quinta-feira, 30 de abril de 2009

A Corrida e as Fotos




Ao meu Amigo Orlando Duarte
(pela sua crónica na AMMA e no Mundo da Corrida, sobre a Corrida da Liberdade, em Lisboa)


Andava o grande “atleta - retratista”
Registando beleza em abundância,
Calcando o duro asfalto em negra “pista”
Ali juntinho ao rio de Constância
Em marcha a ré p’ra ter uma outra vista
(Sem, contudo, perder a elegância…)
Escorrega o pé! um esgar, uma careta
E eis o Orlando estendido na valeta.

Dias depois, o intenso cheiro a cravo
Atraía a Lisboa a multidão.
Celebrava-se o feito mais que bravo
Comandado pl’o jovem capitão.
Corria a Liberdade, o “Desagravo”
E o “repórter”, de máquina na mão,
Pretendia tirar muitos retratos
Aos que ao tal capitão estavam tão gratos.

Também aqui – maldade do destino -
Ficou ele arredado do sucesso
Quando num movimento repentino
Virou todo o seu plano do avesso:
O músculo doeu-lhe! E o desatino
Só o fazia ver na perna gesso.
Terminou na ambulância - e não a pé-
Mas… fotos a correr, p’ra si, “jamé”!

Com os desejos de rápidas melhoras.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Pausa

Enquanto espero por um bocadinho, para contar mais qualquer coisa sobre a Maratona de Madrid, gostava que "saboreassem" este texto.

É curtinho:

"A Felicidade exige Valentia"

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da Vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa

segunda-feira, 27 de abril de 2009

32ª Maratona de Madrid

O dia amanheceu cinzentão ! Estava encoberto, com períodos de chuvisco e um frio que não vinha nada a calhar. As previsões assim o diziam, mas eu, preferi acreditar naqueles dias primaveris das vésperas e... senti-me enganado pelo meu sentido de adivinhação com base nas aparências. É para ver se aprendo. Na maratona também as coisas acontecem assim.

Com um polo mais “descartável” sobre o meu equipamento (Açoreana Clube Banif) e em passo de aquecimento, eu e o meu amigo Faísca fomos para a zona de partida, onde chegámos cerca das 8,30. Fomo-nos chegando o mais possível para a linha de partida, até que, a compactação progressiva dos corredores, nos retirou a mobilidade por alguns minutos.

Sinto um “toque” nas minhas costas e ouvi uma voz conhecida que dizia : "marcação cerrada! " Era o nosso amigo Nuno Kabeça (acompanhado do Carlos Ferreira) que só um milagre (se calhar do Nuno Álvares Pereira, que ia ser canonizado neste dia,eheheh –“...O Nuno fero que fez ao rei e ao reino um tal serviço...) naquele mar de gente, e sem nada combinado, permitiu que saíssemos juntos.

Desta vez, e dadas as condições atmosféricas, não houve paraquedistas a saltar.

O speacker deseja boa prova a todos, ouviu-se um tiro e em marcha, pelo Passeo de la Castelhana acima, iniciava-se a 32ª Maratona Popular de Madrid, com perto de 10000 corredores (acho eu).

Cerca de um minuto e meio, foi o tempo que demorámos a iniciar a contagem no arco da “Salida”.

Cada um fica, então, entregue a si mesmo, correndo conforme o espaço que tem à sua frente, avaliando a reacção respiratória e a vontade de progressão “sustentada”. Nessa altura, andávamos ainda à procura do andamento. A chuva ia engrossando e as mãos e braços iam gelando. A partir dos 5km já ninguém me “estorvava” para ir mais depressa, a não ser eu próprio. O Faísca, que tinha um ritmo mais rápido que o meu, estava constantemente a olhar para trás e a abrandar , até que lhe disse para ir no ritmo dele, pois seria mau para os dois que ele continuasse naquelas mudanças de ritmo. E foi à sua vida. De facto – a menos que se vá fazer uma maratona mesmo na “desbunda”- é errado “copiar-se” o andamento dos outros. O nosso desempenho obedece a "cálculos", cujas “variáveis” são avaliadas por cada um a cada momento.
Parou de chover, ia perto dos 12km. Nessa altura alcanço o balão das 3,45! Sabendo eu que estava a andar entre 4,55 e 5,05 por km e que apenas tinha demorado minuto e meio a passar na linha de partida, havia qualquer coisa que não estava bem.

