terça-feira, 1 de março de 2011

Comunicado FPA


Fernando Mota renuncia ao cargo de Presidente da Federação

A direcção da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) lamenta informar, que devido a um erro administrativo, a atleta Sara Moreira foi inscrita na prova de 1500 metros e não na de 3000 metros dos Campeonatos da Europa de Pista Coberta, que se realizarão em Paris de 4 a 6 de Março.

O prazo para inscrições na competição terminou no dia 27 de Fevereiro, às 23 horas de Lisboa, não admitindo os regulamentos da European Athletics (EA) qualquer alteração posterior ao encerramento.

A FPA processou as inscrições logo após o término da última jornada dos Campeonatos de Portugal de Pista Coberta, ou seja, muito próximo do prazo limite, pelo que não foi possível detectar o erro a tempo de efectuar qualquer alteração.

No entanto, e apesar de conhecedores dos Regulamentos da EA, a direcção da FPA tudo fez para que a atleta Sara Moreira ainda fosse inscrita nos 3000 metros, tendo a EA, através de um dos Delegados Técnicos da competição, informado que tal não seria possível, consequência dos regulamentos já referidos.

O Presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Prof. Fernando Mota, entende que deve assumir as responsabilidades pelo ocorrido, renunciando ao cargo que ocupa na Federação.


Este, o teor do comunicado emitido hoje pela FPA, que, por certo vai dar que falar.

O Exemplo

Pedro Caetano, Abutres - A figura da Prova (foto O Mundo da Corrida)

O “caso” que manchou esta excelente 2ª Edição do Trail Terras de Sicó - Conímbriga ( a alteração repugnante do posicionamento das fitas que assinalavam o percurso, com o intuito claro de enganar os atletas) , dá para fazer a seguinte leitura : ao “desnorte” e indignação do grupo da frente, que foi crescendo com os que iam chegando ao local do “apagão”, seguiu-se uma enorme demonstração do espírito de amizade e entreajuda que reina entre os “trailers”.

Na busca do rumo certo, não pode passar despercebida a nobreza da atitude do atleta dos Abutres, Pedro Caetano, que, tendo descoberto o rumo a seguir, voltou atrás para avisar o grupo que se tinha formado e colocar, de forma correcta, as fitas, para que mais ninguém tivesse dúvidas do caminho a seguir. Não conheço o Pedro Caetano, mas muito me apraz registar esta atitude, com a qual ele perdeu largos minutos do seu tempo de prova, mas ganhou o grande prémio que é a gratidão e reconhecimento de todos os companheiros de jornada e da própria Organização. Quando passei pelo local, não tive a mínima noção do tormento porque tinham passado os 30 primeiros. Isso só foi possível graças à percepção que o Pedro teve e ao grande companheirismo que evidenciou. Para ti, Pedro, a minha sincera admiração e agradecimento.

E tudo isto ficou registado no fabuloso vídeo do Jorge Serrazina, para quem vai um grande abraço.

Quanto à Organização, a cargo de O Mundo da Corrida, esteve ao mais alto nível, com a criação de um ambiente festivo, partida bem animada, percurso bem sinalizado, Km marcados de 5 em 5, abastecimentos de sonho servidos pelas habituais colaboradores de OMDC que já nos habituaram a grandes momentos de boa disposição, banho quente, almoço convívio, etc,etc.. Para todos os envolvidos, vão os meus Parabéns pela excelência do trabalho efectuado e o meu forte desejo de estar presente na próxima edição.

O incidente ocorrido, embora se lamente, em nada penaliza a Organização. Antes, serviu para reforçar as vontades. Bem hajam.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

II Trail Terras de Sicó - Conímbriga


Eu não sei por onde andei. Só sei que andei por ali…


…Por Terras de Sicó!

Não conhecia aquela vasta área montanhosa, a não ser ao longe, quando se passa, rápido, a caminho de outras paragens já conhecidas. Agora percorri-lhe as entranhas, subi-lhe aos cumes, em marcha calma e observei as soberbas paisagens que só dali se podem contemplar. É difícil chegar-se lá acima, mas quando lá se chega, a sensação que nos invade é de um poderoso domínio sobre o relevo com que a natureza nos brinda.

Falar deste Trail, enquanto competição, para mim, tem pouco de motivador, pois já se sabe que quem corre mais depressa ganha. Gosto mais de falar dele enquanto percurso turístico de grande beleza; visitar aldeias recônditas, de gente simpática, guardadora de rebanhos de cabras e ovelhas, que nos aplaudem à passagem e nos indicam o caminho; descer aos vales, correndo, por estradões mais ou menos pedregosos e ver, cá de baixo, o que já descemos, ou o que temos para subir(no que tem de duro e de belo); ver ao longe os nossos companheiros, em fila indiana, quais pontinhos coloridos no vasto cenário verde da montanha.

Corremos porque gostamos de correr, mas também porque sabemos que não temos o dia todo para andar por ali e que há gente à nossa espera e não temos o direito de abusar.

