segunda-feira, 18 de abril de 2011

34ª Maratona de Madrid

Gostava de não ser repetitivo nas considerações que tenho feito acerca desta grande Maratona que é a de Madrid. Mas tenho que dizer qualquer coisa.


Bem sei que há quem não morra de amores por ela, porque tem uma subidas violentas que quebram o ritmo, que a parte mais difícil é precisamente a partir dos 30, etc. Mas tudo isso dou de barato para poder repetir a experiência em cada ano e correr na linda cidade que é Madrid.

Tem, também sido notória, alguma quebra no seu “glamour” (fruto da crise?) com o empobrecimento do kit do corredor mas, acima de tudo, na escassez de pontos de animação que, há uns anos atrás, seria uma das suas principais características. Há também quem se queixe da falta de abastecimentos sólidos durante o percurso. Não é o meu caso, pois, por norma, não os utilizo.

Mas vamos lá a ver se consigo pôr ordem no muito que tenho para contar:

Chegado de véspera ao Hotel da Organização, o Convencion, permitem-me que faça o check in muito antes do meio dia e assim, poder libertar-me da mala. Depois, vou no autocarro (“infiltrado” nos atletas VIP), até à Expomaratona situada na Casa de Campo. No sítio do costume, lá estava o stand da Runporto, onde levantei o meu dorsal. Uma voltinha pela feira e encaminho-me para o Pabellon de la Pipa onde ia ser servida a massa, decidido a vir embora se a fila estivesse muito grande. Estava ainda por abrir e, em 10 minutos, estava a almoçar! Surpresa, pois nunca dantes isto me tinha acontecido.

Apanho o Metro e volto para a zona central, a fim de dar uma voltinha e regressar ao Hotel.

No dia D, ao tomar o “desajuno” encontro o Carlos Pinto Coelho, que ia estrear-se nesta Prova e combinámos ir juntos para a zona da partida. No elevador, encontro a Sara Moreira e a Anália Rosa que, simpaticamente, acederam a tirar uma foto comigo. Aparece então o Jorge Teixeira com quem tenho o prazer de trocar um abraço e umas breves palavras .

Eu e o Carlos estávamos decididos a ir a pé – como sempre fiz - até à partida (ainda são mais de 2km), mas se havia autocarro para transportar os corredores, não havia necessidade de iniciarmos o “aquecimento” tão cedo. De boleia, pois claro. E por lá ficámos, a fazer horas, à espera de ficarmos rodeados de gente que nos abrigasse de uma brisa fresca de mais, para a roupa que tínhamos. Mais uma “portuga” orgulhosamente assumida no seu equipamento, que era conhecida do Carlos e que se juntou a nós. Era a Graça Roldão, de quem já tenho lido algumas coisas que ela escreve no fórum, logo, pelo menos virtualmente, também já era minha conhecida. Foi um prazer estarmos ali a ocupar o tempo de espera que assim passou muito mais depressa.

Dos céus vêm - a favor da gravidade - os paraquedistas, a dar-nos o mote para a nossa corrida, essa disputada com os pés assentes na terra, (mas a cabeça, por vezes, bem mais próximo da lua) ao longo de 42 duros Kms. Duros não. Ninguém nos obrigou a fazer tal esforço.

Dado o tiro arranque,o desejo de boa prova e demorámos apenas 50 segundos a passar pelo pórtico, precisamente no momento em que uma avaria no compressor que o sustinha, o deixava “desfalecer” sobre os atletas que, de braço no ar, o iam empurrando para cima. Foi coisa breve, pois, uns metros à frente, olhando para trás, vimos que ele estava novamente a subir e tudo regressava à normalidade.

