Gostava de não ser repetitivo nas considerações que tenho feito acerca desta grande Maratona que é a de Madrid. Mas tenho que dizer qualquer coisa.
Bem sei que há quem não morra de amores por ela, porque tem uma subidas violentas que quebram o ritmo, que a parte mais difícil é precisamente a partir dos 30, etc. Mas tudo isso dou de barato para poder repetir a experiência em cada ano e correr na linda cidade que é Madrid.
Tem, também sido notória, alguma quebra no seu “glamour” (fruto da crise?) com o empobrecimento do kit do corredor mas, acima de tudo, na escassez de pontos de animação que, há uns anos atrás, seria uma das suas principais características. Há também quem se queixe da falta de abastecimentos sólidos durante o percurso. Não é o meu caso, pois, por norma, não os utilizo.
Mas vamos lá a ver se consigo pôr ordem no muito que tenho para contar:
Chegado de véspera ao Hotel da Organização, o Convencion, permitem-me que faça o check in muito antes do meio dia e assim, poder libertar-me da mala. Depois, vou no autocarro (“infiltrado” nos atletas VIP), até à Expomaratona situada na Casa de Campo. No sítio do costume, lá estava o stand da Runporto, onde levantei o meu dorsal. Uma voltinha pela feira e encaminho-me para o Pabellon de la Pipa onde ia ser servida a massa, decidido a vir embora se a fila estivesse muito grande. Estava ainda por abrir e, em 10 minutos, estava a almoçar! Surpresa, pois nunca dantes isto me tinha acontecido.
Apanho o Metro e volto para a zona central, a fim de dar uma voltinha e regressar ao Hotel.
No dia D, ao tomar o “desajuno” encontro o Carlos Pinto Coelho, que ia estrear-se nesta Prova e combinámos ir juntos para a zona da partida. No elevador, encontro a Sara Moreira e a Anália Rosa que, simpaticamente, acederam a tirar uma foto comigo. Aparece então o Jorge Teixeira com quem tenho o prazer de trocar um abraço e umas breves palavras .
Eu e o Carlos estávamos decididos a ir a pé – como sempre fiz - até à partida (ainda são mais de 2km), mas se havia autocarro para transportar os corredores, não havia necessidade de iniciarmos o “aquecimento” tão cedo. De boleia, pois claro. E por lá ficámos, a fazer horas, à espera de ficarmos rodeados de gente que nos abrigasse de uma brisa fresca de mais, para a roupa que tínhamos. Mais uma “portuga” orgulhosamente assumida no seu equipamento, que era conhecida do Carlos e que se juntou a nós. Era a Graça Roldão, de quem já tenho lido algumas coisas que ela escreve no fórum, logo, pelo menos virtualmente, também já era minha conhecida. Foi um prazer estarmos ali a ocupar o tempo de espera que assim passou muito mais depressa.
Dos céus vêm - a favor da gravidade - os paraquedistas, a dar-nos o mote para a nossa corrida, essa disputada com os pés assentes na terra, (mas a cabeça, por vezes, bem mais próximo da lua) ao longo de 42 duros Kms. Duros não. Ninguém nos obrigou a fazer tal esforço.
Dado o tiro arranque,o desejo de boa prova e demorámos apenas 50 segundos a passar pelo pórtico, precisamente no momento em que uma avaria no compressor que o sustinha, o deixava “desfalecer” sobre os atletas que, de braço no ar, o iam empurrando para cima. Foi coisa breve, pois, uns metros à frente, olhando para trás, vimos que ele estava novamente a subir e tudo regressava à normalidade.
Mais uma vez - e mal - os balões azuis, marcadores de ritmo, estavam todos juntos, independentemente de marcarem para 3 ou para 4 horas ! Tendo partido a escassos metros da meta e a andar a 5m/km, só apanhei os balões das 3,45 aos 7! Nessa altura, vejo um outro a uns 50m e dado o andamento que eu levava, pensei que deveria ser o das 3,30. Alcancei-o, mas não era o que eu pensava. Era outro balão das 3,45 que se tinha “tresmalhado” e um grupo de atletas, numa “espanholada” meio exaltada e apontando o cronómetro do pulso, diziam à atleta que o transportava que o que ela estava a fazer era um completo disparate, pois iludia os mais incautos. Parou e esperou pelos outros que, também esses, iam depressa demais.
Andei sempre uns segundos abaixo dos 5m/km e à Meia, ia com tempo para 3,30, que aguentei bem até aos 35km, mas a verdade é que o balão das 3,30… nunca o vi. Penso que deverá existir um maior cuidado nesta matéria, quer em termos de posicionamento na partida, quer no ritmo que seguem.
