quarta-feira, 17 de junho de 2009

Comunicado de la Organización 100km/24h

Trago para post principal o que o João Hébil já tinha referido no seu comentário, pois entendo que pode contribuir para uma mais avalizada informação sobre o que se passou neste evento. Deixo-vos, pois, o Comunicado que a Organização enviou aos participantes , procurando justificar críticas de alguma gravidade, principalmente as relacionadas com abastecimentos deficientes.

La organización de los 100 km en 24 horas desea manifestar y exponer a todos los participantes de la prueba lo siguiente:
1.- Nunca hemos escondido las críticas que se hayan podido recibir y menos aún lo vamos a hacer en esta edición. En la puesta en marcha de este evento, pionero en España, no nos mueve el interés económico y sí un sentimiento de servicio absoluto a los participantes. Por ellos y para ellos, nos entregamos el personal de las revistas Corricolari y Airelibre -y un contratado y seleccionado grupo de voluntarios- varios días y noches.
2.- El posible error de previsión en las cantidades de agua enviadas a los 2 primeros puntos del recorrido -ya superiores a años anteriores- pudo venir motivado por la gran cantidad consumida por los participantes que llegaban en los primeros lugares y, sin duda, por las elevadísimas temperaturas que superaban incluso las anunciadas por la AEMET (36º-37º), cuando los 41º-42º fueron muy habituales en ciertos puntos. Era difícil trasladar más agua y más fría pues los tres vehículos todoterreno de la organización no dejaban de ayudar a la Cruz Roja y a Protección Civil AOR a recoger gente afectada por mareos, golpes de calor, vómitos, algún esguince... Participantes que en algunos casos manifestaban tal ansiedad, tales deseos de ser trasladados al polideportivo de Colmenar, que impedían realizar otras funciones.
3.- Hasta tres eran también los camiones frigoríficos existentes en la prueba para enfriar el agua y los zumos. Incluso una empresa traía hielo. Pero la prueba desde el primer momento daba a entender que estábamos ante una edición compleja y difícil. Superior incluso a la de 2002 cuando las temperaturas alcanzaron los 47º-48º. Lo pone absolutamente de manifiesto el número de participantes que finalizaron la prueba, solo 334 de los 1.070 que tomaron la salida, la cifra más baja de todas las quince ediciones de los 100 km en 24 horas. Probablemente en muchos casos consecuencia de esas elevadas temperaturas y en algún caso, quizá, consecuencia de esos fallos de abastecimiento o temperatura del agua. A nadie le duele más que a nosotros. Aceptamos y recogemos esas críticas. Tanto las que se hicieron elevadas de tono –muy pocas, una o dos-, como las que se hicieron con enorme corrección y respeto.
4.- Dar a conocer la complejidad organizativa de los 100 km en 24 horas sería muy largo, pero desde la atalaya que nos posibilita el conocimiento de casi todos los eventos deportivos, queremos deciros que estamos hablando por diversos motivos, del más complicado de todos. Camiones de traslados de material -este año con la ausencia del Ejército-, furgonetas, todoterrenos, personal médico, autobuses de recogida de retirados, habilitación de polideportivos –este año también con ese pequeño espacio en San Sebastián de los Reyes-, marcaje de recorrido (y remarcaje, pues son quitadas numerosas señales), y mil vicisitudes diversas son tenidas en cuenta. Intentamos dar solución a todas las necesidades que pueda requerir el participante, pero eso no exime de algunos fallos de previsión que podamos tener como ha sucedido en la edición de 2009. Pedimos nuestras disculpas a quienes puedan haberse visto afectados. Pero también queremos comunicar que hemos recibido numerosos correos de agradecimiento y felicitación que nos hacen felices, pero que no evitan el “manifiesto” sentimiento de insatisfacción que nos ha dejado ese pequeño fallo de abastecimiento de agua en dos puntos y su elevada temperatura.
5.- Gracias a todos por vuestra presencia en la prueba. Ánimo a quienes no pudieron completarla y enhorabuena a quienes consiguieron finalizarla. En la página web de corricolari (http://www.corricolari.es/), así como en las ediciones de papel de corricolari y AireLibre, publicaremos la relación de llegados a meta y el reportaje fotográfico de la prueba.


