segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

16ª Prova do Ano : 6ª Meia Maratona dos Descobrimentos

A melhor equipa presente (o que é que foi? para mim é!)

Caçado pelo Nelson Barreiros, na ida
...e na volta

...e pela Fernanda Silva



6ª Meia Maratona dos Descobrimentos. Então não é que “descobri” que ir fazer a Prova sem ter feito qualquer treino desde a Maratona do Porto, provoca umas dores nas pernas do caneco,  no dia seguinte!? Mas fui lá. Parti de trás, fui fazendo a coisa com calma e até deu para aumentar o ritmo nos últimos 7 Km (desde o Rossio).
Estava uma bela manhã para correr. Um bocadito de frio, mas nada de especial.
Fiz o tempo líquido de 1,52,24 e 1,54,13 à chegada (líquido), 1552º de 2640 à chegada e 35º de 73 do escalão.
Gosto muito deste prova, até porque ela ocupa a data e o cenário da antiga Maratona de Lisboa que tantas vezes corri e me deixa saudades.
Todos os resultados aqui.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

15ª Maratona do Porto 2018


Aos 2,40  lá vem ele, a arrastar as pernas. E ainda faltavam 2Km...

15ª Prova do Ano : 15ª Maratona do Porto

Parece que estava a adivinhar o regresso do "otchenta e otcho"
Oh p'ra mim e o Capela a mostrar respeito aos quenianos...



Os deuses, às vezes são lixados e não respeitam o trabalho de quem tem sido exemplar naquilo que faz. Ao invés de premiarem o mérito, castigam-no com crueldade, aproveitando-se de uma vulnerabilidade corajosamente assumida por uma Organização com “O” dos  grandes, ao longo das 15 edições da Maratona do Porto.

E vão 15

Mas vamos começar pelo principio.
Às 9;00, tudo a postos para ser dado o tiro de partida junto ao “Sealife”. As velhas glórias da Corrida, Fernando Mamede e Paulo Guerra apontavam para o ar, a pistola que haveria de dar o sinal que poria em marcha toda aquela multidão que, de um momento para o outro, tinha enchido aquela avenida. Por ser totalista da Prova, (eu e mais vinte) a organização brindou-nos com a prerrogativa de nos posicionarmos bem lá na frente, junto dos candidatos à vitória.
PUM ! Aí vamos nós. Como não queria ser estorvo para ninguém, havia que dar à perna e, na Rotunda do Queijo, olho para o relógio. Ia a 4,45/Km, eheh, onde é que vais, pa?! Vá, toca a encostar à esquerda na subida da Boavista e deixar passar aqueles que aguentariam um ritmo que, para mim, seria suicida em poucos quilómetros. Era preciso encontrar uma passada confortável. Pareceu-me encontrar a passada certa, folgada, como convinha. Mais uma espreitadela para o relógio: 5,00/Km ! Mas o que é isto ? Passo o km 3, o 4, o 5 e eu a pensar que estava a abrandar e, afinal, continuava abaixo dos 5,15.E pensei: “ou vou bater o meu record de há muitos anos, ou darei um estoiro de todo o tamanho.” À Meia Maratona ainda estava a andar abaixo dos 5,30 e, estranhamente, continuava a sentir-me bem. Ia mais próximo do balão das 3,30H do que do das 3,45H. Afurada e retorno, onde me vou cruzando com vários amigos que se espantavam de me ver ali. E eu também. A qualquer momento, a coisa podia quebrar. Na ponte D. Luis, por volta dos 29, pareceu-me sentir alguns sinais, mas estava a manter o ritmo.
Faço o último retorno, por volta dos 31 Km. Agora era sempre em frente até à rotunda da Anémona. A entrada no Túnel da Ribeira (33Km) é sempre um momento esperado. É um ponto estratégico do percurso e a Organização sabe disso.  Lá estava o “homem da marreta” de um lado e do outro, passavam vídeos motivadores, mostrando a espantosa ponta final do Kipchoe na Maratona de Berlim. Claro que era para rir. Mas tinha de optar e, entre a “marreta” e o Kipchoe, imaginei-me a correr ao lado deste para fugir daquele. Aos 34 vejo-me a ser ultrapassado por um grupo numeroso de atletas. E outro. Mau sinal. Estava a andar a 6,00´/Km! Era óbvio que o balão das 3,45 estava também a passar. Bruxo! E o da marreta também. Tentei reagir, mas não deu. Teria de me dar por satisfeito se não baixasse muito dos 6/km, pois esta era a parte penosa. Vão passando alguns e eu vou passando outros (menos). Na rotunda da Anémona, começo a sentir algo no estômago. Mau,mau. Era bom que aguentasse até cortar a meta que estava a 500m. Não deu. Lá tive de encostar, nauseado e parei cerca de um minuto. A chuva aumentou muito de intensidade. Lá recupero a corrida, e entro no Queimódromo para pisar a passadeira vermelha. As majoretes, protegidas com impermeáveis, lá iam abanando os pompons com alegria e o speaker também não se cansava de incentivar os atletas naqueles últimos metros. Gestos de vitória para a fotografia e o cronómetro a marcar 3,50,23. Mais umas náuseas (que ainda tinham ficado por sair) e os jovens da Cruz  Vermelha, atentos, a oferecerem-me um saco para vomitar. Agradeci, mas dispensei, pois eram vómitos que não tinham conteúdo. Foi rápida a recuperação. Medalha ao peito, capa pelos ombros, fui beber uma cervejinha que soube pela vida.
A intempérie acentuava-se e vejo elementos da organização aflitos para segurarem as tendas e os chapéus que o vento ameaçava levar. Junto aos guarda-roupas, vi que havia alguma confusão e com muita pena, não era possível ficar ali sentado um bocadinho, a descontrair, como sempre tem acontecido. Sem grandes perdas de tempo, encaminho-me para o autocarro que me levaria ao hotel, para tomar um banho e fazer o checkout.
Recebo por SMS, uma mensagem de felicitações a dizer: “A Vitalis e a Runporto dão-lhe os parabéns por terminar a Maratona do Porto de 2018. Class.Provisória:3.50.23 .Pos.2022. Vitalis, água oficial das maratonas”. Como diria o outro: “- Porreiro,pá.” Menos 2 minutos que em 2017, que já tinha considerado bom. (Todos os resultados aqui.)
Infelizmente, vim a confirmar depois, que a tal confusão junto aos guarda-roupas, tinha vindo a revelar-se bastante mais grave do que aquilo que me tinha parecido, pois muitos atletas estavam em hipotermia e as mantas térmicas tinham-se acabado cedo; as mochilas dos atletas, além de não estarem ordenadas como é costume, estavam encharcadas, o que gerou também alguma indignação.
O pedido de desculpas público, que o Director da Prova, Jorge Teixeira apresentou, logo de seguida, revela a humildade que as grandes organizações devem ter quando falham. Estou certo de que ninguém, mais do que ele - como perfeccionista que é naquilo em que se empenha- lamenta  o sucedido. É verdade que a Organização estava avisada de que iria chover e por isso custa a crer que tenha sido por aí que “deu o flanco” para ser atacada.
Entendo, no entanto, que a Runporto, pelo que já fez pela Corrida e por ter conseguido elevar a Maratona do Porto ao mais alto patamar competitivo do Mundo, ao assumir que falhou onde não devia, merece uma segunda oportunidade àqueles que ficaram mal impressionados com este incidente.
PARABÉNS, RUNPORTO. Mesmo sem ter conseguido a excelência, porque as condições climatéricas pesaram. Correr a Maratona do Porto, ao longo de um cenário fabuloso, em que os atletas se sentiram deslumbrados e sempre acompanhados é um privilégio enorme. E que ninguém tenha dúvidas que a falha deste ano não voltará a repetir-se, pois é muito mais fácil a um organizador de maratonas organizar um guarda-roupa, do que a um organizador de guarda-roupa organizar uma maratona como a do Porto.
A 16ª Edição está já marcada para 3 de Novembro de 2019. Quero lá estar de novo. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Prova nº 14 de 2018 - Maratona de Lisboa



