quarta-feira, 27 de julho de 2011

UMA - O "Mínimo" é...


Custa ouvir certas coisas. E não era nada comigo! Ora vejam:


A oferta de fotodiplomas aos participantes numa prova, é um mimo com que as organizações os presenteiam. Mas é coisa recente a que muitos dos que deram muito à modalidade não tiveram a possibilidade de usufruir. E teriam grandes testemunhos em imagens para nos mostrar!

No entanto, há que ter em conta que tal mimo, poderá não ser garantido pelas organizações, que vão tentando “cortar” no supérfluo, para poderem assegurar o essencial aos corredores que fazem as suas provas. Isto não significa menosprezo pelos atletas. Antes pelo contrário.

No ano passado, quem fez a UMA, teve um “prémio extra” que foi a disponibilização on line dos fotodiplomas de participação. Foi a única vez em que isso aconteceu. Este ano, por razões que não apurei – nem tinha que o fazer - não houve fotodiplomas!

Então não é que houve logo quem aparecesse - a dizer que,” para quem paga uma inscrição de 20€ e anda a fazer a promoção das praias de Grândola, oferecer um fotodiploma era o “mínimo” que a organização podia fazer pelos atletas!”.

Não comento, mas indigno-me.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

35ª Meia Maratona de S.João das Lampas

Caros Amigos

Aqui está a imagem adoptada para este ano. As informações estão (ou vão estar) no sítio do costume: http://www.lampas.org/ .
Espero poder contar com os que já conhecem a Prova e também com aqueles que ainda se sentem "acagaçados" pelo que para aí dizem a respeito das "terríveis rampas". Hão-de ver que uns bons treinos têm
o fantástico poder de tornar a prova "plana". Ou quase.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Raide Melides-Tróia -UMA... a pensar

Pensava eu que aqui ninguém tremia

Bastando treinar bem e pôr bom creme
E encher-se de coragem (ou mania)
Mas treme.

Pensava eu que o Eusébio não voava
(Nem o Custódio ou o Pedro Pessoa)
Sobre a costa de areia que afundava
Mas voa.

Pensava que a mochila não pesava
P’ra ir bem hidratado e à defesa
Enquanto para Tróia me apressava
Mas pesa.


Pensava eu que areia não entrava
No sapato que tanta praia esventra
Em milhares de passadas que ali cava
Mas entra.

Pensava que ninguém se sentaria
Nesta praia que tanto nos contenta
Enquanto na Corrida se metia
Mas senta.


Pensava que a paisagem não se via
Logo que o cansaço aparecesse
E cansado passasse assim o dia,
Mas vê-se.


Mas quem pensa que a UMA é uma tortura
Pelo que atrás nos fica relatado
Nesta prova que tanto tempo dura
Está enganado.



Mais100m  e... já está !!! (foto da Paula Fonseca)


terça-feira, 19 de julho de 2011

Raide Melides-Tróia (UMA) 2011


Imagens registadas pelo Joaquim Adelino a quem fico muito grato.

Participar no Melides-Tróia está-me no sangue. Desde que em 2005, fui “picado pelo bicho” e pelas grandes reflexões a que este desafio me obrigou (e que, honrosamente, “contagiou” alguns novos companheiros), nunca deixei de estar presente. E sinto-me com sorte por ter tido sempre capacidade física e psicológica suficiente para concluir a prova.


Esta foi a 7ª edição e aquela que maior número de inscritos alcançou (mais de 280), muito fruto da excelente divulgação feita aquém e além fronteiras, desta Ultra Maratona Atlântica, de características únicas, com um futuro promissor e que cada vez tem mais procura pelos corredores com espírito de aventura.

Mais uma vez, lá estive. Confesso que não senti grande ansiedade. Erradamente, até descurei um bocado o respeito que a Prova merece, mantendo a mente despreocupada, armando-me em forte, como se a experiência dos outros anos, fosse o garante de que tudo iria correr às mil maravilhas. E até tive o descaramento de dar conselhos, imaginem! Manias.

Mas, vamos lá ao que interessa.

Desde a edição anterior, pus na cabeça uma alteração da estratégia para enfrentar a próxima participação : nada de mochilas (bastará uma bolsinha com uns géis e um cubo de marmelada e um cinto com 3 “gerricans” de 1 dl que comprei no Lidl) , uns lenços de papel (para uma eventual emergência), um saco de plástico (pode não servir para nada, mas não pesa nada e, em toda aquela extensão em que só existe água e areia, um saquinho de plástico pode assumir as funções do mais requintado cadeirão. Esta “jura”, fi-la no ano passado, quando passados 5km, ainda tinha a mochila carregada e os ossos a começar a doer por força do peso que transportava. Logo, se desta vez levar água que dê até aos 28,5 (abastecimento oficial), não é preciso ir carregado; nada de calçado (ou melhor, apenas peúgas). É que na última edição, chateei-me com os sapatos que estavam constantemente a encher de areia. A meio da prova, levo os sapatos na mão até aos 28,5 e pedi à Organização que mos trouxesse para a chegada e fiz o resto da prova só com as peúgas e achei excelente. Vai daí, para este ano, resolvi ir de peuguinhas logo desde o início.