Sobre a minha prova, sempre adianto que demorei 3,36,59; que me classifiquei em 170º (6ºdo escalão) em 243 que chegaram; que foi o Alcino Serras (nome bem posto) que ganhou, seguido do Luis Mota; que quando cheguei já eles lá estavam há mais de uma hora, mesmo depois de estarem um quarto de hora à procura do rumo a seguir (pois houve quem, numa “diversão” repugnante, tivesse retirado fitas do percurso, despistando, assim, os participantes). Saliento aqui, o extraordinário vídeo do Jorge Serrazina, que documenta, de uma forma excelentemente conseguida, a situação vivida pelos atletas da frente e do companheirismo evidenciado para se ultrapassar a dificuldade.

As provas de montanha estão a ganhar espaço no calendário. Cheguei a admirar-me disso, mas foi só enquanto não tive a primeira experiência no terreno.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

IITrail Terras do Sicó - Conímbriga

Estive, hoje, no II Trail do Sicó, na distância de 30Km, disputado nos maciços calcários (estou a dizer bem?)  que constituem as serrarias que estão próximas de Conímbriga. Gostei muito da Prova. Demorei 3,36,59 e classifiquei-me em 170º. Por agora deixo apenas umas imagens, com a promessa de que voltarei para abordar o tema mais em pormenor.
Com a minha colega da ACB, Lúcia Oliveira, brilhante vencedora do Trail curto


Forte animação na partida

Com os meus amigos Manuel Romano e António Almeida

...Já "bufava"...

Foto tirada pela menina bombeira
È entrada de Conímbriga


A caminho do 1º mirante

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Albertina Dias

Petição Albertina Dias

Quando surgiram manifestações de solidariedade para com a Albertina e a situação dramática largamente noticiada, apareceu também quem fosse contra esta onda de apoio que foi crescendo, principalmente no seio daqueles que gostam da Corrida. Vêm então a terreiro, dizer que a Albertina "esbanjou os mundos e fundos que recebeu" nos seus tempos dourados e, foi essa má gestão que veio a provocar a delicada situação em que actualmente se encontra.
Não conheço pessoalmente a Albertina nem tenho procuração para a defender nem é minha intenção desdizer este tipo de comentários.
O que os portugueses sabem da Albertina é o seu enorme contributo para que o nosso País ganhasse o respeito dos outros, como potência no Atletismo. Com os seus feitos, ela ganhou e ganhámos todos. Portugal ganhou. Pouco nos importava saber qual a sua compensação monetária, nem se ela seria ou não competente para administrar aquilo que ganhava. O que queríamos era viver as emoções das suas conquistas, vê-la subir os degraus do pódium, receber as flores e a medalha, ver subir a bandeira de Portugal ao ponto mais alto do mastro.  Ouvir o hino e sorver aqueles momentos tão intensos. Daqueles momentos que nos exaltam o orgulho luso. A Albertina ganhava, todos nós nos sentíamos vencedores.

A vida correu-lhe mal, por má gestão, por infortúnio, mas mais do que apurar o porquê de ter chegado à situação actual, importa que todos tomemos a consciência do desespero da nossa campeã para ter tomado a atitude que tomou. O valor da medalha da Albertina é muito mais do que o seu peso em ouro. O seu valor é indissociável do da Albertina. Por muitos milhares de euros que lhe dêem por ela (o que eu duvido) só a Albertina teve o poder para conquistá-la. Só ela a merece.

Por isso, a petição em boa hora posta a circular na net, já lá tem a minha assinatura, no lugar 34. Sinto que, independentemente das outras razões que poderão trazer à baila, esse é o meu dever enquanto amante da modalidade e enquanto cidadão deste País.

Mais um ano

3 anos : 54500
Exactamente há 3 anos, colocava neste espaço, a título experimental, um texto já feito, que nada tinha a ver com Corrida, mas que tinha a ver com o exercício da cidadania e a indignação perante um caso que considerei injusto. Aliás, o nome do blogue, foi inspirado nisso: nos deveres e nos direitos de uma personagem que, por acaso, gosta de correr. O blogue "funcionou" e agora era só alimentá-lo e esperar merecer a atenção de alguém.

Num breve balanço, noto que celebrei o 2º aniversário com 32 mil visitas e o 3º com 54 mil (!), razão que me faz sentir bastante satisfeito, pois, graças a todos vós, queridos amigos visitantes, vejo-me a superar os resultados esperados. É da maior justiça que neste dia, vos agradeça, do fundo do coração, o facto de lerem as coisas que aqui vou escrevendo. Bem hajam.

Como diz o nosso amigo Joaquim Margarido numa  lapidar frase do seu famoso Orientovar :

“As histórias não são nada se não tivermos a quem  contá-las”.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Albertina Dias

Para ninguém esta Medalha vale mais que para ti, Albertina.


Ao conquistá-la, foi todo um povo que rejubilou de orgulho. O esforço foi todo teu, mas todos nós saboreámos o gostinho bom da glória. Merecidamente, foste a fiel depositária daquele disco de ouro cujo valor não vem tabelado mas que puseste, agora, à venda.

O Mérito foi todo teu, o Orgulho foi teu e nosso, mas a Vergonha é nossa, pois não fomos dignos do que fizeste pelo Atletismo Português.

O nosso amigo João Meixedo, trouxe-nos este caso com o link

http://www.tsf.pt/Programas/programa.aspx?content_id=903681&audio_id=1789156

Para que reflictamos.