Com o Nuno Marques à espera da partida

Armado em valentão

No Alto da Boa Viagem, apanhado pelo Nelson Barreiros


E depois acabas com esta carinha...

...para ganhar o "vil metal"


Mais uma maratona concluída. E vão 81, se considerarmos as incursões pelas ultras mais “levezinhas” na distância. Cada uma tem uma estória que, se não for registada na altura própria, acabará por se confundir com a de outras, principalmente quando o arquivo da memória vai dando sinais de falência. Mas vamos ao que interessa. Maratona de Lisboa- 2018.
A Protecção Civil, com a aproximação do Leslie, transformou a véspera da prova num dia de incertezas. A realização da prova estava em causa, pois se o efeito da intempérie causasse perturbação no percurso e pusesse em causa a segurança dos atletas, não haveria maratona para ninguém. Mas um desvio para norte do rumo da tempestade, para sorte de uns e azar de outros (e para estes vai o meu abraço solidário)  permitiu que a Maratona se desenrolasse em condições atmosféricas óptimas (ou perto disso), embora uma hora mais tarde que o inicialmente programado.
Fui de boleia com o Nuno Marques até Cascais. O nosso amigo Ventura Saraiva, em missão de reportagem, também foi connosco e a Cristina Caldeira, mulher do Nuno, levaria, depois, o Carro para Lisboa. Chegámos bem a tempo e pudemos cumprimentar vários amigos e tirar umas fotos antes de nos posicionarmos no sector de mais de 4h.
A táctica estava desenhada: iniciar a prova com um ritmo bem contido, a rondar os 6´/km para terminar com 4,15 -4,20. Fácil. O Nuno tinha outro esquema: arrancar com o que pudesse, mesmo sabendo que a parte final seria penosa.
Do Hipódromo ao Guincho, sentia-se algum vento contra, mas nada de especial, principalmente para quem vai ao abrigo dos que vão à nossa frente, eheh. Quando dou por mim, passados 5 Km, o Nuno ainda ia ali. Fui ver, eu é que ia rápido. Estava a andar a cerca de 5,20. É sempre a mesma coisa. Acho que vou bem e que não ganharia nada em ir mais devagar. À saída de Cascais (14km) e entrada na Marginal resolvo abrandar, antes que os sinais começassem a aparecer. “ Lembrei-me” de um xixi. Não era grande a vontade, mas tive o azar de me lembrar e essa ideia nunca mais me largava, até que encontrei um arbusto mais a jeito e fiquei aliviado não da bexiga, mas da “tola”. Retomo o andamento e passo a Meia com o relógio a indicar 1,57. Boa! O marca-passo das 4h ainda vinha atrás. Novo incómodo: tripa! Ainda pensei que também fosse psicológico, mas não. Vejo uma casa de banho e pensei que a solução estava ali, só que, um dos que iam à minha frente, estava a passar pelo mesmo e foi usá-la. Bem, há que continuar, meio encolhido. Perto da Praia da Torre, do lado oposto, vi um canavial atrás de um murete. Tem que ser. Atravesso a outra faixa, e salto o murete rumo às canas. Ao saltar, toco com a cabeça numa cana que estava apontada para baixo. Não liguei e faço o que tinha para fazer, quando vejo, à minha frente, sangue a pingar abundantemente no chão. Mau. A garrafinha de água (que sempre levo até ao próximo abastecimento) deu-me jeito, pois fez de maleta de primeiros socorros.
Subir o Alto da Boa Viagem não estava nos planos, pois costumamos evitá-lo indo pelo paredão, a zona onde se desfraldam as bandeiras de vários países presentes em prova. Mas lá subi aquilo, com a agradável surpresa do incentivo do amigo Nelson Barreiros, que até captou esse momento. Obrigado Nelson.
Aos 30 resolvo parar no abastecimento e emborcar powerade à bruta. Claro que 500m depois estava nauseado e tive de me pôr a passo. Acho que foi aí que comecei a sentir o objectivo em perigo. Ando uns metros e recomeço, mas num passo muito mais fraquinho que até então. E fui vendo a malta passar, sem grande hipótese (ou, pelo menos, vontade) de reagir.
Cais do Sodré, 40Km. Está quase. O que eu gostava de chegar ali leve e desempenado! Mas tive de me contentar em atravessar aquela zona, como se cada sapatilha pesasse 50 kg. Bem queria agradecer o incentivo que o público ia dando, mas o que conseguia fazer não passava de um esgar de mal-agradecido que escondia com um leve aceno de braços.
Entro na Praça do Comércio e contorno-a pelo lado ocidental, Rua da Conceição (comum ao pessoal da Meia Maratona) e, finalmente a Rua Augusta com o seu arco imponente a anteceder o pórtico da chegada, onde o relógio registava 4;15 (ou coisa parecida). Mas o tempo líquido foi de 4,13,50. Nada mau. O “sacana” do Nuno tirou-me 10 minutos. Mas estas contas vão-se ajustar, digo eu. 
Estava feita mais uma Maratona de que sou totalista e que foi um bom teste para a que vem aí a 4 de Novembro : a 15ª Maratona do Porto. Venha ela.  

