segunda-feira, 13 de agosto de 2018

13ª Prova do ano : X UTNLO – Óbidos


Foto roubado ao Vitor Pinto

Com o Nuno Sabino, meu "salvador"

Com a Paula Simões e o Sérgio Andrade

A levantar o dorsal ( e o Miranda atento à papelada)




Esta é daquelas que não merece um texto, mas um livro.
Estive presente em todas e, só numa – a 8ª – não corri, limitando-me, com alguma tristeza, a assistir.
Não sabia, mas, com surpresa, fiquei a saber que esta 10ª edição seria a última da prova dos meus encantos. É que foi aqui que tive a minha 1ª experiência em provas de trail e que adorei. Lembro-me bem que ia com medo, tendo colocado como 1º objectivo nunca ficar sozinho, pelo risco de me perder, ou cair lá pela zona das arribas e não ter quem me ajudasse. Mas, ano após ano, as capacidades foram diminuindo, numa proporção idêntica ao aumento da experiência (ou mania) e…lá fui repetindo a graça. Sempre armado em campeão e optando pela maior distância, como se isso fosse sinal de robustez mesmo que os tempos miseráveis obtidos viessem dizer o contrário. Mas dava-me gozo concluir o desafio.
Esta 10ª Edição, seria mais uma. Mas quando soube que seria a última, fiquei com alguma tristeza, mas compreendi que os seus organizadores estavam com dificuldades em manter este figurino e já têm na calha um novo projecto que ajuda a aceitar melhor este “eclipse” do TNLO. Venha de lá esse novo projecto!
Não posso deixar de me sentir muito grato e reconhecido à Organização, por me terem atribuído o dorsal 1. Uma honra enorme, que me deixou sem palavras, pois a única coisa que fiz para o merecer, foi gostar desta Prova e dizer que gostava. Muito obrigado amigos do TNLO. Fico com uma dívida enorme para convosco.
Quanto à minha Prova, destaco dois pormenores que, por acaso, até se interligaram : o 1º foi notar que me tinha esquecido do telemóvel no carro, quando já estávamos a caminho do ponto da partida real. Pensei se deveria dispensá-lo, ou se seria melhor fazer um desvio, mesmo que isso me atrasasse a partida. À cautela, optei por ir buscá-lo, por uma questão de segurança. O 2º já vão ver qual foi.  É claro que já todos tinham partido, quando cheguei ao pórtico, mas ainda via os últimos e não precisava de pressa porque, houvessem pernas, tinha muitos quilómetros para integrar o grupo. O “vassoura” pôs-me à vontade, lembrando-me que o importante não é como se começa, mas como se acaba”. Grande verdade. Calmamente lá fui progredindo e, se calhar, entusiasmando-me mais do que o recomendado.
Anoiteceu. Liguei o frontal e a paisagem passou a ficar reduzida a um círculo. O resto era breu, interrompido por outros frontais que, uns mais perto, outros mais longe, davam o sinal de presença humana no meio do descampado.
Tinha eu corrido cerca de 22 km (pouco depois do ponto de separação dos percursos 23km e dos 43km), numa altura em que fiquei só, vejo-me completamente às escuras! O frontal tinha descarregado completamente, de forma súbita. E agora? Atrás de mim ainda esperei, mas não vi sinais de alguém que eu pudesse acompanhar e quem ia à minha frente, ainda que pudesse ter pernas para alcançar, não tinha luz e seria arriscado tropeçar (como aliás me aconteceu ainda de dia e fui ao chão). Não queria desistir, mas só quando aparecesse alguém, é que eu poderia prosseguir. Foi quando me lembrei do telemóvel, mas como nunca tinha usado a lanterna que tem incorporada, andei ali às aranhas, para a ligar. Mas lá consegui. Ah…este, como terão reparado, foi o 2º pormenor de que falei, que estava interligado com o 1º.  Telemóvel na mão, procurando as marcas reflectoras e o sítio onde punha os pés, fui andando ou correndo conforme podia. A terrível subida dos 25 km, foi feita à luz do telelé. Chegado ao abastecimento, onde pensei não encontrar atletas, pois estava muito atrasado, fico surpreendido por ainda lá estarem uns quantos. E a colaborar, estava lá o meu amigo e companheiro de equipa, Nuno Sabino, que pediu emprestado a um amigo que desistira naquele local, o seu frontal! Grande alívio.
Uma grande parte do percurso que restava, fi-lo na companhia do Herculano e da esposa, Elisa, que foram muito importantes, para não quebrar nos momentos menos bons que sempre aparecem.
Último abastecimento. Mais 8 km e já está. Mas estes km são “muita compriiiidos”! E depois havia ainda que subir a encosta norte para entrar no Castelo. A passo, claro está. E entro no anfiteatro que tinha como cenário a réplica da Porta da Traição. 7h;10m. Fui 135º da geral, de 152. Resultados completos.
Fui logo chamado ao pódio, pois acabara de ser (tal como em 2017) o 3º M60. Compreensivelmente, pois as pessoas têm mais que fazer, do que ficar à espera de quem “anda a passear”, o 1º (Manuel Victorino) e o 2º (Douglas Fry) já lá tinham estado e por isso, subi ao pódio sozinho. Contentíssimo, na mesma, recebi a medalha correspondente, acompanhada de uma garrafa de vinho “Gaeiras” especial.  
E pronto, faltava apenas que o estômago me autorizasse comer aquela sopinha divinal, o que consegui e me soube pela vida. Já não deu foi para comer uma fatia do bolo de anos do Orlando Duarte, pois eu já estava a começar a tremer de frio e ainda tinha de vir até ao carro que estava no outro extremo da Vila. Nesse trajecto, pela Rua Direita, deserta, lá venho eu, de andar novo, que não passou despercebido a um grupo de 5 ou 6 pessoas, que saiam de uma porta lateral. Passei, disse-lhes boa noite e depois ouvi um comentar para os restantes:  “ – Ouve, meu! Esta malta paga para correr 43 km!!!! Já viste o que é pagar para levar uma tareia destas!??Ainda se fosse para ir um concerto…para uma visita a qualquer coisa…um bom programa… entendia bem, mas isto!?!?”. Olhei para trás e, meio manco, pés e pernas sujos de lodo, garrafa de vinho numa mão e tigela na outra, dei sinal de que tinha ouvido o comentário e sorri.