domingo, 9 de agosto de 2015

VII UTNLO - O "Casal em Questão"

Foto do Blogue da Isa "Um dia descobri que adoro correr"
Trai-lai-lai, felizes vão
Correndo nesta jornada
Bem dispostos, no pelotão,
Não lhes importa mais nada
Para o Casal em Questão.

Tinham prestado atenção
Que a distância anunciada
Seria um grande serão
Pois a sua duração
Não estaria limitada.

Trai-lai-lai, felizes vão
Numa tranquila passada
E saboreiam bom melão
Que em cada mesa abastada
Serviam de refeição.

Zero de preocupação
Quanto à hora da chegada!
Que apesar da lentidão
Viam mais gente atrasada,
- Sinais do “vassoura” não.

Trai-lai-lai, felizes vão.
Chegam à praia dourada
Onde estaria instalada
A mesinha do melão.
P’ra sua satisfação.

Eis que lhes cai tudo ao chão
Num momento inesperado
Quando a Organização
(Ou  Belzebu disfarçado)
Lhes diz sem contemplação:

"-Não passareis daqui, não!”
Que o tempo já está esgotado;
Se quiserdes, pois que vão
Mas a Organização
Já não vos presta cuidado”.

“-Ai não?!? Pois então que vão
P’ra um sítio determinado!
Não  é norma. È invenção!
Pois com esta decisão
Tendes o caldo entornado.”

E na determinação
De cumprir o estipulado
Vai o Casal em Questão,
Em completa solidão,
Correr mais um bom bocado.

Trai-lai-lai, danados vão
Com o dia já instalado.
Será o Castelo ou não?
Quando com a aproximação
Ficou tudo confirmado.

Eis que o Casal em Questão
Dá por finda esta jornada
Passa a “Porta da Traição”
E p’la sua própria mão
A passagem é registada.

Da grande satisfação
De tudo ter superado
Sente a mágoa, a rejeição
De uma Organização
Que o deixou abandonado.

Pode o Casal em Questão
Depois de recuperado
Conceder o tal perdão
Quando a Organização
O tiver solicitado ?

Pode! ( e agora, deixemo-nos da brincadeira das rimas). Tenho sempre dito que guardo o maior apreço, admiração e amizade pelos organizadores do UTNLO. Pôr de pé este evento não é coisa fácil. Dá um enorme trabalho. Desgasta. Tenho também a maior consideração pela Isa e pelo Vitor e admiro muito a sua postura enquanto atletas e o seu exemplo de saber estar na vida desportiva. E sei também que, muitas vezes, surgem grandes amizades que tiveram como ponto de partida situações “azedas” que foram inteligentemente resolvidas.  Daria por tão bem empregada esta hora e meia que estive de volta disto, se o “Casal em Questão” aceitasse ser convidado da Organização do VIII  UTNLO !!!
Que me dizem?  Hum…hum?









quarta-feira, 5 de agosto de 2015

VII UTNLO - 3ª Parte (Conclusão)