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

13ª Prova do ano : X UTNLO – Óbidos


Foto roubado ao Vitor Pinto

Com o Nuno Sabino, meu "salvador"

Com a Paula Simões e o Sérgio Andrade

A levantar o dorsal ( e o Miranda atento à papelada)




Esta é daquelas que não merece um texto, mas um livro.
Estive presente em todas e, só numa – a 8ª – não corri, limitando-me, com alguma tristeza, a assistir.
Não sabia, mas, com surpresa, fiquei a saber que esta 10ª edição seria a última da prova dos meus encantos. É que foi aqui que tive a minha 1ª experiência em provas de trail e que adorei. Lembro-me bem que ia com medo, tendo colocado como 1º objectivo nunca ficar sozinho, pelo risco de me perder, ou cair lá pela zona das arribas e não ter quem me ajudasse. Mas, ano após ano, as capacidades foram diminuindo, numa proporção idêntica ao aumento da experiência (ou mania) e…lá fui repetindo a graça. Sempre armado em campeão e optando pela maior distância, como se isso fosse sinal de robustez mesmo que os tempos miseráveis obtidos viessem dizer o contrário. Mas dava-me gozo concluir o desafio.
Esta 10ª Edição, seria mais uma. Mas quando soube que seria a última, fiquei com alguma tristeza, mas compreendi que os seus organizadores estavam com dificuldades em manter este figurino e já têm na calha um novo projecto que ajuda a aceitar melhor este “eclipse” do TNLO. Venha de lá esse novo projecto!
Não posso deixar de me sentir muito grato e reconhecido à Organização, por me terem atribuído o dorsal 1. Uma honra enorme, que me deixou sem palavras, pois a única coisa que fiz para o merecer, foi gostar desta Prova e dizer que gostava. Muito obrigado amigos do TNLO. Fico com uma dívida enorme para convosco.
Quanto à minha Prova, destaco dois pormenores que, por acaso, até se interligaram : o 1º foi notar que me tinha esquecido do telemóvel no carro, quando já estávamos a caminho do ponto da partida real. Pensei se deveria dispensá-lo, ou se seria melhor fazer um desvio, mesmo que isso me atrasasse a partida. À cautela, optei por ir buscá-lo, por uma questão de segurança. O 2º já vão ver qual foi.  É claro que já todos tinham partido, quando cheguei ao pórtico, mas ainda via os últimos e não precisava de pressa porque, houvessem pernas, tinha muitos quilómetros para integrar o grupo. O “vassoura” pôs-me à vontade, lembrando-me que o importante não é como se começa, mas como se acaba”. Grande verdade. Calmamente lá fui progredindo e, se calhar, entusiasmando-me mais do que o recomendado.
Anoiteceu. Liguei o frontal e a paisagem passou a ficar reduzida a um círculo. O resto era breu, interrompido por outros frontais que, uns mais perto, outros mais longe, davam o sinal de presença humana no meio do descampado.
Tinha eu corrido cerca de 22 km (pouco depois do ponto de separação dos percursos 23km e dos 43km), numa altura em que fiquei só, vejo-me completamente às escuras! O frontal tinha descarregado completamente, de forma súbita. E agora? Atrás de mim ainda esperei, mas não vi sinais de alguém que eu pudesse acompanhar e quem ia à minha frente, ainda que pudesse ter pernas para alcançar, não tinha luz e seria arriscado tropeçar (como aliás me aconteceu ainda de dia e fui ao chão). Não queria desistir, mas só quando aparecesse alguém, é que eu poderia prosseguir. Foi quando me lembrei do telemóvel, mas como nunca tinha usado a lanterna que tem incorporada, andei ali às aranhas, para a ligar. Mas lá consegui. Ah…este, como terão reparado, foi o 2º pormenor de que falei, que estava interligado com o 1º.  Telemóvel na mão, procurando as marcas reflectoras e o sítio onde punha os pés, fui andando ou correndo conforme podia. A terrível subida dos 25 km, foi feita à luz do telelé. Chegado ao abastecimento, onde pensei não encontrar atletas, pois estava muito atrasado, fico surpreendido por ainda lá estarem uns quantos. E a colaborar, estava lá o meu amigo e companheiro de equipa, Nuno Sabino, que pediu emprestado a um amigo que desistira naquele local, o seu frontal! Grande alívio.
Uma grande parte do percurso que restava, fi-lo na companhia do Herculano e da esposa, Elisa, que foram muito importantes, para não quebrar nos momentos menos bons que sempre aparecem.
Último abastecimento. Mais 8 km e já está. Mas estes km são “muita compriiiidos”! E depois havia ainda que subir a encosta norte para entrar no Castelo. A passo, claro está. E entro no anfiteatro que tinha como cenário a réplica da Porta da Traição. 7h;10m. Fui 135º da geral, de 152. Resultados completos.
Fui logo chamado ao pódio, pois acabara de ser (tal como em 2017) o 3º M60. Compreensivelmente, pois as pessoas têm mais que fazer, do que ficar à espera de quem “anda a passear”, o 1º (Manuel Victorino) e o 2º (Douglas Fry) já lá tinham estado e por isso, subi ao pódio sozinho. Contentíssimo, na mesma, recebi a medalha correspondente, acompanhada de uma garrafa de vinho “Gaeiras” especial.  
E pronto, faltava apenas que o estômago me autorizasse comer aquela sopinha divinal, o que consegui e me soube pela vida. Já não deu foi para comer uma fatia do bolo de anos do Orlando Duarte, pois eu já estava a começar a tremer de frio e ainda tinha de vir até ao carro que estava no outro extremo da Vila. Nesse trajecto, pela Rua Direita, deserta, lá venho eu, de andar novo, que não passou despercebido a um grupo de 5 ou 6 pessoas, que saiam de uma porta lateral. Passei, disse-lhes boa noite e depois ouvi um comentar para os restantes:  “ – Ouve, meu! Esta malta paga para correr 43 km!!!! Já viste o que é pagar para levar uma tareia destas!??Ainda se fosse para ir um concerto…para uma visita a qualquer coisa…um bom programa… entendia bem, mas isto!?!?”. Olhei para trás e, meio manco, pés e pernas sujos de lodo, garrafa de vinho numa mão e tigela na outra, dei sinal de que tinha ouvido o comentário e sorri.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Um abraço ao João Paulo





