segunda-feira, 21 de julho de 2014

Seminário para Directores de Provas de Atletismo Fora do Estádio

Desculpem lá a inconveniência. Leia-se "DIRECTORES"
Numa iniciativa da Federação Portuguesa de Atletismo, decorreu neste fim de semana, em Lisboa, um “Seminário para Directores de Provas de Atletismo Fora do Estádio”,  numa acção que visa aproximar as organizações à estrutura federativa,  proporcionando-lhes os princípios básicos a que devem obedecer sempre que se propõem levar por diante uma corrida.
Surpreendeu-me o número de participantes : 150, o que, de certa forma revela o interesse manifestado, embora haja que ter em conta o carácter de obrigatoriedade que foi anunciado, pois nenhuma prova será autorizada sem que o seu director seja acreditado pela FPA.
Depois de feita a abertura, pela Presidente da FPA, Prof. Jorge Vieira,  o  conhecido jornalista e comentador, António Manuel Fernandes  fez uma apresentação do grupo de reflexão Corre Portugal, do qual é coordenador, grupo este que pretende ” fazer a ponte” entre as diferentes provas e a Federação, tal como acontecia com a CNEC que, entretanto se desactivou.
Seguiram-se intervenções do Prof. Pedro Rocha, sobre o Plano Nacional de Marcha e Corrida; Dr. Pedro Barradas, sobre o apoio médico nas competições; Paco Borao, Presidente da AIMS, que falou sobre as normas vigentes em termos internacionais; Prof. António Campos, sobre a sua experiência enquanto treinador e, mais tarde fundador da Xistarca e director da Revista Atletismo; Prof. Mário Machado, aquele a quem muitos associam o surgimento das Corridas Populares em Portugal  e director da Revista Spiridon, a 1ª publicação regular sobre Corrida e ainda como director técnico das Corridas que mais gente movimentam em Portugal; Luis Matos Ferreira, representante da Associação de Trail Running de Portugal, novo associado extraordinário da FPA; Hugo Sousa, da HMS,Sports, que falou de marketing e apresentou a metodologia que utiliza no planeamento dos seus eventos que têm apresentado um enorme sucesso; Luis Abegão, sobre a medição das Provas e regras de arbitragem; Jorge Teixeira, director da Runporto, que falou da sua experiência à frente desta empresa que veio dar outra expressão às corridas realizadas no Norte do País; Anacleto Jimenez, que falou sobre o modelo de certificação das provas em Espanha e Próprio Jorge Vieira que falou na corrida para os mais jovens. No final, o debate.
Tratando-se de uma iniciativa que inaugurava uma nova era no relacionamento da FPA com as organizações das provas, não estaria nas intenções de ninguém aprofundar os temas , mas sim fazer uma leva abordagem dos assuntos mais preocupantes.

Considero muito enriquecedor o que foi falado, mesmo que para muitos dos participantes, a maior parte do que foi apresentado, não tenha constituído grande novidade.  Foi, no entanto, uma forma de se tomar consciência da necessidade de sintonia nas práticas das várias organizações. Nem que fosse apenas por isso, considero que valeu a pena e felicito a FPA pelo “pontapé de saída” que este seminário representou.

3 comentários:

Jorge Branco disse...

Vamos deixar de ser piratas?
Parece que estou a brincar mas falo muito a serio!
A questão que ponho é se a FPA vai olhar para as corridas populares de outra maneira e dar outro apoio as mesmas de modo a que tanto tanto beneficie a FPA como os corredores e os organizadores da provas!
Muita coisa pode ser feita pela estrutura federativa como, por exemplo, lutar para que o policiamento seja mais barato, que muitas autarquias não vejam as provas como outro evento qualquer e as carregam de taxas, um seguro com um preço em conta para os atletas populares, um moralização do calendário etc. etc, etc.
Enfim este assunto dá pano para mangas e ainda vou escrever sobre ele!
Se FPA vier para este processo de mente aberta, sem segundas intenções nem preconceitos, se souber escutar quem anda no terreno há muito tempo, então todos teremos a ganhar!
Senão continuaremos a ser piratas que é coisa a que já estamos muito habituados!

Ricardo Bastos disse...

Um fim de semana de clausura porém interessante. Uma sala repleta de grandes Organizadores de provas de Estrada e Trail em Portugal. Estou certo de que eu era o menos habilitado ali. Aprendi muito e entendo agora a linguagem de quem em cada prova arrisca muito. Era é é importante para mim conhecer a outra parte. Sempre disse que todo o Atleta um dia deveria participar numa Organização e o contrário também. Valeu a pena sim mas tenho consciência de que o meu teste diagnóstico feito no final é o que tem pior nota. Aliás, se o poderem retirar certamente a média geral irá aumentar significativamente. Força Fernando nessa equipa que reflexão em que estás integrado. Serás um dos nossos olhos, ouvidos e boca...

Fernando Andrade. disse...

Amigo Jorge
esse "pirata" é uma designação que adoça o próprio termo. É um orgulho ser-se pirata pelo facto de se fazer a corrida livre, ao jeito de correr por correr, integrado num grupo que partilha dessa mesma liberdade, seja ou não em actividade reconhecida pelas estruturas. Essa "pirataria" nunca deve acabar.

Amigo Ricardo
Partilho da tua opinião relativamente ao interesse da iniciativa e louvo aqueles que, como tu, apenas quiseram "dar uma espreitadela" aos bastidores de uma prova. Ouvimos os nossos melhores organizadores, ouvimos normas técnicas que se devem respeitar, cuidados de segurança a ter sempre em atenção. Ouvimos história contado por quem acompanhou o fenómeno da Corrida e tivemos oportunidade de nos apercebermos da sua enorme evolução. Poderia ter-se ido mais longe? Podia, certamente, mas não era isso o principal.
Li, com alguma tristeza, por terem sido escritos por pessoas que muito considero, comentários jocosos, como se se tivesse tratado "de pura perda de tempo e que não aprendeu nada de novo". Por uma questão de respeito, bem poderia haver alguma contenção nesses comentários. Mas enfim, cada um é livre de expressar a sua opinião, mas mesmo que se seja muito bom naquilo que se faz, um pouco de humildade, fica bem a qualquer um.

Grande abraço a ambos.