Para concluir os meus apontamentos sobre o VII UTNLO, falta-me falar no que teria feito de diferente,  caso  pertencesse à Organização. Mas que fique claro, desde já, que reconheço muito mais saber e competência aos experimentados elementos da Organização, do que o saber e competência com que eu me possa sentir capaz.
Sendo a data da Prova, a da Feira Medieval, seria importante ajustar o horário para que um público não interferisse com o outro. Mas faz todo o sentido que o interior da Vila esteja incluído no percurso. Arrisco até, a dizer que os atletas poderiam entrar e sair da Vila em plena prova ( com meia dúzia de km já feitos) e com menos pessoas a circular.
Para a Partida, talvez o largo da Igreja de Santa Maria (onde foi da 1ª vez) ou mesmo cá fora, junto ao Senhor da Pedra. Poderia haver algumas implicações com estrada e policiamento, mas nada de muito complicado. A chegada, lá em cima, no Jogo da Bola, parece-me bem.
Distância da Prova – Fiquei com curiosidade pelo facto de não se ter declarado, com exactidão, a distância da Prova. Estava regulamentado 55 Km, mas já se sabia que andaria pelos 58 ou 59 Km.
O sistema de marcação com reflectores é o ideal, mas numa prova tão longa, os últimos 10Km deverão ser assinalados com fitas como reforço, pois a luz do dia, retira a possibilidade de se vislumbrarem as marcas nocturnas.
Segurança – Bem sei que será difícil mobilizar alguém que se disponha a passar umas boas horas, na madrugada, junto às arribas, mas os perigos que ali espreitam, justificam alguns cuidados preventivos e que mostrem ao atleta que alguém está atento.
Tempo limite (intermédio e final) – Acho que não se justifica. Justifica-se, sim, quando numa prova, se vai entrar numa zona mais perigosa, com a visibilidade a diminuir. Ora, não é o caso, pois a zona perigosa já tinha sido passada e, a partir do abastecimento da Praia (onde se fez  barramento) havia 20Km sem qualquer perigo, num percurso plano e para os mais atrasados, o dia iria começar a clarear. Ora, se, por um lado, os atletas mais atrasados levam a que se adie a “desmontagem” da prova, por outro, fazer estes 4 km em mais de uma hora, agravará, ainda mais a situação. Ou seja, o atleta é responsável porque é lento e a organização é responsável porque tornou mais moroso o percurso e a duração da prova.
Assim, de repente, parece-me que estes seriam os pontos  que merecem alguma reflexão. Mas de uma coisa tenho a certeza: a Organização, certamente, será a primeira a desejar que todos os atletas saiam satisfeitos da Prova e também não tenho dúvidas de que fez os possíveis por isso. Pode errar. Mas quem se propõe a realizar uma prova destas merece os nossos aplausos e agradecimentos. E àqueles que se sentiram injustiçados, peço que não julguem o todo pela parte e que não deixem de vir a Óbidos por causa disso. O que esta Organização nos proporcionou é muito, muito difícil de fazer e teve sempre a humildade de nos pedir as críticas que ajudem a melhorar o seu trabalho. E sei que está atenta.

Parabéns, Serrazina, Nunes, Miranda e todos os voluntários envolvidos. É verdade que também andei chateado, perdido lá pelos descampados e pelos penhascos e disse “cobras e lagartos” do percurso escolhido. Mas já estou com saudades. Venha o VIII UTNLO.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

VII UTNLO - 2ª parte


 

Não me canso de dizer que Óbidos tem muito de especial para mim. Já tinha por esta Vila um enorme afecto e, logo que aqui surgiu a primeira prova de atletismo de que tive conhecimento, não hesitei. Estávamos em 2009. Era uma prova de Trail, coisa que eu nunca tinha feito e, ainda por cima, à noite.  Tranquilo. Bora lá.
Estive em todas as que se seguiram, registei as experiências de cada uma das edições, mas o que interessa agora, é falar sobre este VII UTNLO. 

