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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Um Dia Negro

Carta ao meu amigo “Ninhas”

Eras o meu companheiro do ”Pão-por-Deus” com quem, em cada dia 1 de Novembro percorria as casas da aldeia em busca das guloseimas que, na altura, tanto escasseavam.
Fizemos um percurso muitas vezes juntos, desde a infância até hoje. Profundo sabedor de tudo quanto fosse Desporto, eras um amigo de forte personalidade que, mesmo sem gostar de correr, estiveste ligado ao nascimento da Meia Maratona de S. João das Lampas e até à 25ª Edição, sempre foste um dos seus principais dirigentes! E conselheiro. Guardo, de ti, muitas e boas recordações. Só não te perdoo um dia me teres dito que eu nunca seria um bom guarda-redes(!), mas… lá tinhas as tuas razões.
Hoje, subitamente, enquanto trabalhavas tirando medidas, caíste inanimado, para não mais dares qualquer sinal de vida. Sem o saberes, “medias” o tempo que te estava destinado. Companheiro e amigo “Ninhas”, chegaste ao fim da linha poucos dias após entrares na casa dos 53, que por pouco tempo, ainda é a minha.
A notícia correu célere e não havia quem soubesse, de fonte segura, se era verdadeira. Desejava-se que fosse um boato de mau gosto. Veio depois a confirmação violenta e cruel, como se nos tivessem tirado uma parte da nossa existência. Incrédulos, todos os que contigo privaram tantos momentos, vêem-se voltados para dentro, tomando consciência de quão breve e incerta é a nossa passagem.
Amigo, vais ser sempre lembrado por quem te conheceu pois deixaste a tua “marca” nesta terra e nos corações desta gente. Recuso-me a aceitar que tu partiste.
Um Grande Abraço.

Fernando Andrade

(Para ti, Roni Peterson)

5ª Maratona do Porto -III

A 6ª Edição já está anunciada




Agora, a preocupação era procurar ter sempre um”bocadinho de reserva”; não correr no limite;.a luta era contra o desgaste psicológico de quase 3 horas de corrida. Entrávamos na zona em que aqueles que tinham calculado mal o esforço, estavam “a pagar a factura”caminhando ou correndo num andamento muito lento. Ir passando por estes atletas, ia-me dando algum alento, embora pensasse cá para comigo que, dali a pouco podia ser eu,; por isso, nada de pensar que “estava no papo”.
Só próximo dos 40km acreditei que já não iria ter quebras e ainda me cruzo com o Torrão (que já vinha em sentido contrário), e que entretanto se tinha visto a braços com caimbras.
Continuava a sentir-me com força para subir aquele “restinho” da Avenida da Boa Vista onde várias pessoas nos incentivavam pronunciando o nome inscrito no dorsal. E que ânimo isso nos dava !
O pórtico, a última curva e… lá estava a Meta: 3.27.15 !!!
Medalha ao peito e eis-me na zona de descompressão, feliz da vida, sem as náuseas que às vezes me atormentam quando exagero no esforço.
Dois dedos de conversa com amigos enquanto se espera por outros, as merecidas felicitações ao Jorge Teixeira, saquinho ao ombro e lá vamos até ao camião-guarda –roupa antes de entrarmos no autocarro para o regresso ao hotel.
Caía o pano sobre esta extraordinária Maratona que conquistou um lugar de destaque entre as grandes provas internacionais e à qual, enquanto puder, não deixarei de marcar presença.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

5ª Maratona do Porto -II

Na Feira da Maratona com os meus amigos José Valentim e Manuel Faísca



Antes da Partida, com os amigos e colegas de equipa Jorge Serra e Paulo Torrão


Estavam a ser 9 horas! Num gesto que se regista com satisfação, os atletas, com uma prolongada salva de palmas, agradeciam à Organização, de uma forma simples, mas franca, o gigantesco trabalho e competência que é necessário para pôr de pé, esta Maratona que, com grande entrega, lhes era destinada.

Um helicóptero pairava sobre nós, preparado para captar imagens da partida. À frente saíam os da Maratona, a seguir os da Prova de 14 Km e por fim, os da caminhada, de 6 km.

Ouviu-se um tiro ! Um cumprimento ao Cláudio e ao Faísca e o desejo de uma boa prova a todos e... lá vamos nós enfrentar o “mostrengo” para muitos, mas que vem a revelar-se uma “atracção” cada vez para mais gente.

