sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

2 anos de "cidadania"




Completam-se dois anos de existência
Ao “cidadão” que, às vezes, corre e escreve
A quem vai escasseando a paciência
E corre e escreve menos do que deve.
Será isso sinal de decadência ?
Ou crise que se espera seja breve
Para, depois, liberto de “grilhões”
“Dar voz” às pernas e às emoções.

Os que aqui me acompanham são credores
De toda a minha estima e amizade
Pois sendo quase todos corredores
“Padecem” da mesma animosidade
Que eu, “cidadão”, perdido de amores
Por tão simples e sã modalidade.
A todos vós eu ergo a minha taça
Por contar dois “anitos”, mas…sem “massa”.


Caros Amigos

Mais de 32 mil visitas nestes dois anos - mesmo com longos períodos de ausência - é um número que muito me apraz registar. Muito obrigado a todos os que me têm aturado. Grande Abraço.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

26ª Maraton Ciudad de Sevilla


A minha 11ª medalha sevilhana

Com os companheiro(as) de viagem de O Mundo da Corrida

Com os amigos Jorge Pereira, Herculano Araújo e Ricardo Diez , na Plaza Maria Luiza.
Foi neste local que, em 1995, terminei a minha 1ª participação nesta prova
EU EM
SEVILHA

1995 - 3,07,16
2000 - 3,25,07
2001 - 3,24,41
2002 - 3,22,25
2003 - 3,28,54
2004 - 3,27,43
2005 - 3,22,36
2006 - 3,16,46
2007 - 3,33,00
2009 - 3,46,04
2010 - 3,43,41


