sábado, 18 de abril de 2009

Madrid - "Revisões da matéria dada"

No sentido de reviver a Maratona realizada em 2006 (e retirar do relato algumas conclusões) transcrevo o relato que fiz na altura.


Falar sobre a Maratona de Madrid - este autêntico Hino aos Maratonistas - constitui um tema que merece uma abordagem muito especial. A viagem, o convívio e a maratona. Falarei disto num próximo apontamento. Por agora, direi só que fiz asneira no controle do esforço e aquela "garganta" toda de que falei, de tácticas, contenções, etc, saíu tudo furado. Então não é que passo à meia com 1,36,20 e acabo com 3,26,50 (tempos líquidos) ? É burrice ou não é burrice ? Humm? Quem é que tem experiência, quem é ?Bom, depois conto.
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Parte 1
Depois de uma viagem calma, de mais de seis horas, chegámos a Madrid. Uma desatenção, à entrada, fez-nos seguir por onde não devíamos e ter de recorrer ao mapa, para dar com a Casa de Campo ( Pavilhão de Cristal ) onde estava a decorrer a Feira do Corredor . Lá conseguimos atinar e, ao meio dia local, já estávamos na fila para recolher os dorsais.Pouca gente cá fora, muita gente lá dentro. Precisamente o contrário do que aconteceu em 2005, em que as entradas eram mais “gota-a-gota”. De qualquer forma, não nos podemos queixar de termos demorado muito tempo, pois havia vários guichés a despachar o pessoal. Recebido o dorsal e verificado o chip, nova fila para receber a “bolsa do corredor”. Uma visita breve aos vários stands e encaminhámo-nos para a “Pasta”.
Aí é que foi mau! O tempo de espera foi enorme (quase 2h!) e não víamos aquilo a andar. Estávamos para desistir, mas resolvemos ficar ali, na torreira do sol. Aparece então o nosso amigo Jorge Teixeira, que vinha acompanhado do seu inseparável amigo dos treinos, o Pinto, e com a conversa agradável, o tempo lá se foi passando melhor. Almoçámos calmamente e, à saída, vimos que a fila ainda estava maior! Penso que a este nível, as coisas não estiveram tão bem quanto poderiam ter estado, pois no interior, havia bastante espaço para se poder reduzir o tamanho da fila, bastaria que se fizesse uma bifurcação à entrada, em que os atletas pudessem ser servidos por qualquer dos lados. Mas pronto, já sabem que, se pretenderem aproveitar o almoço à borla terão de ir cedinho.
Cafezinho junto ao lago e procurámos o hotel que em que tinha feito a reserva, o Eurobuilding-2 que fica próximo do Estádio S.Barnabéu e por onde, no dia seguinte, deveríamos passar a correr com 4 Km de prova. Desaconselho esse hotel, pois não considero que tenhamos sido bem tratados. É o que faz o descuido com a marcação. Acabámos por pagar mais, ficarmos longe e não termos direito a pequeno almoço nem sequer ao banho após a prova.
Depois vem a parte boa. Telefona o João Hébil, o nosso anfitrião, para saber se nos encontraríamos para jantar. Ele passaria pelo hotel e levava-nos, indo também ao encontro do Jorge Teixeira e do Pinto. Claro que aceitámos. Pelo caminho, o João disse-nos : - “Vou mostrar-vos uma coisa que não vem nos cartazes turísticos mas que, na minha opinião, merece uma visita. Trata-se de uma obra enorme, ilegal, feita com produtos reciclados na sua maior parte e que é um acto de fé de um homem que dedicou a sua vida a construí-la. Nada mais nada menos que uma Catedral (!) feita sozinho (!) num terreno que herdou. Tudo isto sem qualquer plano, sem que ele tenha qualquer conhecimento de arquitectura ou de construção civil! Acho que vão gostar de ver !” Também vos convido a ver esse trabalho em http://www.justogallego.blogspot.com/. e tirem as vossas conclusões. Nós ficámos impressionados.
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Parte 2