AireLibre - Corricolari

terça-feira, 16 de junho de 2009

100Km/24h - II



A água já não me satisfazia, pois continuava a sentir o estômago vazio. A temperatura (vim a saber que rondava os 40º!) potenciava a minha “desgraça” e ia ficando fragilizado. Cada vez mais se ia apoderando de mim a ideia negra de que se ainda não tinha um terço da prova feita e já estava assim, como é que poderia completá-la ?! O João bem que tentava fazer-me pensar de outra forma : -“bolas, não penses no que falta. Pensa em chegar a Colmenar (38Km) e aí, comemos, descansamos um bocadinho e depois logo se vê a etapa seguinte!”. Eu sabia que ele tinha razão e tentei seguir os eu conselho. O percurso agora era plano e até descia ligeiramente. Reiniciámos o passo de corrida, que durou apenas um ou dois km. Mesmo a descer, já tinha de ir a andar ! “Ná… isto não pode ser só psicológico!” – pensava eu, pois nunca me tinha visto numa situação daquelas, sem força nas pernas. Passámos por um charco, de onde saía um atleta que se tinha ido refrescar. Eu também tinha de lá ir. Achava que não me podia molhar por receio de que a água retirasse o protector e a pele ficasse vulnerável ao mais que certo escaldão. Desço e encharco o chapéu, voltando a pô-lo na cabeça para “refrescar as ideias”. Aceito a ajuda de um corredor que passava, que me estende a mão para subir a rampa e retomo a marcha. Faço uma tentativa de compreensão (pelo menos teórica) do que se estaria a passar comigo : -nunca tinha corrido (ou caminhado) debaixo de 40º; a altitude andaria pelos 8oom, logo o ar estaria mais rarefeito e ao mesmo volume corresponderia menos oxigénio; as perdas da transpiração não poderiam ser repostas apenas com água, pois os sais (sódio, principalmente) também precisaria ser reposto, ou a hiponatrémia iria a fazer das suas; comecei a ficar desapontado por levar comigo uma bolsa sem que nela houvesse alguma coisa que pudesse valer-me! Tudo isto enquanto caminhava, ouvindo o que o João, paciente, me ia dizendo. Lá está outra tenda : Água e glicosport. O João, no seu castelhano perfeito, pergunta à rapariga se tinha um pouco de sal. Resposta :”- quê? Sal? Si pero em mi casa !” . Um atleta, faz-me o gesto para lamber os braços e eu até já me tinha lembrado disso, não fora a camada de protector com que cobria a pele exposta. Não dava. Afasto-me um pouco, nauseado, e “esvazio” a água que tinha no estômago. A sensação de náusea desapareceu, mas não sentia melhoria na condição. Agora, seguia-se um troço ao longo da linha do comboio. Interminável. Digo para o João que assim que encontrasse uma sombra iria sentar-me um bocadinho a ver se reanimava. Lá estava uma! Sentei-me um bocadinho numa pedra e ia-mos vendo os outros a passarem, caminhando num ritmo certo, de fazer inveja. Já ninguém passava a correr. Estar à sombra ou não era quase a mesma coisa pois a temperatura era igual, só que não recebia o sol directo. Talvez dez minutos depois, retomámos a marcha. Nesta altura já o João se conforma que, naquelas condições, era melhor interromper a prova e pergunta-me se queria que chamasse o socorro. Disse que não, que iríamos prosseguindo lentamente até ao próximo abastecimento. Este correspondia ao primeiro que tínhamos encontrado, pois uma vez saídos da linha do comboio, voltámos a percorrer o mesmo caminho do início. Água e havia também umas barras de cereais. Tentei comer uma, mas… “veio fora” , pois o estômago não aguentava nada. Sentei-me. Tinha percorrido cerca de 33Km! Olhei para o relógio do telemóvel, que marcava 4,30h de prova. O João disse-me para esperar ali, que ele iria buscar o carro (que estava a cerca de 5 km dali) e arrancou a correr (via-se que estava bastante bem). E fiquei ali sentado a “vê-los passar”. Alguns metiam-se comigo. Percebia as piadas de uns, de outros não, mas retribuía com um sorriso e um sinal de “que se tinham acabado as pilhas”.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