Ele não vai de modas, pensa assim:
-“Se gosto de correr, vamos, então,
Não importa a distância, que p’ra mim
Podem vir muitas léguas de alcatrão,
Que focado na meta, chego ao fim,
Pois não me falta determinação.
Sou o João Paulo Felix, vosso amigo
Que corre por prazer, não por castigo.

Corri Porto-Lisboa, vim feliz,
Corri também a Volta ao Ribatejo,
Medi a passo todo o meu País
Conforme era, de há muito, meu desejo.
E então, uma vez em Chaves, o que eu fiz
Foi vir por aí abaixo, por gracejo,
Até chegar a Faro (!) grande guerra!
E só parei por não haver mais terra.

Mas novo desafio surge na mente
(e sem que esteja a bater mal da mona)
Que é chegar a Faro, novamente
Mas desta vez, vindo de Barcelona!
Tanto quilómetro tenho pela frente
Mas vamos ver como isto funciona.
P´ra lá chegar, acho-me preparado
Ainda mais, com tanto amigo do meu lado.”

Força aí João Paulo. Vamos seguindo os teus passos.

sábado, 14 de julho de 2018

STE - Tranquilamente


Tranquilo, sobe a serra no seu passo
Sem a pressão do tempo ou velocidade
E mesmo que o vigor se torne escaço
Teima em pensar como na tenra idade.
Indiferente aos que têm pernas de aço
Fazendo a prova em menos de metade
Do tempo que levou na dura luta
Mas do dobro em prazer ele desfruta.

Faldas da serra, íngremes escaladas
Que a custo foi trepando e enchendo o peito
E nas clareiras mais iluminadas
(Desde que planas), lá lhe dava o jeito
E corria, sem ter horas marcadas
P’ra concluir tão saboroso feito
E lá fez jus a tão grande verdade:

Tranquilamente é com Tranquilidade.






Trail: Sintra Trail X'treme 2018

terça-feira, 10 de julho de 2018

12ª Prova do Ano : Montepio -STE (Sintra Trail Extreme)


Cheguei. Obrigado pela foto, Bernardete Morita

A primeira é que foi !!!
Com o amigo Francisco Vaz (foto do Ricardo Leitão)

Na minha vida de corredor (ou turista das corridas, se quiserem), que já tem uns aninhos, mal de mim seria se não tivesse estabelecido um calendário das clássicas onde, fielmente, sempre que posso, participo. Nesse rol estarão, talvez uma vintena de provas.
Porém, outras vão surgindo, que também se apresentam como desafiantes.
É o caso do Montepio STE –Sintra Trail Extreme. Não estava nos planos, pois o próprio nome “Extreme” assusta, mas um inesperado convite de um amigo a quem não consigo dizer que não, levou-me a inscrever, embora convicto de que, a meio, talvez tivesse de abandonar a Prova, pois era grande a carga para a minha condição física : 31Km com 1600m de desnível acumulado! Mas a curiosidade em saber como é que a Organização, a cargo dos meus amigos do Monsanto Running Team ( a quem estarei sempre grato pelo carinho que dedicaram ao Trilho das Lampas desde a primeira hora) iria controlar os acontecimentos. Prova de 31 Km do Campeonato Nacional, Prova de 31Km aberta, Prova de 22Km do Campeonato Junior, Caminhada de 12Km, totalizando mais de mil inscritos. Era Obra!

