quarta-feira, 25 de julho de 2012

UMA 2012



Com o meu amigo estreante Paulo Neves, que se portou à altura.
(Foto de Lúcia Oliveira)

A gloriosa equipa da ACB (Foto de Lúcia Oliveira)

E pronto. Já está (Foto de Zé Carlos Melo)
 A vontade de fazer um relato deste Melides-Tróia de 2012, é enorme, mas a grande dificuldade está mesmo em saber por onde começar. Pelo princípio! OK, mas qual? Desde que começou a preparação? Desde que me decidi quanto àquilo que precisava de levar? Desde que saí da casa, às 4,30? Desde…?

Chegado a Melides no autocarro da organização que apanhei em Tróia, fui levantar o dorsal e fazer a selecção do material que me acompanharia até Tróia. Num recanto da enorme passadeira de madeira que nos leva à praia, estava ali o meu amigo Carlos Pinto Coelho a preparar-se. Foi ali mesmo que arreei a mochila e fiz o mesmo. Ver se não me esqueço de nada: Dorsal na camisola, protector solar na pele exposta (pois o dia anunciava calor), ir bebendo água para ficar hidratado para uma hora, pelo menos; Colocar um cinto com 3 “frasquinhos” de 1 dl com bebida energética, uma bolsa com uns géis; calçado como se fosse para uma prova de estrada; chapéu na cabeça, óculos de sol. Na mão, uma garrafa de água. O resto da “trouxa” era para enfiar num saco e entregar na carrinha da organização.

Ainda deu para ir tomar um cafezinho no bar da praia.

Depois, vem o compasso de espera, as fotos da praxe com o pessoal da ACB e com outros amigos, o habitual briefing com as principais recomendações e pronto, era só aguardar pelo tiro da partida .

Ei-lo. Calmamente, lá fomos avançando na areia solta. Rapidamente, fomos descendo na direcção da água, tentando maior firmeza no piso: Passos curtos, joelhos semi-flectidos, respiração controlada, sem pressa, lá fui avançando. Escolhi uma faixa intermédia, pouco pisada e onde o pé pouco afundava. Quanto mais económica fosse a corrida, maior era a probabilidade de sucesso. Ah… e não levava relógio.

A “cólica” começou a incomodar, logo por volta dos 3Km. Ai o caraças!!! Não valia a pena adiar por muito mais tempo aquilo que mais tarde ou mais cedo, acabaria por acontecer e faço então um DRAT (Desvio de Rota para Alívio da Tripa), subindo e ultrapassando a “aresta” que separa o plano horizontal do plano inclinado, o que me permitia deixar de ser visto na minha “privacidade”. Neste primeiro contra-tempo, a primeira falha :- remexi a bolsa e nada de ver os lenços de papel, que são obrigatórios. Valeu-me um velho panfleto de uma corrida, que ali tinha ficado esquecido. 3 ou 4 minutos depois, retomo a trajectória e o ritmo de passada que levava e que me permitia ultrapassar vários corredores que, entretanto tinham passado. Mas…nada de entusiasmar! Havia tempo de progredir, mas o importante seria manter a frescura o mais possível.

Chego-me junto ao António Almeida e ainda fomos juntos algum tempo. Foi aqui que tive a única informação quanto ao tempo feito, quando ele me diz : “Eh, pá 18,5Km em duas horas!? Não vai mau!”, ao que eu respondi que, lá mais para a frente, de certeza que viria a pagar a factura.

O sol ia aquecendo, o António deixou-se ficar num ritmo mais suave e eu, sabendo que ele corre bem mais que eu, comecei a achar demasiada ousadia da minha parte. Mas sentia-me bem, apesar de ver ao longe aquele pórtico intermédio tão pequeniiiiiino! E corria, corria…e não o via “crescer”. Não podia fixar-me nele, mas sim distrair a mente e apreciar a paisagem ou, simplesmente, pôr os olhos na areia, cabisbaixo, à espera que o tempo – e a distância - passassem. Vai um gel, dos três que tomei (de maçã, que me caiu que nem ginjas). Finalmente, alcancei-o. Ufa! Pouco depois, começo a sentir pela frente uma brisa “abençoada” que muito ajudou a retemperar o corpo, mesmo soprando de frente. Mas era uma brisa, nada comparado àquilo que aconteceu em 2011 em que tínhamos de inclinar o corpo para vencer a forte ventania que nos travava a progressão. Agora não. Era fresquinha e sabia bem.

