quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Trilho das Lampas




Estou  “moído”!
Acabei , há pouco, de dar a volta com o Nelson, volta essa que já está muito próxima da que vai ficar definitiva para o 1º Trilho das Lampas.  Demorámos 2,20H a fazer o percurso, que ronda os 18km.  É que subir e descer as margens da Ribeira da Samarra, ora mais a montante, ora mais a jusante,  tem que se lhe diga. O desnível acumulado é ENORME. Ah pois é!... Para aqueles que diziam que as rampas da Meia Maratona eram isto e eram aquilo, apareçam. Apareçam que a gente depois conversa.  Juro-vos que o José Moutinho, grão-mestre  conhecido pelo “quanto pior, melhor, não tem qualquer responsabilidade na escolha do traçado. E, em boa verdade, também não estamos a querer imitá-lo. Enfim, são vicissitudes da nossa orografia.
Como não estamos aqui para enganar ninguém, queremos que saibam ao que vêm.
A “propaganda” que estou a fazer é um bocadinho ao jeito do vendedor que diz para o cliente: “-não compre, que está estragado!”.
Decididamente, o marketing não é o nosso forte.
A data? Tchããã-nãã... Amanhã já digo.

1º Trilho das Lampas

Catribana


Aos amantes dos Trilhos se anuncia
Que as Lampas lhes pretendem oferecer
Uma prova a começar de dia
E se estende p´ra lá do anoitecer.
Com um cheirinho a campo e a maresia
Em cenários que são de enlouquecer
Por caminhos p´los quais ninguém se engana
Irão passar além de Catribana.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Senhoras e Senhores, Respeitável Público...




Alguns pontos de passagem


É uma constatação que, cada vez mais, vai crescendo a apetência para o contacto com a natureza. Cada vez mais importa deixar de lado os instrumentos que tão mal a trataram durante décadas e embrenhar-nos campos fora, caminhos tortos e pedregosos, contemplando o verde, ouvindo os regatos e o coaxar das rãs. E deixar que o sol se ponha, que a luz do dia se esbata e anoiteça, dando lugar, como ontem, à da Lua que nasce no lado oposto da linha do horizonte. Isto enquanto se corre ou caminha longe do bulício, é como que uma carícia que se faz a um animal que se pisou sem querer. É um pedido de desculpas pelas maldades feitas. Um reencontro.
A Corrida faz parte deste regresso às origens em que apetece não ver postes, alcatrão, plástico e em que a luz do dia é tão natural como o breu ou o luar da noite.
E foi na compreensão deste pensamento que o Meia Maratona de S. João das Lampas tomou a decisão de organizar o 1º TRILHO DAS LAMPAS, numa distância de cerca de 20 Km, cujo trajecto foi ontem testado. Vai ser dentro de muito pouco tempo. Fica a ponta do véu levantada, mas os pormenores sairão em breve.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Uma mão cheia ... de nada


O Cidadão completa hoje cinco anos de presença na blogosfera das corridas. Uma presença que me trouxe grande satisfação ao conjugar o gosto pela Corrida com o gosto de escrever e contar coisas.
Porém, este último ano foi decepcionante, pelo menos para mim. A Corrida não foi tanta quanto desejaria, mas as croniquetas ainda conseguiram ser pior. Tal como acontece quando deixamos de correr por uns dias, em que custa a ganhar ânimo para recomeçar, também aqui no blogue, a paragem levou-me a um estado de letargia, de apatia tal, em que tinha a sensação que nada era importante para que merecesse a …publicação (já vi que, mais dia menos dia, tenho que me render à “postagem”). Dizia eu que este último ano foi decepcionante, pois durante mais de seis meses não trouxe nada de novo e, obviamente, o número de visitas que tinha sido tão animador no 4º ano, no 5º teve a resposta justa.
Sabemos também que o Facebook passou a absorver muito do tempo disponível para esta actividade: é muita a oferta de leitura e a disponibilidade para escrever varia na razão inversa. E também já chateia vir dizer que “vou tentar inverter esta tendência” porque já o disse antes e o resultado é o mesmo. O que vale é que os meus amigos sabem que a relação com um blogue é coisa livre. Não se escreve para manter uma média, mas para comunicar algo e sobretudo, se apetecer comunicar. Nunca o silêncio que às vezes aqui se instala, deve ser confundido com menos consideração pelos meus amigos e amigas leitoras, pois esses e essas, estão sempre no topo do apreço que possa ter por alguém.
Cinco anos! Ainda o cidadão é uma criança do pré-escolar que, por mais que venha a durar, nunca deixará de estar em perpétua aprendizagem. Muito obrigado a todos.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Trilhos de Sintra à Noite



