A minha Lista de blogues

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Ainda o Raide...

Uns dez dias antes desta grande Prova...

Já estava escrito :


Tanta areia iremos ter p‘la frente!
Tanta hora a correr …ou caminhar!
Tanto esforço, debaixo de um sol quente
E tão grande o desejo de chegar!
Ando eu "metido" com esta brava gente,
Logo eu que nem cuidei de me treinar;
Armo-me em raider ou mais forte ainda
E hei-de fazer uma figura “linda” !


Ei-la...





No Carvalhal (28,5km)...
... e após 6,27,32 ... o que eu passei p'raqui chegar...










terça-feira, 5 de agosto de 2008

Raide Melides-Tróia 2008 - Conclusão

As grandes lições a tirar

1 –Esta é óbvia: Sem treinos adequados, em ambientes idênticos, não pode esperar-se grande desempenho. Estive no Raide, sabendo disso, mas tendo presente que não poderia apontar para grandes objectivos. Concluí-lo, dentro do tempo que nos era dado, satisfazia-me perfeitamente Estive lá porque, desde a primeira vez, lhe reconheço características que ainda não encontrei noutras provas. “Puxa” muito por nós e ajuda a “descobrir-nos”.

2 – Protector solar : num dia cheio de sol, como este, foi fundamental a aplicação de protector . Sem ele, hoje estaria “bem passado”.

3 - Calçado: tem sido uma preocupação constante. Livremente, a Organização deixa que cada um leve o calçado que entender, mas com muita frequência, se chega à conclusão que não se tomou a opção certa. Que o digam os/as socorristas da Cruz Vermelha, a quem não faltou pés com bolhas para tratar. No meu caso, as meias de neoprene que usei se, por um lado, tiveram a grande vantagem de não permitir a entrada de areia, por outro, para quem não está habituado a correr descalço, sentiria a falta de protecção na planta do pé e os impactos, às tantas, começavam a incomodar. A água que entra, se, de vez em quando, a tirar-mos, não é o problema, mas acho que não voltarei a usar. No final, enquanto não troquei de calçado, estava aflito dos pés, principalmente do esquerdo , que foi o que “aguentou” com maior carga. Quando as tirei, tinha os pés branquinhos, que pareciam “mãos-de-vaca” prontas a cozinhar. No dia seguinte, senti dores onde habitualmente não sinto : tendão de aquiles, mas à direita ( ao contrário do que estava à espera).

3- Mochila : Acho que não volto a levá-la! Acabo por enchê-la de “coisas-que-podem-fazer-falta” e só servem para ir carregado. É desconfortável e, “aquece” muito as costas. Só é prática por causa do tubinho para bebermos água, mas ela aquece e fica sem graça nenhuma. Parece-me que o cinto é preferível, conclusão a que muita gente já chegou e que tem tirado bons resultados.


E a Organização?

Em termos de Organização não vi nada que possa ser desfavorável à atribuição de uma nota máxima. Um trabalho que já está “mecanizado” e que revela grande eficiência.Uma boa comunicação com os atletas e vê-se o cuidado que revela em ouvi-los, registando as observações que são feitas. Um bom acompanhamento durante a Prova (com moto-quatro), fazia-nos sentir em segurança. Cinco estrelas.

O único reparo que faço ( senão também não tinha graça ) é o fazerem-nos ir buscar o lanche lá looooooonge. Para ser franco, eu estava disposto a abdicar do lanche, por um naco de melancia, mas como calhava em caminho para apanhar o barco, lá fui. Já não deu foi para voltar para trás e assistir à entrega dos prémios. E não foi que não tivesse tempo, pois fartei-me de esperar pelo barco.

Só mais uma coisinha : andaram, andaram e retiraram por completo o nome de Raide (que em 2007 ainda mantiveram como subtítulo). Mas a mim... não me "apanham" a dar-lhe outro nome.

Falta só enviar um forte abraço a toda a Organização e felicitá-la por mais um grande sucesso.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Raide Melides-Tróia 2008

