segunda-feira, 6 de julho de 2009

U.M.A. 2009

Hoje à tarde, nas Docas (Tertúlia do Tejo), em Lisboa foi feita a apresentação à imprensa do Raide, ou seja, da UMA 2009, numa iniciativa da Câmara Municipal de Grândola, que se aplaude.

Na mesa estavam presentes o Senhor Presidente da Câmara, Carlos Beato, o Senhor Vereador do Pelouro do Desporto, Aníbal Cordeiro, o ultramaratonista Hélder Ferreira e o grande campeão olímpico, Carlos Lopes, que este ano, apadrinha a Prova.

Na assistência, diversos jornalistas e convidados.

Visionado o filme da última edição, o Senhor Presidente da Câmara enalteceu a importância desta Prova como veículo de promoção turística do litoral de Grândola, pois, segundo referiu, este encontra-se entre as 3 maiores areais do Mundo, depois da Califórnia e África do Sul.

Sendo também única no País, esta Prova tem todos as condições para captar o turismo desportivo, aliando as lindas paisagens à excelente gastronomia da região. Para se conseguir esse objectivo, era muito importante o papel de todos na sua divulgação além-fronteiras. O facto de "terem dado um saltinho" de Grândola até Lisboa para fazerem este encontro, já era um sinal deste propósito.

O Senhor Vereador sublinhou a importância da prova para o Concelho, acreditando que muito em breve iria ser alcançado o número de 400 ou 500 participantes, enaltecendo o excelente trabalho que os técnicos e colaboradores ligados à Divisão de Desporto e também o de muitos voluntários que esta Prova implica, têm vindo a fazer. Falou também da polémica alteração do nome, de Raide Pedestre para Ultra Maratona Atlântica, pois, compreendendo embora que pudesse não ter caído bem esta mudança, entenderam necessário ligar o nome da Prova ao Oceano Atlântico, pois o novo nome identificaria melhor a sua localização.

Helder Ferreira disse que só em 2008 conheceu esta Prova, depois de ter participado na Marathon des Sables (em que foi considerado atleta revelação) e ficou encantado com o percurso que considerou difícil, dada a inclinação que tem, mas como os ultramaratonistas são "um bocadinho masoquistas" acabam por transfomar essa dificuldade num enorme prazer. Acha que se deve mesmo apostar mais na divulgação, pois, como disse, já são várias edições e só há pouco é que soube da sua existência. Ficou encantado com a sua participação, não só pela beleza do percurso mas por observar a forma empenhada como as pessoas se envolviam na organização. Por outro lado, ao correr na praia tem-se sempre público o que raramente acontece nas corridas de estrada. Concluíu, agradecendo à Câmara o convite que lhe formulou para estar presente nesta apresentação, louvando-a pela iniciativa e deixando o apelo a todos os atletas que, mesmo que não estejam preparados para fazerem a Prova, vão, pelo menos, vê-la.

Finalmente, Carlos Lopes lembrou que já tinha assistido ao Melides-Troia, se bem que de forma discreta, e inteirou-se da dificuldade do piso, pois para se fazer uma prova destas (em areia e ainda por cima inclinada) implica fazer-se uma preparação em terreno idêntico. Lembrou o importante papel que cabe à comunicação social na divulgação, pois a bonita costa alentejana é algo que se deve dar a conhecer ao mundo inteiro e o trabalho que a Câmara tem feito nesse sentido, bem o merece.

Dada a palavra aos presentes, houve quem tivesse perguntado o porquê do sentido da Prova ser sempre Melides-Tróia, quando lhe parecia que o inverso (como chegou a ser feito nas primeiras edições) teria mais impacto na opinião pública e haveria um maior envolvimento da população de Melides.

O Senhor Vereador disse que a Câmara sempre tem sido aberta às boas sugestões e não excluía que isso viesse a acontecer. Até agora não podia ser porque a Praia de Melides estava a ser requalificada, o que estaria prestes a concluir-se. Porém, embora Tróia tenha um outro mediatismo enquanto lugar turístico, se se chegasse à conclusão que, tecnicamente seria melhor para todos, não veria qualquer problema em inverter o sentido da corrida.