Porém, na UMA, o que é válido para um ano, já pode não ser para o ano seguinte. Apenas sabemos onde a prova começa e onde acaba. Entre uma coisa e outra, tudo é imprevisível. Há sempre qualquer coisa que nos troca as voltas; Estamos sempre a ser “fintados”.

Depois de cumprimentar muitos (e cada vez mais) amigos “habitués”, juntámos a malta da ACB para a foto de família (Eu, o Carlos Fonseca o Arlindo Duarte e o Rui Silva,  já conhecedores do percurso, o Fernando Celestino, o Pedro Burguette, o Paulo Moradias e  o Vitor Rafael, que iriam ter a 1ª experiência. No apoio, estiveram o Tam Afonso, o Tó Jó e a Lúcia Oliveira). Ouvimos umas palavrinhas da Organização, e calmamente, encaminhámo-nos para o pórtico da partida. Falávamos em procurar manter um ritmo de 7’/km o que daria um tempo próximo das 5h.

É dado o tiro e, desta vez não vi hesitações na escolha da trajectória. Todos se encaminharam para o ”piso inferior” – da areia molhada - pouco temendo que os pés se molhassem com alguma rebentação mais atrevida. Surpreendentemente, o troço de areia fofa, ao contrário dos anos anteriores em que se estende por 6 ou 7 km, desta vez foram apenas uns 500m se tanto! A areia estava fantástica: lisa, compacta, como se nos tivessem estendido uma enorme passadeira onde a corrida era fácil. O Rui e o Arlindo, nos seus ritmos mais fortes, foram para a frente e nunca mais os vi. Quando a fila começou a esticar, olhei para trás e lá vinha o Paulo que, dali a pouco estava ao pé de mim. Fomos juntos, a cerca de 6,30, um andamento excelente, na parte que, pensava eu, seria a parte mais difícil. Não estava calor e uma brisa suave que soprava de frente, não dificultava em nada o andamento. Estava contente com a opção de correr de peúgas. Sentia os pés livres.

Debaixo de olho, tínhamos uma referência incontornável do pelotão: a cerca de 50m, lá ia a Analice, camisola florescente, marcando o ritmo, com tendência para se afastar de nós. Ora, se nós íamos bem, ela ainda ia melhor.

Aproximámo-nos do Carlos Fonseca, sinal de que ele não iria muito bem, mas manteve-se à nossa frente.

Por volta dos 15km começo a notar uma perda do andamento, confirmada pelo GPS do Paulo.

Já nos estávamos a aproximar dos 7’. O vento começava a fazer efeito, obrigando a um esforço suplementar. Disse para ele seguir, pois ainda faltava muito e eu tinha de controlar a coisa enquanto podia. Mais lento, lá fui andando, com o vento de caras e cada vez mais forte. A ajudar a festa, progressivamente, o piso que habitualmente era bom, apresentava-se agora bastante difícil, muito por força da maré que, ao encher, inundou a “pista”, obrigando-nos a outro esforço suplementar.

Subitamente, sou ultrapassado pelo Fernando Celestino! Que bem que ele ia. Passa o Alex, também num andamento bastante controlado e eu…nada.

Nunca mais chegava à Comporta (28,5km -onde estava o abastecimento) e o meu andamento ia sendo cada vez mais deplorável. Passa o Luis Parro e eu nem reagi. Sabia que ele tinha feito uma boa preparação e limitei-me a desejar-lhe boa prova. Dizia ele por brincadeira, que “nestas condições, os tempos não vão ser homologados”, que o “piso estava uma auto estrada”. Ainda não sabia era o que vinha a seguir.

Lá longe, começava a ver-se uma mancha negra na areia. Seria a Comporta. Mas para lá chegar…

Vezes sem conta, pensei esquecer-me de que andava a correr e apetecia-me fechar os olhos, como se fosse passar pelas brasas. E cheguei a fazê-lo, mas sempre fazia desvios inconvenientes e tive que deixar a soneca para quando chegasse.

Ao meu encontro, com um chapéu igualzinho ao meu e uma T-Sirt da UMA do ano passado, veio o nosso amigo Joaquim Adelino, que este ano viu a prova de um outro prisma, equipado com a sua maquineta e correu ora a meu lado, ora atrás de mim, pensava eu que era para tirar fotografias. Afinal, estava mesmo a filmar. Obrigadão Adelino, ter um repórter amigo é um privilégio. Ah… e quando me disseste que eu estava com sinais de desidratação, fiquei a pensar naquilo. É que eu tinha os lábios brancos por causa de um baton branco que tinha posto para protegê-los, eheh. Também o Eduardo Santos estava por ali a fotografar a malta e registou a minha passagem. Obrigado Eduardo.