Para jantar, o João levou-nos a um restaurante da periferia. La Bambola era o seu nome. Estavam a ser 21h e o restaurante, que nos proporcionava um excelente ambiente, estranhamente, estava vazio! Escolhemos a mesa e sentámo-nos. Só mais tarde as mesas foram ficando compostas, pelo que concluímos que os espanhóis gostam de jantar tarde. Em todo o perímetro da sala, pintada de amarelo mesclado de castanho, junto ao tecto, frases em latim. Lembrámo-nos que o nosso amigo Zen teria ali um primeiro pitéu. Só percebi as palavras “Romano” e Vino”. Do resto népia.Tivemos ali um bom momento de convívio de que não irei esquecer-me.
Breve passagem pelo Hotel Convencion, onde o Jorge estava hospedado (pois ele queria mostrar-nos os projectos com que se encontra bastante entusiasmado e sobre os quais ele próprio nos falará quando considerar oportuno). Sobre uma mesa lá estavam panfletos do Raid Melides – Tróia, a nossa próxima grande aventura!
O Dia da Maratona. O raio do despertador toca uma hora mais cedo do que devia. Não verifiquei e comecei a preparar-me. Só 20 minutos depois é que vi que estava enganado. E tanta falta me tinha feito dormir mais um bocado…Chamo o Carlos Neto, recuso comer umas coisitas que tinha no saco, pois tencionávamos ir a um café tomar um pequeno almoço decente, por volta das 7,30. A verdade é que demos voltas e mais voltas e tudo estava fechado! Aparece o João que, conforme estava combinado, nos levaria até à zona da partida. Alguma dificuldade para encontrar um sítio para estacionar e…numa curva meio manhosa, lá estacionámos.Pequeno Almoço, que é dele? Tudo fechado. Tantas vezes me lembrei da comida que tinha deixado no saco…O melhor que encontrámos foi um café que só abria às 9h! Surgia então a dúvida : que pequeno almoço poderia tomar àquela hora? Ou seria melhor não comer nada? Fosse o que fosse seria uma opção diferente do meu habitual leitinho com cereais e toda aquela ansiedade estava a mexer comigo. Que se lixe! Vai um sumo de laranja e um croissant a que se seguiu um cafezinho. Lembrei-me da regra nº 1 da Maratona: No dia da prova não se deve fazer experiências! O Carlos Neto comeu apenas uma pontinha do meu croissant e um café.Encaminhámo-nos depois para o partida, pois tínhamos combinado encontrarmo-nos na entrada do Metro dos Recoletos. Subi a uma caixa para ver se entre tantas cabeças, conseguia distinguir a do João ou a do Jorge Teixeira. Nada! Estava a ficar na hora e tivemos de nos juntar ao maralhal.
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Conclusão