O tempo estava gelado (2 ou 3º). Saio do autocarro, saco com roupa para trocar depois da prova e, corricando, encaminho-me para o interior do Estádio, através do túnel onde estavam, aqui e ali, aquecedores a gás, para tornar a temperatura suportável quer aos atletas, quer aos muitos elementos da organização que ali tinham de permanecer nas suas posições funcionais. Ainda era cedo. Faltava uma hora para a prova e “doía o coração” tirar a roupita para pôr no saco. Na espaçosa zona de acesso aos balneários estava mais quentinho e era ali que o pessoal se ia juntando mais e se iniciavam os primeiros sinais de aquecimento dinâmico. Lá teria que ser : tirei o fato de treino (que meti no saco) e, rapidamente me dirigi à fila correspondente ao meu dorsal e o dei a guardar. Agora era esperar. Fui até à zona de partida, para testar o ambiente. Brrrrrrrrrr!!!! Estava mesmo “briol”. Os quenianos (e as quenianas) – se calhar até eram etíopes (!) - ainda com os fatos de treino, lá andavam a “ensaiar” ritmos. Vários sanitários dispostos em volta da pista, na zona de partida, possibilitavam que ninguém partisse aflito ou que, à semelhança do que cheguei a ver em edições anteriores, chegassem a “aliviar” contra os painéis publicitários dispostos em redor. Dei três ou quatro voltinhas na zona onde era possível correr (pois o troço da pista entre o pórtico de partida e o de chegada estava vedado), mas achei melhor regressar lá para dentro, mais um bocadinho para fazer tempo. Nunca chego a perceber bem porque é que tenho as coisas nas mochila (prevendo o frio ou chuva) e não as uso. Tinha lá um gorro, tinha lá umas luvas, tinha lá um resguardo em plástico da revista Corricolari e eu, com frio na cabeça, com frio nas mãos e nos braços. E já não dava para ir buscá-los.
Aproximo-me da linha de partida, onde já se começava a aglomerar gente. Não é que quisesse sair muito na frente, mas porque junto às pessoas é que estava mais “calor humano”. Estava lá eu, o Zé Magro, o Ricardo Diez, o Carlos Fonseca e o Jorge Pereira e “conferenciámos” alguns minutos antes da saída. O speaker, contrariamente ao que é habitual, em que vai pondo um entusiasmo crescente à medida que se aproxima a hora, sem se perceber bem porquê, calou-se (se calhar, alguma avaria no som). Já se começavam a ouvir alguns assobios dos mais impacientes, quando, subitamente, se ouve o tiro e, não fossem os aplausos e incentivos do público, teria sido uma partida “silenciosa”. Com toda a franqueza, decepcionou-me um bocadinho esta partida com “pouco sabor”.
A saída do estádio é sempre um momento alto, que nos emociona, ao fazer-nos tomar consciência de sermos um simples elemento daquela gigantesca coluna humana disposta a enfrentar o frio e os 42km de asfalto na bonita cidade de Sevilha.
Corri sem relógio. Se há vezes em que acho que faço bem, desta, achei que fiz mal.
Arranquei com um único pensamento: manter sempre uma passada confortável, sem qualquer objectivo, em termos de marca. O que for está bem, desde que acabe bem!
Rapidamente perdi de vista os meus companheiros mas, em boa verdade, não estava nos meus planos ir na passada de algum deles. A maratona, cada vez mais me convenço, por mais participada que seja, é uma prova solitária, em que cada um assume o compromisso consigo mesmo, de gerir a sua performance física e psicológica, ao longo de todos aqueles quilómetros e de todo aquele tempo de esforço, sem se deixar “contaminar” pela dos outros, por mais amigos que sejam. A passada tinha que ser confortável. A dúvida estava em distinguir entre a passada “confortável” e a “preguiçosa”, mas isso, lá mais para o fim da prova, descobrir-se-ia.
Ainda antes do primeiro retorno (antes dos 3km) aproximo-me e cumprimento o Luís Pires, do Porto Runners, grande maratonista e ultramaratonista, que tinha deixado os seus colegas de equipa lá para trás. Sem dar conta, deixei-o para trás e comecei a pensar que estava a exagerar, pois sabia que o Luís é muito regular no seu ritmo. Era melhor abrandar. Cerca dos 10km lá passa o Luís, perguntou-me se estava tudo bem (pois notara uma quebra no meu andamento) e afastou-se. Voltei a “apanhá-lo” e, entre os 14km e a Meia Maratona, fomos juntos. 1,43m! Era “muita fruta” para a preparação que eu tinha.
Aparece um outro jovem do Porto Runners e levou com ele o Luís, tendo eu “desligado” para evitar quebras abruptas. Sinto um toque nas costas. Era o Vítor Dias, que vinha acompanhado do Faísca, em bom ritmo, que me fazia uma certa “inveja” mas ao qual eu não conseguia responder. Bom… depois, foi a vê-los passar, mas eu ia resistindo à tentação de me pôr a passo. Não me doía nada, mas…
Durante a prova quase não bebi água nos abastecimentos. A temperatura não fazia transpirar. Apenas bebida isotónica. Também não levava gel e isso, sei que me faria falta por volta dos 25km.
35km! – Olha!… o Zé Magro parado, de volta das laranjas, no abastecimento. Finjo-me de forte, incentivo-o e prossigo no meu ritmo. 38Km, passa o António Almeida “disparado” que nem me deixou reagir e “desapareceu”. O Zé Magro recupera e aproximou-se de mim. À nossa frente, um atleta levava desfraldada uma bandeira com uma mensagem alusiva à Libertação do Saara Ocidental. Alguém do público, receptivo à mensagem, corre, por momentos, a seu lado, dando-lhe força na causa e na corrida. O rapaz transformou as palavras em “genica” e foi-se embora. Até aos 41km, eu e o Zé Magro, fomos juntos, depois, à passagem por baixo do viaduto, vi que a linha azul da corrida não estava a ser respeitada, pois os atletas encurtavam caminho galgando o passeio. Entendi que não deveria fazer o mesmo e sigo o percurso correcto. Por instinto, aumento progressivamente o ritmo e, vejo que afinal, até o podia ter feito dois ou três quilómetros antes (lá está a tal distinção entre a passada confortável e a preguiçosa) e entro no estádio com uma passada aberta e confiante (pudera, estava no fim!) cortando a meta com 3,43,41!
Toalha por cima das costas, laranjas até não querer mais, medalha ao pescoço, saco de comida e encaminho-me para o guarda-roupa para ir tomar um banho quentinho, pois, apesar de quase 4h de exercício, acabei com as mãos geladas.
Assim ficou concluída mais uma maratona – precisamente aquela que fiz mais vezes – e onde se vai notando uma presença portuguesa cada vez maior, confirmando que os nossos corredores estão a “render-se” ao mundo fantástico das longas distâncias.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

XXI Grande Prémio "Fim da Europa"

A chegada (Foto AMMA-J.Gaspar)


