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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A "Lenda" dos Conjurados


... ou um Compromisso



Enjeitada pelo alcaide (por terem gasto com ela o que não havia para gastar) vagueava pela rua. Era impossível para quem passava, não reparar na sua extrema beleza, mesmo despida das roupagens que ostentou nos tempos da abastança. Andrajosa, mas linda (!) e tinha sempre um sorriso sedutor para os muitos pretendentes que se aproximavam dela e a quem ia contando a sua história de ascensão e de queda.


O pai já se tinha ido há muitos anos e, embora rodeada de gente amiga que sempre a soube estimar, vivia há algum tempo sob a alçada do alcaide do Monte da Lua que gostava dela, mas não era ela a preferida lá de casa. Para com ela, podia esperar-se dele o melhor, mas também o pior.


- Não posso continuar a sustentá-la! Os tempos estão difíceis e deixei de ter meios para o fazer. Mas também não reconheço a qualquer de vós, condições para casar com ela – dizia ele aos que ousavam pedir-lhe a mão da bela moira.


Eram muitos os que a queriam e ficaram inconformados com o destino que se adivinhava traçado à pobre donzela. Juntaram-se e, numa decisão pouco comum, resolveram:


- Não vamos apoderar-nos dela. Mas também não a vamos deixar morrer na rua à míngua, cair no esquecimento, ou ficar à espera que os tempos mudem. Vamos cuidar dela com o carinho que ela merece e que só nós lhe sabemos dar e deixar que ela fique rodeada pelos que lhe querem bem. Um dia, alguém há-de ver que esta foi a medida acertada e então, voltará para o seu castelo com a segurança que nunca dantes teve. E, ao contrário do que acontecerá a quem a tutela e a quem a ama, ela ficará imune às rugas do tempo. Esse cuidado é o nosso compromisso de honra, que aqui se regista.


Ano da Graça de 2012, aos 7 dias do mês de Janeiro.


Os Conjurados

domingo, 27 de janeiro de 2013

XXIII Grande Prémio Fim da Europa

 O Momento dos " Conjurados"
 O belo e a devastação
 Está quase...
Já está!


O tempo chegou a pôr em causa a segurança e a realização desta 23ª Edição do Grande Prémio Fim da Europa. Felizmente o pior não se confirmou e, embora o dia tenha amanhecido “manhoso”, lá nos concentrámos na Volta do Duche para, às 10h, treparmos a Serra e descê-la depois a ocidente, rumo ao Cabo da Roca.
Quando ia para levantar o dorsal, sou surpreendido com a informação que o meu dorsal seria entregue mais tarde, juntamente com mais alguns!
Então não é que a Organização decidiu que os dorsais de um a dez, fossem entregues ao  “Grupo dos Conjurados”, ou seja à malta que, face à notícia do cancelamento da edição de 2012, tudo fez para que, com ou sem prémios, com ou sem classificações, com ou sem tempos, fosse permitido àqueles que gostam da Serra de Sintra e da Corrida, que a Prova se fizesse oficialmente. E fez-se oficialmente, embora sob a forma de Treino que teve uma participação muito acima do esperado e provou que não seriam necessários grandes meios   para que ela se mantivesse no calendário. Mas, sobre este assunto, já foi falado o suficiente em Janeiro de 2012. Voltei a falar nisso para enquadrar o facto de termos sido chamados ao palco para recebermos da mão do Sr. Vice-Presidente da Câmara Municipal de Sintra, os dorsais com os primeiros  números. Sem sentirmos que tivéssemos feito algo de especial que merecesse tal reconhecimento, este gesto deixou em nós uma pontinha de vaidade principalmente por termos demonstrado que esta Prova é grande e não precisa de faustosos aparatos. E só não foi mais participada, porque, compreensivelmente,  foi limitado a mil o número de inscrições.
Quanto ao desenrolar da Corrida, apenas posso falar de como a vi e de como a fiz: subir com alguma prudência os primeiros quilómetros, descontrair na “crista da serra” para ter alguma força na temível subida dos 10Km e depois, descer alargando o passo até à Azoia e aguentar como pudesse, os últimos 3Km. 1h,26,40 -304ºclassificado e 10º do escalão. Foi este o meu resultado. É-nos entregue um crachá, passamos pela tenda da Gold Nutrition, onde o grande Vitor Gamito não tinha mãos a medir  para dar a todos um copo daquela deliciosa e retemperadora bebida; depois havia o chazinho quente e fruta. O que é que era preciso mais? Ir buscar o saco com roupa seca e apanhar um dos autocarros. O cerimonial da entrega dos prémios, o momento da consagração dos vencedores,  foi rápido  mas, compreensivelmente, teve pouca assistência.
Apenas um reparo: a entrega dos sacos dos atletas é que precisa de uma pequena” afinadela”. É que, por sorte, não estava muito vento nem chovia, pois ter dois voluntários em cada uma das 3 camionetas com 400 sacos para distribuir, parece-me insuficiente. Não tenho dúvidas que fizeram o seu melhor e quero até louvar o esforço e a paciência destes jovens para com a enorme pressão e comentários indelicados que por vezes ouviram.
Os autocarros para o regresso funcionaram na perfeição.
Posto isto, quero felicitar a Câmara Municipal de Sintra e todos os seus colaboradores envolvidos na Organização pelo excelente resultado obtido, e mostrar o meu sincero agrado por  ver que o Grande Prémio Fim da Europa continua firme e recomenda-se, pois dificilmente haverá corrida mais bela.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Acorda!!!

