domingo, 8 de dezembro de 2019

16ª Prova do ano : "7ª Meia Maratona dos Descobrimentos"


Era cedinho e o tempo estava incerto (com o Nuno Marques e Álvaro Pinto) -íamos para a Festa.

Prontinhos para a partida (apanhados pelo Nelson Barreiros)

Ia entrar na última curva ( Nelson Barreiros estava lá)


Sabia que estavas lá em cima, Mãe



Sem mais palavras


A maré encheu, mas o nevoeiro não levantou (Vínhamos da Festa)

Tinha de lá ir, tivesse ou não preparado para 21 Km. Não estava, mas era importante para mim, homenagear a minha Mãe, na primeira prova que surgisse e que calhou, precisamente no dia que, para muita gente continua a ser o Dia da Mãe, 8 de Dezembro.

Combinei com o Nuno Marques e Álvaro Pinto, fazermos uma prova tranquila, numa passada confortável, cavaqueando ao longo do percurso, cumprimentando os muitos amigos com quem nos fomos cruzando.

Mesmo sem querer, corríamos a menos de 5,30'/Km e estávamos a sentir-nos bem. O Álvaro poderia muito bem ter ido mais rápido, mas fez questão de ir connosco e assim nos mantivemos até ao final, quando o relógio da meta marcava 1.54,12 (1.53,13 Tempo de chip), bem melhor que as expectativas.

Segundo a classificação provisória, fiquei em 1369 entre 2524 atletas chegados e 26º do escalão (em 67).


Pelo caminho, obtivemos algumas fotos, que o amigo Nelson Barreiros fez o favor de registar e a quem fico muito grato.

Fica assim concluída a Meia Maratona dos Descobrimentos 2019, uma prova que, desde o início, tem contado com a minha presença (apenas faltei a uma). Classifico-a de "RECOMENDADA", pois tem uma excelente organização e tem a partida e chegada no local onde o património da cidade mais evoca a epopeia dos descobrimentos, quando Portugal era uma respeitável potência mundial. Meia Maratona dos Descobrimentos, uma designação feliz, carregada de significado, em boa hora lembrada pela Xistarca, a quem quero deixar os Parabéns por mais este sucesso.



quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

ANA, Uma Mulher de Fibra (1926- 2019)





Já lá estás, minha Mãe, junto d’Aquele que toda a vida veneraste e que te indicou o caminho a seguir e que seguiste.

Tivesse Ele feito de ti o que bem entendeu, nunca Lhe viraste a cara. Fez-te sofrer anos e anos a fio. Oferecias-Lhe a outra face quando o entendimento das coisas te chamava à revolta. Mas, com a Fé que tinhas, perdoavas-Lhe e convencias-te que os açoites que te estavam reservados eram apenas a provação que te faria subir na consideração do Criador. Eis chegado o momento do Juízo. Eis chegado o momento de Lhe mostrares as credenciais que conquistaste enquanto estiveste connosco.

“Se ela não estiver com Ele é porque ninguém estará” – disse-me um amigo que veio despedir-se de ti. Senti-me confortado.

Também gostei das palavras do Padre Alberto Oliveira - e ficamos-lhe muito gratos por isso - quando, na homilia, evocou a tua doce memória.

Fica um profundo agradecimento meu e da minha família, a todos (e foram tantos!) aqueles que manifestaram as suas condolências, nesta hora dolorosa da despedida. Bem hajam.

Somos todos visitantes deste tempo, deste lugar. Estamos só de passagem. O nosso objectivo é observar, crescer, amar…; Depois, vamos para casa!” – diz um sábio provérbio aborígene numa interessante forma de ver o Mundo.