Cerca dos 25 km, ouço um cumprimento de um atleta que me ultrapassava :- “Força BANIF”! Retribuí o cumprimento. Curiosamente, era um companheiro do BPI, cujo nome me escapa, da mesma forma que ele me “escapou” e nunca mais o vi, eheh.
Como já referi acima, fiquei um bocadinho triste com a falta de animação: uma gaita de foles à entrada de um túnel, por volta dos 20(?), uma banda em cima de um camião da coca cola por volta dos 32 e o resto era por conta do público e acompanhantes dos atletas, que não se cansavam de incentivar, exibindo cartazes “Força Papi, tu puedes” e frases deste género, que mesmo não sendo connosco, sentimo-las como se fossem, pois estamos no mesmo barco.
De facto, a partir dos 30, as coisas complicam-se em qualquer maratona, mas nesta, isso sente-se mais, pois surgem umas rampas demolidoras, para não falar na última delas, dos 39 e meio aos 41 e picos, antes de entrarmos no Jardim do Retiro dos Jerónimos, onde está a longa recta da meta, ladeada de baias metálicas que seguram um público que não se cansa de aplaudir.
Tempo final: 3, 34,47, bem melhor do que contava no momento da partida, mas bem pior do que cheguei a imaginar por volta dos 25km. Mas tinha que ceder um bocadinho de forma controlada, para que não surgisse o estoiro e arrastar-me penosamente até à meta. Acho que me mantive sempre em prova apesar da quebra dos últimos kms. Já sei que nunca consigo fazer a Maratona em split negativo (é assim que se diz?).O melhor é dizer que demoro sempre mais tempo na 2ª parte. Mas isto tem uma explicação: é que uma pessoa tem que arriscar um bocadinho se acha que se preparou minimamente e quer pensar numa marca. Embora eu tivesse pensado nas 3,40, também acreditava que poderia fazer um bocadinho menos. E consegui. Fiquei contente por ter feito menos 5 minutos que no ano passado.
Gosto, particularmente da forma como está organizada esta chegada : muito espaço; “controladores de penetras” nos últimos 200m ( e são tantos os que são convidados a sair!. À minha frente, duas raparigas que andaram nos 3 últimos km próximas de mim, ora passavam elas, ora passava eu, resolveram fazer um sprint para me deixarem de vez para trás e eu, numa atitude de cavalheiro, até nem fui à “luta”. Estas moças, dizia eu, foram barradas e convidadas a sair e assim, vim eu a ganhar “na secretaria”, eheh); Dão-nos de imediato água, isotónico e uma coberta de plástico para evitar a hipotermia (improvável com o tempo que fazia, mas pronto…); medalha. Depois, sempre com espaço para descontrair as pernas vamos para a zona onde compridas mesas têm de tudo o que nos possa fazer falta. Assim o estômago aguentasse: ele é sumo de frutas, ele é isotónico, cervejinha boa, coca-cola, pistachos…
Caminhando a passo, em sentido contrário, por fora das grades, ia vendo os muitos que ainda vinham chegando: as bandeiras, as lágrimas de emoção, as crianças correndo ao lado dos pais, os aplausos, o sorriso vitorioso de gente esforçada. De gente que faz!
A par dos deveres de cidadania, o intenso gosto pelo desporto pedestre. Sou um gajo que tem a mania do desporto e que desde os tempos do PREC pratica a Corrida, tendo feito uma incursão pelo Triatlo e que tem preferência pelas longas distâncias. Não corro nada de jeito, mas gosto disto, pronto... ...Ah, e escrevo de acordo com a grafia correCta.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
domingo, 17 de abril de 2011
34ª Maratona de Madrid
Depois, gostava de dizer mais qualquer coisa, mas hoje não, muito sinceramente, ainda não estou com disposição.
"Inté".
| Com duas das nossas Meninas de Ouro (Anália Rosa e Sara Moreira,que iam participar nos 10Km) antes de nos deslocarmos para o local da partida |
| A que se juntaram os meus amigos Jorge Teixeira e Carlos Pinto Coelho |
Ora cá estou de volta, após mais uma edição da Maratona de Madrid.