Cerca dos 16, alcanço o balão das 3,30 (eram dois, um “guiado” por uma rapariga e outro por um rapaz)! Um pelotão compacto reunia um grande número de candidatos àquele tempo. Como é que em 3 ou 4 km conseguia “anular” um déficite de 15 minutos no tempo final ? Bom...Pensei em aguentar-me ali, pois tratava-se de uma passada confortável e eu não deveria meter-me em aventuras.

Os corredores dos transportes públicos (que eram delimitados por um material plástico de côr azul e que “apareciam e desapareciam”) obrigavam a uma atenção redobrada por parte daqueles que corriam em pelotão compacto. Passámos nas Puertas del Sol onde os incentivos constantes do público se tornavam arrepiantes, o mesmo acontecendo frente ao Palácio Real.
A pouco e pouco reparei que o “bloco” das 3,30 se “dissipou” e os próprios balões estavam a atrasar-se, pois eu continuava a andar na casa dos 5 ‘/km. Cerca da Meia Maratona (1,43) percebi que havia razão para que o balão tivesse abrandado. Mas se eu me sentia bem, ia procurando manter-me no ritmo. Aos 22km avisto o João Hébil e fui-me aproximando dele. Talvez inconscientemente tenha acelerado para o “apanhar” e, como estávamos a descer e eu continuava bem, apenas o cumprimentei e segui no meu andamento, na esperança de me manter defendido da “crise”.
25 km- Tudo fino. 30km: igual; 37 km idem idem. Olhava para o relógio (atento apenas aos segundos para não estar a fazer muitas contas, pois tendo 5’/km como referência era fácil saber se estava em aceleração-pouco provável- se em quebra –muito mais provável.) e tudo me indicava que me estava a portar à altura. Olho para trás e não avisto o balão das 3,30!

“Devo estar a fazer uma prova do caneco!” – pensei eu !

38,5km : oiço um “vamos, senhor!ânimo!” Era a rapariga do balão!!!! Não foi propriamente um “susto” que apanhei. Foi pior! Aquele “efeito surpresa” arrasou-me psicologicamente, pois eu pensei que o malfadado balão tivesse ficado lá bem para trás.

“Travaram-se-me” as pernas e , mesmo sabendo que já estava a contornar o Parque do Retiro dos Jerónimos, onde estava instalada a meta (mas que é bem grande) não consegui ultrapassar este “baque”. Sabia que o que tinha a fazer era ir “aguentando o barco” até entrar no último km quase todo dentro do Parque e pensar que o ambiente daquela chegada far-me-ia esquecer estes 3 últimos km que são mesmo para esquecer (ou melhor, para lembrar!).
Tempo final líquido : 3,31,33 !
Depois, dão-nos a medalha, um resguardo de plástico para nos proteger do frio (e muito jeito me deu), sumos, cerveja, água, fruta . Desta vez não havia melancia, pelo que fui eu que fiquei com o “melão” eheh.

Há mais a dizer sobre esta Maratona, mas este apontamento já vai longo. Voltarei ao tema.

32ª Maratona de Madrid

"Coisa mai ' linda !!! "


Já está !


Eis o resultado:





Mais logo conto-vos como foi.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Entrevista


O nosso Amigo Vitor Dias, do site "Correr por Prazer" concedeu-me a honra de uma entrevista que colocou no seu excelente espaço. Aos que tiverem curiosidade em saber que questões me foram postas e que respostas eu terei dado, convido a darem uma "espreitadela" ao Correr por Prazer, um dos mais completos sites de Corrida que tenho visto.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

1ª Meia Maratona da Areia



No mesmo dia surgem duas meias!
Vejam o que na Corrida se produz:
Uma é disputada nas areias
Outra vai desde Sintra até Queluz.
Por ambas corre o sangue em minhas veias
Mas a mais “Raide like” me seduz.
Pelo ar, areia e mar …(coisa mai’rica!!!)
Irei, então, rumar à Caparica.

domingo, 19 de abril de 2009

Descanso





Fico chateado quando vejo que cheguei ao fim do dia, não fiz nada de especial e não me apeteceu ir correr! Já ontem não fui!Dois dias parado!? Precisamente aqueles em que a disponibilidade seria maior.Depois admiro-me...De hoje a oito é o dia D, mas tenho que me “mentalizar” que estes dois dias em branco fizeram parte da “estratégia”, se não estou feito e a estória repete-se porque o burro não aprende.