No texto anterior já  me referi à minha prestação. Neste, pretendo referir-me à apreciação que fiz da prova, nos parâmetros que tive oportunidade de avaliar. Mas, atenção, que tudo o que disser é de quem está por fora e que tem de reconhecer que, “quem está no convento é que sabe o que lá vai dentro”. Mesmo assim, e sabendo que a Organização não me vai levar a mal, aí vai:
Entrega dos Dorsais : Nota máxima. Decorreu lá num recanto, sossegado, com tendas de exposição de material que é familiar à modalidade. A entrega foi expedita e proporcionou o encontro com muita gente amiga. Bom ambiente.
Partidas : O Jogo da Bola, lá no alto, embora seja o local de eleição, não tem capacidade para receber em simultâneo,  os participantes nas 3 provas. Sabíamos que aquela partida era apenas simbólica, que apenas pretendia fazer desfilar o pelotão pela principal artéria da vila, até à saída do Castelo. Porém, o elevado número de turistas ali presentes, estreita ainda mais a já estreita Rua Direita. O percurso, ao ser feito a passo e não a trote como chegou a ser, perde bastante a sua espectacularidade.  Cá fora, a existência de dois pórticos, definia com clareza os locais onde cada um deveria posicionar-se. No entanto, não me pareceu estar devidamente acautelada a proibição de estacionamento nos primeiros 300m (o que se compreende dada a enorme pressão com tantos turistas presentes na Feira Medieval).
Data da Prova – A Feira Medieval, só por si, é suficiente para congestionar a Vila. Juntarmos a isto o UTNLO, TNLO e Caminhada, com mais de um milhar de participantes, torna tudo muito mais complicado. Sem dúvida que sabe bem aos acompanhantes (e aos próprios atletas) terem a possibilidade de visitar a Feira, mas será um factor a ponderar.
Distância -55Km? – Não percebo porque não foi assumida a distância real de 58 Km ! Tentando colmatar a diferença, a organização optou por colocar placas de 2 em 2 km, informando o que faltava e não o que tinha sido percorrido. Claro que os primeiros Kms foram enormes, para compensar.
Abastecimentos – Impecáveis. Nota máxima também. Nos sítios anunciados, muito bem compostos com alimentos e líquidos que apeteciam.
Marcações – Aqui, principalmente depois do último abastecimento, as coisas poderiam ter sido melhores. Bem sei, que a distracção é sempre um factor a ter em conta nos casos em que nos perdemos. Mas há que ver o seguinte: há rotas comuns e há rotas improváveis. Os avisos estavam reforçados é certo, mas depois de 50 km feitos, o discernimento não é o mesmo e também as marcações reflectoras deixam de ser visíveis com a luz do amanhecer. Enquanto à noite, mesmo com o frontal a incidir de lado nas marcas, nos chama a atenção, de dia, isso já não acontece e somos levados para fora da rota.
Segurança – Quem quer aventura, tem que ter consciência da sua forma física e já sabe que não pode contar com grandes medidas de segurança. Porém não nos podemos esquecer que foram introduzidos num circuito idealizado pela Organização, centenas de atletas. Ora, a não ser nos abastecimentos, não vi elementos da organização ao longo do percurso, principalmente nas partes mais perigosas, nomeadamente junto ao mar, onde nas dunas consolidadas e muito inclinadas, se escorregava com facilidade e o perigo de queda era grande. Sentir a presença de alguém disposto a apoiar, numa altura em que era grande a probabilidade de se estar sozinho, seria de grande importância.
Tempo limite – O barramento dos atletas com mais de 7 horas no abastecimento dos 39 Km pareceu-me uma medida, talvez, desnecessária e, até violenta. Vim a saber que houve casos em que foram impedidos de prosseguir ou então que o fizessem por sua conta e risco. Mas quem chega aos 39 e está em boas condições para prosseguir e se sente determinado a fazê-lo, não vislumbro a mais valia desta medida. Recomendação sim. Proibição não. É verdade que as pessoas têm mais que fazer e não podem estar à espera de quem for mais lento. Mas, quando foi aumentada a distância, por certo a Organização teria em mente que a Prova demoraria mais tempo a ser concluída por todos. Quanto a mim, não foi uma medida feliz.
Os últimos 4 Km – Sinceramente, também não vejo qualquer mais valia em fazer-nos subir e descer repetidamente aquelas encostas ingremes, antes da subida final para o Castelo. Mas quem sou eu para opinar face ao saber e experiência dos grandes mestres do trail que compõem a Organização!? Se trail é assim, vamos a ele assim como é.
Sei que os meus amigos do CAOB não me levam a mal estas considerações e entendem bem que as faço com o sentido construtivo de quem sente a prova como sua, pois enquanto puder contar com as pernas que o Criador me deu, farei questão de estar em Óbidos a correr. Seja de noite, seja de dia, seja fácil ou seja difícil.


