segunda-feira, 12 de março de 2018

5ª Prova de 2018 - 28ª Meia Maratona de Lisboa

Quando me cruzo com o Parro, o boneco acontece.





A Protecção Civil ia pintando um quadro negro: o mar alterado, chuva e vento muito forte, com a ponte a largar parafusos e a abrir brechas… tudo factores que se conjuraram para que a Meia de Lisboa tivesse de alterar o local da partida e assim, a chamada “Meia da Ponte”, para desencanto de muitos, ficou privada do seu emblemático cenário. Mas foi, no meu entendimento, uma boa medida terem optado pelo Plano B: Partida de Sete Rios no sentido Norte-Sul, interceptando a Ponte quando esta já tocava a margem direita do rio. De resto, tudo igual.
De todas as 28 edições em que participei – seguramente, mais de 20 – esta terá sido aquela de que menos gostei, mas se nos pusermos na pele de uma organização que teve de alterar os seus planos a menos de 24 horas de um evento com mais de 30 mil participantes, compreenderemos que a preocupação com o essencial não terá dado tempo para que se cuidasse daqueles pormenores com que os atletas são habitualmente brindados e que lhes proporcionam agradáveis sensações e que, ao fim e ao cabo, constituem os seus parâmetros de avaliação da prova. 
Nestas alturas é preciso, mais do que nunca, que quem gosta de correr, se concentre em sorver a Corrida e não colocar na mesma conta os outros aspectos acessórios que, na minha opinião, se resumiram a dois aspectos negativos. Não quero salientá-los, para não me contradizer, mas não deixo de os referir, mantendo o respeito pelo esforço hercúleo desta grande Organização.
1º - Inexistência de um pórtico de partida – Cheguei cedo, entrei, calmamente no viaduto e encaminhei-me para o local da partida, que não sabia onde era. Fui indo, atrás dos outros, a passo. Nalgum sítio havíamos de parar, pois não havia qualquer pórtico a assinalar esse local. Nem metálico nem insuflável. Parei quando aumentou a concentração de pessoas e fiquei ali, mais de uma hora, à espera do sinal da partida. Só quando começámos a correr é que soube que estava a cerca de 50 metros dos tapetes electrónicos do controlo da partida. Portanto, demorei cerca de um minuto a chegar aos tapetes e deu para começar a prova a correr. Mas os que ficaram no outro extremo do viaduto, imagino que terão tido muita dificuldade em saber onde é que começava a prova.
2º - Rock´n´Roll – Vários palcos no percurso mas…vazios. Um único em funcionamento, em Algés, com a miúda a cantar a “Alegre Casinha” e nós a levarmos com a chuva forte na cara, “tocada” a vento, próximo do último retorno. Fazendo a prova parte do Circuito Rock’n’Roll, a música de animação torna-se um factor de diferenciação das outras provas e isso, desta vez, e unicamente à luz do que vimos, falhou.
Quanto aos pontos positivos foi tudo o resto, pois as condições meteorológicas adversas não eram controladas pela Organização que, como disse acima, não terá tido oportunidade de montar o “circo de animação” habitual no Largo da Portagem, no lado de lá do Tejo.
Como disse no ano passado, esta Prova é uma espécie de celebração da Corrida pelo que é uma honra poder participar nela.
Às críticas que ouvi, não lhes retiro o fundamento, mas valorizo muito mais a tolerância, porque todos sabemos que se as coisas não correram melhor serão os organizadores os primeiros a lamentar e, não nos esqueçamos que não será nada fácil que um Plano A, que concentra 90% das atenções tenha de ser substituído, em menos de 24 horas, por um Plano de “Emergência”, que apenas teria 10% de possibilidades de ser aplicado. E quando há emergência, os sinais de requinte e de mimo a que nos habituaram, terão de ser sacrificados, para nossa segurança e para bem da Corrida. Por isso, aqui vai um grande abraço de parabéns para esta Enorme Organização.

Nota: - Fui, agora,  alertado para o facto da Prova ter deixado de fazer parte do Circuito Rock'n'Roll. No entanto, mantenho a observação que fiz, porque os palcos só fazem sentido se houver quem actue.

2 comentários:

JoaoLima disse...

Bem escrito amigo Fernando

Quanto aos pórticos, se havia rajadas de vento, seria impensável montá-los lá em cima com todos os perigos inerentes.

Quanto às bandas, aparelhagem e água não são amigos, e apesar de terem toldos, com a chuva batida a vento seria prejudicial e até perigoso actuar assim

Desta vez não nos vimos

Grande abraço e até à próxima

Mario Machado disse...

Sim, Fernando 100% de acordo com o cometário geral feito sobre a prova. Em mais de 40 anos a organizar provas nunca tinha tido o SUFOCO (para não dizer pânico) quando na 6º feira à noite me disseram que tudo tinha de ser alterado para a prova de domingo...
Enfim mais uma experiência e para mais com todos a olharem para nós, aqui em Portugal e no estrangeiro.
Pórtico = não tivemos autorização oficial para montar nenhuma estrutura no local de partida.
Bandas de música idem apenas foi autorizado Algés pois a electricidade vinha de um edifício e não de um gerador.
Enfim, se tivesse dorsal e fosse correr o meu comportamento em prova seria sempre de enorme compreensão para muita gente anónima que está com a organização, que trabalhou imenso e que muito pouco dormiu nas 40 horas antes do tiro de partida para poder dar vida à 28ª edição. Mário Machado