...Não ouvimos o tiro! Apenas nos apercebemos que toda aquela massa humana começou a deslocar-se lentamente. Um minuto e pouco depois, estava a cruzar o tapete. A partir daí estava entregue a mim próprio, a gerir o meu esforço para cobrir a distância. Na minha mente, estava sempre presente a ideia de que deveria, em todo o momento, manter um andamento que me garantisse “uma reserva”. Por outras palavras, andar sempre aquém daquilo que podia. Isto, como forma de controlar o entusiasmo inicial .Assim, lá ia eu, contemplando a cidade e maravilhando-me com os incentivos do público. Passo o João Hébil por volta dos 5 km . Cerca dos 10 Km surge o primeiro sinal de animação: uma potente aparelhagem sonora debitava uma música daquelas que nos enchem o peito e renovam as energias. Acentuava-se, depois, o “sobe-e-desce”! Eram pouco pronunciadas as rampas, mas compriiiiiiidas que pareciam não ter fim. Aos 19 Km oiço um “ Força Fernando!”. Era o Pedro Pinha, que estava a descansar de Londres e por isso foi só ver e aplaudir a malta conhecida. Obrigado Pedro.
Meia Maratona : 1,36,20! E eu a sentir-me impecável! Os grupos da animação, a partir desta altura, começaram a estar em todos os pontos mais difíceis. E que músicas eles nos dedicavam !?! Palmas para eles.23Km! Senti um primeiro sinal, não físico, mas de um momento para o outro parece que me desanimei! Mau,mau. Vai um gel, para ver se passa. Aos poucos, lá fui tomando o gel, que também não me estava a cair bem.
26 Km -2h ! Tempo fantástico para as minhas perspectivas… e perigoso! Lá está mais um camião da coca-cola, “carregado” de estudantes de uma tuna académica, procurando dar-nos ânimo. Surge-me a dor-de-burro! Tentei não levá-la a sério, abrandei e influenciado pela tuna até brinquei comigo :
A dor-de-burro
A mim não me convém
Que eu quero chegar ao fim
Sem a ajuda de ninguém!
Mas os km vão passando e…a dor não abranda. E eu a vê-los (os outros atletas) passar……
E comecei a “ouvir vozes”:
Já não há gel que te valha
Nem água que te refresque
Mas onde é que está a falha
Nos treinos que tu fizeste ?
Não está nos treinos o erro
Nem na desmotivação
E é bom que ao dares o berro
Tu aprendas a lição:
Então, sumo de laranja
A dez minutos da prova?
Pensavas que isto era canja?
Foi-o mas foi uma ova.
É o sumo… e é a pressa…
E és tu maratonista ?
Olha que alguém que começa
Não se arma tanto em “artista”!
38Km: passa o Carlos Neto, todo lampeiro. Ele que tinha passado aos 25Km com mais 10 minutos que eu !Enfim, lá fui até à meta instalada no enorme Parque do Retiro.
3.26.50. Mais 10 minutos que no ano passado.O saco, a medalha, as águas, (a cervejinha para quem queria) os iogurtes, as bananas, a melancia (ah, aquela deliciosa melancia) , o esperar pelo João e colegas da sua equipa e lá fomos nós fazer outra maratona até ao carro.
Apesar de ter falhado as 3,20, gostei muito desta maratona, não pelo seu traçado (principalmente a 2ª parte) que é bastante duro, mas por tudo o que gira à volta dela e pela excelente organização que tem . A chegada neste novo local, parece-me bastante melhor que o anterior que também já era bom mas terminava a subir, enquanto que aqui é a descer.
Claro que fico cheio de vontade de lá voltar, até porque preciso saber onde é que falhei.
Já me alarguei, pelo que quero agradecer a todos quantos tiveram a paciência de me aturar.Queria, por último, deixar aqui uma palavra de reconhecimento e gratidão pela disponibilidade do João Hébil em ser o nosso guia naquela cidade lindíssima que é Madrid.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

À espera de Madrid

Já só falta pouco mais de uma semana para a minha 3ª maratona do ano, que vai ser a de a 32ª Maratona Popular de Madrid.
Dá última vez que lá estive, há 2 anos, a coisa não me correu lá muito bem, mas, vendo à distância não foi mau de todo. Fiz um registo dessa participação, que aqui relembro:


30ª Maratona de Madrid

Desfrutar do contacto próximo com uma organização 5 estrelas, estar entre milhares de pessoas com a mesma “pancada”, ouvir um público que sabe apoiar com entusiasmo o gesto simples da corrida, foi o que me levou a Madrid, mesmo sabendo que não estava suficientemente preparado para correr, pela 4ª vez, esta Maratona.
O Sábado foi “stressante”. E começou logo às 4 da matina, mas às 9h ainda estava a 30 Km de casa! A pé teria demorado menos. É que uma avaria quando estavam percorridos 200 Km, obrigou-nos a regressar (de táxi,claro) e fazer um “restart” da viagem. Chegámos, assim, com 4 horas de atraso a Madrid. Éramos 4 : Eu, o Carlos Neto, o Luis Miguel e a Yolanda, sua mulher.Chegados a Madrid, parecia que tudo estava “enguiçado” : Primeiro não atinávamos com a Casa de Campo onde decorria a entrega dos dorsais, a Feira e a Pasta Party; depois, como entrámos naquele enorme parque, por um sítio diferente do habitual, fartámo-nos de andar até dar com aquilo; depois de levantarmos os dorsais, fomos rapidamente para a Pasta, pois devia estar a fechar. E estava. Vieram logo ao nosso encontro a gesticular e a “espanholar” como que a dizer que já não podíamos entrar. Mas entrámos, pois vimos muito bem que ainda havia por ali muita massa e nós, depois do que passámos, só queríamos “um pratinho de comida”, quais sem-abrigo à porta da “Sopa do Sidónio”. Mas lá comemos – e bem- e também bebemos uma agradável cervejinha, enquanto ouvíamos uma bem disposta e movimentada banda fardada de verde vivo que tocava umas músicas alegres, conforme nós estávamos a precisar para que o nosso moral subisse um bocadinho. Entre a meia dúzia de pessoas que por ali estavam, avisto e cumprimento o José Valentim (C. Ferroviário) e o Mayer Raposo (Lebres do Sado). Estes são dos que vão mesmo a todas (tinham estado na Maratona do Lopes e já estavam prontos para outra)!Com mais calma, fomos visitar a Feira. Uma feira que, apesar da hora tardia, ainda estava a funcionar quase a 100%, com bastantes stands promocionais, de marcas e de eventos. Toca o telefone. Era o Jorge Teixeira, que já tinha abandonado o local (onde tinha estado a promover a Maratona do Porto) e, logo a seguir, o João Hébil. Era preciso combinarmos o local do encontro para o jantar, à semelhança do que fizemos em 2006. Encaminhámo-nos para o Hotel, o que teria sido rápido se o trânsito fluisse, mas, ao invés, estava mesmo engarrafadinho de todo! Chegámos ao Hotel, mas estacionamento… é mentira! Demos voltas e mais voltas até conseguirmos entrar no parque. Carrinho arrumado (… e não mexe mais!...) e lá fomos fazer o check in, pois o pessoal já estava à espera para irmos até ao restaurante preferido do João Hébil, que ainda ficava um bocadinho longe dali.
Foi um jantar muito agradável que teve um único senão :- tinha que ser rápido, pois era preciso dormir bem e levantar cedinho. Combinámos, então um local para nos juntarmos na partida da Prova .