E agora o que é que eu me atreveria a modificar (mesmo que me acusem de querer ensinar a missa ao vigário)? Isso fica para outro apontamento. 

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

VII UTNLO



Lá fui ao VII UTNLO, uma Prova em que o cenário medieval nos envolve à partida e à chegada e, entre uma e outra, nos entranhamos, noite fora, pelos penhascos, pelas dunas consolidadas (umas sim outras não), pelos pomares de pêra rocha (ainda não apanhadoira), pelos eucaliptais de folhagem reflectora, quais estrelas de prata num festival “luminotécnico” , pelo charco da Lagoa (e de alguns dos seus braços), pelos passadiços de madeira da praia, ora trepámos com o auxílio de cordas ora descemos com o das “nalgas” e dos cotovelos.  E a festa durou até ser dia.
Chegada a Óbidos .Encaminho-me para o local da entrega dos dorsais, onde decorria exposição de material adequado à modalidade. Ainda pensei em comprar um frontal, mas pensando bem, ponderando os preços por um lado e a qualidade do atleta por outro, o que tinha comigo haveria de dar luz suficiente para iluminar o caminho. Fica para outra altura. Muita gente conhecida, muita gente amiga, cumprimentos da praxe, conversas de circunstância e….estava na hora de comer qualquer coisa que servisse de jantar fora das horas habituais.
Equipo-me : calções,singlete sobre camisola de manga comprida, peúgas de compressão (ou meia compressão) sapatos todo-o-terreno (ou meio todo-o-terreno) e o tal frontal (ou meio…bom, já chega). E o que levar mais, que não encontrasse nos abastecimentos e que me fizesse falta? OK, um cinto com dois boiões de água e uma bolsa para pôr o telemóvel, lenços de papel e coisas que já estava mesmo a ver que não ia utilizar: uma barra energética e géis, mas lá fui carregado com aquilo, pois nunca se consegue prever com exactidão o que lá vem.
Chego ao Jogo  da Bola, local da partida simbólica. Já havia muita gente. Nem consegui encontrar o pessoal da minha equipa para a foto. Lá estava o Sabino, no mesmo sítio do ano passado  e o Fonseca (e os filhos, que estão a seguir as passadas do pai) também no mesmo sítio do ano passado e a Paula, sua esposa , que ainda captou esses momentos.
Homenagem – Após as recomendações dadas pela organização, foi prestada homenagem ao João Marinho, cujo corpo foi encontrado poucas horas antes lá nos Picos da Europa, onde desaparecera em Novembro. Ele, que adorava os desportos de aventura, tal como todos aqueles que ali estavam para correr em Óbidos. Um momento merecido e sentido pelos presentes.
Entre partidas– Olha o Rui Vieira, o homem forte de Tagarro! Lá fomos conversando. Dantes, o pelotão, embora a trote, ainda podia ir correndo ao longo da histórica Rua Direita. Isso deixou de ser possível, pois é grande o número de atletas, grande o número de turistas e estreita a rua. Esse trajecto teve que ser feito a passo, sem a espectacularidade de outros tempos. Mas já lá vamos.
Partidas – Junto à porta principal do Castelo havia dois pórticos: um correspondia à partida dos 55Km (diziam eles) e  dos 10Km, outro dos 25 Km. Olha a malta da ACB : Nuno Sabino, Pedro Burguete, Paulo Saramago e Sérgio Cajado. “Fernando, vamos para 10 horas!, queres vir connosco?” –pergunta-me o Pedro . Resposta :”-Eh pá, isso também me parece muito, tenho que me despachar mais cedo!” Mal sabia eu…
Começo – Necessariamente calmo, com prudência, pois  sabia que as dores na canela esquerda, que me tinham surgido há 3 dias, apesar do repouso e do voltaren que apliquei, poderiam acordar e obrigar-me a abandonar.  Felizmente, não me atormentou o que me tornou mais confiante. Pode ser que tenha passado.