As contas estavam feitas (embora o Cláudio estivesse um bocadinho renitente em aceitá-las) : a 5 minutos por Km, faríamos a prova em 3,30h ! Como ele levava um cronómetro daqueles que apita em cada km, avisou logo que, o primeiro km ia demasiado lento. Não admira : pelotão ainda compacto e uma subida de cerca de 500m...Havia tempo para recuperar, mas abriu-se um bocadinho o passo e ao 2º km já estava tudo certinho. (Isto é coisa que não se deve fazer, mas pronto...). Estávamos a passar à Casa da Música quando passamos pelo João Hébil que ia calmamente com o seu amigo Javier e não se deixou impressionar pelo nosso andamento (e bem, pois no próximo Domingo vai fazer a Maratona de Nova Yorque e tinha de se controlar). Pela Avenida da Boa Vista abaixo, mesmo a travar íamos com um ritmo muito mais rápido que o previsto, mas como nenhum de nós ia em esforço –por ser a descer, certamente- lá nos deixámos ir a “amealhar”, dizíamos na brincadeira, porque sabíamos que poderíamos vir a ter de gastar todas as “economias” feitas. Aos 7 km, diz o Cláudio: - já “amealhámos” um minuto em 7 km! Daqui a bocado, vai ser 1 km em 7 minutos!”. Rimos, mas sabendo que era muito provável que assim acontecesse.

Na passagem pelo Edifício Transparente, quando nos cruzámos com os atletas que vinham em sentido contrário, “marcámos” alguns conhecidos que, até aos 15 km, conseguimos apanhar, pois ainda íamos na fase de “amealhar”. Passámos pelo Tigre, pelo Vitor Silva e Zé Magro e juntámo-nos a um pelotão com malta do Real Academia e onde iam os meus colegas de equipa, Jorge Serra e o Paulo Torrão que continuaram connosco mantendo o ritmo e o tal pelotão que tinha, talvez, uns dez atletas, desfez-se, ficando apenas nós cinco.

Meia Maratona : 1,40,30! O “mealheiro” ainda ia receber umas “moedinhas”. Entre os 21km (Afurada) e os 25km (Ponte D. Luis) assiste-se a cenas pouco recomendáveis, com ciclistas pouco atentos, a esquecerem-se que havia atletas nos dois sentidos.
-Estamos a “andar” para 3,20! dizia o Jorge Serra !
-Eh lá- disse eu
- Daqui a bocado ouve-se um estoiro, dizia o Cláudio.
–Estoiro vai haver de certeza - disse eu – ou rebentamos nós, ou rebentam foguetes por termos feito uma grande prova !
-Acredito mais na 1ª hipótese – disse o Cláudio.

Na Ponte, vejo o Paulo Quaresma, a passo e lembrei-me que, em 2007, tinha sido precisamente ali que me pus também a caminhar ...e ia com mais 4 minutos que este ano !

Mas agora sentia-me bem. Ainda ! Vejo o Luis Mota, que vinha do retorno dos 28 e pareceu-me que vinha em quebra, pois na Afurada ele tinha passado com outro andamento. Ainda lhe dei um grito, mas não sei se ele ouviu, pois já devia de vir a apelar a toda a concentração possível. Apanhámos o Zé Valentim (que se meteu em "aventuras de copos"na véspera) que vinha também em dificuldade.

O Jorge Serra diz ao Paulo Torrão para seguir no meu ritmo, que ele já recuperava e eu achei logo estranho: -mau! Estou mesmo a ir depressa demais-! Resolvi abrandar por vontade própria, antes que fosse obrigado a fazê-lo e perguntei ao Cláudio, que estava a revelar alguma dificuldade, como é que iam “as contas” :
-Já estamos a gastar do “mealheiro”! disse ele - vamos ver até onde é que chega!
O Torrão “desapareceu-me” da vista e o Jorge Serra arrancou atrás dele. Estávamos pelos 29km. Ainda havia muito km pela frente. O Faísca que parecia ter energia para ir para a frente, foi-se abaixo e o Cláudio abrandou. Pensei : -bom, se eu reduzo agora, estou feito. Vou ter de continuar com o passo que trago!



(...continua...)

5ª Maratona do Porto -I-

Foi assim que a Ana Pereira me "apanhou", a 50 metros da Meta (tinha razões para estar feliz!)

Talvez ainda estonteado pelo meu “tempo-canhão”(eheheh) na Maratona do Porto, e pela “acumulação de ácido láctico nos músculos e… no cérebro”(eheheh outra vez) lá vou eu adiando aquilo que tem de ser feito e que merece ser feito: um relato da minha 5ª participação nesta grande Maratona.

Faltavam 3 dias para a prova quando o meu amigo Carlos Neto me telefona desolado, a dizer que, por razões profissionais inadiáveis não podia mesmo ir ao Porto !

Lembrei-me então do autocarro que a Runporto tinha colocado à disposição dos atletas para viajar de Lisboa para o Porto e soube que havia ainda lugares disponíveis, pelo que o problema da deslocação ficava resolvido. E bem resolvido, pois constatei que uma facilidade destas posta à disposição dos maratonistas e acompanhantes, não é coisa comum de se ver.