Para ser franco, gostei do meu desempenho, embora a partir dos 35 Km as coisas tenham piorado. No entanto, tive a consciência de que me "mantive" sempre em prova, ao contrário de outras maratonas em que, por absoluta incapacidade de uma progressão digna, me vou deixando arrastar com o objectivo único de completar a distância. Sem ser essa a minha intenção, as 3,30 estavam ao meu alcance até aos 35km. Aliás, aos 25, até dava para 3,28 !!! mas, como seria de esperar tinha de haver uma moderação controlada de andamento, antes de um estoiro que seria sempre de evitar. Terminei com o tempo real de 3,34,57, como pode ser visto aqui .Depois, gostava de dizer mais qualquer coisa, mas hoje não, muito sinceramente, ainda não estou com disposição.
"Inté".
quinta-feira, 14 de abril de 2011
IV Encontro Blogger
Pois é, amigos. Está a chegar mais um momento em que a "virtualidade" com que aqui lidamos, possa dar lugar a uma "realidade" em que usufruamos, nas nossas vidas, dos fantásticos benefícios que a net nos tem proporcionado. Vou lá estar e apelo a todos os que possam estar, que se "alistem". Será um enorme prazer rever amigos e conhecer outros que a cibernética gerou.
Visitem o Blogue Oficial deste IV Encontro e...apareçam.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
35ª Maratona de Paris
Esta é para encher o peito aos meus amigos e companheiros da notável e gloriosa equipa da ACB, que este fim de semana estarão na Cidade Luz, a fazer a 35ª Maratona de Paris e a quem desejo uma excelente Prova.FORÇA ACB, TORÇO POR VÓS.
Paris en colère
Mireille Mathieu
Que l'on touche à la liberté
Et Paris se met en colère
Et Paris commence à gronder
Et le lendemain, c'est la guerre.
Paris se réveille
Et il ouvre ses prisons
Paris a la fièvre :
Il la soigne à sa façon.
Il faut voir les pavés sauter
Quand Paris se met en colère
Faut les voir, ces fusils rouillés
Qui clignent de l'oeil aux fenêtres
Sur les barricades
Qui jaillissent dans les rues
Chacun sa grenade
Son couteau ou ses mains nues.
La vie, la mort ne comptent plus
On a gagné on a perdu
Mais on pourra se présenter là-haut
Une fleur au chapeau.
On veut être libres
A n'importe quel prix
On veut vivre, vivre, vivre
Vivre libre à Paris.
Attention, ça va toujours loin
Quand Paris se met en colère
Quand Paris sonne le tocsin
Ca s'entend au bout de la terre
Et le monde tremble
Quand Paris est en danger
Et le monde chante
Quand Paris s'est libéré.
C'est la fête à la liberté
Et Paris n'est plus en colère
Et Paris peut aller danser
Il a retrouvé la lumière.
Après la tempête
Après la peur et le froid
Paris est en fête
Et Paris pleure de joie.
domingo, 3 de abril de 2011
29ª Corrida dos Sinos -Mafra
Mais uma vez, estive em Mafra, numa das clássicas em que tenho um maior número de presenças, notavelmente simbolizadas numa quantidade de sinos coloridos. Desta vez, é verde claro.
Os 15 Km da Prova foram completados por 1337 atletas, tendo eu feito o tempo de 1,09,18 (1,09,03 t.real) que me deixou bastante satisfeito.
Os resultados completos podem ser vistos aqui.
Relativamente à Prova, que continua a ter uma excelente Organização, constitui um importante local de encontro de corredores vindos de todos os cantos do País e fica-se sempre com uma grande vontade de voltar.
Parabéns aos Amigos de Atletismo de Mafra, que desde o início têm assumido as rédeas da Organização e a todos aqueles que participaram nesta Grande Festa da Corrida.
![]() |
| No retorno, mais uma vez "apanhado" pelo amigo Luis Parro |
Os 15 Km da Prova foram completados por 1337 atletas, tendo eu feito o tempo de 1,09,18 (1,09,03 t.real) que me deixou bastante satisfeito.
Os resultados completos podem ser vistos aqui.
Relativamente à Prova, que continua a ter uma excelente Organização, constitui um importante local de encontro de corredores vindos de todos os cantos do País e fica-se sempre com uma grande vontade de voltar.
Parabéns aos Amigos de Atletismo de Mafra, que desde o início têm assumido as rédeas da Organização e a todos aqueles que participaram nesta Grande Festa da Corrida.
terça-feira, 29 de março de 2011
UMA boa proposta
"A Tertúlia do Raide congemina
Uns planos para treinos fabulosos
Que merecendo a intervenção divina
Darão uns resultados milagrosos.
Com massagens, poções e vitaminas
E até mesmo feitiços duvidosos…
Tudo isto mais uma mochila cheia
E muitas horas a correr na areia."