O Dia da Prova (22 de Abril) amanheceu com boa cara. Pensámos, até, que iria fazer um bocadinho de calor.Tomado o “desajuno” no Hotel ( desta vez estava “à defesa”...) fomo-nos encaminhado para o local da partida. Mais uma vez, o desencontro total com os nossos companheiros, no local designado (ponto a rever em futuras edições). Pior ainda : éramos 3 (mais a “claque” – olá, Yolanda! ) e passámos a ser 2, pois o Carlos Neto que foi a um WC, “desapareceu “.Os paraquedistas lá vinham caindo dos céus, para dar início ao espectáculo, como, aliás, tem acontecido em anos anteriores . E, já agora, porque é que acham que em S. João das Lampas também houve paraquedistas ?Enquanto esperávamos pela hora, fomos observando o que nos rodeava : a crescente “compactação” dos atletas ; o “aldrabão” que, por sua iniciativa fez uma placa que dizia “sub 4,30” e gozava com a uma primeira “triagem” que tinha proporcionado, pois os balões verdadeiros só apareceram depois e eram todos azuis. O das 3,30, ainda antes do tiro da partida, “escapou” e houve risos porque ninguém foi capaz de o seguir, pois o “danado” subia depressa demais. Mas havia mais dois para a mesma marca.
Ouvimos um estoiro (Boa Prova, Luis) e toda aquela mancha humana começou a movimentar-se Passeo de la Castellana acima. A subida parecia-me suave mas, como sabia que a preparação para esta maratona tinha sido fracota, achei que os 5 minutos/Km era o andamento mais acertado. E isso dar-me-ia uma marca na casa das 3,30 . Era só “estar a pau” com o balão. Só que, o desfazamento entre o tempo do tiro e a minha passagem pela linha de partida, deu uma tal vantagem ao balão que eu, a correr a 4,45 só o via ... lá longe... e não notava aproximação. Pensei : Ná... isto tem que ser recuperado em 40 km e não em 4 ou 5. Aos 13 Km apanho um, mas esse era o das 3,45!O outro só me aproximei aos 19Km e foi por pouco tempo. Tive de o deixar ir (para a frente, bem entendido!) .
Meia Maratona : 1,44 ! Era mais ou menos o que estava nos planos mas vi logo que a condição não estava como noutras situações idênticas . Vai um power gel ! Passados 3 ou 4 km achei que aquilo fez algum efeito, pois senti-me recuperado. Nos abastecimentos, ia-me sempre hidratando ( e os abastecimentos eram abundantes, com apenas 2,5 km de intervalo ). Mas aquele terrível sobe-e-desce levou-me, novamente, abaixo . Os incentivos do público, que tão importantes se revelavam, eram insuficientes para suprir a minha falta de preparação. A partir dos 30Km deixei de olhar para o relógio, não para deixar de sentir a pressão do tempo previsto, mas para não me confrontar com o andamento “triste” que estava a fazer. Já só pensava chegar ao fim . Aos 40km parei no abastecimento. Andei durante uns 30 metros mas tive de voltar a correr senão ficava “pregado”.
Passa o balão das 3,45 ! Apetecia-me chamar-lhe nomes, mas era sobre mim que esses nomes iriam cair! Lá entrei no Jardim do Retiro onde estava instalada a meta e faço os últimos metros, procurando uma pose o menos sofrida possível, pois sabia que as máquinas fotográficas procuravam expressões felizes.
3,44 (tempo real) o meu 2º pior tempo das 27 Maratonas que fiz . É bem feito! Não porque lá fui, mas porque não me preparei convenientemente.Depois vêm os apetecidos momentos de descontracção: -a cervejinha (experimentei, soube-me bem mas dei-me mal : “gregório”) as coca-colas e os aquários, as águas, mas... para mim, o melhor de tudo eram aquelas fatias de suculentas melancias : mmmmmmaraviha ! E vai outra ... e outra.... e outra.... Ahhhhh.Apesar da marca, gostei muito desta prova, que, este ano, apresentou um traçado ainda mais difícil, a dar indicações claras que é preciso prepará-la com alguns cuidados.É o que eu vou fazer para o ano. A análise desta prova resume-se a duas ou três expressões : A Maior Maratona Ibérica, durinha, mas com uma Organização excelente e por isso RECOMENDADA !Vão por mim .

terça-feira, 14 de abril de 2009

Cenas que lixam

(O título foi "roubado" do blogue do meu amigo André Beja )


Fez no último Sábado uma semana, vinha eu do supermercado, quando à entrada de S. João das Lampas, numa rigorosíssima “operação stop” levada a cabo pela Polícia Municipal, fui mandado parar para que mostrasse toda a documentação:
Bilhete de Identidade, Carta de Condução, Livrete do carro, Registo de Propriedade, Certificado do Seguro, Certificado da Inspecção e – com esta é que me tramaram- Certificado do Imposto Único de Circulação (antigo selo) !
Ainda liguei para casa para saber se o meu filho tinha tratado disso, mas soube que não!
- Não tem problema –diz-me o agente- vou-lhe passar uma guia e o senhor, até ao dia 13, vai lá ao posto fazer prova do imposto em falta.
Agradeci, convencido que o agente tinha sido um “gajo porreiro”.
Uns dias depois, passo pelas Finanças, regularizo a situação (pagando uma coima de 15€) e vou direitinho à Polícia Municipal, mostrar o documento conforme estava obrigado.
- Sabe... –diz-me uma nova agente- é que a data do pagamento do imposto é posterior à da guia. Se fosse anterior o senhor só pagava 25€ por não o ter na altura em que foi pedido, assim são 100€ .
-100€ !?!?!?!? –Então mas eu já paguei a coima às Finanças e agora tenho de pagar aqui também!? Não será isso dupla tributação ?
-Não. São coisas diferentes. Por não pagar no mês certo as Finanças cobram-lhe uma coima e por não andar com o documento conforme é obrigado por Lei, as autoridades emitem uma contra-ordenação.
-Pois, mas “o bolso” é o mesmo...