Apesar de termos de enfrentar uma manhã pouco prometedora, com céu cinzento e chuva chata, o pessoal aderiu em força ao XXI Grande Prémio Fim da Europa, tendo esgotado as inscrições para esta corrida mística que liga a mourisca Vila de Sintra ao Cabo da Roca, o ponto mais ocidental do continente europeu.
Poucos seriam aqueles que escolheram esta Prova, para testarem a sua condição. A maioria esmagadora tinha como objectivo, desfrutar de um passeio único que ligasse o verde da serra ao azul do mar (com o cinzento do céu, de permeio).
É bom chegar cedo: mais opções para estacionamento, mais tempo para reencontros, maior descontracção antes do tiro de partida.
Com o aproximar das 10 horas, a Volta do Duche ficou diferente. Compacta de almas e de cores em movimento, serviu de palco ao início de um grande desfile que, nos últimos anos ganhou uma dimensão que se espera possa vir a manter. Para bem de Sintra, para bem da Corrida.
Por momentos, as numerosas esculturas de pedra expostas ali na zona da partida, deixaram de ser o centro das atenções e o imponente paço real, com as suas “gémeas” chaminés cónicas dava o enquadramento perfeito à passagem dos corredores .

Partimos. Sabíamos (a maioria) o que íamos ter pela frente. Procurando manter uma respiração controlada, lá fomos serpenteando, serra acima. Um cheirinho a eucalipto e a pinho, em fragrância, dava-nos a graça que, paisagisticamente, o céu nos escondia. Fomos progredindo, cada um como podia, contando os quilómetros que apareciam marcados em placas de madeira. Uns lentos ou muito lentos, quando subíamos, outros rápidos ou muito rápidos, quando descíamos, até que chegámos ao troço final, após a Azóia, em que, como habitualmente, fomos “brindados” com aquela ventania que nos fazia andar de lado. Mas aí, já estávamos “confortados” com o aproximar da meta e o abrigo da majestosa tenda, onde havia “chá,café,laranjada “ sandes, bolos, etc.etc. servido por “garçons” fardados a rigor.
Em contraste, os “alarves” que, tendo chegado ao Fim da Europa, julgavam que teriam chegado ao “fim do mundo” e “abasteceram-se” descaradamente, enchendo sacos esquecendo-se que vinha gente atrás que teve de contentar-se com uma garrafinha de água.
Compreende-se que tenha havido a melhor das intenções em querer dar a todos os corredores, um tratamento “vip”. Só que… assim não dá. A culpa é dos atletas? Não! A culpa é de alguns “atletas”. O que fazer?
Para os disciplinados pode custar um bocadinho ter de pagar o justo pelo pecador. Mas se ainda não existe, no pelotão português, uma cultura de respeito pelo companheiro de jornada, mas sim do “chico-espertismo” (mais notório nas “minis”, que terminam no mesmo local da prova principal), a única solução será o regresso às “doses individuais” em sacos. Perde-se em requinte, mas ganha-se em justiça. Quando falta o bom senso, tem que se aplicar a “repressão”. Note-se que eu sou a favor das “minis”, mas desde que elas não sejam comprometedoras para o sucesso global da iniciativa. E neste caso, para além de complicar a logística, prejudica –em meu entender- a imagem final da Prova.
Outro aspecto negativo que gostaria de não ter de assinalar : A entrega dos sacos foi desastrosa! Não teve nada a ver com o ano anterior, em que tudo decorreu ordeiramente. Poderá ter havido falta de voluntários, mas deixar os sacos amontoados numa zona onde cada um entrava e remexia à vontade até encontrar o seu (ou o que lhe apetecesse levar) pareceu-me displicente.
“Desapareceu” (ou fui eu que não a vi) a área demarcada para troca de roupa, o que deixou desprotegidos os atletas, que acabaram por se trocar ali mesmo no meio da grande tenda.
Também o serviço de autocarros para regresso a Sintra, que no ano transacto me mereceu elogios, este ano, pareceu-me descoordenado, com paragens mal assinaladas, com filas que rapidamente invertiam o sentido e levavam a que alguns corredores, com frio, se tornassem impacientes, com cenas desnecessárias de provocações e quase violência. Com um serviço de autocarros descoordenado, obriga-se os atletas a recorrerem a alternativas que aumentam a afluência de viaturas individuais para o Cabo da Roca, o que é indesejável. Mas, assim, acaba por ser “inevitável”. E parece-me bem mais fácil controlar umas dezenas de autocarros, do que umas centenas de carros.
Em conclusão : A Prova continua a ser uma das mais bonitas que temos no País. Atingiu um patamar de qualidade invejável e pareceu-me que falhou onde seria mais fácil não falhar. Como sempre, estes reparos pretendem ser construtivos e todos teremos muito a ganhar, se lhes for dada uma atenção especial na próxima edição em que faço questão de estar presente e… de recomendar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Uma Prova...Um Encontro...Uma Revista




