quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"Viagem" à 1ª Edição da Maratona do Porto


Já passaram 6 anos e, ao procurar coisas que escrevi acerca da 1ª Maratona do Porto, encontrei o texto que se segue.  Sei que “correu muita tinta” no fórum,  na altura, o Atletas.net, entre os cépticos e os apoiantes da Organização, que “dava o peito às balas” na corajosa missão de dotar a bonita Cidade Invicta de uma Maratona de que o Porto e o País pudessem vir a orgulhar-se.
Com o fim (ou quase fim) do referido fórum, muitos dos textos de então e que muito gostaria de rever, com muita pena minha se perderam, pois não tinha o hábito de os guardar antes de os colocar on line.
Da estória que se segue, o que, acima de tudo, pretendo sublinhar é o abraço entre os organizadores ao partilharem do sentimento de missão cumprida. Tudo o que se segue a isso, teria sido desnecessário, mas acabou por contribuir para uma reflexão acerca da importância do diálogo entre aqueles que estão no mesmo barco.
Dizia assim:

Porto, 17 de Outubro de 2004.
O Herói, O Narrador, O Massagista e o Director
 Após quase 6 horas de corrida, chega à meta o Maurício. Poucos se lembrarão do nome dos primeiros a chegar, mas o Maurício, de Penafiel,  que só tinha feito duas provas na vida, ficou famoso ao concluir a 1ª Maratona do Porto. Isto, porque, para além de um acompanhamento exclusivo na 2ª metade da Prova, teve a sua aventura narrada a preceito neste fórum por Joaquim Almeida, através de uma história bem contada – porque vivida – por um homem conhecedor do esforço de longas distâncias que, ao mesmo tempo que ia vigiando os sinais do esforçado atleta, ia-o também incentivando nesta aventura, insurgindo-se até com aqueles que apelavam à sua desistência. A sua chegada foi celebrada com abraços emocionados de ambos com o dinâmico Director da Prova, Jorge Teixeira. Tinham conseguido. Tinham todas as razões para sentir o alívio do dever cumprido.
 Chovem os merecidos louvores. Uns públicos, outros não. Mas todos sinceros .
 Surge então, no fórum, um jovem massagista, Ricardo Dias, que tinha coordenado o excelente trabalho de massagem aos atletas efectuado antes e depois da prova, que, movido mais pelo desempenho profissional que pela vivência desportiva (digo eu…)faz um comentário menos feliz comparando as tendas, no final da Maratona , a um “hospital de campanha”! Tal expressão caiu mal a muitos atletas e, sobretudo, àquele que veste a pele de todos eles - o Director da Prova ! Surge o “contraditório” – como está agora na moda dizer-se.
 Vai daí, o pai do jovem massagista que, compreensivelmente, e com o saber da experiência feito, vem ao terreno em defesa do seu filho. Mas quem era  o pai do massagista ? Era precisamente Joaquim Almeida, ou seja, a  pessoa que tinha brilhado com a sua história sublimando o esforço do Maurício!
 Surgem explicações para que não se concluísse pela incoerência, mas tais explicações não foram bem aceites e a conversa azedou.
 E foi quando achei que os diálogos estavam a “aquecer” que vi , com muita pena minha, que se estaria a passar algo que a ninguém interessaria :- problemas numa organização exemplar.
 Encaixei as peças do puzzle e deu esta história.
 Eu, que tenho lido com satisfação, tudo o que tenho encontrado sobre a Maratona do Porto, vejo-me a escrever uma história sobre ela, que não me dá qualquer gozo. Mas ninguém me obrigou, bem entendido.
 Deixo aqui o meu apelo à serenidade e o desejo de que regressem ao ponto de partida porque o sucesso da Maratona do Porto esse foi conquistado. E com sabedoria.
Seis anos depois, ela aí está : sempre apelativa, progressivamente melhorada e ombreando com o que de melhor existe em termos organizativos, de percurso, de paisagem e pronta para ultrapassar a barreira do milhar de atletas. Um grande Viva à Maratona do Porto.

5 comentários:

Vitor Veloso disse...

Olá Fernando,
E vão 6 Maratonas consecutivas no Porto, convicto para aumentar a fasquia.
Faço votos que sim, eu também "estarei”, mas para a minha 1º Maratona.
Grande abraço
Vítor

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Bem me lembro desses tempos, mas não consegui de forma nenhuma fazer o percurso do Fernando: ser totalista da nossa melhor Maratona. No entanto, sempre que posso estou lá, nem que seja só para aplaudir e dessa forma participar.

Um beijinho Fernando

Ana Pereira

ana paula pinto disse...

Bem...

Ao ler "queria ir e não fui" quase me revi no Fernando. Não fosse a enorme distância entre O verdadeiro Atlela e a Pseudo-Atleta, haveria semelhanças de discurso:-)

Quanto à inflamação de ânimos...pois...quantas vezes isso acontece. Cai muita coisa mal a muita gente, mas nem sempre é dito com intenção. Se calhar até foi o caso (digo eu, que não estou por dentro do assunto:-))

Beijinhos e até ao Porto ou outra prova em que nos cruzemos. Isto de andar a prometer e não cumprir (eu) até me faz lembrar a Penélope que nunca mais terminava...Ela desmanchava o que tecia eu desmancho o pouco que corro.

António Almeida disse...

Olá Andrade
FC em Portel, esperava ver por lá o "cidadão".
E o Porto tão perto...falta um mês, se não for antes lá estaremos.
Abraço e parabéns pelas 6 do Porto.

Rodrigo Silva disse...

Fiz a 1ª maratona do Porto, que foi tambêm a minha 1ª maratona. Inesquecível. Abraço Forte