Ainda “estendi o diálogo” tentando demonstrar que a minha infracção era de natureza tributária e não rodoviária, mas não valeu de nada : mostraram-me lá uma tabela com a portaria que regulamentava aquelas coisas. Conclusão : “Paga e não bufes” ! Tomaaaa!

A propósito e ainda sob o efeito dos pólens da Vila Poema, lembro Camões e o seu

Desconserto do Mundo

Os bons eu vejo passar
No mundo graves tormentos
E para mais me espantar
Os maus vejo navegar
Num mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau! Mas fui castigado
Assim que só para mim
Anda o mundo consertado.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ainda Constância

Com o Orlando Duarte
A "linha da frente" com o Pinho, Ana Pereira, Ana Paula e António Pereira

Fotos de Joaquim Adelino

Todos nós temos as nossas corridas de eleição, as tais a que só fortes razões poderão impedir-nos de estar presentes. Constância passou a figurar no rol das minhas preferências logo que a conheci, há dois anos atrás. Ter a possibilidade de estar numa vila (ou cidade?) carregada de simbolismo onde tudo nos faz lembrar Camões; onde o Zêzere, depois de ter o seu percurso barrado e ficar à mercê da abertura generosa das comportas de Castelo do Bode, se lança no Tejo;onde as ruas pitorescas se embelezam de arcos e flores de papel colorido; onde os habitantes têm estampado no rosto o orgulho de uma tradição a preservar; onde, mesmo com chuva miudinha nos apetece estar... havia também Corrida!

Só que esta Corrida tinha pouco a ver com a distância e o tempo gasto em percorrê-la, como acontece nas outras.

Juntei-me a algumas dezenas de amigos e amigas e negámos o espaço por ser demasiado “terreno”; negámos o tempo, essa “medida” inventada pelo Homem que obriga a que tudo tenha de se fazer depressa ! Ao “comungarmos” o mesmo “dorsal” (pois os que nos foram dados pela Câmara, apenas tinham fins estatísticos) entrámos numa outra “dimensão” que nos permitiu estar com a “Estrela Azul”, o anjo visível que levávamos no peito e a que ninguém era indiferente. A “mensagem” chegava a todos.

Assim, no meio de seiscentos corredores, saímos do Jardim do Horto e lançámo-nos como que em busca da nascente do rio para, a dada altura, voltarmos ao ponto de partida.

Foram os 56 minutos “mais rápidos” de sempre, passados entre amigos e partilhando o mesmo sentimento de grande admiração pela Ana Paula Pinto.

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Depois, na agradável companhia do simpático casal José Brito e Otília, do Carlos Lopes e Joaquim Adelino, ainda almoçámos calmamente numa tenda à beira do rio, onde focámos interessantes temas relacionados, como não podia deixar de ser, com o treino. Este foi um dia muito marcante que recordarei por muito tempo.

sábado, 11 de abril de 2009

22º Grande Prémio da Páscoa - Constância








O Dia de hoje, passado em Constância, foi especial. Rodeei-me de gente amiga para participar numa Corrida que era muito mais que... uma corrida. Voltarei ao tema, mas agora gostaria de vos deixar algumas fotos.




quinta-feira, 9 de abril de 2009

22º Grande Prémio da Páscoa-Constância

Estátua de Camões -Constância


Decidi-me. Vou estar em Constância nesta Corrida da Páscoa! Faz dois anos que lá estive e fiquei encantado com esta Corrida (ver http://www.omundodacorrida.com/phpBB2/showthread.php?t=4142 ).
As mesmas razões seriam mais que suficientes para lá voltar. Mas algo mais me chama àquelas paragens : juntar-me a um grupo de amigos(as) e responder –embora tardiamente – a um apelo para participar numa homenagem.

