uma data e hora; definição de uma distância; um percurso; um seguro de acidentes pessoais; um regulamento e a sua homologação pela Associação da área; a licença da Cãmara Municipal e de outras entidades com poderes na área; o policiamento; serviço de segurança; divulgação; angariação de patrocinadores; um orçamento que não deixe gastar mais que a receita prevista; processamento das inscrições e classificações. O resto é trabalho de campo.

Com a utilização da net, se virmos bem as coisas, grande parte destas tarefas pode ser feita, comodamente, em casa. Basta que alguém se dê ao trabalho de as cumprir, pois todas elas (e esta lista é apenas exemplificativa) são importantes, e qualquer um, minimamente familiarizado com a Corrida, pode avançar. E tudo ficará muito mais fácil, se se prescindir de prémios e de classificações. Mas isto, meus amigos, é um treino, embora no fundo, cumpra os objectivos da grande maioria dos que andam no pelotão.

Porém, para se fazer uma “coisa” destas é na mesma preciso uma organização, por mais simplificada e espontânea que seja a Prova. Tem que haver um corredor ( ou grupo de corredores) a assumir as funções e transformam-se, por via disso, eles próprios em organização.

Agora, se os corredores puderem ter tudo isso,( ou isso e muito mais) sem se chatearem lá teremos as clássicas organizações a fazerem o trabalho. E fazem-no, também com amor à causa, independentemente de se tratar de associativismo ou actividade empresarial. Todas procurarão agradar aos corredores pois disso depende o seu sucesso e continuidade. E isso só é possível com uma grande entrega e competência. São as organizações que vêem os seus projectos em perigo quando os patrocinadores habituais se retraem, quando as autarquias revêem em baixa os seus apoios. São as organizações que terão de fazer “ginástica orçamental” para não reduzir a qualidade da prova, pois isso afastará a “clientela”. São também as organizações que terão de ter a frontalidade de, dizer aos corredores :
-“meus amigos, este ano, a única possibilidade que temos de fazer a Prova é sem prémios. Somos solidários convosco porque sabemos que os prémios são merecidos. Mas não temos dinheiro. Estamos na disposição de fazer o nosso trabalho habitual, desde que vocês também façam o vosso .”


Mas acabar com uma Prova só porque não há dinheiro é ter consideração pelos atletas de elite mas é um desrespeito para com a grande maioria dos corredores, que apenas pretende que os deixem correr.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Tesourinhos - 1

A senhora estava à espera do comboio, há horas, pois a greve da REFER e da CP, alterou, por completo a rotina de milhares de pessoas, dependentes do transporte ferroviário.

Quando o repórter lhe perguntou se achava que iria haver comboio, a resposta estava na ponta da língua :

- Sim, sim! Fui perguntar e garantiram-me que talvez houvesse!

Haverá melhor garantia que um "talvez"?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A "Tortura"

Zero de incerteza;
Zero de preocupação;
No pingo doce o preço é baixo o ano inteiro
No pingo doce vale mais o seu dinheiro.


Chiça !!!!! Estou farto !!!!

Devia de ser proibido o bombardeamento publicitário que temos que sofrer sempre que ligamos o televisor. É de mais!

Acaba um anúncio, no minuto seguinte, lá estão as carinhas sorridentes a falar mal dos descontos e das promoções da concorrência.

E depois, isto é feito com uma música que nos fica a torturar os ouvidos e, mesmo sem gostarmos dela, é a primeira que os neurónios nos debitam logo pela manhã. Bem tentamos substituí-la por outra mais agradável, mas dura pouco tempo. Dali a bocado, “vira-o-disco” e lá vêm outra vez “os preços baixos o ano inteiro”. Irra!!!!

Se prescindissem de um único anúncio numa hora, se calhar, muitas provas tinham o seu financiamento garantido, com uma solução publicitária menos abrangente, é certo, mas que era feita de uma forma muito mais directa, simpática e útil. E sem chatear ninguém. Eu, por mim, oferecia logo a publicidade nos dorsais.

Está bem…é marketing! Mas não exagerem, bolas. Tudo tem a sua conta

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Autodeterminação"


Foi uma expressão muito badalada nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril :”O direito dos povos à autodeterminação e à independência”!


“Independência” ainda vá que não vá, agora “autodeterminação” era um palavrão que – lembro-me bem - tinha alguma dificuldade em “esmiuçar”, ou não fosse eu um “chavaleco” com 19 anos, que sempre tinha vivido no chamado “obscurantismo” do Estado Novo potenciado pela condição da ruralidade da aldeia onde ainda hoje vivo e gosto de viver.

Onde é que eu quero chegar com esta chamada de atenção? Não tem nada a ver com o que se passa no mundo árabe, em que os dinossauros do poder vão tremendo com a insatisfação popular a que temos vindo a assistir.

Tem a ver – pasmem-se, se quiserem - com a nossa querida Corrida !

Os tempos de crise vão criando dificuldades às organizações das Provas, pois a sensibilidade de quem gere os dinheiros públicos, pode não estar virada para o nosso Desporto. Estará virada para outras coisas que lhes dizem mais. Por isso, não espanta que algumas Provas já com um honroso historial, sejam canceladas, por falta de verbas. Porém, a questão das verbas não passa de uma parte do que é necessário para uma Prova. Apenas uma parte, porque a outra, a que é essencial, é que haja gente disposta a correr, sem querer nada em troca. Gente que preza a Corrida, o são convívio, a visita a este ou àquele lugar interessante. Gente que até paga para que, apenas, lhes possibilitem esses momentos de felicidade.