Por mail, recebo o Guia da Prova, que dizia, tintim por tintim, tudo o que interessava saber. Fui de véspera levantar o dorsal, nos Bombeiros de S. Pedro de Sintra. Rápido e eficiente. No dia D, fui cedo para escolher um lugar para estacionar perto da chegada, o que foi muito fácil.
Saio do carro, para ir dar uma volta e ver como paravam as modas e atento-me nos equipamentos dos atletas. 90% tinham daqueles coletes” Salomon” com um boião de água de cada lado. Muito prático e eu…a começar a sentir-me deslocado, pois não tinha nada daquilo. Ora, da leitura que fiz do tal guia, vi que havia material obrigatório: um litro de água, telemóvel, manta térmica, apito e geis/barras energéticas, com o número do dorsal escrito. E o dorsal, obviamente. Tudo muito certo. A dúvida era como é que hei-de levar 1 litro de água (?), eu que tinha prometido a mim mesmo, há uma meia dúzia de anos, não voltar a levar mochila que usei na UMA, pois aquecia-me as costas e tornava-se muito incómoda. Substitui-a por uma bolsa de cintura com um boião de cada lado. Mas isso não dava para um litro. É que, como participo em poucas provas de trail, descuido-me um bocado com o equipamento necessário (ou acessório). A minha mochila era do Lidl e tive que lhe adaptar um depósito de água que pertencia a uma velha que tinha em casa. Levei-a  a contragosto e pus lá tudo o que era exigido e que foi verificado na entrada para a zona de partida.
Às 8h saem os prós. Às 8,30 saem os que não são do campeonato mas que vão fazer os mesmos 31 Km com menos pressão.
Partida. O perfil do percurso vinha bem escarrapachado no dorsal, para o podermos consultar em qualquer momento: um “serrote” com dentes enormes e assustadores.
A táctica era fácil, lembrava-me o meu amigo Vilela: “é pôr um pé à frente do outro”. Sai o pelotão, atravessa a estrada numa passagem inferior e começa a subida, feita com calma, a passo, como em todas as subidas que foram aparecendo. Corria, nas descidas ou no plano. O 1º abastecimento não cheguei a usar, mesmo sabendo que o seguinte só surgiria 12 km depois. Tinha muita água na mochila. Gostei da sinalética existente: na base de cada subida, havia uma placa indicando a distância e o desnível que ela tinha (ficávamos a saber o que nos esperava) e no topo, uma placa com uma mão fechada de polegar levantado, ao jeito de um like, como quem diz, “estás a portar-te bem. Agora é a descer”.
Os postos de abastecimento estavam guarnecidos com produtos para todos os gostos: água, fruta diversa, isotónico, salgados e - muito importante – uma inexcedível simpatia.
Numa das primeiras grandes subidas, agarro num pau, que me ajudou a progredir enquanto subia e depois, a equilibrar enquanto descia. Dei-me bem com ele, pois se travarmos um desequilíbrio logo na origem, não haverá consequências. Não o larguei. Diziam por graça: “ desviem-se que vem aí o homem do pau! Trouxe-o até à meta e não exagero se vos disser que o considero um troféu. Por norma, os troféus recordam-me que acabei uma prova. Este recorda-me como a fiz, o durante. E quando se diz que o importante é o caminho, talvez este pau me recorde o importante.
À chegada, havia tendas só com coisas boas que, se o estômago me deixasse, iria emborcando até à saciedade.
Terminei em 326º ( em 378) com o tempo de 5,17 e fui o 6º do escalão (em 6, eheh, que o pessoal da minha idade, ou é mesmo bom, ou não se mete nestas coisas). Resultado.

E quando chego a casa, fico a saber que já tinham saído 4 dos miúdos da gruta da Tailândia e hoje, 3ª Feira, já cá estão todos fora, numa admirável operação de socorro de que não se conhecem precedentes. Boas notícias. Uma enorme vénia para os mergulhadores envolvidos.  
Por fim, a avaliação que faço deste Montepio- Sintra Trail Extreme, face ao pouco que conheço, é de nota máxima. Vi como se faz uma prova Extreme. Não posso dizer que aprendi, porque isso implica sabedoria para reproduzir os mesmos conceitos, mas posso dizer que fiquei maravilhado por ver como a Organização deu conta do recado, neste evento que rotulo como um estrondoso sucesso. Parabéns, amigos do Monsanto Running Team. Em 2019, espero poder voltar, se possível, mais apto.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Montepio Sintra Trail X-Treme ? (Ui,ui...)



Acenaram-me e...bastou. Acho que perdi a cabeça. Lá vou eu para um desafio em que a fé é pouca, mas a curiosidade é muita. São 31,2 Km com um desnível acumulado de respeito (1650m !) na Serra de Sintra. É o Montepio Sintra Trail X-Treme, para os amigos o STE.
Pasmado fiquei eu quando recebo um mail, onde está lá tudo,tudo sobre a Prova, num pormenorizado "Guia do Atleta" feito com um profissionalismo de se lhe tirar o chapéu e que retira todas as dúvidas. Só não corre por nós! Dêem-lhe uma espreitadela e digam lá se não estamos perante o supra-sumo de uma organização de topo, ou não fossem os seus principais responsáveis, doutos varões do Trail Nacional e Internacional com quem todos temos muito a aprender.
Vou lá sim senhor. Corro ou caminho o que puder, desfruto dos trilhos da serra verde e dos cheiros que dela saem e deleito-me com as paisagens e vou observar e aprender com quem sabe. Dão-me 5,30h para fazer aquilo. Se as "cruzes" aguentarem o sobe-e-desce, talvez esse tempo dê. Se não der, não há crise, mas estou esperançado que vai ser uma manhã muito bem passada. Uma coisa é certa: quer termine quer desista, não terei êxito nem fracasso. O prazer em participar, esse é que espero seja enorme, na razão directa do empeno que me espera.



terça-feira, 3 de julho de 2018

11ª Prova de 2018 – 39ª Corrida das Fogueiras

Cheguei ! Obrigado pela foto, Armindo Santos.