Finalmente em paz, minha Mãe.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A última palavra de "um livro que Camões escreveu"


Ou o Mundo está mesmo prestes a acabar, ou eu tenho andado a ver as coisas mal. Então não é que o grande JJ, famoso treinador de futebol de aquém e além-mar, tão conhecido pelo seu português com uma gramática muito própria e que um dia disse a esse propósito que “tinha estudado para ser treinador de futebol e não para ser Eça de Queiroz”, se saíu, recentemente, com esta: "No último parágrafo de um livro que ele [Camões] escreveu, ele escreveu a palavra inveja. Porque é que há tantos anos Camões escreveu a palavra 'inveja' (?). É um problema que muitas das vezes acontece, está a acontecer.”
E porque é que Camões, na última palavra, na última estrofe do último Canto de “ Os Lusíadas”, o tal livro que ele escreveu, falou de inveja?
Vejamos:
155
Pera servir-vos, braço às armas feito,
Pera cantar-vos, mente às Musas dada;
Só me falece ser a vós aceito,
De quem virtude deve ser prezada.
Se me isto o Céu concede, e o vosso peito
Dina empresa tomar de ser cantada,
Como a pres[s]aga mente vaticina
Olhando a vossa inclinação divina,
156
Ou fazendo que, mais que a de Medusa,
A vista vossa tema o monte Atlante,
Ou rompendo nos campos de Ampelusa
Os muros de Marrocos e Trudante,
A minha já estimada e leda Musa
Fico que em todo o mundo de vós cante,
De sorte que Alexandro em vós se veja,
Sem à dita de Aquiles ter enveja.
JJ não estudou para ser Eça de Queiroz, mas que atingiu um dos mais altos patamares do entendimento literário parece-nos evidente. Bravo.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Maratona do Porto divulga a lista onde ninguém gosta de figurar




Se houver imaginação, haverá sempre forma de se pugnar pela verdade desportiva nas corridas, tantas vezes atropelada pelo chico-espertismo daqueles que conseguem retirar algum prazer na glória vã de feitos que não cometeram. Aparentam. Falseiam os resultados. Distorcem a realidade. Iludem os outros como se não estivessem a iludir-se a si próprios. E é assim que vão passeando no desporto fazendo-se passar por quem não são. Camuflados na molhada.
Falemos em concreto na Maratona. Quem se aventura a percorrer a distância dos 42,195 Km tem o dever de avaliar o esforço que irá despender. Se conseguiu cumprir tem todas as razões para ter a agradável sensação de superação pessoal e uma certa transcendência por ter sido capaz. Se não conseguiu cumprir – e ninguém melhor que o próprio saberá que não cumpriu – deverá reconhecer que ainda não era o momento e que haverá mais oportunidades para o fazer. Não vem daí nenhum mal ao mundo, pois ninguém lhe retira o mérito de, pelo menos, ter tentado.
Porém, o momento mágico de cortar a meta está reservado para quem conseguiu, como a consagração de quem cumpriu o desafio. “Quem quer passar além do Bojador, tem de passar além da dor.”(F.Pessoa). Aqueles que apenas buscam a consagração sem ter passado pelo que ela representa sabem que não estão a ser correctos e não têm de ficar melindrados pelo facto de ter sido tornada pública a listagem dos incumpridores na última edição da Maratona do Porto.
A Organização encontrou nesta medida, uma excelente forma de moralizar a participação numa prova tão séria como é a Maratona.
Numa altura em que as organizações competem entre si, na busca de apresentar o maior número possível de atletas chegados, a Runporto, possivelmente indo contra os seus próprios interesses, desclassificou 88. E revela a lista onde ninguém gostaria de se ver mencionado. Numa próxima, estou certo, esta lista será substancialmente inferior, numa demonstração clara de que esta medida deu frutos.
Bem sei que já haverá por aí quem pense que se trata de um desrespeito pelo bom nome. Mas seria respeito pelo bom nome tratar de igual modo os que cumpriram e os que fingiram ter cumprido, tentando ludibriar os seus companheiros de corrida e a Organização?
Não só considero muito positiva esta medida, como desejo que outras Organizações façam o mesmo. A lista de atletas chegados, que todas as organizações desejam ser o maior possível, encontra aqui um filtro que sacrifica o número em prol da verdade.
Para já fica um grande exemplo na luta contra a trapaça desportiva.
Parabéns Runporto.

