terça-feira, 10 de março de 2009

Pensamento de Papagaio




Como existem mãos que à terra me prendem
Consigo trepar a escada do céu.
E sempre que resisto ao vento
Os meus ombros estremecem
Pedaço a pedaço sinto-me afundar
No seio do céu.

Como existem mãos que à terra me prendem
A terra suspende-se nas minhas cordas.


Makoto Ooka

quarta-feira, 4 de março de 2009

Açúcar, esse doce vilão

Sacarose = Glicose+Frutose


Sentimo-nos muito mais felizes quando fazemos aquilo que gostamos e quando aquilo que gostamos é o que deve ser feito! A chatice é quando não podemos fazer aquilo que gostamos porque faz mal! Todos nós gostamos de resultados imediatos (e o que sabe bem é imediato) mesmo que isso implique algum prejuízo a prazo: “O bem que sabe perdoa o mal que faz”! O pior é que quando vem o mal, já não nos lembramos do “bem que soube”. E vem o arrependimento, a tortura, a culpa !

O açúcar, a grande fonte de energia e… de prazer é o grande “vilão” do que nos conta a Drª Madalena Muñoz, conceituada nutricionista que dá interessantes conselhos alimentares no seu blogue. Quem conseguir segui-los está de parabéns e subirá uns degraus na escadaria da sanidade. Mas, oh Drª, o que é que “adoça” a vida se não for uns chocolatitos de vez em quando, uns pudinzitos, umas musses de chocolate, umas babas de camelo, uns cornetos de morango??? Nós prometemos que “derretemos” tudo na corrida! Não pode ser assim? Não?! Vá lá, diga que sim…!?!

terça-feira, 3 de março de 2009

O "Lider"

Sou desleixado a fazer a "contabilidade" das provas que vou fazendo (e, depois,no fim do ano, tenho que andar a fazer pesquisa, para comparar os resultados com a malta amiga) . A pensar nisso, aproveitei o facto de o Mundo da Corrida ter criado um Ranking que faz todos esses registos "à maneira" poupando-me o trabalho de "andar à procura da rolha".

Surpreendentemente, no tópico em questão, surge um link a indicar o lider desse Ranking. É certo que vale o que vale, mas a sensação de andar na frente é gira, mesmo que seja por pouco tempo.

E ainda bem que se inventou qualquer coisa em que se pode andar na frente sem ser por ir mais depressa,eheheh.

Ora vejam:

http://www.omundodacorrida.com/fernando_andrade.htm

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Por Vezes...

Hoje traga-vos um poema (um soneto) ! Daqueles que se lêem devagar, se saboreiam, se relêem e nos põem a pensar…e “Por vezes” dá vontade de decorar :




E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos.
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos.

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

David Mourão Ferreira

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

1 Ano

1 Ano

Aos vinte e seis dias do mês de Fevereiro do ano da graça de dois mil e oito, foi colocado na blogosfera, num espaço auto-designado “Cidadão de Corrida”, um texto experimental, que seria o primeiro de muitos outros que se seguiram.

Um ano depois e graças aos amigos e amigas que com maior ou menor regularidade aqui fazem a sua visita ou escrevem o seu comentário, constato que foram ultrapassadas as expectativas que tinha.

Com efeito, a partilha de experiências foi entusiasmante; o aparecimento de novos e muitos amigos foi surpreendente; o número de visitas 12400 (!) deixou-me perplexo.

A todos quero enviar um forte abraço e agradecer muito a atenção que tem sido dedicada a este blogue e eu, conforme posso e sei, obrigo-me a fazer por merecê-la.

Muito Obrigado.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

25ª Maratona Popular Cidade de Sevilha




Na véspera, de madrugada, fui ao encontro do meu amigo Manuel Faísca, que reside no sotavento algarvio, para irmos juntos até Sevilha, onde pretendíamos estar antes da hora do almoço. Pela Via do Infante, rapidamente chegámos ao destino e fomos, de imediato levantar os dorsais. Uns minutitos na fila e recebemo-los sem qualquer contratempo. Testados os chips ( não fosse a identificação estar trocada) seguia-se outra fila para levantarmos a “bolsa do corredor”, bastante completa, que incluía, uma singlete, uns calções, umas peúgas, um porta-chaves, um pin, fitas nasais, revista da prova e o último nº da revista Distance Running.