Foi giro! Dou por bem empregue o facto de me ter inscrito e participado nesta Prova , cujo “defeito-mor” está no nome que lhe deram : Run Sintra Trail By Night , blhaaaac…! Porque raio hão-de dar àquilo que é tão português, nomes estrangeiros, como se fosse essa a via para uma eventual internacionalização do evento!? Sintra não fica mais bela porque é descrita em inglês. Sintra é bela porque é bela. Quem for inglês, que fale dela em inglês com a simplicidade ou com o talento que cada um tenha. Percebe-se que Lord Byron tenha dito de Sintra o que disse na língua que conhecia, mas jamais se perceberia que Eça o tivesse feito sem ser em português.
Mas deixemo-nos destas questões e vamos a esta fabulosa  Corrida, que me levou a sítios por onde, vergonhosamente,  nunca tinha andado. Disse “vergonhosamente”, porque sou de Sintra! O traçado, embora anunciado,  deixei propositadamente, que fosse surpresa: Saída do Palácio da Vila, Volta do Duche, Rio do Porto, Escadinhas do Hospital, Largo da Vila e… a partir daí, junto ao Café Paris, penetrámos naquela Sintra invisível por quem não a percorre a pé (ruas estreitas, em calçada, com arcadas, com escadinhas, esquinas e mais esquinas, pequenos pátios); Estrada dos Seteais, entrada para a Quinta da Regaleira, com os seus imponentes jardins que, mesmo à luz ténue dos frontais dos atletas, deixava adivinhar os seus encantos meio escondidos pelos muros altos que a cercam. Aí, naquele serpentear de caminhos pedonais, que atravessavam riachos por pequenas pontes de madeira e sempre na presença do murmúrio das águas, assistiu-se a alguma confusão que, para aqueles que tinham mais espírito competitivo, foi uma enorme desilusão : as voltas estavam a sair repetidas, os da frente misturavam-se com  os do meio  e às tantas já ninguém sabia que rumo tomar, até que um elemento da organização, rompe uma das fitas balizadoras e dá uma indicação alternativa para que pudéssemos prosseguir. Passámos depois por um túnel escavado na rocha, que nos conduzia ao fundo do famoso Poço Iniciático, que ostentava o desenho de uma estrela octogonal e ao centro, um archote aceso a chamar a atenção. Subimos a escada em espiral contemplando os diversos nichos – cada um com o seu archote -  marcando os níveis . Chegados lá acima, continuámos a correr saindo dali. Penetrámos num trilho da Serra, por vezes enlameado, mas com um cheirinho a eucalipto agradável e penetrante que, a acreditar nos velhinhos xaropes caseiros que se fazia com estas folhas, certamente terá ajudado a “abrir” as vias respiratórias. Apetecia gritar : AR PURO!  Entrámos no alcatrão da Rampa da Pena, num pequeno troço comum ao GP Fim da Europa e depois, por uma pequena porta aberta numa espécie de contentor entrámos no Parque da Pena, onde, por diversas vezes encontrámos árvores caídas atravessadas no trilho. Ora saltávamos, ora passávamos por baixo, sempre atentos ao piso escorregadio que aqui e ali encontrávamos. Às tantas  estávamos a entrar no Castelo dos Mouros, que percorremos com atenção aos inúmeros degraus e às irregularidades do percurso, o que nos impedia de contemplar, de lá de cima, a vista enorme que dali se tinha : Uma espécie de firmamento terreno estrelado,  era o aspecto das terras planas que se estendem a norte da serra. Mas o momento não era para contemplações e havia que continuar.
Descemos, depois para S. Pedro e aí entrámos na zona urbana, onde já era possível correr até à meta instalada no Parque da Liberdade, no antigo ringue de patinagem, onde o chazinho quente e as bolachas Maria (seus malandros, anunciaram chazinho em chávena e bolachinhas recheadas e deram-nos chá em copo de plástico e bolacha Maria!!iol) estavam à nossa espera.
Soube há pouco que demorei  1,27,02 a fazer a Prova, ou melhor, a minha prova (pois aquela confusão na Quinta da Regaleira fez com que nem todos tenham feito o mesmo percurso) e classifiquei-me na 128ª posição da geral e 6º  do escalão M50.
Comentários: Foi uma excelente experiência em que apenas lamento a confusão na Quinta da Regaleira.  Permito-me apenas, fazer uma sugestão : Dado o volume de atletas, seria sempre de escolher um percurso inicial largo, durante cerca de 3Km para permitir que o pelotão “esticasse” de acordo com os andamentos de cada atleta. Só depois se poderia entrar naquelas ruas e escadas estreitinhas, por onde só pode passar um de cada vez. Por isso, não teria utilizado as escadas para o Rio do Porto, a pouco mais de 500 metros da partida. Havia a possibilidade de utilizar a estrada que passa junto aos Paços do Concelho e que também conduziriam à Escadinha do Hospital, onde uma nova “selecção” colocaria os atletas nas respectivas posições. O que se passou na Quinta da Regaleira, não passou de um acidente de percurso. Não nos esqueçamos que, numa prova desta natureza, quem vai à frente é tentado a seguir o caminho óbvio, quando, muitas vezes, é necessário “arrepiar caminho” estando sempre atento aos sinais reflectores. Se isso não acontece, os que vão atrás, confiam e seguem os passos de quem já vai enganado. Depois…acontece.
Sublinho, no entanto, que o espírito das provas de trilhos, não deve ser tão competitivo quanto as clássicas provas de estrada, mas sim participativo e de forma a que cada um, “saboreie” melhor o cenário envolvente, conhecendo sítios que, de outra forma jamais conheceria. Isso vale muito mais que chegar nos primeiros lugares.
Quando voltar a haver esta prova, estarei lá! AH…mas, por favor mudem-lhe o nome e escolham uma data mais primaveril. 
(ver se arranjo umas fotos...)