segunda-feira, 24 de março de 2014

Um Treino Mágico



Não sei porquê - ou, se calhar até sei - tenho a sensação que o II Trilho das Lampas aconteceu ontem.É que os objectivos que tínhamos quando idealizámos o Trilho, também ontem, eles foram alcançados. Apenas queremos mostrar o que temos, a quem nos brinda com a sua visita. E isto foi conseguido.  E ter connosco, a percorrer os nossos velhos caminhos, quase 100 amigos, não é tarefa fácil. É facílima. 
Facílima, porque temos a sorte de haver quem goste de nós e das coisas simples da vida : correr no meio da natureza, nuns sítios melhor conservada que noutros, passar em locais recônditos que nunca poderiam ser vistos de outra forma. Recolheram-se imagens. Muitas imagens, em fotos lindíssimas de quem participou e num vídeo genial do nosso amigo Didier Valente. São imagens que levantam a ponta do véu que cobre a área e que ajudam muito a recordar estes lugares por onde, nalguns momentos, passámos em animada correria e agradável convívio, sorvendo em cada passada, o que os olhos iam vendo e a retina gravando.
Disse que me pareceu que o Trilho foi ontem, pois ontem é que lhe vimos a alma, sem preocupações com cronómetros, prémios, inscrições, dorsais,  classificações...e outras complicações, que apenas servem para nos fazer subir os níveis de ansiedade, quando, sem nada disso, tivemos o essencial : a participação feliz e desinteressada de uma centena de amigos que gostam de estar connosco e nos encheram de alegria. Acho que já disse isto, mas quem sabe se não estará em formação, um novo conceito de Corrida que ponha em causa a necessidade das tais "complicações".
Disseram-nos que "organizámos" bem o evento e que as pessoas se sentiram bem tratadas, quando a única coisa que fizemos foi proporcionar os abastecimentos. E olhem, sabem quanto gastámos com o Reconhecimento do II Trilho das Lampas ? Digo já : 

Laranjas                                          -7 €
Bananas, Batatas fritas, Amendoins - 21 €
Biscoitos                                        20€
Águas -Não conta (sobrou da MM)_____
TOTAL                                         48€

(Conta naífe, mas transparente) O que representa um custo a rondar 0,50€ por atleta.

Em face dos números, concordo  que, de vez em quando, é preciso aliviar as despesas das inscrições, sem que se tenha que deixar de correr. 






domingo, 23 de março de 2014

II Trilho das Lampas -Reconhecimento








A primeira das fotos é do Luis Canhão (o seu a seu dono), as outras são do meu telemóvel.
(Não fiz nenhum selffi porque erro sempre a cabeça, eheh)