O atleta Joaquim Antunes (grande Antunes!) lembrou que já fez a prova Troia-Melides 3 vezes e a verdade é que se torna muito mais difícil, pois a chegada na Melides, quando a fadiga dos atletas já é mais notória, a areia solta constitui um obstáculo muito difícil de ultrapassar. Se a areia solta estiver no início da prova, tudo se torna mais fácil.

Por último, o Senhor Presidente agradeceu a presença de todos, contando que no dia 26 de Julho se registe mais uma jornada de grande sucesso.

Não tenho dúvidas que vai ser!


quarta-feira, 1 de julho de 2009

RAIDE Melides-Troia 2009


Aí está o mês de Julho, o mês do RAIDE. Há quem se assuste com o nome, como as melgas em relação ao “venenoso spray”. Talvez por isso lhe tivessem “adocicado” o nome. Agora é UMA! Mas os seus encantos e as suas dificuldades permanecem iguaizinhos, chamando por nós.
E pergunto eu a todos os que gostam de correr (ou caminhar); que gostam do mar e de aventura : - Que receais ?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Peniche-Porto e a questão das datas sobrepostas

Ninguém me encomendou o sermão, mas acho que é importante que se fale das razões que terão levado a que, este ano, a Corrida das Festas da Cidade do Porto, se tivesse arrastado uma semana e, fatalmente, sobrepor-se à Corrida das Fogueiras em Peniche.
Tal situação obrigou a que os “habitués” de ambas as provas, se vissem obrigados a optar.
Não tendo feito uma comparação com os resultados do ano transacto, numa apreciação um bocadinho “ a olho” talvez possa concluir que a mais prejudicada tenha sido a Corrida do Porto, pois a de Peniche apresentou um acréscimo considerável de participantes.
A realização em Leiria do Campeonato da Europa de Selecções, na data que, por tradição, corresponderia à Corrida do Porto, obrigou a que a Organização tivesse de repensar a data.
Sendo certo que, se para a esmagadora maioria dos atletas, esse factor não teria a menor importância (pois uma coisa é a alta competição e outra são as corridas populares) há um outro factor que deve ser ponderado, em termos de Organização. É que a realização de uma grande competição internacional como é o caso dos Campeonatos referidos, absorveria a atenção dos órgãos de comunicação social e todo o mediatismo recairia sobre esse evento, deixando para um plano muito secundário a Corrida das Festas. Como se sabe, toda a Organização assume a responsabilidade de dar toda a visibilidade possível às marcas que a patrocinam. Obscurecê-las poderia fazer perigar colaborações futuras.
Há quem possa pensar que o adiamento da Prova terá sido demasiado penalizador e que talvez se pudesse manter a data, apelando à compreensão dos patrocinadores para uma eventual “quebra” mediática. De uma coisa tenho a certeza: a Organização ponderou seriamente os prós e os contras e, à luz dos critérios que lhe pareceram os que menos prejudicariam a Corrida, tomou a sua decisão. O resultado foi o que se viu: ainda que tenha tido menos alguns atletas, foi grande a competição nas posições cimeiras e todos os participantes se sentiram satisfeitos por lá terem estado.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

10ª Corrida das Festas da Cidade do Porto

Atrás da máquina, estava "escondido" o meu amigo Margarido. Reconheci-o

Já no regresso




(fotos de Joaquim Margarido)

Um dia, fez agora 4 anos, houve alguém que me contactou pelo telefone, dizendo que, no âmbito do programa da Corrida das Festas da Cidade do Porto, iria promover um debate a que foi dado o nome de “Falar de Atletismo”, convidando-me para apresentar um tema! Ao mesmo tempo que me senti bastante satisfeito pelo convite, senti-me também assustado, pois pelos meus 30 anos de carreira de corredor de pelotão, tão comum e anónimo como qualquer outro, nunca poderia eu vir a esperar tão honroso convite. Iria eu falar de quê? A que propósito? Eu que não tenho formação técnica para abordar a modalidade; eu que não tenho informação sobre os novos valores que vão despontando para o atletismo; eu que apenas gosto da corrida enquanto prática saudável de exercício físico… iria falar de quê? Certamente estariam a convidar-me tomando-me por quem não era e o resultado poderia ser desastroso, pensei eu.
Tal convite estava-me a ser dirigido por Jorge Teixeira, que de mim apenas conhecia alguns textos colocados na net. Falar de quê? Era a pergunta que me martelava o pensamento face à insistência convicta do Jorge, em integrar uma mesa composta por entidades – essas sim, conhecedoras da modalidade.
Deixei-me convencer. Afinal, 30 anos de entrega a uma modalidade, ainda que numa perspectiva de quase não competição; em que se participa nas provas sem a preocupação das lutas que se passam lá na frente; em que o grande prémio está em tomar parte do “cenário” em que se desenrolam as corridas… se fosse para falar disto, talvez conseguisse dizer alguma coisa, ainda que não passassem de trivialidades.
O tema a abordar era “Que papel, que mensagem nos podem dar os últimos das corridas?” Gostei e acabei por aceitar.
Obrigado amigo Jorge por ter acreditado em mim.
Se descobrir onde tenho o texto que fiz para o efeito, hei-de relembrá-lo aqui.