(in Melíadas, p.39)
E não é que, da Divisão de Desporto da Câmara M. de Grândola, e com vista à próxima edição da Ultra Maratona Atlântica Melides-Troia, agendada para 17 de Julho, surgiu uma proposta que reza o seguinte:
“Estamos com vontade de promover um treino organizado numa praia, seguido de uma pequena sessão de esclarecimentos entre os próprios atletas que queiram colocar questões uns aos outros sobre a UMA e entre os atletas e a organização que poderá esclarecer algumas dúvidas relacionadas com o Regulamento. Poderiamos convidar um ou outro atleta com mais experiência nestas andanças, que não se importasse de estar presente, mesmo que não esteja a pensar fazer a Prova este ano (e portanto, que não quisesse treinar nesse dia).
Por um lado parece-nos ser uma ocasião interessante de proporcionar aos menos experientes, um contacto directo com a Prova, por outro, uma forma de enriquecer a componente de convívio que já faz parte desta Prova.
Seria uma coisa muito simples, sem compromissos, com um percurso de ida e volta, deforma a que as viaturas fiquem no mesmo local, por exemplo entre Carvalhal e Comporta, totalizando cerca de 17 km. E algumas horas após o início do treino, depois de todos terem concluído e recuperado do esforço, definíamos um local apropriado (ríiamos ver com os Restaurantes ou mesmo com as Freguesias locais) e sentávamo-nos um pouco para conversar (em ultimo caso, seria mesmo na areia da praia).”
Ora, perante uma proposta destas, só podia vir pôr a “boca no trombone” pois parece-me uma iniciativa bastante aliciante e capaz de mobilizar todos os que estão tentados a entrar no maravilhoso mundo das areias.
Sendo certo que os Treinos Lunares do amigo Paulo Pires, já muito contribuem para um “calcar areia” indispensável para uma boa preparação visando o Raide, perdão, a UMA, esta iniciativa de um treino seguido de uma “Tertúlia” (profetizada nas Melíadas) proporciona também um contacto directo com a Organização que, numa atitude exemplar, pretende “comungar” com os participantes e com os mais experientes nestas andanças, recolhendo contributos para um aperfeiçoamento de uma Prova que já pouco terá para aperfeiçoar. Mas que me parece uma excelente sugestão, não tenho dúvidas.
A ideia está lançada. Avanço com a data de 7 de Maio, 10 da manhã.
Que vos parece?
segunda-feira, 21 de março de 2011
21ª Meia Maratona de Lisboa
Foto AMMA (Carlos Viana R.)
“A Ponte é Alegria, Camaradas…”
Bem sei que há quem prefira o prazer de um treino calmo na natureza ao bulício de participar na maior manifestação desportiva que se realiza em Portugal. A Ponte, que liga o Sul ao Norte de um Portugal que, por vezes, sucumbe à tontaria da “guerra Norte-Sul”, com este evento, faz uma pausa no trânsito automóvel e “oferece” o seu tabuleiro à “pacificação” de milhares e milhares de pessoas vindas de todos os pontos do País e de muitos outros Países.
Embora reconheça que a grande multidão que esta Prova mobiliza, pode prejudicar aqueles que tenham maior espírito competitivo, temos de reconhecer que é a grande festa da Corrida, uma “celebração” que apadrinhou muitos dos que passaram a praticar regularmente a Corrida.
Se pode ser visto como um sacrifício ter de ir cedo e esperar longo tempo, sem espaço para grandes movimentações, enquanto se aguarda pela hora da partida, também isso pode ser encarado como a antecipação de um convívio mais prolongado, que tantas vezes nos escapa nas outras provas. E é bom estar em amena cavaqueira, em dois ou três metros quadrados partilhados com meia dúzia de companheiros.
Estar lá, no meio de toda aquela gente que se move, é um privilégio. É uma forma única de observar a Corrida. É senti-la.
Independentemente de correr mais depressa ou mais devagar (este ano, para mim, até foi bem mais devagar que em 2010) é sempre com grande prazer e alegria que lá estarei, contemplando o gigantesco espectáculo que a Corrida pode constituir e imaginando o trabalho titânico de uma Organização deste calibre.
Mas há uma coisa que eu digo sempre: - “chora-me o coração de ver tanto desperdício de bebida isotónica! Se eu pudesse contar apenas com 5% do que é desperdiçado, eu teria powerade para dar em todos os abastecimentos da Meia de S. João das Lampas.
Quanto à minha marca… foi fraquita : 1,47,12, mas isso pouco importa, face à enorme satisfação de ter podido fazer, mais uma vez, a grande ”Meia da Ponte”.
As classificações completas estão aqui.
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