Foi com enorme satisfação que recebemos hoje, logo às 8 da manhã, um excelente grupo de amigos que aceitou o nosso convite para fazermos um treino de reconhecimento do II Trilho das Lampas, cuja prova oficial está agendada para 10 de Maio.
Grande adesão, quer de atletas experientes, quer de iniciáticos que, de tanto ouvirem falar nos trilhos, resolveram ver e sentir, por si próprios, como é que isto “funciona”, que necessidades especiais é que se tem que ter em conta.
Depois de uma pequena apresentação feita junto ao coreto da localidade, do que se iria passar e sobre as diferenças relativamente a 2013, o grupo saiu do Largo e,  pela R. 5 de Outubro e Estrada do Coval, embrenhou-se nos caminhos velhos e pedregosos indicados no traçado da prova e ficou a envolvência que a natureza proporciona, o riacho a correr, a velha ponte moura, o estreito carreiro de lages, a velha fonte da Bolembre, a ponte da Fonte da Pipa (em madeira, porque a de pedra partiu-se, a velha azenha recuperada (que em tempos pertenceu ao meu avô) mas que hoje não tinha a roda a funcionar, campos verdes, poças de água, passagens por locais elevados com um grande raio de visão, descida para Catribana ("castro junto ao rio" é o que significa o topónimo), velho povoado neolítico  junto à ribeira ( já que há os Trilhos do Paleozóico, porque não aproveitar a deixa e falar do Neolítico? – estou a brincar), a descida, por caminho pedregoso, para as Brecas,  local de confluência da Ribeira de Bolelas com a da Samarra (onde há um açude de construção romana), nova travessia da ribeira, antes da subida por carreiro para o mirante do Casal de Pianos a que se seguiu a zona irrespirável da suinicultura, que obrigou a apressar o passo até à Praia da Samarra, onde havia um abastecimento preparado para ajudar a retemperar as energias, antes de se percorrer a faixa costeira com os vales da Ribeira da Mata e Ribeiro Fundo a complicarem a progressão, até que se chegou à ponta da Vigia, o grande areal sem acesso ( e que a administração central está pouco interessada em construir). Depois foi o virar as costas ao mar e encaminharmo-nos para as traseiras de Assafora, Cortesia e novamente Catribana, com a sua afamada ponte e calçada romana ( património classificado, mas que se vai degradando ano após ano, tardando a sua recuperação) passagem pelo Casal do Coval e terminando onde se tinha iniciado estes quase 20 Km de animada correria.
Este trajecto, foi percorrido em diferentes ritmos, mas o colorido dos corredores, deu a estas paisagens a componente humana que lhes falta, enriquecendo-as.
Pelos opiniões ouvidas, tratou-se de uma boa iniciativa em que, mesmo os estreantes, expressaram bem o quanto gostaram de participar. Isso deixa-nos felizes e é quanto basta para acharmos que valeu a pena fazermos o convite a quem foi tão amável connosco quando tinham várias outras opções de corrida para esta data.
A todos os que estiveram connosco, um grande obrigado, por cá terem estado  neste ensaio. Um abraço também àqueles que gostariam de ter estado e não puderam.

Venha o dia 10 de Maio. E não esqueçam que só há cento e poucas inscrições disponíveis. 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Da Minha Aldeia



S. João das Lampas e o seu Trilho

 
Da Minha Aldeia
  
 
   Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
   Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
   Porque eu sou do tamanho do que vejo
   E não, do tamanho da minha altura...
   Nas cidades a vida é mais pequena
   Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
   Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
   Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe 
   de todo o céu,
   Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos 
   nos podem dar,
   E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
 
 Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

segunda-feira, 17 de março de 2014

24ª Meia Maratona de Lisboa

Antes (com a Sofia e António Guedes,Sandra Martins e Nuno Espírito Santo)

Depois (com Nelson Alegre e o Francisco Ferreira)


Tenho amigos que não alinham na Meia Maratona de Lisboa porque não gostam de confusões. É muita gente, apanha-se uma grande seca, não se consegue correr no início da Prova. Respeito. É legítimo que se sintam melhor optando por outros destinos onde encontrem ambientes mais pacatos, onde se sintam mais livres e não “acorrentados” no meio de uma multidão de 38 mil almas.
Pessoalmente, é sempre com um enorme prazer que ali estou no meio daquela gente toda que, pelo menos por um dia, se submete ao poder da Corrida. Apreciar o trabalho de quem teve que coordenar toda a complexa logística que uma prova destas implica, é também um enorme atractivo. Um trabalho gigantesco que, naquilo que observei, foi efectuado sem grandes falhas. Aliás, e por justiça, devo dizer, sem falhas, se considerarmos impossível a perfeição na orientação de 38 mil. Apenas o escoamento após a chegada foi pouco célere, por distracção dos seguranças (?) que deixaram apenas uma cancela aberta para evacuação de toda aquela gente que se acumulava, mas que foi resolvido, abrindo outras cancelas.
Em relação a anteriores edições, a animação esteve excelente, com várias bandas ao longo do percurso. Os abastecimentos também estiveram à altura.
Uma prova com 38 mil pessoas a correr constitui uma enorme Festa do Desporto, a celebração da Modalidade, na “Catedral da Corrida” que é a Ponte.
Eu, que sempre achei que a Modalidade deveria ser promovida para que cada vez fosse maior o número de praticantes, não me sentiria bem que, atingido esse objectivo, me pusesse agora de lado. Estive lá e gostei muito. E voltarei a estar sempre que a saúde mo permita, mesmo que sob pseudónimo, como foi o caso deste ano (Pedro Sousa -dorsal 6023).
Quanto à prova que fiz, não foi má : rápido até aos 5Km; abrandamento até aos 15, a que se seguiu a  recuperação de ritmo. Termino com o cronómetro da meta a indicar 1.45.34 (1.44.14), na 2074ª posição. Em 2013, fiz 1.46.05 (2142º).