Dão-me duas garrafas de água (a que eu levava na mão, desde início, tinha-a feito durar até ali). Uma em cada mão, lá vou eu, sem fazer qualquer paragem.

Às tantas, comecei notar uma quebra no ritmo e a sentir um certo “chamamento” daquelas águas. Surge o dilema: Ou continuo a correr, mesmo agastado a ver até onde é que consigo ir; ou faço uma paragem por vontade própria, refresco-me com um mergulhinho e retomo a corrida com outra disposição. E acabaria de vez com aquela ideia do “apetecia-me era um mergulhinho, apetecia-me era um mergulhinho…”. Ganhou o mergulho. Aos 37,5, logo após o controlo…espera aí que eu já te digo : tiro o cinto, os óculos, o chapéu e “lá vai ele ao banho”. Li em qualquer sítio que era contraproducente, ir ao banho durante a prova, mas a verdade é que, naquelas condições de temperatura, achei uma excelente solução. E resultou. Para além de reduzir a temperatura corporal (e a consequente necessidade de hidratação) , permitiu-me bochechar com água do mar, combatendo de forma tão simples, a instalação de uma hipotética hiponatrémia, seguindo um conselho de “tradição” do amigo António Miranda. Depois disto, não senti quebra no andamento. Antes pelo contrário, aumentei o ritmo e ganhei vários lugares e, quando chego à última curva, vejo o pórtico. Talvez mais um Km. Subo, na areia solta os últimos 50m. O relógio da meta indicava 4,48,01! Agora sim, tinha curiosidade em saber o tempo, mas pela forma como me tinha corrido a prova, comparada com as anteriores, tinha um palpite que andaria abaixo das 5h. Estava feita a minha 8ª. Lá vêm as felicitações de amigos e, como não podia deixar de ser… as náuseas (que também vêm sempre “felicitar-me”). O repouso, as bebidas, a fruta, a conversa e ir vendo a chegada vitoriosa e feliz dos outros companheiros de jornada.

Terminada a prova ouvem-se os comentários e compara-se com a nossa própria apreciação. Mas isso será matéria para um novo apontamento.

7 comentários:

Jorge Branco disse...

Parabéns!
Mas para o amigo Fernando Andrade UMA já é pouco têm que se DUAS!

vgoncalves disse...

Parabéns pela prova. Só tenho feito Meias, quem sabe um dia consigo fazer o mesmo que o Fernando.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Parabéns Fernando, por mais UMA completada!

E... os panfletos das provas acabam sempre por ter utilidade ;)

Beijinho e boa recuperação

Anónimo disse...

Parabéns mestre por mais UMA, se UMA até poderá ser para todos ser totalista da prova que é sem dúvida "a" prova é para poucos.
Obrigado pela simpatia das tuas palavras, os nossoS verdadeiros amigos tendem sempre para o exagero, eu correr bem mais que tu, pois só se for em tempo de prova.
Até Óbidos onde estarei numa de turista, nas Lampas conto já estar em grande, este ano até corro nas descidas.
Abraço.
António Almeida

Carlos Lopes disse...

Parabéns Fernando!

tutta disse...

Parabéns por mais uma maratona completada Fernando.
Abraço.


tutta/Baleias/PR
www.correndocorridas.blogspot.com

Mário Lima disse...

Fernando

Essas cólicas é do cafezinho. Tens que bebê-lo antes de sair de casa, é o que faço.

:)

Tudo tão simples, até o ventinho que para ti era fresquinho para mim até a garganta me secava.

O bochechar com água do mar também o faço, mas sem o ser humano por perto, embora saiba que, numa relação, uma baleia macho(e tem 6 por dia) despeja todos os dias no mar, 1350 litros de esperma, sempre é preferível que o aquecimento marítimo provocado pelo vazar da bexiga humana.

De resto uma boa prova da tua parte, passaste por mim e Vítor no teu passo de maratonista e lá foste.

Um totalista desta prova e que continues a sê-lo!

Abraços!