domingo, 20 de novembro de 2011

3ª Meia das Lampas - Versão Nocturna





Fotos de Nuno Sentieiro Marques e Joaquim Adelino

Era uma sexta feira à noite, em que a chuva fria e abundante convidava muito mais a ficar no aconchego do lar do que a enfrentar os elementos, numa correria estonteante, no percurso “louco” da Meia Maratona de S. João das Lampas, em toda a sua extensão de 21,097Km.


Faltaram 17 dos 79 inscritos. Uns porque lhes foi, de todo, impossível comparecer, outros porque pensaram que, com aquele temporal – e tratando-se, apenas, de um treino - a iniciativa seria cancelada. Porém, só mesmo um alerta vermelho da protecção civil, nos impediria de cumprir o que estava determinado. Vamos e vamos mesmo!

E foram chegando, aos poucos, a S. João das Lampas, ao palco da cena. Retardámos o início da função em 30 minutos, pois havia companheiros retidos no trânsito.

21,30. Feitas umas fotos de família e as recomendações que se impunham, lá partiu o grande pelotão, disposto a enfrentar o breu, a chuva e as rampas, com alegria, ou não fossem eles “Esses Loucos que Correm”.

O 1º Km, como era da praxe, foi corrido em pelotão quase compacto, mas depois, foi esticando. À frente, uma viatura, com os 4 piscas ligados, avisava que algo se estaria a passar. Atrás, outra viatura tinha igual procedimento. Entre uma e outra, 62 corredores, com coletes reflectores e alguns com frontais, iam desfilando sempre com a preocupação de serem vistos.

Alguns fizeram apenas a 1ª parte do percurso (uns por lesão, outros porque não tinham disponibilidade para o fazer na totalidade), mas cerca de 1,15h depois de iniciarmos, caiu uma chuvada de meter respeito.

Os mais rápidos chegaram na casa da 1,36; os menos rápidos, na das 2,08. À chegada, nem música ambiente, nem passadeira, nem pórtico, nem entrega de chip, nem saco. Nem T-shirt! Quem quisesse saber o tempo feito, tinha que consultar o seu próprio relógio; Quem quisesse saber a sua posição, teria que ter contado quantos “deixou” fugir.

A ideia era que não fosse sentida a “pressão” do relógio e que todos se sentissem livres enquanto corriam.

Julgo que isso foi conseguido.

Depois, havia o banho para quem quisesse (eu, por mim, achava que o “banho” tomado no caminho, apenas pedia que passasse uma toalha seca pelo corpo) e o convívio final, na Sociedade Recreativa, onde tínhamos comida e bebidas para ir alimentando o estômago, enquanto se trocavam conversas e se consolidam as amizades que a Corrida nos vem trazendo.

Gostaria de sublinhar a preciosa colaboração que foi dada pelas acompanhantes dos atletas que, com a maior das boas vontades e simpatia, garantiram um serviço com a máxima eficácia e permitindo que, muito rapidamente, tivéssemos restituído as instalações à Colectividade, como se nada ali tivesse acontecido.

Tivemos a casa cheia, conforme era nosso desejo e fizemos o possível para que ninguém se arrependesse de ter vindo. Não sabemos se, no futuro, conseguiremos fazer o mesmo no convívio final, mas estamos convictos de que, mesmo que tenhamos para oferecer, apenas uma sopinha e um chá com biscoitos, continuaremos a ter a vossa honrosa companhia, que nos ajudará a trazer cada vez mais gente à Meia Maratona de S. João das Lampas. A tal que é especial e não se sabe porquê.

Finalmente, queremos expressar o nosso sincero agradecimento a todos os que nos visitaram e que colaboraram connosco no sucesso desta 3ª Edição da MMSJL- Versão Nocturna, cuja participação tem crescido em progressão geométrica : 17; 29; 62.













quinta-feira, 17 de novembro de 2011

3ª Meia das Lampas Nocturna

Em 2010, éramos 29. Amanhã seremos 65 (ou mais!!!) -Foto de Isabel Almeida


Na noite, não há trevas que escureçam
As rampas de má fama desta Meia;
Venham de todo o lado, apareçam
Que quero um são convívio em casa cheia.
O convite está feito. Não esmoreçam,
Que um bom e longo treino vos norteia.
Dezoito de Novembro, está marcado;
Quero ter-vos aqui ao nosso lado.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

37ª Meia Maratona Internacional da Nazaré



Obrigado Carlos Lopes

Lá estive, para a visita anual à “Mãe”, embora sem outro objectivo que não fosse o enorme prazer de marcar presença e “passear” naqueles 21km onde desfilaram mais de mil pessoas que partilham do mesmo gosto que eu pela Corrida, entre as quais pude saudar muitos amigos.

A Organização continua em grande. Acho até que tem apresentado algumas melhorias nos últimos anos, o que é de louvar e faz-nos acreditar que a longevidade da “Mãe” continuará a ser uma certeza.