Mais uma vez - e mal - os balões azuis, marcadores de ritmo, estavam todos juntos, independentemente de marcarem para 3 ou para 4 horas ! Tendo partido a escassos metros da meta e a andar a 5m/km, só apanhei os balões das 3,45 aos 7! Nessa altura, vejo um outro a uns 50m e dado o andamento que eu levava, pensei que deveria ser o das 3,30. Alcancei-o, mas não era o que eu pensava. Era outro balão das 3,45 que se tinha “tresmalhado” e um grupo de atletas, numa “espanholada” meio exaltada e apontando o cronómetro do pulso, diziam à atleta que o transportava que o que ela estava a fazer era um completo disparate, pois iludia os mais incautos. Parou e esperou pelos outros que, também esses, iam depressa demais.

Andei sempre uns segundos abaixo dos 5m/km e à Meia, ia com tempo para 3,30, que aguentei bem até aos 35km, mas a verdade é que o balão das 3,30… nunca o vi. Penso que deverá existir um maior cuidado nesta matéria, quer em termos de posicionamento na partida, quer no ritmo que seguem.

Cerca dos 25 km, ouço um cumprimento de um atleta que me ultrapassava :- “Força BANIF”! Retribuí o cumprimento. Curiosamente, era um companheiro do BPI, cujo nome me escapa, da mesma forma que ele me “escapou” e nunca mais o vi, eheh.

Como já referi acima, fiquei um bocadinho triste com a falta de animação: uma gaita de foles à entrada de um túnel, por volta dos 20(?), uma banda em cima de um camião da coca cola por volta dos 32 e o resto era por conta do público e acompanhantes dos atletas, que não se cansavam de incentivar, exibindo cartazes “Força Papi, tu puedes” e frases deste género, que mesmo não sendo connosco, sentimo-las como se fossem, pois estamos no mesmo barco.

De facto, a partir dos 30, as coisas complicam-se em qualquer maratona, mas nesta, isso sente-se mais, pois surgem umas rampas demolidoras, para não falar na última delas, dos 39 e meio aos 41 e picos, antes de entrarmos no Jardim do Retiro dos Jerónimos, onde está a longa recta da meta, ladeada de baias metálicas que seguram um público que não se cansa de aplaudir.

Tempo final: 3, 34,47, bem melhor do que contava no momento da partida, mas bem pior do que cheguei a imaginar por volta dos 25km. Mas tinha que ceder um bocadinho de forma controlada, para que não surgisse o estoiro e arrastar-me penosamente até à meta. Acho que me mantive sempre em prova apesar da quebra dos últimos kms. Já sei que nunca consigo fazer a Maratona em split negativo (é assim que se diz?).O melhor é dizer que demoro sempre mais tempo na 2ª parte. Mas isto tem uma explicação: é que uma pessoa tem que arriscar um bocadinho se acha que se preparou minimamente e quer pensar numa marca. Embora eu tivesse pensado nas 3,40, também acreditava que poderia fazer um bocadinho menos. E consegui. Fiquei contente por ter feito menos 5 minutos que no ano passado.

Gosto, particularmente da forma como está organizada esta chegada : muito espaço; “controladores de penetras” nos últimos 200m ( e são tantos os que são convidados a sair!. À minha frente, duas raparigas que andaram nos 3 últimos km próximas de mim, ora passavam elas, ora passava eu, resolveram fazer um sprint para me deixarem de vez para trás e eu, numa atitude de cavalheiro, até nem fui à “luta”. Estas moças, dizia eu, foram barradas e convidadas a sair e assim, vim eu a ganhar “na secretaria”, eheh); Dão-nos de imediato água, isotónico e uma coberta de plástico para evitar a hipotermia (improvável com o tempo que fazia, mas pronto…); medalha. Depois, sempre com espaço para descontrair as pernas vamos para a zona onde compridas mesas têm de tudo o que nos possa fazer falta. Assim o estômago aguentasse: ele é sumo de frutas, ele é isotónico, cervejinha boa, coca-cola, pistachos…


Caminhando a passo, em sentido contrário, por fora das grades, ia vendo os muitos que ainda vinham chegando: as bandeiras, as lágrimas de emoção, as crianças correndo ao lado dos pais, os aplausos, o sorriso vitorioso de gente esforçada. De gente que faz!