O equipamento oferecido


Seguiu-se a visita aos vários stands, comprámos uma “sudadera” da 25ª, preenchi um questionário sobre a forma como encarava esta maratona e fomos até à Isla Mágica, onde iria ser servida a “Comida de Hidratos”.




Não precisámos de esperar em fila sendo servidos de imediato, só tendo que deslisar um tabuleiro descartável sobre um balcão, onde cada voluntário nos ia colocando “o seu artigo”. No final o tabuleiro estava composto, faltando apenas a bebida que seria oferecida noutro local, mas com igual celeridade. Enquanto comíamos, havia música ao vivo, bastante animada, que dava um ambiente festivo à ocasião.

Na Comida de Hidratos


Quando saímos, então já víamos fila e nesse mesmo instante, chega o autocarro com o pessoal do Mundo da Corrida, que me chamaram e a quem agradeço o cumprimento, pois não tinha dado por eles.

Segue-se uma volta pela cidade, de carro, na busca de alojamento. Encontrámos bem o sítio habitual (Hotel Dona Blanca), mas estava esgotado, tendo-nos sido recomendado o Don Paco, mesmo em frente. OK, o preço era carote, mas para não andarmos às voltas e havia um parque de estacionamento próximo, resolvemos ficar ali. Má decisão, pois não havia pequeno almoço e as condições estavam longe de corresponderem ao elevado preço que nos tinha sido pedido por um quarto. Serviu de lição!

Para fazer tempo, fomos dar um passeio a pé. Um passeio pelo centro da cidade, que durou até ao anoitecer. O Faísca tinha um farnel que serviu de jantar e assim, sempre se economizou alguma coisa. Não voltámos a saír . Optámos por nos deitarmos cedo, porque cedo tínhamos de nos levantarmos. Vimos um jogo de futebol entre o Barcelona e o Espanhol, em que Barça perdeu 1-2 e fomos dormir:

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Toca o despertador, banhoca, arrumámos a tralha e fomos buscar o carro para tomarmos o pequeno almoço. Decidimos seguir um outro carro com atletas espanhóis, convencidos que eles saberiam melhor que nós ir até ao Estádio. Asneira da grossa! Nunca mais aprendo! Eles não sabiam onde é que andavam, enfiando-se em ruelas angulosas e de difícil circulação. Assim que encontrámos “terra firme” deixámos de os seguir, mas já não sabia onde é que estava e o stress começava a carregar. Conclusão: faltavam 20 minutos para as 9h, quando estacionámos e comemos qualquer coisa à pressa, para irmos levar o saco ao guarda-roupa. Entrámos na zona da partida, faltavam apenas 4 ou 5 minutos para começar a 25ª Maratona Popular da Cidade de Sevilha.
Posicionámo-nos junto ao balão das 3,30.
No ecran do estádio, passavam as imagens que as várias câmaras iam captando destes instantes prévios. Lá estava alguém (um ilustre desconhecido, para mim) com uma pistola na mão, em grande plano esperando um sinal para disparar. Há hora exacta, PUM ! Mais de 3500 são lançados pela porta sul do estádio. O balão das 3,30h avançou logo muito e demorei um minuto a passar pela linha da meta, logo fiquei com um desfazamento de um minuto entre o tempo real e o tempo oficial. O Faísca conseguiu aproximar-se do balão, mas eu não sentia grande necessidade de forçar o andamento. Tinha feito 2km, já vinham os primeiros em sentido contrário, com destaque para a Marisa Barros que viria talvez nos 20 primeiros, com uma passada impressionante. Durante alguns km vi que estava a andar a 5’/km e achei que era assim que deveria ir.
Aos 10km passa por mim o Manuel Fonseca que não estava a ganhar terreno, pelo que pensei em me juntar a ele.

O Manuel Fonseca e eu (por volta dos 14km)