Temos visto o fenómeno crescente e promissor da adesão de corredores aos treinos nocturnos, na mata, na praia, com ou sem luar, que já chegou à centena de participantes, sem que fosse preciso qualquer organização. Basta um que dê o mote e aparecem todos os que podem e a grande verdade é que todos ficam com uma sensação agradável que nada fica a dever à que as provas nos deixam.

Quero com isto dizer que as organizações não são essenciais, embora o “glamour” que as Corridas possam ter, a elas se deva. Mas são os corredores que têm a última palavra e o poder para decidir a continuidade ou a extinção de uma Prova.

Por exemplo : na Póvoa de Varzim, a 21ª Edição da Meia Maratona do Cego do Maio, agendada para o dia 6 de Março de 2011, foi cancelada. Se os corredores quiserem, mobilizam-se, aparecem e ela faz-se! Por “autodeterminação” dos corredores.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Na senda do sucesso

Eu e o Filipe Fidalgo na 7ª Maratona do Porto
É giro matarmos a nossa curiosidade, participar nas grandes maratonas que se fazem pelo mundo fora e verificarmos as diferenças com o que por cá se faz. Se eu pud€ss€, correria o Mundo e faria uma maratona em cada país. Mas não posso e vou-me contentando com o que se faz entre muros e, vá lá, "salto o muro do quintal".

Só que as diferenças, dizia eu, já foram mais notórias! É verdade que em termos de número de participantes continua a haver um fosso abismal das dezenas de milhar de lá, com o tangencial milhar de cá. Mas isso tem a ver com aspectos relacionados com a cultura desportiva de um povo, que dará matéria para grandes desenvolvimentos.

Porém, em termos de qualidade organizativa, começamos a poder ombrear com o que de melhor se faz lá fora. Quem o diz não sou eu ( pois soaria, inevitavelmente, a tendencioso ) mas a AIMS, através do último número da Distance Running.

Ao saber disto fiquei naturalmente feliz, pois tenho o privilégio e a honra de ser totalista das 7 edições já realizadas da Maratona do Porto. Para a sua brilhante organização, vai o meu abraço de Parabéns, com a certeza de que a 8ª Edição vai ter um crescimento ainda maior do que teve a 7ª. O bom trabalho efectuado, mais tarde ou mais cedo, acaba sempre por ser reconhecido e se isto aconteceu ao cabo de apenas sete edições, quer dizer alguma coisa.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

XXII Grande Prémio Fim da Europa



Com a conversa, esqueci-me de falar na minha Prova.


Cheguei cedo à Volta do Duche. Ainda não eram 8h e fiquei a lembrar-me do grupo de amigos que a essa mesma hora estaria a iniciar o percurso em sentido inverso, para depois, repetir o trajecto. Ainda não me sentia em condições de o fazer, até porque é preciso uma grande dose de força anímica isso.
Houve tempo para a conversa, para “saborear” o ambiente, tomar um cafezinho no bar do costume, receber o dorsal das mãos dos colegas da ACB, procurar, em vão, “uma certa personagem “ que, ainda não foi desta que conheci.

Posicionei-me a cerca de 15m do pórtico e aguardei pelo tiro da partida. Tive o prazer de conhecer pessoalmente o João Lima e fiquei à conversa com os meus companheiros Pedro Burguete e Fernando Celestino, sobre as próximas aventuras.

Deram o tiro e aquele “concentrado” de gente começou “estender-se” e a salpicar de cor e de energia, aquela estrada íngreme, sinuosa e bela que foi fonte de inspiração para muita gente.

Subi, cautelosamente, sem me preocupar com o tempo. Até nem levava relógio.

Os quilómetros iam-se sucedendo. Abastecimento por volta dos 4; entroncamento próximo dos 9. Vira-se à direita. A partir dali a ordem era restabelecer a respiração, mesmo que fosse preciso abrandar. Novo abastecimento. A qualquer altura, após uma curva, surgiria a monstruosa subida dos 10Km. Era preciso enfrentá-la sem medos. Ela aí está: passo menos amplo para conseguir manter o ritmo, concentração no controlo da respiração com a passada. Aqueles 300 ou 400m estavam conquistados. A partir dali era o “desengonçar de braços” e preparar as pernas para outra realidade: a descida louca. Agora, a duração do contacto dos pés com o chão tinha que ser tão curta quanto possível e a passada aquela que as pernas conseguissem alcançar… de forma sustentada.

Maldito atacador! Obrigou-me a perder uns segundos e a quebrar o ritmo. Lá recomecei, mas não era a mesma coisa. Lá estava o farol, o pórtico e a tenda.

Dão-me a medalha, um saco com lanche, vou ao chá. Encaminho-me para a zona das mochilas e rapidamente me devolvem a minha. Cá fora, enxugo o suor, visto o fato de treino e entro num dos autocarros que aguardava o momento certo para me trazer a Sintra.

Logo que o “fluxo” de atletas abrandou, os autocarros saíram e, pouco tempo depois estava em Sintra.

Vim a saber, que o meu tempo foi melhor que no ano transacto em cerca de um minuto, situando-se na casa da 1,20 (chip) 1,21 (t. oficial). Bem bom. Soube também que a minha colega da ACB, Lúcia Oliveira , que chegou bem antes de mim, subiu ao pódim.
Parabéns, Lúcia.

E pronto. Cai o pano sobre esta bela prova que, sem dúvida alguma, é a Grande Prova do Concelho de Sintra. De parabéns está também a Câmara Municipal e todos aqueles que se empenharam para que ela atingisse o sucesso que todos lhe reconheceram. Assim dá graça ser sintrense.