domingo, 10 de novembro de 2019

15ª Prova do Ano . 45ª Meia Maratona da Nazaré





Decidi-me apenas na véspera, por ter arranjado companhia para ir visitar a “veneranda” das Meias Maratonas. E lá fui com o meu amigo João Casquilho até à Nazaré, na esperança de conseguirmos uma inscrição de última hora. E conseguimos: eu para a Meia, ele para a Caminhada.
Um chuvisco chato, brindava-nos à nossa chegada e receávamos que se fosse agravando ao longo da prova. Mas não.
Fui para trás do pelotão e, quando soou o sinal da partida, pusemo-nos em movimento. Pouca gente! Se compararmos com os tempos áureos desta Prova, talvez um quinto dos participantes e começo, enquanto ia correndo, a pensar nas razões que poderão ter levado a este “desapego” dos atletas em relação à “Mãe das Meias”.:
Falta de divulgação ? – todos sabem que a MMN é pelo S. Martinho. Este ano, até a página do FB funcionou bem.
Muitas provas ? – é verdade que a dispersão ajuda pouco e, quando se deixa de ser a única para passar a ser uma das mais de cem meias maratonas, o fascínio que a distância poderia representar para muitos, encontrará equivalente com facilidade noutras paragens.
Fraca organização? – de forma alguma. A equipa organizativa mantém o seu núcleo desde os primórdios, continuando a evidenciar uma larga experiência, que se reflecte no figurino desta Prova.
Poucos prémios? – não me parece. Não sei os prémios que estavam reservados para os da frente, mas para a malta do pelotão, o saco final estava até acima da média, contendo o tradicional prato de louça, t-shirt, fruta, água e aquela broa de mel deliciosa da pastelaria Batel. E ainda uma medalha ( de uma madeira sintética, mas bonita).
Que raio será? Não sei. Talvez a simples tendência generalizada da redução dos números a que assistimos em quase todas as provas.
Tinha-me esquecido do relógio. Ainda bem, pois como não trazia qualquer objectivo, era escusado sentir-me pressionado com o andamento. Assim, fui calmamente, ao ritmo que me parecia mais confortável para a distância. No retorno, reparo que vinha a ultrapassar gente que me tinha passado quando ia para Famalicão. Lembrei-me do estado em que vinha quando, em muitas edições, passava pelos 18 ou 19 km!!! Agora sentia-me fresco e continuava a ganhar posições. Terminei quando o cronómetro da meta marcava 1,48,10. Foi-me atribuído o tempo de 1,47,59.Foi com este tempo que passei à Meia na Maratona do Porto. Todos os resultados aqui.
Durante o retorno estranhei muito só ter visto 3 ou 4 amigos destas andanças - e não é que fosse desatento . A uns ainda deu para cumprimentar, outros já só de relance como foi o caso de 2 colegas da Tranquilidade (um pareceu-me o Sena, o outro não sei). Vi o Mimoso,  Rangel, o Alex, o Luis Sousa e…pronto. Sei que o Nuno Cabeça também lá esteve mas não consegui vê-lo.  O que é feito desta gente que, tal como eu, ainda vêem a Nazaré como eu a vejo, com o cunho indestrutível e a mística da meia maratona original ? Meias Maratonas há muitas, mas Nazaré é só esta.
As provas complementares que têm sido introduzidas no programa, como combate à perda de atletas, embora seja uma medida a estimular, penso que precisa de readaptar a organização a essa nova realidade, para evitar atropelos à chegada. Com a Volta à Nazaré (10Km) e a Caminhada (6Km) que terminam no mesmo local, verifica-se que há um intervalo de tempo em que os atletas, sem querer, causam atropelos uns aos outros no momento da chegada. Trata-se de uma situação que, em minha opinião, deveria ser revista.
De resto, tudo bem. Continuarei a ser “devoto” da Nazaré, quer estejam presentes 4000, quer estejam 600.  Não será só a organização que carrega a responsabilidade de não acabar com esta  Prova. A nós cabe a responsabilidade de lhe dar corpo evitando que ela definhe e, com isso,  faça desanimar quem tanto tem feito por ela. E se nós não formos lá, ela não pode fazer-se.
Um grande abraço à malta da Nazaré e parabéns por enfrentarem todas as dificuldades que os tempos vos foram colocando, mantendo de pé a “Mãe das Meias”.



sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Maratona do Porto : O meu histórico num quadro

O Quadro das minhas participações (elaborado por Orlando Duarte)


16ª Edição - 2019