Peniche é daquelas que não posso perder, pois sou freguês desde os primórdios, quando a Corrida ainda só tinha 12 Km. Tenho pena de não ter os registos de todas as minhas participações, mas ainda não perdi a esperança de os encontrar, nem que tenha de ir à Torre do Tombo da Corrida, espiolhar o que para lá consta em meu nome.
Começo a tornar-me numa personagem irritante, por dizer que estive 3 semanas sem treinar nada (e numa delas, a curtir uma gripe). Contudo, a esta Prova, pelo seu estatuto, não poderia faltar, pois ainda não arrumei as sapatilhas.
Cheguei a Peniche, muito a tempo de ver o Portugal-Uruguai, no grande ecran que foi colocado na praça central da cidade.
Ao intervalo, encontro alguns amigos do CCD Tranquilidade e fomos até ao local da partida onde, pacientemente, o nosso amigo Tam Afonso, distribuía os dorsais pelas nossos atletas. Os dorsais e o novo equipamento que, não é para me gabar, até acho bonito. Uma vénia especial para o Afonso, que sacrificou o jogo, para ficar à espera da malta da equipa. O espírito de missão à frente da emoção de um jogo de futebol, mesmo que do Campeonato do Mundo. Obrigado Afonso.
Terminado o jogo do nosso desalento, em que perdemos por 2-1 e fomos impedidos de passar aos 4ºs de final, rapidamente se esfumou a enorme concentração humana naquele local, com o chamado “melão” e sorrisos amarelos e ouvia-se: “Vamos mas é correr”! Ora aí está! Nem mais.
Uns minutos de aquecimento e encaminhámo-nos para a zona da partida. Desta vez, e por falta de indicarmos “credenciais”, fomos brindados com a pulseira azul, ou seja, a dos fundos. Da equipa, estava eu, o Virgílio, o Nuno Sabino e a Paula.
21,30H. Começa a prova. O Nuno e o Virgílio, que são de outro campeonato, não conseguiam progredir e à conta disso, consegui ir com eles no 1º km. Só no 1º Km! Depois, foram à sua vida e eu à minha. A Paula já tinha entendido seguir uma passada mais confortável e não se preocupou com as pressas.
Consegui manter um andamento na casa dos 5,10/Km o que me pareceu francamente bom para o momento actual.
Durante o percurso ainda caiu uma chuvinha, coisa pouca, que até deu para refrescar. Terminei com 1,18,09 (1,20,50) no 1530º lugar da geral (em 3054) e 50º do escalão (em 108). Todos os resultados aqui.
A Organização continua em grande nível, sendo uma das grandes referências da Corrida Popular em Portugal. Para ela e para todos os colaboradores, vão os meus Parabéns muito sinceros.
Porque é que acham que eu não gosto de faltar à Corrida das Fogueiras ?
Ah, e já quando ia procurar um sítio para comer uma bifana, antes de voltar para casa, encontro o Jorge Pereira e o Álvaro Pinto que se preparavam para jantar. Calhou que nem ginjas. Juntei-me a eles e prolongámos a festa por mais uns agradáveis minutos. 

segunda-feira, 4 de junho de 2018

A Tal, do gostinho especial .



Aí está ela, a 42ª Meia Maratona de S. João das Lampas. Cá estaremos a aguardar a vossa presença.
Toda a informação aqui.
Como sou vosso amigo, aconselho a que não deixem escapar o período de inscrição mais económico, que vai até 20 de Junho.
A novidade que vos trazemos é a "Meia Rampa", com 13 km e o regresso da Caminhada, de 9 Km (mas em percurso de trilho). Vai ser giro.
Vá lá, escolham a distância e toca a inscrever.