“-ACORDA Cidadão!!! O que é feito de ti, rapaz? Primeiro, vieste com a desculpa de que estavas doentinho. Mas depois do problema resolvido (obrigado, Xavier) continuaste mudo, como se nada do que se passasse à tua volta merecesse uma palavrinha tua, nem que fosse para dares um “Olá”, aos amigos que se habituaram a visitar este cantinho.


De facto, Cidadão, não te tens andado a portar bem. Bem sei que os atrasos começaram quando não tiveste tempo de fazer uma primeira croniqueta sobre a Meia da Vasco da Gama; depois veio a Maratona do Porto, mas como tinhas ficado com aquela atrasada, adiaste, adiaste. Logo a seguir, veio a Nazaré e as coisas começaram a ficar mais complicadas. Maratona de Lisboa; S, Silvestre de Lisboa e S. Silvestre dos Olivais.

No fundo, até fizeste umas corriditas, mas o teclado é que… tá quieto.

Oh Cidadão, não achas que está na altura de voltares aqui para o teu espaço (deixa-te lá de face book, onde perdes tempo e te dispersas com tantos assuntos) ?

Quando tiveres tempo e te apeteça, reporta-te ao período que silenciaste. Mas que isso não seja razão para aqui não vires. Nada te obriga a seguir a cronologia dos acontecimentos. Fala do que te apetecer.”

Assim falou a Voz e eu sei que tenho de lhe dar razão. Será desta que volto ?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

4º Nocturno das Lampas


Está feito o 4º Nocturno das Lampas e o resultado, se fossemos apenas julgá-lo pelos comentários que tivemos oportunidade de ler, foi um grande sucesso!


Este treino, que passou a constituir uma espécie de complemento da versão oficial da Meia Maratona de S. João das Lampas, tem vindo a revelar uma adesão progressiva e verdadeiramente surpreendente : -19; 36; 68; 130. Estes os números de presenças nas 4 edições realizadas e que nos fazem pensar estarmos perante um evento com enorme potencialidade e que também é fruto da nova mentalidade na forma de ver a Corrida : Não é preciso prémios; não é preciso chegar primeiro; não é preciso esforçar-se acima do razoável; todos ficam com a agradável sensação de saírem vencedores; não há adversários mas sim companheiros que partilham dos mesmos gostos. Confraterniza-se.

Tratando-se de um grupo de amigos – e, felizmente, numeroso – valorizaram muito mais essa oportunidade de encontro do que as falhas verificadas. Ninguém exigiu nada de nós e por isso é que dá a sensação de que tudo correu bem, e essa apreciação que é feita é altamente estimulante para pensarmos no 5º Nocturno, associado à 37ª MMSJL.