100Km/24h - I






O João na fila dos dorsais




As distâncias vão deixando de ser míticas à medida que vão sendo conquistadas. Os mitos vão caindo e cada vez mais um “cidadão” sem atributos especiais, sente que poderá também “derrubar um mito”.
Fui surpreendido durante a Meia Maratona da Areia, pelo convite do nosso amigo João Hébil para participar numa iniciativa com 15 anos, da Revista Corricolari, denominado 100km/24Horas, nos arredores de Madrid, em que não se fala de “corrida” mas sim de um “passeio” em que é dado o tempo limite de 24h.
Enchi-me de coragem e... aceitei o desafio e na véspera lá fui eu até à capital espanhola, onde, em consequência de um atraso do voo, cheguei por volta da meia noite, estando o João à minha espera.
No dia, por volta das 10h da manhã, fomos levantar os dorsais a Colmenar Viejos “quartel general” da prova. Voltámos a casa do João para nos equiparmos e trazermos as mochilas destinadas a ficarem nos pontos- chave da prova (Colmenar -38Km; Três Cantos-53; S.Sebastian de los Reyes -78). A temperatura já prometia e à medida que se aproximavam as 12h, mais “respeito” o calor nos metia! Protector solar bem aplicado (Factor 50) para ver se resistíamos à radiação violenta.
Concentram-se os mais de mil participantes no campo de futebol com relva sintética e é dado o tiro da partida à hora marcada. Ninguém tinha grandes pressas. Meia volta ao campo e saímos, tendo em mente só voltarmos ali na passagem aos 38km. O andamento era muito suave, talvez 6,30/km nos primeiros 2 ou 3 km fazendo parte dos planos caminhar sempre que o percurso se apresentasse a subir. À nossa frente, em fundo, a Serra. Era para lá que nos encaminhávamos, se bem que soubéssemos que não tínhamos de a subir. Bonita a paisagem e o perfume das alfazemas e de outras plantas aromáticas que ladeavam os caminhos, convidavam-nos a percorrê-los. Fomos tirando umas fotos e lá aparece uma primeira tenda com água fresquinha. Nessa altura estaríamos posicionados, talvez no top 40, mas gostaria de salientar que não íamos em esforço. É certo que não levávamos relógio, precisamente para não sermos influenciados pelo tempo que estávamos a fazer, mas como os km também não estavam marcados, nem os abastecimentos estavam distribuídos com rigor, até teria feito jeito, mas...
O sol ia aquecendo e rapidamente a garrafa de água fresquinha (retirada de bidons com gelo) aquecia. Quando apareceu a 2ª tenda, já fizemos “uma festa” muito maior pois o desejo era mais intenso.Os Caminhos de Santiago “passavam” por ali, pois vimos um marco (634Km).










Descrevemos um arco para a direita subindo ligeiramente e, depois uma descida abrupta até ao vale de Manzanares, onde havia gente à sombrinha, num parque de merendas de fazer inveja. E nós, ressequidos, tínhamos de prosseguir, agora subindo a passo e avistando ao longe a albufeira.
O desejo de água começava a tornar-me impaciente e não havia alternativa a não ser caminhar ao sol. Só de longe em longe se sentia uma brisa fraquinha, mas quando vinha sabia tãoooo bem! No topo lá estava mais uma tenda!