domingo, 3 de junho de 2018

10ª Prova do Ano : Corrida de Santo António -Lisboa






Mais uma edição da Corrida de Santo António e, mais uma vez, marquei presença, continuando a ser totalista. O Diploma acima relata tudo o que havia para dizer em termos do desempenho cá do rapaz. Há, no entanto, em relação a 2017, a particularidade de ter partido na porta certa: sub-50.
Gosto muito desta prova, pela excelente organização que tem e pela animação que promove nos meses que a antecedem, sabendo manter as atenções em torno dela. E o facto de estar incluída nas Festas da Cidade, proporcionam uma excelente oportunidade para que se vá cedo e se dê uma voltinha pelo centro. Fui pela Rua Augusta e surpreendi-me com a quantidade de artistas de rua que lhe dão vida e prendem as atenções dos transeuntes. Na praça do Comércio, ainda tive tempo para assistir a dois ou três clássicos soberbamente interpretados por uma orquestra sinfónica ao sério. Mas infelizmente, as centenas de cadeiras  colocadas à frente do palco estavam... vazias, não porque as pessoas se alheassem do concerto, mas porque preferiam estar cá atrás, de pé, junto à estátua.
Grande momento.
Regresso ao Rossio, junto-me ao pessoal da minha equipa, a Tranquilidade, tirámos a foro da praxe junto ao Teatro D. Maria e pronto, há que ir para a zona da partida e esperar pelo momento, rodeado por amigos, como os da foto acima, Cristina, Nuno Marques e João Lima.
Após a prova, assisti à cerimónia do pódio, depois de ter tomado uma cervejinha na zona dos convidados! Sim, porque ter sido o autor de uma das quadras do manjerico, deu-me o privilégio de aceder àquele espaço (ai, que isto, se calhar, não era para se dizer).
Chego a casa e vejo que o meu amigo Nuno Cabeça já tinha partilhado  a quadra que acompanhava o seu manjerico. Obrigado, Nuno.
Fiquei satisfeito. Deixo apenas uma nota negativa, que nada tem a ver com a organização, que teve o cuidado de disponibilizar sanitários em número suficiente (talvez 20), mas com a "atmosfera" do Rossio. Bem sei que há quem não tenha escrúpulos e mije em qualquer lado, principalmente se a coberto da noite, mas também não é menos verdade que não há sanitários públicos por ali, ou então não estão devidamente sinalizados. E as aflições surgem, acabando por contaminar o ar que respiramos enquanto apreciamos a beleza da cidade de sinal tão contrário.
Ora, se a HMS não tem nada a ver com isso,  esta conversa não é para aqui chamada.
A HMS, já o tenho dito várias vezes, pertence à fina flor das organizações de provas e já não precisa de demonstrar o que quer que seja, para merecer a mais alta cotação. Parabéns, Hugo e toda a fantástica equipa de colaboradores.
Fiquei em 588º entre 2661 e em 10º entre 77 do meu escalão. Tou bom não tou? Os métodos do Cacau são infalíveis, eheh.
Resultados completos aqui.




segunda-feira, 7 de maio de 2018

9ª Prova do Ano: Eco Maratona de Lisboa (Meia)



À chegada ao local (foto do meu amigo Nelson Barreiros)

Com o grande João Paulo Félix, acabado de chegar da aventura Tróia-Sagres a correr (foto de Nelson Barreiros)


Lisbon Ecomarathon !  Tratando-se de um conceito que ultrapassa fronteiras, até aceito, a designação apesar do “formigueiro” que me causam estes rótulos em território -por enquanto- português.
Embora inscrito inicialmente na Maratona, comecei a ver que o melhor era virar a agulha para a Meia, para não me armar em parvo e acabar –se acabasse – de gatas.
Estava um dia de Verão, com o céu limpo e uma temperatura elevada, propícia a um bom escaldão, não fosse a refrescante sombrinha do arvoredo de Monsanto.
No topo Norte do Parque Eduardo VII, a Maratona saíu às 8;30H com cerca de uma centena de atletas. A Meia, onde alinhei, uma hora depois, com mais do dobro.
É uma prova difícil disputada maioritariamente em terreno de terra batida e com desníveis por vezes acentuados, o que obriga a que os tempos registados, sejam bastante superiores à media dos tempos das provas em estrada com idêntica distância.
As marcações estavam feitas com placas amarelas bem visíveis e colocadas estrategicamente. Não obstante, e infelizmente, os primeiros atletas da maratona foram induzidos em erro não pelas placas, mas por indicação errada de voluntários, o que os obrigou a fazer mais meia dúzia de Km, o que leva a acautelar, de futuro, a idoneidade dos colaboradores, pois é sempre a Organização que responde por estas situações que se lamentam. Numa tentativa de remediar o mal, os atletas prejudicados foram compensados com um bónus de tempo equivalente aos km em excesso. Mas é claro que uma coisa é fazer-se os esperados 42 Km, outra é o fazer-se 50Km com a carga de desânimo que isso implica. (Ia eu ao Km 7, quando passa por mim o João Faustino, que era um dos candidatos à vitória na Maratona, lamentando-se de ter sido enganado no percurso).  Foi pena esta mancha, numa organização que considero de grande qualidade, mas com um subaproveitamento das estruturas e condições colocadas à disposição dos atletas. Nesse aspecto, estava ao nível do melhor que se tem visto por aí. Gostei de ver um grupo de umas dezenas de franceses, de Mèdoc, da tal maratona especial de Setembro, disputada no meio dos vinhedos. Contagiante a sua boa disposição; o Marathon Man, que, durante o percurso, ao longo de vários Km ia à minha frente, fazendo a reportagem, comentando, filmando e entrevistando os atletas que estavam próximos. Destaque para os abastecimentos, feitos por uma quantidade enorme de voluntários, que revelaram  um cuidado extremo na recolha das embalagens usados pelos atletas.
Há, no entanto, que reflectir sobre os motivos que não atraíram os atletas para um evento deste gabarito.
Cá para mim, se tivesse alguma voz na Organização, faria dois reparos, que valem o que valem:
- Que tal uma taxa de inscrição mais convidativa ?  É que se não se pretende mexer na data –o que é cada vez mais difícil – há que oferecer melhores condições que a concorrência e a taxa de inscrição é o “cartão de visita” de qualquer prova. Pode até a qualidade do serviço justificar uma inscrição elevada, mas não é esse o principal factor que é procurado por quem só gosta de correr.
- A existência de uma Meia Maratona retira atletas da prova principal (contra mim falo, que optei pelos 21). Quando muito, associado à Maratona, poderia haver uma prova curta de 10 ou 15km. A visibilidade, não devemos esquecer, está na prova principal, que não deve ser secundarizada pelas provas acessórias.
Tudo o resto, enche as medidas dos mais exigentes, com nota máxima: delimitação do espaço da zona de partida, forças de socorro e segurança, massagem, sanitários, som ambiente e serviço de speaker de qualidade, zona de descontracção com mesas, bancos corridos à sombra de enormes chapéus de sol, onde nos refrescávamos com 1,2,3 ou 4 (como no meu caso) imperiais Superbocks fresquinhas. Até pipocas havia por ali. Quem não esteve lá é que perdeu. Pronto, falei (como agora se ouve).
Quanto à minha prova, foi assim:106º da Geral (entre 255) e 6º do escalão (em 7), o que quer dizer que os velhos andam a correr muito. Mas está tudo aqui.


terça-feira, 1 de maio de 2018

8ª Prova do Ano : 37ª Corrida 1º de Maio-Lisboa

Passa por mim no Rossio...