Mas estamos perante um dilema: limitarmos as inscrições (e isso, no nosso entendimento, é contra-natura, pois quanto mais gente o evento tiver maior será a sua dimensão e, no fundo, é isso que nos dá mais entusiasmo) para podermos continuar com o formato que temos vindo a adoptar, ou não limitarmos as inscrições e adaptarmo-nos ao número de presenças conseguido.

Estamos mais inclinados para a 2ª hipótese, mas não queremos “estragar” nada, antes pelo contrário, existem melhorias significativas a fazer que, educadamente, não nos foram apontadas, mas nós sabemos que temos que fazê-las.

Não negamos que esta iniciativa tem na sua génese, a promoção da MMSJL e, seja por coincidência ou não, é desde que existe o T.Nocturno que se tem registado um aumento substancial de corredores na Prova de Setembro, pelo que achamos ser uma boa aposta . Mas essa aposta só fica ganha enquanto os nossos convidados forem mostrando aos seus amigos que existimos aqui ,no meio do mundo rural, e gostamos muito que nos visitem e que percorram os nossos caminhos.

Querido(a)s amigo(a)s, “sem querer” - e graças a vós- a MMSJL passou a ser 2 eventos. Procuraremos que qualquer deles, em cada ano, saia dignificado e nunca venha a defraudar quem criou expectativas a nosso respeito.

Dito isto, resta-nos deixar aqui bem expresso o nosso GRANDE BEM HAJAM a todo(a)s quanto(a)s estão connosco neste “sacerdócio” que é promover a Corrida na região saloia.

Grande Abraço.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

4º Nocturno das Lampas



Após longa pausa – desculpada, em parte, pela “virose” do cidadão, sabiamente tratada pelo amigo Xavier - eis-me de volta a este espaço, que se apresenta agora de fatiota nova.


Durante o meu silêncio, o mundo continuou a girar e muita coisas aconteceram. Muitas Corridas houve por aí sem que delas tenha dado qualquer nota, nem mesmo daquelas em que participei. Mas ainda quero falar da Meia da Vasco da Gama, da 9ª Maratona do Porto e da 38ª Meia Maratona da Nazaré, pois nestas ... alinhei.

Mas aproveito o regresso para vos falar do 4º Treino Nocturno das Lampas, que vai ter lugar na próxima 6ª Feira, às 21h e cujas inscrições já se encontram encerradas por se ter atingido o limite que tínhamos estabelecido, que era de 120. Este treino, não é mais nem menos do que a Meia Maratona de S.J.Lampas, em versão nocturna, não competitiva, que será concluída com um convívio no local da chegada.

Vai ser uma festa bonita, estou convencido, nem que seja pela quantidade de gente amiga de que estarei rodeado.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

"Cidadão doentinho"

Estou grogue ?
Ou fizeram-me algum truque?
Que a “freguesia” do blogue
Passou-se p’ro facebook !

“-Estás grogue !-
Disse-me a rapaziada,
“-Que vimos fazer ao blogue
Se não tens escrito aqui nada?”

Desgraça !
P’ra aumentar a confusão,
Um sftware de má raça
Pôs de cama o “cidadão”.

E agora?
Tem que haver algum remédio
Se os leitores se vão embora
Morre o “cidadão” de tédio.

E eu tento
Só com xarope caseiro
E com mal cheiroso unguento
Pôr o cidadão lampeiro

Não sei
É se eu irei conseguir
Pois as massagens que dei
Pouco mais fazem que rir...


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

TNLO-Trail Nocturno Lagoa de Óbidos -50Km


Óbidos, por ser a vila que é, por ter os amigos que lá tenho, pela viagem no tempo que nos proporciona e pela singularidade dos seus trilhos nocturnos, merecia, sem a menor dúvida, que lhe prestasse o meu humilde tributo, estando presente no seu TNLO, na versão ultra, de 50 Km.


Desta vez, os dorsais eram levantados no Pavilhão Gimnodesportivo, pois a realização em simultâneo da Feira Medieval, complicava, de certa forma, o acesso à parte alta do interior da muralha, onde tem sido nos anos anteriores e que é também o local da chegada.