A II Meia Maratona da Areia, a decorrer na Caparica no dia 16 de Maio, dará o mote para o III Meeting Blogger dos "cyber runners". A grande novidade é que vamos ser apadrinhados pela Revista Spiridon. Daqui até Maio, vamos avançando com ideias, para que este momento de salutar confraternização entre os amantes da Corrida dê bons frutos. Aos bloggers aderentes, pede-se que coloquem os respectivo selos na barra lateral. Entretanto, vamos treinando...













sábado, 9 de janeiro de 2010

Outra "corrida"

Quando o galo canta, meus amigos, a “corrida do cidadão” é mais virada para o “galinheiro”. Transforma-se. Deixa de ser aquela Corrida tranquila, livre, despreocupada e passa a ser uma Corrida com os seus neurónios, desgastante, agitada de indignação pelos desvarios de uma sociedade... minada.

Menos participativo, porém, não me esqueço que o Fim da Europa vem aí e pouco depois Sevilha. Tenho pena de Badajoz, mas este ano não dá, pois, apesar de ter feito duas S.Silvestres, desde a Maratona de Lisboa que não treino. E isso não é bom.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Balanço de 2009

Na S. Silvestre de Lisboa



2009 : 578 km

1 -25 de Janeiro Grande Prémio Fim da Europa / 17 km / 1:22:30
2- 1 de Fevereiro Maratona de Badajoz / 3:46:09
3 -22 de Fevereiro Maratona de Sevilha 3:45:05
4 -22 de Março Meia Maratona de Lisboa 1,39,07
5- 5 de Abril Corrida dos Sinos –Mafra/15km 1,07,47
6 -11 de Abril G. Prémio de Constância/10 km 1
7- 26 de Abril Maratona de Madrid 3:31:33
8- 1 de Maio Corrida do 1º de Maio –Lisboa -15km(mal medidos)
9- 10 de Maio Maratona Carlos Lopes 3,33,21
10- 16 de Maio Meia Maratona na Areia -Caparica 1,42,35
11 -28 de Junho Corrida das Festas Cidade do Porto /15km 1:08:20
12- 26 de Julho Ultra Maratona Atlântica Melides Tróia / 43 km 5,24,15
13 -8 de Agosto TNLO Óbidos / 38700 m Muito
14 -4 de Outubro Meia Maratona Vasco da Gama 1:42:00
15- 18 de Outubro Meia Maratona Sport Zone-Porto 1:39:20
16- 25 de Outubro II Corrida Terras do Grande Lago / 25 km 2:15:23
17 -8 de Novembro Maratona do Porto 3,28,57
18- 15 de Novembro Meia Maratona da Nazaré 1,42,00
19 -6 de Dezembro Maratona de Lisboa 3,46,30
20- 27 de Dezembro São Silvestre de Lisboa /10km 46,3
21- 30 de Dezembro São Silvestre dos Olivais/ 10 km 48:15:00


Nesta salganhada (pois por mais que me esforce não consigo passar os mapas para aqui) está o resumo das povas que fiz em 2009.

Algumas foram agradáveis estreias : Maratona de Badajoz, TNLÓbidos, Corrida do Grande Lago, Meia Maratona da Areia, Meia Maratona Sportzone. Outra estreia, que com um percurso magnífico, poderia ter sido mais agradável, foi a Maratona Carlos Lopes, mas ao que consta, estão a ser feitas as correcções. Falhei duas provas que muito gosto : Corrida das Fogueiras (optei pelo Porto) e a S. Silvestre do Porto (fiquei-me por Lisboa, sem ser por opção).


De modos que em 2009 fiz mais provas que em 2008 e muito gostaria que em 2010 os resultados não fossem muito diferentes.

Como tenho "pancada", lá vai :

Dois mil e nove foi-se! É já passado.
E o que ficou de um ano de Corridas?
-A UMA, ou Raide em que ando "viciado"
Juntei seis maratonas bem medidas,
Cinco Meias, três léguas em duplicado
E um Trail de 39 "às escondidas";
Uma de desassete, uma de vinte e cinco
E duas S.Silvestre fazem trinco.

Porém, numa ousadia me meti
E fiquei-me p'lo terço dessa aposta;
Dos Cem em Vinte e Quatro de Madrid
(Que é destes desafios que a gente gosta)
Vencido p'lo calor eu só ouvi
Vozes que me diziam "-Encosta!!!Encosta!!!"
Enfim... memórias há muito mais ternas
Que vir de Espanha c'o rabo entre as pernas.

Um Excelente 2010 para todos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009