Primeiros Kms – Ainda com os atletas muito aglomerados, chegam os primeiros obstáculos difíceis de transpor e que obrigam a uma grande acumulação, pois só passava um de cada vez e… a subir.  Aqui, aqueles que tencionavam correr em grupo, tiveram dificuldade em não se dispersar, com paragens lá mais à frente, para reagrupamento. Assim fizeram os amigos dos Run4Fun, cuja numerosa equipa alcançou excelentes resultados no final (e chegou junta).
O percurso foi “tramado”! Ainda há quem diga que esta prova é muito “corrível”, mas eu digo que é mais “trepável” . Dos 55 Km (diziam eles!) talvez 20 fossem adequados à corrida. Estou a lembrar-me do 1º Km e da parte que envolve a Lagoa, entre os dois últimos abastecimentos. As outras partes em que, eventualmente corri, ficaram “abafadas” com o “trauma” das escarpas que, se não fossem as benditas cordas, ia ser o bom e o bonito.
Os abastecimentos estiveram irrepreensíveis. Cumpriram integralmente o prometido. Líquidos onde era para ser líquidos, líquidos e sólidos onde era para ser líquidos e sólidos. E quando havia sólidos, oh-lá-lá…bolachinhas de baunilha, biscoitinhos doces e salgados, batatas fritas, peras cortadas em quartos, laranjas, tomate com sal, melão, melancia! MELANCIA!!! Ahhhh que bem sabia. Havia ainda mais coisas, mas eu só via a MELANCIA . O meu receio era empanturrar-me e ficar com o estômago às voltas (o que é muito fácil). Vá, comi também duas bolachinhas de baunilha) em cada abastecimento e caíram-me bem. Aproveitava e voltava a encher os boiões: um com água e outro com coca-cola. Eu, que no dia-a-dia tenho andado abstémio em relação à coca-cola, nestas provas fico completamente obcecado com ela. E sabe-me bem. Se faz bem, isso já não sei.  
Não fazia a menor ideia dos sítios por onde andava. Mesmo as localidades que atravessávamos, não tinham toponímia à vista (pois não lembraria ao diabo colocar placas a quem aparecesse dos fundos do descampado.)  É claro que se tivesse o mapa na ponta da língua, ou aqueles tracks xpto saberia, mas eu tenho a mania de me guiar pelas estrelas mesmo sem perceber nada de astronomia.
Noite fora fui progredindo, sem saber que tempo tinha de prova (nem perguntei  a ninguém para não me desanimar ou me iludir).
Logo após o terceiro abastecimento, ao entrar na zona costeira, encontro a Analice que lá ia, sozinha, com a sua disposição de sempre, passada  bem ritmada com o movimento dos braços e pensei que teria ali uma boa referência para cumprir o resto da prova. Ao mesmo tempo, sabia que iria entrar numa zona mais complicada do percurso em que qualquer atleta em solitário, àquelas horas da noite, não se sentiria muito à vontade. Falo por mim, obviamente. Impressionantemente, a Analice parecia estar mais à vontade que eu a ultrapassar os obstáculos que a zona de arenito nos colocava pela frente. Lá fomos, correndo quando podíamos correr, andando quando só podíamos andar. Depois de passarmos a primeira parte da dita zona de arenitos, atento às marcações, víamos que nos levavam para uma pequena praia. Só que a maré tinha enchido e a marcação indicava que deveríamos contornar a outra margem ! Com as ondas ali a bater…ná. Tratámos de arranjar outro acesso e encontrar as marcas que nos permitiam prosseguir em segurança. Mais rochas, mais saltos e soube, então , (a Analice tinha relógio) que faltava meia hora para sermos barrados (com 7h de prova) no abastecimento dos 39Km. Não nos podíamos descuidar muito. Sabíamos que seria pouca a distância, mas não sabíamos qual a dificuldade que nos esperava até lá. Tanto podíamos demorar 6 minutos a fazer um Km, como 20. Finalmente surge o longo passadiço de madeira a que se seguiria o tal abastecimento decisivo. Faltavam ainda 6 minutos para o termo da tolerância.  