A 500m do final (foto Andreia Oliveira)



Mais uma das clássicas da minha agenda: A Corrida 1º de Maio. 15 Km nas zonas nobres de Lisboa, por onde, em boa verdade, é uma pena que a Maratona não passe, mostrando à estranja o miolo da cidade. Mas é da Corrida 1º de Maio que vos quero dizer duas palavrinhas.
Tenho o péssimo hábito de não ligar aos regulamentos e fazer perguntas parvas quando se chega a hora. E começa logo aí, na hora da Prova. Vou à pressa a pensar que era às 9,00H e afinal era às 10,00H. 
Mas fiquei contente, pois sempre deu para estar mais um bocadinho à conversa com amigos.
A saída e a chegada eram no Estádio 1º de Maio, um  excelente local para grandes eventos.
O percurso foi o mesmo, à excepção da chegada que, em vez da entrada directa no estádio, obrigava a um pequeno acrescento, com retorno (para perfazer os 15 km?) mas o meu relógio acabou por registar 15.340m . Ou das outras vezes estava mal medido, ou desta tinha metros a mais. Isto já é ser má língua. Não liguem, pois a Corrida é que era importante, não era a distância nem o tempo gasto em percorrê-la.
Fiz uma prova como as outras: sem esforçar muito, procurando sempre uma passada confortável, sabendo que deveria reservar algumas energias para os últimos 5 Km que incluíam a temível Almirante Reis. 
Fiz a prova em 1,15,33 (1,16,05 oficiais), classificando-me em 441º entre 1090 chegados, sendo o 22º do escalão entre 72. "Registos da treta", no dizer do "cronista do escárnio e maldizer" que, amiúde, sustenta a tese de que os coxos deste tipo já se julgam campeões e que nem fazem ideia do que é competir a sério, como era dantes. Registo da treta, digo-o eu e muitos outros com idênticos resultados, que não andam a fazer sombra a ninguém , com a legitimidade que nos assiste, sem precisar que nos venham dizer que estas marcas não têm valor. Eu sei. Nós sabemos.
Lembrei-me agora que, em miúdo, fui a casa de um amigo meu. Assim que cheguei à porta, a irmã dele, com a consciência e saber dos seus 3  ou 4 anos, vem ao meu encontro e diz-me :"-Eta casa na é tuia"!  Sorri para ela, sem lhe negar o que afirmara e ela condescendeu e partilhou a casa por breves instantes.
Os resultados desta Corrida 1º de Maio, estão todos aqui.


domingo, 15 de abril de 2018

7ª Prova de 2018 : 20 Km da Marginal


Apanhado pelo Jaime Maurício



Com o meu amigo Nuno Marques, à chegada ao local da partida
Podem não acreditar, mas confesso que nunca tinha feito esta Corrida que é “só” uma das mais antigas do País, associada à Estafeta Cascais-Lisboa. Tanto, que só na véspera, confirmei a data. E torci o nariz, porque não me apetecia ir correr numa manhã que se previa de chuva. Mas, pronto, estava inscrito e não gosto de falhar aos compromissos.
E lá fui, a pensar como haveria de fazer o regresso de Lisboa, certamente encharcado e sujeito a “arranjar alguma”. Talvez arranjasse boleia ou, pelo seguro, de comboio, para o que conviria levar uma notinha no bolso e levar também um tapa-vento que ocupasse pouco espaço, embrulhado em qualquer sítio (na mão, mesmo), para vestir no final.
Chegado ao Estoril, foi fácil estacionar (mesmo junto à PSP), a 100 metros da partida. Junto-me ao pessoal amigo, conversa-se um bocadinho, tira-se umas fotos e fazem-se 9;00h num instante.
Parti cá de trás, calmamente, sem pressas e procurei um ritmo confortável, que acabei por manter até final (acho até que fiz os últimos 2 km mais rápidos. Não posso confirmar porque a bateria do relógio só deu para 5 km).
Tempo oficial : 1,41,30. 273º (em 775) da Geral e 12º do escalão (em 47). Esperava bem pior.
Gostei da Prova, com a organização a cargo da experiente Xistarca, não tendo encontrado quaisquer falhas, pelo que estão de parabéns todos os envolvidos neste evento.
Porém,  admito que os atletas das estafeta se sentissem prejudicados em relação aos restantes. Porquê? Porque se escondem no pelotão os adversários que estão a perseguir, perdendo, assim, a noção da distância que falta para os “agarrar”. Mas isso, como diz o outro, são pinuts.
Resultados completos aqui
O regresso ao Estoril, foi de comboio, mas valeu-me ter feito dois novos amigos (Nuno Cruz e João Correia) que me ajudaram a completar o custo do bilhete, (pois a máquina não aceitava notas) e com quem vim numa agradável conversa durante a viagem, que já conheciam a MMSJL e aceitaram o desafio que lhes lancei, de participar no Trilho, no dia 12 de Maio. Um abraço para eles.