Por volta das 18,30, faço uma refeição ligeira com umas coisitas que fui buscar ao supermercado, mesmo ali ao pé do pavilhão; dois dedos de conversa com a malta amiga (e quantos lá estavam que não encontrei?) e preparar a “”trouxa”. Para começar, vi que tinha deixado os géis em casa. Enchi os 3 frasquinhos do cinto com powerade, uma garrafa de água na mão e uma bolsinha com lenços de papel (para não ser como na UMA) umas línguas de gato e um cubinho de marmelada.

Na verdade, não havia necessidade de levar nada, pois a Organização, com toda a vasta experiência que tem, sabe o que é que os atletas precisam e tinham previsto vários pontos de abastecimento, os primeiros só com água e, lá mais para a frente-25, 32, 40- com tudo o que era preciso (água, coca.cola, marmelada, biscoitos, melancia, etc).

A partida simbólica foi feita lá em cima, permitindo que a enorme avalanche de gente com frontais na cabeça, invadisse as ruas de Óbidos, para espanto do muito público que ali se encontrava na visita à Feira Medieval. Junto à porta da Vila, é então dada a partida que punha a funcionar o cronómetro. Já era noitinha e os frontais já iam ligados na sua maior parte. Contorna-se a muralha pelo Sul e, o bater dos pés de mais de 600 atletas (da curta, de 25Km e da longa, de 50Km) na terra batida, fazia levantar uma grande nuvem de poeira.

Tinha combinado com os meus amigos da ACB irmos juntos, mas rapidamente nos perdemos uns dos outros. Já não sabia quem é que estava à frente nem atrás de mim.

O caminho tinha algumas variações em relação aos anos anteriores e, quando chegámos à Lagoa, já tínhamos muito mais quilómetros percorridos. Vieram depois as “maldades” do Serrazina, obrigando-nos a percurso tipo “treino dos comandos”: atravessar canais com os pés dentro de água, carreiros em canaviais de piso incerto, charcos, lodo. Depois areia. Muita areia. A terrível duna, arribas, descer à praia, passar entre rochas, trepar arenitos, saltitar por entre arbustos, desviar-nos de raízes, procurarmos os pontos reflectores que, à menor distracção, perdíamos; entrar no eucaliptal -que rico cheirinho(!) O trambolhão ao tropeçar num galho que saía do chão .

Alternando a marcha (nas subidas) com a corrida (nas descidas e na horizontal), lá fui avançando. Sem relógio, que é assim é que me tenho dado melhor. Assustei-me um bocadinho quando vi corredores que correm mais que eu, só aos 32 é que apareceram junto a mim. Achei que teria mesmo que abrandar e não tentar ir com eles.

Enfim, lá fui gerindo e comparando com o meu grau de cansaço no ano passado e, de facto, sentia-me agora bastante melhor.

Lá está o Castelo. Aproximo-me e, já estava prevenido, que o último km seria feito através de um desvio do caminho mais curto. O que não sabia é que me iam fazer subir até à muralha, para depois me fazerem descer e subir novamente!!! Ah Serrazina, Serrazina! Quantas pragas te terão rogado nessa altura?

Lá está, finalmente, a portinhola ogival. A porta da consagração da minha primeira aventura de 50 Km, ao cabo de 6h39m09s.

Bem bom. Não senti qualquer reacção adversa ao nível do estômago, embora tenha evitado aquelas comidinhas que havia na mesa e de que tanto gosto, por receio que me caíssem mal ( como me aconteceu em 2011). Bebi somente um isotónico de sabor a limão, fresquinho, da Gold Nutrition, que me soube pela vida. Encho mais um copinho e venho andando, calmamente, até à base, onde tinha o carro. Visto roupa seca e arranco para casa, onde cheguei quase às 6 da matina.

Estava superado mais um objectivo, que me deixou mais confiante e cheio de satisfação por ter conseguido.

Quanto à Organização ela representa a excelência do Trail em Portugal, sem nada a apontar (claro que as “maldades” são sentimentos muito momentâneos, que depois acabam por ter efeito contrário na apreciação final que fazemos, dando ao feito, uma dimensão bastante maior. Parabéns ao Serrazina, Miranda, Nunes e todos os outros que estiveram ligados ao UTNLO e que, graças à sua entrega, o coroaram de êxito. Parabéns também, a todos os outros que enfrentaram o desafio.

Venha o 5º UTNLO. Só espero continuar com saúde para poder voltar. Obrigado a todos.