sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Fascínio da Freita


Decidi-me. A Freita não vai ser ainda para este ano. No entanto, não fico indiferente a esta extraordinária prova que vai realizar-se a 30 de Junho e relembro a minha participação em 2010. Com nostalgia, pois claro.




Era a Serra da Freita, o Éden do Sálvio

Que um dia o chamou num desafio atlético

Correndo e caminhando por catorze léguas.



Às quatro da manhã com centos de noctívagos

Saíu do Merujal a multidão com lâmpadas

P’ra iluminar, no escuro, os caminhos graníticos

Que encantam os passantes com seu brilho mágico.



Saltou ou tropeçou em passo pouco rápido,

E subiu as encostas quase sem ter fôlego

Desceu na vertical como se fosse ébrio.



Molhou-se nos riachos e bebeu da água

Descalçou os ténis e com os pés húmidos

Retemperou seu corpo, respirou de alívio

E prosseguiu a rota cumprindo o calvário.



Atravessou aldeias que hoje são desérticas

E que já floresceram graças ao volfrâmio

E terras que são belas mas também inóspitas.



Parou lá num planalto agradecendo a dádiva

De ter no horizonte paisagens idílicas

E o tempo que passou não era o do relógio.



Apercebeu-se então que o seu exercício

Já durava há nove horas, mais que o tempo máximo

Que alguma vez pensou durar a resistência

E na Póvoa das Leiras declarou o términos.



Voltou ao Merujal na carrinha da Câmara

Atalhando o caminho que ficou incógnito

P’ra ver os seus amigos em esforço titânico

Subir a Mizarela p’ra chegar ao pórtico.



Viu sorrisos nos lábios como justos prémios

E prometeu voltar numa promessa válida

Quando ele tiver feito o seu trabalho físico.



Viu rochas parideiras dando à luz seus óvulos…



3 comentários:

Carlos Castro disse...

Curioso... Mais de um ano depois, hoje voltei a calçar as sapatilhas e fui "matar saudades" (só 20 minutos e já não foi mau!). Como era de esperar, encontrei gente amiga e ex-companheiros de treino e com um deles - que vence na Freita há vários anos consecutivos (no seu escalão de vet. III - o Narciso Marques) - conversei sobre a Freita e o seu fascínio. Ele lá estará!

joaquim adelino disse...

Farei a Freita amigo Fernando como se estivesses ali a meu lado, creio que dicidiste bem, quando não existe total confiança é meio caminho para o desânimo e uma seta virada ao insucesso. Quando te dicidires conta comego, mas não leves muitos anos... Abraço e parabéns pelo bonito poema e também pelas belas fotos que o ilustram.

Jorge Branco disse...

Pois é amigo Fernando Andrade não tem pedalada para o Joaquim Adelino!
Mas que é que tem pedalada para o grande Joaquim Adelino?

Estou a brincar consigo! Não se zangue! Grandes desafios como a Freita só podem ser feitos com estamos plenamente convictos de que a queremos, e podemos, fazer!