Sobre a minha prova fi-la sem preocupações. E sem relógio, mais uma vez. Porquê? Porque descobri que o relógio gera sempre alguma pressão ao obrigar a que percorramos o mesmo espaço em cada minuto que passa. Mas, para além da relatividade entre o espaço e o tempo, há um outro factor que, quanto a mim, tamabém entra nesta "relação" e é o mais importante : a resposta do nosso organismo.

Ou seja: querer fazer os primeiros 10Km a 5’/Km pode ser muito bom, ou pode ser muito mau, em função do estado em que lá chegamos. Da mesma forma, pode ser rápido andarmos a 5’/Km e lento a 4,45’/Km. É claro que isto é uma verdade de La Palisse, mas é comum esquecermo-nos dela. Assim, passei a ter como única referência, o meu estado para fazer uma corrida agradável.

Assim foi , hoje, na Nazaré em que, não fossem os tempos de passagem que nos eram ditados de 5 em 5Km, só no final saberia se fiz um tempo bom ou mau. Mas sabia sempre que tinha feito uma boa corrida. Por falar em tempos de passagem, se não me falha a memória, foram

23,30; 47,50; 1,12; 1,36 e terminei com 1,41,15.


A chuva, principalmente a partir dos 14Km, foi nossa companheira, chovendo copiosamente na altura da chegada e no percurso até onde tinha o carro, que me serviu de abrigo e de … balneário.

Parabéns a todos aqueles que, mesmo com as condições climatéricas tão duras, conseguiram preparar esta excelente Prova, que é a grande referência das Provas de Estrada em Portugal e faz parte do meu historial enquanto corredor (orgulhosamente, devo ser das pessoas que mais vezes ali correu, pois desde a 4ª Edição, falhei apenas umas 3 ou 4).

sábado, 12 de novembro de 2011

8ª Maratona do Porto

Qua fantástica Francesinha, na companhia de amigos (foto de Ana Pereira)

A 2ª Equipa mais numerosa, a minha -ACB

...mais 300m e já está (foto da Paula Fonseca)

…EXISTE UM RIO
A SINA DE QUEM NASCE FRACO OU FORTE
O RISCO, A RAIVA E A LUTA DE QUEM CAI
OU QUE RESISTE
QUE VENCE OU ADORMECE ANTES DA MORTE…

Acho que quem fez esta fantástica canção (letra e música) - José Luis Tinoco – não estaria a pensar que alguém, um dia, a evocasse a propósito de uma maratona. Da Maratona do Porto. Mas, para mim, encaixa-se na perfeição.

A minha Prova:

Não levei relógio, precisamente para me guiar unicamente pelo meu organismo. Sabia que tinha feito uns treinozitos que talvez dessem para objectivar 3,40, mas sabia que tinha que passar à meia com margem. Sentia-me bem, mas vinha-me a fazer alguma confusão que o marcador de ritmo das 3,30 viesse atrás de mim (e já estava a sair da Av da Boavista) . O Zé Carlos Melo dos Run4Fun, sem que nada estivesse combinado, acabou por ser o meu companheiro de percurso até à Meia, ora ligeiramente atrás, ora ligeiramente à frente. Confesso que, quando ele me disse que “tudo quanto fosse abaixo das 3,50 era bom” achei que, àquele ritmo iríamos para menos de 3,30, o que seria impensável para mim. Era uma marca que eu gostava muito mas que não deveria obcecar-me, pois ainda havia muita corrida. Aos 20, o Zé Carlos avança e eu não reagi, pois acima de tudo, queria manter-me “fresquinho”.No retorno da Meia já ele me levava uns 40m e o balão das 3,30 continuava talvez com uns 150m atrás de mim.

Mantive o andamento, ultrapassei alguns que já me tinham passado e, talvez animado pelos muitos amigos que ia saudando ao cruzarmo-nos, comecei a acreditar. Passo os 25 e entro na ponte. Lembro-me sempre do grande estoiro que dei ali na edição em que acabei com 4,08. Agora ia bem. Ida ao Freixo. No retorno noto que estou a perder terreno para alguns e a ganhar a outros. Os meus colegas Cabrita e Valter passam por mim num andamento vivo. Como eu ainda estava com alguma “margem” ainda reagi e fui com eles algum tempo e cheguei junto ao Zé Carlos. Mas achei melhor não arriscar, pois as 3,30, ainda estavam atrás e não havia necessidade de esforçar mais. Passo pelo meu colega Carlos Souto, que vinha em dificuldade.Aos 30, paragem para um xixi (não que estivesse aflito, mas basta-me pensar que é melhor, para já não andar a pensar noutra coisa, e já vinha nisso há 10Km).