Chegado à praia (ou melhor, ao sítio onde estava gente acumulada), um aplauso e um incentivo do amigo Nuno Tempera dos Run4Fun que estava ali a trabalhar para o bronze e a fazer inveja aos passantes. Recebo as 2 garrafas de água, despeço-me do Adelino e continuo entregue à minha sorte.

Vinha-me à lembrança que no ano passado, naquela zona, tinha feito uma pausa na corrida e ido dar um mergulhito, que soube muito bem. Mas agora não estava para aí virado, até porque não estava calor e a ventania e a roupa molhada iriam enregelar-me o corpo. Não. Depois vem outro dilema: continuar a correr com a velocidade com que se anda (tal era já o empeno) ou pôr-me a passo ? Optei pela 2ª, mas procurando manter-me com um passo activo. Passa a Graça Roldão, passa o Carlos Fonseca e muitos outros. Tomo um gel e água. Passados 20’ volto a pôr-me a correr. Progressivamente, fui ganhando ritmo e recupero muitas das posições que tinha perdido: o Parro (que já dizia ter falado antes do tempo) e a Graça. Já tinha a Analice a poucos metros e estava convencido que a alcançaria. Mas eis que levo uma nova “martelada psicológica”: quando pensava que estava a atingir os 40Km, vejo a bandeira dos 37,5!

Lá tive de me pôr a passo novamente e lá voltei a perder lugares. Um bocadinho antes da última curva, pus-me novamente a correr, pois não tinha jeito entrar na parte final a passo. Lá está o pórtico “pequenino” e conforme posso, aproximo-me dele, corro esforçadamente, os últimos metros em areia solta e chego ao tapete! Nem mais um metro! Páro, ergo os braços, por ter concluído a Prova e lá vem a maldita náusea. Um desviozito para a direita e encosto-me à grade, com aquela desagradável sensação. Aproxima-se de mim o Sobral, com uma garrafinha de água para aliviar. Confessou-me que a mulher, a Umbelina, lhe tinha dito:- “Oh, lá está o Andrade! No ano passado calhou-me a mim, este ano vai lá tu!”. Eheheh. Obrigado Sobral. O que vale é que aquilo dura um minutinho. Ora, o que é isso comparado com as 5h30m que demorei a fazer a Prova?

Depois, foi a melancia do costume e o tratar das bolhas nos pés na tenda da Cruz Vermelha, onde, simpaticamente fui atendido. Reagrupámos a equipa junto ao leitão que o Nuno Espírito Santo tinha à nossa espera (pena que eu não tivesse estômago para outra coisa que não fosse MELANCIA).

Conclusões :

Acertei em não ter levado mochila. Não me fez falta nenhuma.

Acertei” o caminho para a meta. De resto,

Falhei em ter corrido de peúgas. Será bom se o piso for mole, mas se for duro, como aconteceu este ano numa grande extensão, o impacto é muito forte, principalmente para quem não está habituado a correr descalço. Às tantas, tinha que escolher um trilhado na areia, para amortecer o passo e diminuir a dor que ia surgindo.

Falhei por esquecimento de comer qualquer coisa antes da partida. Tinha tomado o pequeno almoço às 4,30 e não voltei a meter nada no estômago, começando cedo a ter uma sensação de vazio.

Falhei na preparação. Fiz pouca coisa, principalmente os treinos longos que são essenciais para este tipo de esforço.

Falhei no andamento inicial. 6,30, parece que é moderado mas, para quem não estiver bem treinado, mais tarde paga a conta. E desta vez, com a passadeira que tínhamos no início, era fácil irmos “ao engodo”.

A Organização, como vai sendo habitual, esteve muito bem e é merecedora das nossas sinceras felicitações.

Por ter de sair mais cedo, com pena minha, não assisti à entrega dos prémios nem, participei no lanche que foi oferecido à rapaziada, mas, para o ano há mais. Assim a sorte me ajude.

A Retoma (da escrita)

Havia já mais de um mês,
Mais de um mês e um dia
Que o cidadão de corrida
No blogue nada escrevia.

E neste tempo perdido
Em que tanto acontecia
Este silêncio indevido
Mais estranheza fazia.

-Onde é que anda o cidadão
Que não dá sinais de vida?
Terá alguma lesão?
Alguma perna partida?

Nem tenho perna partida
Nem tenho qualquer lesão
Mas fiz a última Corrida
No Porto p’lo S. João.

E fiquei tão encantado
Com a Prova que lá fiz
Que a queria ter relatado
Com ar de gente feliz.

Mas o tempo foi passando
e o compromisso que tinha
deixei-o ir-se arrastando
a ver se a vontade vinha.

E, no fundo, uma expressão
Talvez reflicta o que sinto
Quem corre p’lo S. João
Com esta Organização
Corre e sente-se distinto.

E, para que fique registado, demorei 1,12,14 nos 15Km daquele belo percurso, comum com o da Maratona do Porto, cuja 8ª Edição está marcada para 6 de Novembro. E eu quero lá estar.