Já tive que me beliscar para me certificar que não era miragem. Para além de água, aqui havia glucosport.Agora fizemos uma curta paragem e tirámos mais umas fotos, até ganhar ânimo para novo troço. Junta-se a nós um jovem de Burgos que no ano passado tinha abandonado aos 78km, tentando este ano, fazer toda a prova. Deixou-se ficar para trás, mas dali a uns 3 ou 4km passou por nós e não conseguimos (eu é que não conseguia!)acompanhá-lo. O João ia-me dizendo que agora iríamos ver os que ainda vinham em sentido contrário, pois iríamos utilizar um troço comum do percurso, e isso iria dar-nos algum alento! Passámos por uma outra tenda (esta ainda muito próxima da anterior) . Mais água. E eu a lembrar-me da mochila que tinha aos 38 e que tanta falta me estava a fazer...

.../...

100Km/24h - "O Fiasco"

Indo directo ao assunto, meus amigos, FALHEI!
Já arranjei, até, justificação para o insucesso materializado no abandono da Prova, aos 33km.
Lembrei-me dos vossos incentivos e procurei aplicá-los quando as forças me começavam a faltar; lembrei-me do meu "historial" que não incluía qualquer desistência; procurei os pensamentos positivos; deixei-me conduzir pelo ânimo que sempre me foi incutido pelo meu amigo e grande companheiro de jornada João Hébil, até onde pude. Custou-me "arrastá-lo" comigo à desistência quando sabia que ele se sentia bem para continuar. Um abandono solidário que não me pode deixar indiferente.

O relato mais pormenorizado virá a seguir.

Por agora, deixo-vos apenas algumas fotos. Mas tenho mais algumas





A firmeza que à prancha o segurou,
Conforme disse, referindo a vaga,
Mais cedo que o previsto se esgotou
Dando um final à prometida saga.
A fortuna com que sempre contou
Veio dar lugar a uma tarde aziaga.
A musa antiga… enfim, ainda canta
Que um feito assim tamanho…era “garganta” !

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pausa



Queridos amigos e amigas, estou de partida! Vou “desligar as luzes deste palco” por uns dias e espero voltar carregado de novas emoções. Penosas, de certeza, mas espero que enriquecedoras e que gostaria de vos transmitir. Assim não me faltem as pernas nem me faleça o engenho. Agradeço-vos todo o apoio que aqui me deram, o que é determinante para ganhar esta aposta. Bem hajam.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A Vaga




Pela vaga dos ultras fui varrido,
Quando em águas serenas chapinhava,
Colei-me à prancha, firme e decidido
Arrastado p‘la força que chegava.
Não sei onde vou dar e, já esquecido
Do que a antiga musa nos cantava
Só espero aqui voltar após os cem
Com estórias que não lembram a ninguém.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A grande aventura


Tenho estado em “reflexão”! Não aquela em que sossegámos após 15 dias em que os vendedores de soluções para a crise nos bateram incessantemente à porta. Cada um comprou a quem quis, certo de que não comprou o artigo ideal, mas pelo menos, o que lhe pareceu menos mau.
Mas isto é outra conversa. A minha “reflexão” dizia respeito a mim mesmo e à avaliação da minha actual performance para me abalançar a um desafio que assusta muito boa gente.
Não se trata de uma competição – e isso já é bastante tranquilizador – mas trata-se de efectuar um determinado percurso num determinado espaço de tempo. Com controlo, mas sem classificação! Tal condição favorece a que não haja excessos por parte de ninguém.
Farei dupla com o João Hébil (ou tripla se o Xavier se juntar a nós) . Vai ser no próximo Sábado, em Madrid, numa organização da Revista Corricolari. Vou dispôr de 24h para percorrer 100 km !Às 12h terá início este longo passeio que será a minha maior aventura pedestre de todos os tempos. Procurarei sorvê-la o mais que puder e depois... contar aqui, tal como fez o João Hébil a propósito da edição de 2008. Veremos como saio desta.