Outra preocupação era a do tempo limite para concluir a prova. Falava-se em 10h, mas eu não tinha essa noção. Por sorte, encontrámos ali o grande Jorge Serrazina, Director da Prova, que nos tranquilizou dizendo que não havia problema em ultrapassar as 10 horas. Abastecemos com calma e, quando retomávamos o caminho, chega o Saramago e o Cajado, da ACB,  dizendo que o Pedro tinha optado por abandonar e que tiveram que se esforçar para não ultrapassar as 7h neste local.
Agora era a parte “corrível” e coloco-me no ritmo da Analice, que sei ser um ritmo “certeiro”. Sair da praia contornando a Lagoa. Para muitos é a parte chata, por ser plana, mas para nós foi o melhor período da jornada. Disse para a  Analice que a continuar assim, bastariam 9,30h para completar a prova. Passámos por muitos que, saturados, iam a passo. Atravessámos o charco, recomeçámos em terra firme e lá atingimos o abastecimento do Miradouro. O último. Quando lá nos dizem “bom dia” com a noite ainda tão escura, temos uma sensação estranha. Abastecemos. Faltavam 8 Km, que vieram a revelar-se demolidores. Mas o problema maior que encontrámos, foi a luz do dia, que nos escondeu as marcações só visíveis quando a fraca luz dos frontais incidia neles. Quando vem a luz solar, as marcações ficaram às escuras. E nós desnorteados.  Chegámos a uma estrada asfaltada. O aviso estava lá, com a indicação para a direita. Que bem que sabia agora corrermos pelo alcatrão. Do lado esquerdo uma encosta escarpada, à direita, uma vinha, só podia ser em frente. Marcas não se viam, por mais que abanássemos a cabeça, na esperança de que uma réstia de luz do frontal descobrisse uma marca. Nada.  Mas se era para a direita, tinha que ser por ali. Connosco vinha um colega, João Almeida,  que tinha confiado no meu “instinto” de guia. A estrada bifurca-se e marcas…nada! Vai de telefonar. Tinha o número do Eduardo Santos, do Mundo da Corrida e ele pôs-me em contacto com o Jorge Serrazina:  “Eh pá…era lá atrás, ao pé de um pinheiro grande; era só atravessar a estrada” –diz-me ele. Voltámos para trás e lá estava a marca. Por alguma razão nem sequer tinha olhado para lá. É que nos encaminhava para um “paredão” enorme, coberto de vegetação, uma das mais improváveis rotas que nos poderiam dar a seguir. Com cordas lá pelo meio! Trepámos. À nossa frente já iam atletas que há 2 km atrás, estavam a 2 ou 3 km atrasados em relação a nós. Marca indicando que faltavam 4Km, quando o sino da igreja dava as 7 badaladas. Segue-se uma sequência de zigues a subir e zagues a descer e, dali a pouco, lá estávamos fora do traçado novamente. Irra. E as mesmas 3 alminhas perdidas mais uma vez. Encontro uma marca, mas não vejo jeitos de ali ter passado alguém. Pudera, era uma marca de 2014. Telefone de novo. Desta vez foi para o Orlando Duarte, que me tinha ligado pouco antes de nos perdermos. Lá retomámos o rumo certo e reparo que vinha um elemento vestido de amarelo. Era da Organização. Vim a saber que, afinal era o atleta-vassoura, eheheh. Aparece o Serrazina, pronto para ajudar, mas já tudo estava sob controlo. Agora era abordar o Castelo            e  subir aquela escadaria. Depois, entrar na “porta da traição” ao lado da lendária Analice e entrar no castelo encantado, ao cabo de 10,45h de prova, num momento que o Orlando Duarte captou com mestria e que é um dos melhores troféus que já recebi.

Por agora, fico-me por aqui. Mas também quero dar uns “palpites” sobre este fantástico VII UTNLO.