quinta-feira, 16 de junho de 2011

A força da Lua


Tai-Shi ao por do sol, ou todos a comer do mesmo tai-shi,eheh

Lá vamos, correndo e rindo...
Definitivamente, a coisa pegou! Acho mesmo que o pessoal das corridas, no que toca a treinos, vai deixar de lado a contagem do tempo de acordo com o calendário gregoriano e vai voltar a confiar no grande calendário natural que é a Lua, que ao longo de milénios, a humanidade soube respeitar.


A Lua conta o tempo, determina as marés e o estado da “pista” para onde, cada vez mais gente aflui para uma agradável corridinha na areia, que começa antes do pôr do sol e termina já noite cerrada.

Assim aconteceu, mais uma vez, ontem, na Costa.

Seriam mais de 30, os que às 20,30h se juntaram no areal, numa sessão de Tai shi, orientada por um jovem que me pareceu perceber do assunto. Até eu, que fujo a sete pés da ginástica e que sou uma tábua em termos de flexibilidade, gostei daquela meia hora em que, sempre com os pés pregados na areia, exercitámos todos os diferentes grupos musculares. Nem as orelhas escaparam!

Com este aquecimento especial, iniciámos a Corrida. Um grande pelotão, que se foi dispersando de acordo com os diferentes ritmos, deslocou-se na direcção da Fonte da Telha. Para ser franco, não sabia quanto tempo estava previsto corrermos. Mas alguém havia de saber. Fui na passada do Pedro Ferreira (ou ele na minha). O piso estava excelente e nem demos que a noite foi caindo. Aos 30 minutos de corrida, o grupo que ia à nossa frente deu a volta. Fizemos o mesmo. Corria uma brisa fresquinha, que não travava o andamento e até sabia bem. Às tantas, reparámos que, talvez impelidos pela lisura e solidez do piso, estávamos com um bom andamento e continuávamos a sentir-nos confortavelmente, embora com a sensação de que não conseguíamos aproximar-nos das luzes dos prédios, onde iríamos terminar. Chegámos e demorámos 28 minutos na volta, com a sensação de termos feito um treino puxadinho mas muito gostoso.

Depois foi a agradável e habitual confraternização, petiscando os vários manjares postos na “mesa”.
Só tarde, nos apercebemos que a Lua, embora "ratada" pela sombra da Terra neste dia de eclipse começava a iluminar a praia.

Pena que grande parte das pessoas se tivessem ido embora logo após o treino.

Daqui a meia-lua há mais e recomendo vivamente a quem tem o Melides-Tróia na cabeça.





segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Manjerico

Antes da Prova, com o João Lima,Ana Pereira e Carlos Coelho (foto de António Melro)

A minha chegada
Toda esta Prova teve nota excelente. Acho que Lisboa ganhou mais uma prova de grande qualidade e com a vantagem de se realizar ao sábado à tarde, com pouca interferência no calendário existente. Fiz o tempo  de 44 minutos e classifiquei-me em 206º (11º no escalão).

Mas, como Santo António é Santo António respeita-se a tradição das quadras e dos manjericos e continuando a "desgarrada" dos comentários anteriores do Carlos e do Luis:

Já perdi algum amigo
Por p'rigosa brincadeira,
Pois sem pensar no que digo,
Abro a boca...sai asneira.

Se o Dominique sonhasse
C' o cheirinho a manjericos
Talvez ele se deixasse
Dessa mania dos “bicos”…

Pôde o FMI
Ficar sem o Dominique,
Mas podemos nós, aqui
ficar sem o... "manjerique" ?

1ª Corrida de Santo António -Lisboa


Quem correu pôde ganhar
Um prémio de cheiro rico
A seguir fomos votar
Corremos com o manjerico.




sexta-feira, 3 de junho de 2011

Raide Pirata, no 10º Treino Lunar



Já os apanho...
No convívio, com o Vitor Veloso
(fotos de Paulo Pires e Luis Parro)

Esta coisa dos Treinos Lunares faz tempo que andava a mexer comigo e, quando estamos a um mês e meio do Raide, achei que não podia esperar mais e era chegada a altura de meter pés ao caminho até à Caparica, onde estava projectado um Raide-Nocturno Pirata de 30 Km, Costa-Lagoa-Costa.

Como não estava inscrito e eram quase 19h, ainda avisei a Organização (Luís Parro) que, se o trânsito ajudasse, estaria lá por volta das 20. Amavelmente dispuseram-se a aguardar pela minha chegada, mas logo que vi o congestionamento na ponte, perdi a esperança de chegar a horas e comuniquei para que partissem sem mim.

Estacionei junto do local da partida da Meia da Areia e, às 20,20 comecei a correr. Sem relógio, sem mochila, sem cinto… como se fosse fazer um treino de uma horita.

O sol ainda espertava e lá muito ao longe avistava o local do retorno. Até lá, muita areia tinha para pisar. Não estava nos planos alcançar os raiders que, pelas minhas contas, teriam saído meia hora antes, mas quando faço uma primeira avaliação da passada, fiquei com a sensação e que ia num bom ritmo. Comparo com as pegadas que via no chão. Em cada 8 passos ganhava 1! Eh lá!!! Escolho outra, mais esguia e faço novas medições: Em cada 5 perdia 1, eheh. Comecei então a ver que não era possível o grupo ir junto com tamanha diferença. O piso estava óptimo: lisinho, plano e compacto. Só as marcas deixadas pelos rodados dos tractores da faina pesqueira é que estragavam a regularidade do piso. À minha direita estava o mar, recuado pela maré que estava no seu ponto máximo; à minha esquerda uma duna habilmente esculpida pela natureza que só não registei por não ter máquina. Eram kms de uma espécie de estalactites/estalagmites encostadas à parede, onde a incidência da luz criava um efeito lindíssimo. Não conhecia aquilo, que ali está há milhares de anos e não longe de casa.