Pessoalmente, apenas cumprimentei a Paula Pinto uma ou duas vezes .Conheço-a apenas – e não é pouco- pela bonita forma como escreve e transmite os seus sentimentos, assim se dando a conhecer. E sei também que é uma mulher de uma força tremenda. E, apesar de tudo, de fé.

Vou correr a Constância, onde repousa a sua filhota Margarete, que é agora a “Estrela Azul” que a guia. Pelas fotos que vi, uma jovem linda, com um ar misterioso, meigo, e decidido que a crueldade do destino (ou vontade divina ?) levou . Cedo de mais.

domingo, 5 de abril de 2009

27ª Corrida dos Sinos

Foto de Carlos V.Rodrigues
A chegada (Foto de José Gaspar -AMMA)
E... mais um para a colecção




Ia eu para me pôr a escrever um texto sobre a Prova, quando vi que na televisão estava a passar um filme com a Sandra Bulock. Como sou fã desta rapariga, fiquei “pregado” no sofá e lá tive de adiar a redacção.
Aqui vos deixo, então, umas palavrinhas sobre a 27ª Corrida dos Sinos, em que esta manhã, tive, mais uma vez, o gosto de participar.
Curiosamente, a primeira pessoa que vi à chegada a Mafra foi a nossa amiga Ana Pereira, acompanhada do seu pai, desta vez, na missão de repórter fotográfico. Depois, foi fazer tempo, à conversa com os colegas da equipa.
Muita coisa me terá escapado mas, numa avaliação muito genérica, a Prova esteve ao nível daquilo a que nos habituou, ou seja, a merecer uma boa nota. Não digo nota máxima, porque me pareceu existirem algumas falhas na entrega dos dorsais e no controle da partida. Mas isso são apenas permonores que comparados com o que de positivo esta Prova teve, são insignificâncias. Por isso, mais uma vez, estão de parabéns os Amigos de Atletismo de Mafra que, ao longo de todos estes anos, têm sabido chamar a si a espinhosa tarefa de organizar uma Prova de grande nível.
A partida foi dada ao sinal de um sino (fraquito...). Alguns atropelos iniciais, motivados pela intrusão de muitos corredores dos “Sininhos” na frente da corrida (lá está...). A grande “avalancha” encaminha-se para o centro da Vila, fazendo o retorno en frente do Convento cujos carrilhões, vá-se lá saber porquê – e tenho sempre de dizer isto - se silenciaram. Rumo a Norte, em direcção à Paz, Salgados, Sobreiro e Achada (novo retorno, aos 8km) e regresso ao Estádio Municipal sendo o último km percorrido dentro do Complexo e a chegada na pista de tartan ao som da banda de música e com a bancada replecta de gente que aplaudia .
Perto de mim chegou o nosso amigo António Almeida, estreante na Prova e com quem tive a oportunidade de trocar umas breves impressões. Depois de entregar o chip e receber o saco da praxe fui até à bancada para ver a finalização de quem tinha ficado atrás de mim. É interessante assistir à diversidade de atitude dos atletas : os que dão mais importância à “pose”, outros ao relógio, outros à conquista de uns lugares nos últimos metros.
Estava a decorrer a entrega dos prémios aos 3 primeiros classificados, quando me encaminhei para a saída, onde estive uns minutos a distrair o nosso Director, que captava a entrada triunfal no Complexo Desportivo Ministro dos Santos.
Quanto à minha participação, ainda vou comparar com registos anteriores, mas há anos que não fazia uma marca abaixo de 1,10! Fiz 1,07,47 (!) pelo que fiquei satisfeito com o meu desempenho, tanto mais que os treinos que tenho feito têm sido mais dirigidos para o tempo de corrida com vista à Maratona que me espera a 26 do corrente.
E já cá tenho mais um sino ...