sexta-feira, 10 de julho de 2009

Batoteiros na corrida

Num post de 9 de Maio, falei de “batoteiros” na corrida, numa alusão ao artigo publicado na Revista Atletismo, assinado pela Direcção do Linda-a-Pastora Sport Clube, em que o visado era o atleta Pedro Lorvão, que tinha corrido na Meia de Lisboa com dois chips (um seu e outro da sua mulher).
A atitude foi, sem sombra de dúvida, condenável, mas fico satisfeito por não ter “crucificado” o Pedro Lorvão (que eu não conheço), sem antes o ouvir.

No último número da Revista Atletismo, o atleta visado, num artigo intitulado “Correr por prazer não é batota”, numa atitude de grande humildade, que não posso deixar de sublinhar, pede desculpa pelo sucedido e explica-se da seguinte forma :

“-Em primeiro lugar peço desculpa à atleta em causa, Margarida Dionísio, pelos incómodos. O intuito de colocar o chip da minha esposa (Júlia Eusébio) na sapatilha (esquerda ou direita) não tinha objectivos monetários, nem “records” pessoais, nem prémios. Tal era impossível e nunca me passou pela cabeça que pudesse afectar outros atletas. Como ela estava inscrita na mini –nesta e noutras corridas que fazemos – resolvi colocar o chip delas numa das minhas sapatilhas.
Como o preço para participar na Meia-Maratona e na “Mini” é o mesmo, inscrevemo-nos os dois na Meia Maratona apesar dela ir apenas fazer a distância mais curta. Assim poderia partir junto de mim e fazermos o aquecimento em conjunto. Será justo estarmos cerca de duas horas à espera da prova em locais distintos e, muitas vezes, sem conhecer ninguém? Não deveria existir dois preços distintos para as provas ?
-Em segundo lugar jamais me calaria com o epíteto lançado no título da crónica da revista. “Batoteiro” não sou porque corro por prazer e não por dinheiro. É preciso não confundir o conceito de “prazer” tal como afirma o ponto 10 da carta – com a ganância do dinheiro oriundo das provas. Será que a atleta – a quem peço novamente desculpa – se não tivesse direito a prémio monetário, a direcção do seu clube faria este levantamento exaustivo? Será isto correr por prazer?
Prometo que tal não voltará a acontecer. “

Dito isto, louvo a atitude do Lorvão em reconhecer o seu erro, embora possa ficar no ar um certo “torcer de nariz” face à sua atitude que, para quem corre a Meia Maratona em 1,20, saberá que, em termos de participação feminina, tal marca sujeita-se a entrar nas atletas premiadas, logo, haveria consciência da “marosca”, mas pronto…

Não fui daqueles que condenou o Lorvão antes de o ouvir e isso faz-me ficar duplamente satisfeito. Considero que a explicação dada e sobretudo o pedido de desculpas, o “reabilitam” enquanto atleta tão necessário a este Mundo da Corrida. Digo eu, apenas para dar uma opinião que vale o que vale.

Volta Lorvão. Por mim, estás perdoado !

6 comentários:

António Almeida disse...

Caro Fernando
já tinha lido a justificação dada pelo atleta que saiu na revista atletismo e continuo a não entender o porquê de ele colocar o chip da esposa no sapato dele...
Bom fim de semana e bons treinos.
Abraço.

Fernando Andrade. disse...

Caro António
Em boa verdade, é uma desculpa pouco convincente, mas o importante é que ele já sofreu o enxovalho suficiente e teve a humildade de reconhecer o erro e pedir desculpa. E isso é o que deve prevalecer, porque se não... o que é que se vai fazer ao homem?
Excomungá-lo ? As más acções são de quem as pratica.

Grande abraço.
FA

joaquim adelino disse...

Amigo Fernando.
Continua incompreensível a justificação, contudo conseguiu-se tirar o coelho da toca, esta sim a parte positiva. Creio que o homem não voltará a cometer o mesmo erro.
Sou dos que não precisam de muito para perdoar.
Um abraço.

José Xavier disse...

Caro Fernando;

Apesar deste atleta ter todos os argumentos, que possam ser possíveis de desculpa, continuo a não perceber uma atitude desta natureza.
Corremos por prazer, e o tempo é uma questão secundária.

O que ele conseguiu com esta atitude? NADA, ou sim alguma coisa, pois todos vão olhar para ele e tratá-lo de infantil.

Um abraco, a fazer as malas, com rumo a Portugal.

José Xavier - Holanda

João Paulo Meixedo disse...

Desculpa completamente esfarrapada mas, pela humilhação que já sofreu, façamos todos de conta que acreditamos e deixemos o homem correr em paz.

Gustavo e Karla disse...

Caro fernando!
Mas um ótimo post! Parabéns!
Também não entendi muito a justificativa do atleta, achei meio sem sentido! O que se espera é que realmente não se repita o que foi feito e deixemos pra tras o que passou, pq certamente ele carregará essa marca pelo resto de sua vida!
Abraços!