O sol ia caindo e eu não fazia ideia de quantos km tinha feito nem há quanto tempo corria. Mas sabia-me bem correr assim, livre. Cruzo-me com um companheiro que trazia dorsal, mas que terá feito a viragem muito antes do ponto combinado. Dali a um bom bocado, lá vinham mais dois, mas do grosso do pelotão nem sinais. Ia tomando pontos de referência à distância, mas a passagem desses pontos não me pareciam fazer aproximar da ponta que buscava. Esta era uma sensação igual à que mais nos toca no Raide: vamos cobrindo a distância e não nos vemos a aproximar da meta.

Às tantas, comecei a notar o piso mais inclinado, de areia mais solta e pensei em ir pela parte superior que era mais plana. Estava a aproximar-me da última grande curva. A noite já estava instalada. Apercebi-me disso porque ao longe via algumas luzinhas oscilantes a aproximar-se e convenci-me que seriam os mais velozes do grupo. Eu ia por cima e eles vinham por baixo, próxima da linha que era alcançada pela água. Cruzo-me com eles, cumprimento-os e continuo à espera de encontrar alguém conhecido e com um andamento mais próximo do meu, pois aquele seria para aguentar apenas 100m.

A areia, aqui era mesmo ao jeito de Melides. Afundava e o cansaço crescia. Lá vem outro grupo. Este trazia o Tiago e mais atrás vinham mais alguns. Pensei em virar, acompanhava o Tiago um bocadinho e ia esperando pelos outros. Afinal foi o Tiago que me acompanhou a mim, afrouxando e os outros…foram-se. Não o via desde Sevilha e ele contou-me das suas últimas aventuras : pouca coisa. Desde Fevereiro, “só” fez os 100Km de Mérida, os 101 de Ronda e o MIUT (Madeira Island Ultra Trail ), pelo que ainda estava a “desinflamar os músculos” e só tinha começado esta pirataria na Fonte da Telha.

Aproveitei-me da luz do seu frontal, pois já não se via bem o caminho e o luar não havia meios de aparecer (só depois é que vim a saber que estes treinos também eram na Lua Nova, como era o caso).

Junto a nós, com um bom andamento, aparecem o Nuno Alexandre e o Vítor Veloso e vou com eles enquanto o Tiago ficou na Fonte da Telha.

Atrás de nós …só o escuro da noite e à frente, a iluminação pública da Costa e um néon de um bar de praia que demorámos muito a chegar lá.

Quando dou por mim, vejo que tanto o Nuno como o Vítor, tinham ficado para trás, acusando algum desgaste (pudera!… os 2km de areia terrível que me terão faltado para chegar à Lagoa e outros 2 para cá, deixaram-lhes mossa) .

Comecei a notar o erro de não ter levado água, mas, entretanto, estava no ponto de partida. Eram 22,50, o que quer dizer que corri durante 2,30h. Grande treino.

Lá estava o Orlando Duarte rodeado dos que já tinham chegado e dos que tinham feito uma corrida mais moderada. Ofereceu-me coca-cola: gluca-gluca-gluca, ah!!! Não bebia coca-cola p’raí há 3 anos, quando circulou um e-mail a dizer que o formaldeído que entra na sua composição, dissolve o cálcio dos ossos e favorece a osteoporose. E como eu já andava queixoso, tinha que me acautelar (ainda que se tratasse daqueles boatos que se difundem). Obrigado Orlando. Soube-me pela vida.

A brisa que corria, sabia bem, mas o melhor era ir ao carro trocar de roupa. Quando regresso já mais alguns tinham chegado: Paulo Pires, Alex, o Melo, o Nuno…

Do Parro, não havia sinais e o tempo ia passando. Já lhe sendo conhecida a sua paixão pelas pescarias, não custaria adivinhar a causa do atraso. Lá aparece ele radiante, com a mochila cheia de cavalas que conseguiu junto dos pescadores desembarcados ao longo do areal por onde íamos passando.

Era chegado o momento da confraternização, da partilha petiscando alegremente daquilo que cada um levava. Cada um –vírgula – pois eu, com a pressa, nem tive tempo de preparar nada, mas não foi por isso que, meio envergonhadamente, deixei de provar dos vários sabores divinais que ali se apresentaram. Obrigado amigos. Para a próxima levo uns croquetezinhos à maneira (que é das poucas coisas que sei fazer (e é a copiar pela receita !…) e umas bejecas, para me redimir .

Até houve lugar ao bolo comemorativo e a champanhe!

Foi um treino daqueles que ficam registados a letras de ouro no nosso diário.

Mesmo sem ter tido a possibilidade de entrar no grupo desde o início, gostei mesmo muito de ter participado e fico com uma vontade enorme de repetir.


Parabéns ao Paulo Pires e Luís Parro por esta excelente “pirataria lunar”.