12 comentários:

tutta disse...

Você é o "Rei das Maratonas" heim amigo. hehe
Dos blogueiros que sigo você é o cara que mais corre este tipo de prova.
Parabéns por mais esta fantástica participação.
Um grande abraço e boas maratonas pra você aí.


tutta/ubiratã-50anos
www.correndocorridas.blogspot.com

José Xavier disse...

Fernando;

A ponta final é a que custa mais, mas é a parte que tem um sabor especial. Depois no final mesmo ver o ambiente de alegria de todos que terminaram e o apoio dos amigos e famílias é maravilhoso.

É uma festa, é auma alegria fazer uma amratona....agora já sei dar o valor!!!

Agora no próximo fim de semana lá em Contânça vai decerto ser um bom convívio. Dá um abraço a todos os amigos....talvêz um dia eu participe.....esteve quase este ano!

Um abração amigo
dos Xavier's

Ricardo Hoffmann disse...

Parabéns por mais uma em Madrid. Excelente relato, como de costume. Grande abraço.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Grande Fernando! Boa, boa!

Um dia...ainda hei-de fazer essa Maratona! Acredita? E o Fernando há-de lá estar nesse dia, espero!

Um grande beijinho

Ana

JoaoLima disse...

Mais uma excelente crónica!

Obrigado Fernando pela partilha destas emoções tão próprias.

Um abraço amigo

Carlos Castro disse...

Por muito que suba ou que desça, por muito calor ou frio que esteja, Madrid é sempre Madrid! Vale bem a pena e quem puder, que vá! É inesquecível...
Abraço, Fernando - campeoníssimo das maratonas!

Vitor Dias disse...

Grande Fernando. Essa máquina está sempre oleada. Lembro-me de no ano passado passares por mim naquela maldita subida final. De Madrid prefiro as tapas, o que não quer dizer que um dia não volte lá para correr :-) 1 grande abraço. Vitor Dias

luis mota disse...

Olá Fernando
Parabéns pelo desempenho companheiro.
Madrid tem uma grande Maratona na qual conto repetir presença.
Agradeço-te a ajuda na inscrição, sem a qual não teria marcado presença.
Sábado lá estaremos em Constância.

MPaiva disse...

Parabéns Fernando! Este é mais um belo relato de uma prova bem conseguida e que nos faz ter vontade de, um dia, também lá estar.

abraço
MPaiva

Anónimo disse...

Foi um prazer conhecê-lo pessoalmente na Maratona de Madrid pois só o conhecia do mundo virtual! Embora o percurso seja um pouco difícil, gostei muito de correr em Madrid, sobretudo pelo fantástico apoio aos atletas que foi fundamental nos quilómetros finais. A alegria de chegar à Meta faz "esquecer" todos os momentos menos bons daqueles 42 Kms! Encontramo-nos por aí... Graça Roldão

ana paula pinto disse...

Fernando,
mas haverá alguma Maratona que se faça sem si? :-))

Parabéns!

Um grande abraço.

Mário Lima disse...

Olá Fernando

De Madrid só conheço o Real.

:)

Mais uma maratona e que maratona! Com um belo registo e mesmo assim ficaste "pouco" satisfeito. Assim mesmo é que é, sempre para melhorar nem que os balões sejam azuis e não saibam ao certo o que andam por ali a fazer.

:)

As meninas é que devem ter ficado com uma "cachola" ao saírem pelas traseiras quando queriam sair pela porta principal. Ai se o mesmo se passasse em Portugal!!!

Aposto contigo que quem mais falou em sólidos foram portugueses!? Adivinhei? É o normal!

Parabéns por mais uma, onde é a 35ª?
:)

Abraços!