Falei nisto porque foi a partir dessa altura que conheci a Corrida das Festas da Cidade do Porto, uma das melhores Corridas do País. 15 Km que serão “engolidos” pela Maratona do Porto e com que se pode “ensaiar” o seu percurso, “cheirando” os 42,195, que proporcionam um prazer quase a triplicar. Correr na margem direita do Douro (na Maratona, também se corre pela esquerda) e na Foz, permite-nos praticar o desporto que gostamos em paisagens de rara beleza. (Que “inveja” me fazem aqueles que ali podem treinar diariamente!).

A Prova. Pus-me na conversa com antigos atletas (Elísio Rios e João da Benta) e, quando dei por mim estava na hora da partida. Nem fiz aquecimento nenhum, pois era tempo de nos posicionar-mos. Encontrei aí o Miguel Paiva ao lado dos grandes craques-homens e das grandes craques-senhoras. O desejo de uma boa prova e… em marcha estava a 10ª Corrida Edp Gás Festas da Cidade.
Quando se parte na frente, somos impelidos a correr rápido, como que “disparados” para não causar atropelos aos mais velozes e, à medida que vamos tomando consciência de que não temos “pedalada” para aquilo, vamos encostando e procurando um ritmo mais ao jeito. Assim foi. Depois de um primeiro km em 4,00’ tinha de abrandar, pois sabia que não deveria apontar para um tempo muito inferior a 1,10H. Passo aos 5km com 22,15, com a consciência de que nos 2/3 que faltavam, o andamento iria sofrer alguma quebra. Retorno, 10Km : 45,30 ! Final,15Km 1,08,20. Nada mau.
Durante a corrida, tive a satisfação de rever o grande amigo Joaquim Margarido, que me brindou com algumas fotos, de me cruzar com o José Capela e com o José Alberto . Nos últimos 4km fui alcançado pelo João Meixedo ( finalmente, deu para trocarmos algumas palavras -poucas! e de ter partilhado consigo os últimos 3 ou 4km ).

Enquanto grande festa desportiva não ouvi qualquer crítica ao evento (críticas negativas, bem entendido, pois positivas foram todas), que, como se sabe, está a cargo de uma organização que tem a “máquina muito bem oleada”. Os problemas que vim a saber terem existido só aconteceram nas classificações dos veteranos. Lastimo que continue a haver pessoas que, por negligência certamente, utilizem dorsais de outros atletas (veteranos) e terminem a prova nos lugares premiados. É que, mesmo que não tencionem levantar o prémio, colocam a organização perante um problema complicado, em termos de classificações. Enquanto houver falta de ética da parte de certos “atletas”, não pode esperar-se que uma organização, por mais competente que seja, apresente resultados perfeitos. Pelas mesmas razões, a tendência acabará por ser a extinção dos prémios para veteranos (que também é injusta) ou, pelo menos, que estes deixem de poder usufruir da cerimónia do pódium, contentando-se com uma classificação provisória por um período que possibilite o esclarecimento de todos os equívocos e só depois receberem os prémios legitimamente conquistados.
O que pode parecer um gesto banal ( e até solidário) para um atleta que dá o dorsal de um amigo que não veio, pode ser uma fonte de problemas para a organização e de injustiça para os outros atletas. Em suma, o que se precisa é que cada um cumpra o seu papel no sucesso das provas.