Chegados ao Porto, o autocarro estaciona junto à Feira da Maratona, no Palácio de Cristal e é marcada a hora da partida para o hotel, com margem suficiente para se desfrutar daquele ambiente de que tanto gostamos e onde aproveitamos para levantar o dorsal e o kit da Prova, almoçar uma excelente “pasta”, visitar os stands de material desportivo, da Maratona de Madrid 2009, obter o diploma e rever imagens da edição anterior, exposição de automóveis, um enorme “mupi” anunciando já a 6ª edição (!), aconselhamento psicológico aos maratonistas, etc. Tive oportunidade de dar um abraço ao “pai” desta grande Prova, Jorge Teixeira que me deu a honra de ser apresentado ao Director da Maratona de Madrid.

O tempo passou rápido e, quando dei por mim já o autocarro estava à minha espera, para nos conduzir ao hotel.

Na manhã do dia seguinte – e tendo em atenção a mudança para a hora de inverno – às 7,30h seríamos levados, também de autocarro, ao local da partida.

Depois de uma noite bem dormida, o dia amanheceu sereno. Corria apenas uma ligeira brisa fresquinha mas que indiciava vir a transformar-se em calor lá mais para o meio-dia.

Combinam-se estratégias e, curiosamente, quase todos apontavam para as 3,30h como tempo desejado. Daria para se formar um bom pelotão a que só faltaria o balãozinho atado por um fio à cintura de um, como clássica identificação para o marcador de ritmo, que é importante principalmente para os estreantes – e eram muitos.

Cedo chegámos ao local da partida e, à nossa espera, lá estava a tenda do cafezinho. Naquela hora que antecedeu a partida houve oportunidade para reencontrar amigos e conhecer finalmente o Miguel Paiva, que se tinha preparado especialmente para fazer a sua estreia na maratona, tal como o António Almeida. Pudemos, então trocar algumas impressões sobre andamentos, margem de “reserva”, equilíbrio, combate à saturação, procurando ter presente que a prova só “começaria” aos 21km. Algumas fotos e, quando ia entregar o saco da roupa, encontro o Jorge Serra e o Paulo Torrão da minha equipa: Açoreana Clube Banif e com a máquina de amigos de Madrid (Javier Almenderia e João Hébil), ainda conseguimos um “boneco” da equipa, que espero, me seja enviado.

Era, agora, tempo de ir para a zona reservada aos maratonistas. Ainda ouvimos a Vanessa Fernandes, o Carlos Lopes e a Aurora Cunha darem o seu incentivo e a verdade é que, junto a mim, já só tinha os meus amigos Cláudio e o Faísca. Olhei em redor e não vi o Paiva nem o Almeida, pois tinha alguma curiosidade em acompanhar estas duas estreias, que tinham fortíssimas possibilidades de fazerem, connosco, um tempo a rondar as 3,30. Com pena minha, não os vi.

(continua)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

5ª Maratona Cidade do Porto



Ela aí está : "A PENTA"!
Bonitinha!!!!
A sua estória em breve...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Recordando PORTO 2007

E pronto! Já só falta chegar ao Porto e esperar pelo tiro da partida .

Em 2007, foi assim :



Antes da Partida com os amigos João Hébil,Zen e Ana Pereira

Na ponte, com o Cláudio

Agora, que estava a correr bem, acabou-se...

Tudo bem até meio, mas depois, "substituí" a corrida por um também agradável passeio na margem direita do Douro. Dos 25km até aos 35km caminhei 4 km (!!!) a recuperar energias que tinham sido mal calculadas. Depois, nos últimos km ate corri bem e acabei “em beleza”… e pelo meu próprio pé, como convém ! O tempo é que… coiso : 4,08,45(!) muito ao estilo da grande maioria dos atletas nas grandes maratonas internacionais.
Temos de encontrar sempre algo de positivo nas coisas que fazemos, mesmo que seja preciso “remexer muito”.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

5ª Maratona do Porto






Vou à procura do "penta" !
É já Domingo que, na Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto percorrerei os 42195m a correr, para conseguir tão "importante galardão".
Não vai ser preciso travar grande luta. É tudo uma questão de saber esperar, correndo, com paciência e sobretudo, autocontrolo. Saber "travar" o entusiasmo inicial, para não me "arrastar" nos quilómetros finais. O encanto da Maratona está precisamente aí : em saber deixar uma "reserva" porque vamos, de certeza, precisar dela. E quem gosta de corrida retira mais prazer dela se for longa.
Marcar um objectivo realista, em concordância com o treino efectuado é outro dos factores a não descurar. Não adianta apontar para uma grande marca se se sabe que a preparação efectuada foi fraquita. Não irei esquecer uma ou duas saquetas de gel, pois a partir dos 20km já sei que é preciso um "reforço" energético.
Enfim, será com grande alegria que, mais uma vez, alinharei na Maratona do Porto.
A todos os que também lá forem, desejo que acabem a prova com a satisfação do "dever" cumprido e, principalmente para os estreantes na distância, quero dar as boas vindas ao fantástico Mundo da Maratona.