domingo, 2 de março de 2014

"Meia" de Cascais

Por volta do Km 13 (foto tirada pelo Luis Parro)

Numa organização do CCD do Município de Cascais, com o apoio técnico da HMS Sports Consulting, Ldª, decorreu esta manhã, mais uma edição da clássica 20 Km de Cascais.
Sem querer ser má língua, mas porque estou habituado a que a HMS nos brinde com excelentes organizações, confesso que esperava mais.
Estiveram, pelo que diziam, 4000 atletas (não sei se incluía a Rapidinha), um número que, comparado com aqueles a que a HMS está habituada, até é modesto. E porque é que eu digo isto? Porque a entrega dos dorsais esteve muito demorada: estava a chegar a hora da partida e a fila ainda era enorme; o acesso às portas das zonas de partida, estava congestionado; a t-shirt, ao contrário do que é tradicional nesta prova, não trazia gravados os nomes dos participantes da edição anterior; Esta edição, por ser da responsabilidade técnica de outra entidade (penso eu) não estava numerada, como se os 20 Km de Cascais começassem de novo, deitando fora um historial de 30 anos ou coisa parecida; por último, intencionalmente ou por negligência, a prova tinha 21 KM, sem que os atletas tivessem sido avisados (corria o rumor de que se tinha tratado de uma partida de Carnaval).
Sei também que a HMS saberá reconhecer os erros que teve, mas, repito, pela experiência que tem em organizações brilhantes, deveria ter encarado esta Prova com mais atenção, tanto mais que, ao ganhar a Prova à Xistarca, mais ainda justificaria apresentar um trabalho à altura do que sabe fazer.
Tudo o resto foi bastante positivo -e seria injusto chamar a atenção apenas para os aspectos negativos : grande número de casas de banho disponíveis; zona de partida e chegada bem decorada; bom som ambiente;  abastecimentos nos lugares próprios (excepção feita ao 1º deles em que muitos dos atletas foram “fintados”, pois havia placas a pedir aos atletas dos 20 Km que encostassem à esquerda e o abastecimento estava somente no lado direito, pelo que muitos ficaram privados de se hidratar.
Ao passar a placa do Km 16, ouvi um colega dizer para outro, que ali deveria ser o Km 17. Ainda pensei que fosse brincadeira, pois, como corro sem relógio, não me apercebi que aquele Km tinha sido “mais comprido”.
Só pelo tempo final e pela forma como a prova me decorreu (fi-la de trás para a frente, tendo começado atrás do marcador dos 6’/km e, ao 14º Km passei o marcador dos 5’/km) é que vi que aquele tempo seria mais de meia maratona do que de 20 Km, ainda por cima, quando sabia que não tinha andado muito mal, principalmente na 2ª metade da prova.


No último Km notei que me estava a aproximar do meu colega da ACB, Virgílio Madeira, que ia em quebra e, incentivado pelos outros amigos da equipa  que já tinham terminado a prova, achei que tinha uma excelente oportunidade para “vingar” a Meia dos Descobrimentos, em que ele me ultrapassou nos últimos 500m. Passei por ele, mas logo de seguida, ouvi os passos dele a reagir e “joguei a minha cartada” acelerando mais. Um bleuf para eu dar a ideia que estava cheio de força. Deixei de ouvir os passos dele, que se conformou, mas eu, como já me estava a ver chegar à meta nauseado por causa desta aceleração, resolvi abrandar e deixar-me ir ao “ralenti” até cortar a meta (1,43,001 -1,42,04 T.Chip- 734º da C.Geral). O bleuf  assustou o Virgílio e com ele “matei um carneiro” de muitas provas. Já sei que na próxima,…levo.