Gostaria ainda de realçar que também as camadas jovens foram contempladas na tarde de sábado, com diversas corridas por escalões, na “EDP Gás Mini Campeões” onde muita miudagem praticou a corrida e se habilitou às várias bicicletas sorteadas.

Uma palavra ainda para a inclusão na Corrida principal (e pela primeira vez) da categoria de “Cadeira de Rodas” para quem, infelizmente, o troço de empedrado, trouxe dificuldades acrescidas.

De parabéns está, mais uma vez, a RunPorto.com por mais esta excelente jornada de atletismo na Invicta.

domingo, 28 de junho de 2009

Corrida das Festas da Cidade do Porto


Em cumprimento dos "desígnios" anunciados no último post, estive hoje nas Corrida das Festas da Cidade do Porto, cidade que sinto acolher-me de braços abertos, onde já tenho muitos amigos ligados à Corrida e para onde tenho sempre uma grande vontade de voltar.
Encontrei lá vários amigos da blogosfera e, nesses encontros, mesmo fugazes que sejam, consegue-se tornar mais real o conhecimento que temos uns dos outros. Um simples cumprimento enquanto nos cruzamos na corrida, deixa-nos felizes. Uma "magia" que talvez se consiga explicar, mas não eu.
Da Corrida falarei no próximo texto, mas sempre adianto que fiz o tempo de 1.08.20.
Mas acabei, eheheh.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Balança






Servi-me da balança para tomar uma decisão que dantes nunca tive de tomar. A Corrida das Fogueiras é uma das clássicas em que estive presente mais vezes (mais de 20) e sempre me deixou as melhores impressões e vontade de voltar. A sua especificidade, a sua mística nocturna que as fogueiras ajudam a intensificar, mais o enorme calor popular que ali se sente (para não falar da sardinhada para os atletas e acompanhantes, pois não seria por aí que eu lhe seria mais fiel) cativam-nos .
Em 2005, pelo S. João, mais a Norte conheci a Corrida das Festas da Cidade do Porto e, deixem-me que vos diga, fiquei seu fã! Tomei contacto com uma nova dinâmica organizativa que mobiliza milhares de corredores, onde a hospitalidade, a alegria e simpatia das pessoas muito me sensibilizaram e justificam um registo gravado a ouro no meu "caderno de apreciações". E a Cidade do Porto é a Cidade do Porto, onde se respira o encanto das paisagens e da história.
Este ano, por razões que lamento, mas que compreendo, a Corrida das Festas da Cidade atrasou uma semana indo "colidir" com a das Fogueiras! Tal facto, obrigou a que muitos (e eu sou um deles) tivessem que tomar a sua opção.
Optei pelo Porto. Porquê ? Porque gostando de ambas, mesmo que não voltasse a correr em Peniche, a minha "provável longevidade desportiva" não me permitirá fazer a Corrida das Festas tantas vezes quantas as vezes que fiz a das Fogueiras.
Uma e outra constituem excelentes exemplos de como bem tratar a Corrida, pelo que a ambas desejo o maior sucesso.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O mostrengo dos 100


O mostrengo que estava em Colmenar
Na tarde escaldante pôs-se a pairar
Avisando todos mais de três vezes
Que mais de três vezes os faria parar;
E disse : -“ Quem é que ousou percorrer
Estes meus caminhos, que não desvendo?!
Aqui tão perto da Bola do Mundo!?!?”
E o homem do blogue disse tremendo:
-Aventureiros, monstro vagabundo!

- De quem são as pernas que pr’aqui vejo?
- Quanta é a afronta em vosso desejo?
Disse o mostrengo e rodou três vezes
Depois de soltar um enorme bocejo.
- Quem vem correr onde só eu corro?
E onde esperavam que eu dormisse
Nas longes terras que aqui circundo?
E o homem do blogue tremeu e disse:
-Aventureiros, monstro vagabundo.

Três vezes à bolsa a mão meteu
Muito mais de três, água bebeu
E disse no fim de correr 6 léguas
- Já estou arrumado! Tens razão, oh meu!
Q’ria muito vencer o espaço teu
Mas mais que o desejo da minha alma grogue,
De te derrotar, monstro vagabundo,
Manda a vontade que é lema do blogue:
Saúde em primeiro, Desporto em segundo .
e pronto, já "avacalhei" mais um clássico, mas isto andava-me cá atravessado...