E fomos juntos até à Meia Maratatona (1,45 Tempo Real), mas notei que tinha de abrandar e o Fonseca seguiu. Subitamente, aos 22km, senti uma quebra enorme e tomei um gel para ver se animava. Começo a ser ultrapassado por tanta gente, que o moral começou a ficar mesmo em baixo. Deixei de olhar para o relógio. Passa um atleta que me reconheceu o equipamento (e que não faço ideia de quem seja) que me dirige a palavra, dizendo : - “Cumprimentos ao Luis Sousa”! – Só disse : -Tá... OK !
O efeito energético do gel nunca mais aparecia e a luta contra a tentação da marcha era gigantesca. Corria com uma passada leve mas ... com pernas pesadas e curta porque não conseguia maior amplitude. –“Mantém-te a correr!” era a ordem que dava a mim próprio, -“mesmo que seja devagar, porque se te pões a andar...lembras-te do Porto 2007?!” - e lá me mantive. Aos 29 passa o Helder Jorge. Ia bem e incentiva-me. Ainda andei 2km perto dele, mas a prudência mandava-me refrear.34Km Ouço um "-Vai Fernando" - era o Nuno Kabeça, que vinha em grande ritmo ; -Não sei o que é que tenho hoje! -dizia ele, entusiasmado. e eu..."pregado" só lhe disse : -"Força Nuno!"


Aos 35km outro gel e aqui já notei alguma progressão (ou então eram os outros que baixavam de rendimento) e ganhei algumas posições, principalmente quando passei os 40Km. Aos 41, corriamos ao lado do Estádio, quando há uma das frases mais moralizadoras que ouvi em todo o percurso : “-Esta és la puerta de la glória! Solo 1 km más!” . “Acordei” demasiado tarde, mas acabei em crescendo e por poucos segundos não apanhava o Fonseca.

O Fotodiploma


Depois foi a toalha sobre os ombros, as laranjas até fartar, retirar o chip e a medalha ao pescoço, receber o saco com uns biscoitos, sumo, água e fruta e ir buscar o saco da roupa. Havia muita confusão, pelo que, desta vez não tomámos banho no estádio.


Com o meu amigo Faísca (foto do Vitor de Grândola)


Contra o que é hábito, resolvemos ir à “Festa da Clausura” para assistirmos à entrega dos prémios e ficarmos habilitados ao sorteio de um automóvel e de outros prémios.
Muita gente presente (bem mais que na véspera) e muitos portugueses. Quando foi chamada a Marisa Barros, que obteve o record da Prova e a 3ª melhor marca portuguesa de sempre, para além do record ibérico dos últimos anos, ouviu-se uma ovação arrepiante, de tanta satisfação terem sentido os participantes lusos. Obrigado Marisa.

Só por isto já teria valido a pena, porque o almoço, muito honestamente não gostei : um arroz de cogumelos que não me caíu bem e uma sopa(?) de copo fria que eu “emborquei” sem saber o que era, mas que tinha um sabor estranho.
Mas fizemos bem : O Faísca, afinal tinha sido o 3º da sua categoria, com direito a um troféu e eu, imaginem, acabei por ser contemplado no sorteio, com uma viagem a Madrid, mesmo a jeito para a próxima Maratona a 27 de Abril.


Então não é que fui contemplado!?



Eu bem quero evitar, mas não consigo...!eheheh

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Mea Culpa

Em comentário ao meu post anterior, o nosso amigo Fernando P. escreveu o seguinte :

Olá Caro Amigo,Lamento dizer-lhe que essa é uma falsa citação do Marx, que nunca escreveu isso (embora tenha escrito outras coisas igualmente actuais).O mail tem circulado um pouco por todo o lado, mas não passa de uma brincadeira de mau gosto.

E já agora: então e essa Maratona?

Fico danado quando me enfiam o barrete!
Não sei se é qualidade se é defeito, mas acredito nas pessoas. Quando me vêm com informações que até nem tinha pedido, sinto-me agradecido pois considero que o meu conhecimento fica mais rico e transformo-me, também eu, num “veículo” portador da mensagem a outras pessoas, igualmente “crentes”.
Brincar-se com afirmações (que até podem ser verdadeiras), e “colando” o invento a citações de cérebros insuspeitos, para além de divulgar uma falsidade, faz com que se descreia da enorme eficácia que a blogosfera permite.
Errei, porque fiz fé sem ter exigido a prova.
Errei porque difundi o que precisava ser comprovado.
“Profecias” à posteriori, também eu as faço, mas em jeito de chalaça. Não me passaria pela cabeça ir atribuir essas “grandes verdades” a quem já não está cá para as desmentir.
Atenção, pois, caros amigos, ao “Certificado de Origem” !

Quanto à Maratona, fiquei tão irritado em ter passado por aldrabão, que primeiro entendi que devia fazer o “mea culpa” sobre um “peixe que vendi ao preço que comprei” e agradecer que o Fernando P. me tenha corrigido.

Sim! Completei a 25ª Maratona de Sevilha e falarei dela no próximo post.