Aos 35, no abastecimento em que tive que parar para ir buscar isotónico, sou caçado pelo balão e pensei que se ficasse para trás deixaria de ter referências e seria o descalabro e, afinal, ainda não tinha “batido em nenhum muro”. Pensei em manter uma distância controlada de cerca de 20m, pois ainda tendo reservas, não havia necessidade de abandalhar o andamento. Sem querer, agrupo-me ao pequeno pelotão que acompanhava o balão e deixo-me ir ali. O rapaz que o levava, olhava vezes sem conta para o relógio e isso tranquilizava-me, pois ele deveria levar a coisa controlada. À chegada aos 40, ele aumenta de ritmo e aí, achei que seria exagerado tentar ir com ele. Ao fim e ao cabo, em 2Km não havia de perder muito. Deixei-me ir num ritmo mais moderado, o que me permitiu acabar a prova tranquilo, quando o relógio da meta marcava 3,33,07.

Vim depois a saber que passei à Meia com o tempo de 1,45 e uns segundos, o que quer dizer que o tempo perdido na 2ª metade, foram naqueles 2 km finais. Fiquei contente pela Prova e por me manter totalista.

Quanto à Prova, tudo o que há a dizer é que foi excelente em todos os aspectos e merecedora dos maiores elogios. Qualquer pequeno reparo que se possa fazer, não passa de ninharia e é quase atrevimento, face à grandeza que a Maratona do Porto alcançou.

Obrigado RunPorto pelo que têm feito em prol do atletismo na Invicta e pelo papel determinante na desmistificação da distância que tem conhecido cada vez mais adeptos.

Toda esta fabulosa equipa, sabiamente dirigida por Jorge Teixeira, de quem muito me honra ser amigo, é merecedora das mais efusivas felicitações. Muitos parabéns a todos quantos contribuir para este grande sucesso e a todos os atletas que a fizeram (ou tentaram fazer), com um voto sincero de Boas Vindas ao Mundo da Maratona, a todos os estreantes que, a partir de agora, “entraram noutra dimensão”.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

The Day After A Marathon








Ando eu aqui com as pernas tão doridas
Que em cada movimento faço um esgar
E só o simples facto de ir c…gar
Me faz soltar uns ais em voz gemida

Ai, ui,ai,ui,ui, ai… se desço escadas
Ai,ui,ai,ui,ui, ai … se me levanto
E as figuras que faço com as passadas
Que todos me olham com olhar de espanto ?


Por ter feito a rainha das corridas
E ter as sensações mais gloriosas
Pago agora a factura em dor penada

Mas desta felicidade incompreendida
Acham que essas conquistas saborosas
São como que um enxerto de porrada.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

8ª Maratona do Porto

À medida que vou passando pelos anos, a minha memória vai deixando de ser o que era, mas há coisas que me lembro bem.


Há uma dúzia de anos atrás, já a Maratona de Lisboa ia na sua 10ª Edição, o número de atletas que se atreviam a apostar na distância, não passava de escassas centenas e, muitos deles, vinham do estrangeiro. Fosse por medo, fosse por qualquer outra razão, poucos tinham vontade de experimentar a distância dos 42,195Km, pelo que os números, edição após edição, pouco se alteraram, apesar de se saber que aqui ao lado, na vizinha Espanha (para não ir mais longe) era fácil juntar uns milhares de corredores numa maratona.

Era preciso fazer alguma coisa para que, também nos corredores portugueses, se desmistificasse a distância e proporcionar-lhes, não apenas o prazer da Corrida, mas também uma nova componente . A da Emoção.

Em 2004, na cidade do Porto, houve quem tivesse acreditado que era possível alterar a situação e lançou a 1ª Maratona da Invicta. Foram poucos os participantes e muitas as condições postas à sua disposição. Falava-se até, com algum desdém dessa desproporção (lembram-se do “hospital de campanha” a que foram comparadas as tendas de massagem e de assistência aos atletas que chegavam em dificuldade? E lembram-se de dizerem que a Organização estava a pôr-se em bicos de pé quando disse que a Maratona do Porto era uma das melhores do mundo? ).

Pois bem, a fraca adesão inicial era pouco estimulante, mas a grande prova estava lá: Bom percurso, cenário bonito, boa organização.

Tudo o resto seria uma questão de tempo e não viria a ser preciso esperar muito.

À 7ª edição desfizeram-se as dúvidas de que foi a mais participada das maratonas realizadas em solo nacional, conseguindo na 8ª crescer 50% face ao ano anterior, com 1545 atletas na meta.

A cidade do Porto, para além do espantoso número de atletas que soube atrair a si, “outra mudança fez de mor espanto” que foi criar uma “fábrica” de maratonistas : os Porto Runners que concluíram, ontem, a Prova com mais de cem corredores! Notável.

A RunPorto, que desde a 1ª hora assumiu as rédeas desta Maratona, está de Parabéns pelo excelente trabalho realizado ao longo destes anos que culminou com o estrondoso êxito de uma 8ª Edição que deixou maravilhados todos os que lá estiveram.

Aos pormenores e à minha prestação, irei referir-me num próximo texto. Mas corri a Prova em 3,33,07, um tempo que me deixa satisfeito.