Saio de casa às 4,30 da matina e, por via das dúvidas, tratei de tomar um pequeno almoço antecipado, constituído pelo leite e cereais, que é aquilo a que estou acostumado.
No carro já tinha colocado aquilo que, no meu entendimento, poderia vir a fazer falta.
Arranco, rumo a Setúbal, onde – sem necessitar de ultrapassar os limites de velocidade – cheguei às 5,45. O barco seria às 6,15. Curiosamente, já havia por ali raiders. Não precisamos de os conhecer para “tirá-los pela pinta”. Mas logo a seguir, começa a chegar um bem conhecido: o Zen, depois o Pina, depois o Antunes, o Vitor Silva, o Zé Martins, o Jorge Pereira, a Analice e, de repente, tudo nos era familiar. Fiquei com a sensação que aquele viajem de barco, seria exclusivamente para “mártires” que encontrariam a “glória paradisíaca” nas areias do lado de lá do rio.
No barco, o Antunes faz, em primeira mão, a apresentação de um protótipo de calçado adaptado às areias, a merecer a atenção de um fabricante (deu cabo de uns Nike “qualquer coisa” recortando a parte de frente e substituindo-a por uma fita de velcro. A água (e a areia) entrava, mas sairia da mesma forma, mantendo o pé sempre confortável. Vim a saber que a “costura” é que precisa ser reforçada, para que a fita não ande ali a dar-a-dar e, às tantas, obrigue... “ao mergulho” involuntário.
Enquanto ouvia as estórias do Jorge Pereira, sobre as caimbras e das aventuras na Geira, olho de relance e vejo o Zé Martins, sentado, de olhos fechados, costas muito direitas, em pose de yoga, certamente numa meditação que o ajudasse a enfrentar este desafio.
Ah, ainda tive o prazer de conhecer o Tiago Martins, que viria a revelar-se a grande revelação das areias.
Chegámos à outra banda: um cais novo que, a partir de 15 de Setembro –e por força dos interesses imobiliários em presença, passará a acolher a “plebe” libertando a zona nobre da península para os “donos do mundo”, substituindo o antigo.
2 Autocarros à nossa espera, e lá vamos nós para Melides.
Quando chegámos, já lá estavam bastantes amigos nossos (que dispunham de condutor para levar as viaturas para Tróia: O João Hébil e a sua “armada” da Atlas Kopco-Madrid (Ricardo, Eduardo e Roberto), o Fernando Alves e o Luis Oliveira, que preparam intensamente a sua participação no Madeira Island Ultras Trail; o Eduardo Santos, o Tigre , a Margarida e a Yolanda .
Um cafezinho e um queque, numa das roulotes que substituiram o antigo café e encaminho-me para o Secretariado, onde assinei o termo de responsabilidade, levantei o meu dorsal e me deram uma garrafa de água, uns cubos de marmelada e mais umas coisitas que levei, mas que ainda não sei o que eram.
Vou equipar-me . Passo um protector pela pele e vejo que, de tanta tralha que levei, não precisava de 80%! E o saco que entreguei à Organização para me ser devolvido em Tróia, pesava que se fartava.
A grande novidade no meu equipamento era no calçado . Resolvi utilizar umas meias de mergulho. Tinha feito alguns treinos com elas e sabia que entrava a água, mas não a areia. E a água tirava-se com facilidade e não magoava os pés. Receava apenas que a ausênc ia de protecção da planta do pé, me obrigasse a um esforço a que não estava devidamente adaptado. Apenas tinha feito treinos de uma hora com elas e esse, era o único senão que me retirava alguma confiança. Decidi na hora : ou fazia a experiência ou fazia como nos anos anteriores já sabendo que, volta e meia, tinha de descalçar os ténis para tirar a areia. Optei pela primeira.
Ouvimos umas palavrinhas da Drª Margarida Moreno, Directora da Prova e encaminhámo-nos para o local da partida.
..../...




A Partida. Eu estou lá para trás...


Ouviu-se um “estalo” e puseram-se em marcha os 164 raiders, onde estavam incluídas 14 mulheres “que os têm no sítio” .
Prudentemente, parti atrás. Estava com o João Hébil, quando “tudo” começou.
Havia que encontrar a passada certa, pelo que os primeiros metros eram de experimentação. Logo a seguir, vemos que uns vão pela esquerda, pela “pista húmida”, outros seguem em frente, pela “pista superior” . Entendemos seguir cá por cima, evitando a forte inclinação.

“JÁ O FIZ ! SÓ VOS DIGO ISTO : HERÓIS!”

Era com esta frase, toscamente escrita a castanho numa velha placa de madeira prensada, que um pescador que ali estava, incentivava este grupo de aventureiros. “Herói” é forte de mais, mas que nos faz bem ao ego...!

Vi que não tinha pernas para acompanhar o João, que, entretanto, optou por descer. Ao ver que ele se distanciava, ainda pensei que fosse por ser mais fácil correr na areia molhada. Passado o primeiro quarto de hora de corrida, entendi correr junto à água.
As distâncias entre os atletas iam crescendo e as nossas “referências” passavam a ser a côr dos equipamentos : o laranja era o Zen, o branco e preto era o Vitor Silva (ambos teimavam em correr na “pista superior” e, pelos vistos, a darem-se bem) o amarelo era o João Hébil e o Eduardo Esteves (que tinha a bandeira espanhola na mochila), o verde era o Tigre. Vim “na peugada dele” !
Desta vez, sabia que não iria ser apanhado pela Analice, pois, “estrategicamente”, parti atrás dela e... nunca mais a vi.
A primeira bandeirinha, dos 5,5 km, só aos 44 minutos é que apareceu. A “coisa“ prometia !
Uma hora de corrida. Era tempo de tirar a água das “botas”: sento-me na areia, “alço a perninha” e, com as mãos alargo o “cano” de neoprene e, só pela gravidade, a água saía. Vinha quente. Pensei cá para comigo que, quando chegasse ao fim, teria os pés cozidos. Continuei em passo de corrida durante mais uma hora. Era um passo fraquinho com que me ultrapassavam facilmente.
À passagem da 2ª hora (teria feito pouco mais de 10 km) volto a tirar a água. Aí, como já tinha passado por alguns que vinham a passo, fui contagiado e pus-me também a andar, na esperança de que a vontade de correr voltasse depressa. A primeira tentativa, após 20minutos, falhou ! Um jovem do norte, equipado de vermelho, vinha também a passo, com os pés cheios de areia e trazia unicamente uma garrafinha na mão, já com pouca água. Aconselhei-o a tirar a areia dos pés para não os ferir e ofereci-lhe o meu apoio para essa operação. Não quis, mas tenho a certeza de que viria a fazê-lo mais tarde, pois só estava feito pouco mais de um quarto da prova.
O sol, impiedoso, batia forte, projectando na areia toda a minha sombra em menos de um metro. Apesar de ter tido a precaução da aplicar protector principalmente nas partes (nas partes?) mais expostas, começava a sentir alguns ameaços de escaldão. Felizmente, não passou de ameaços
Nisto, aproximam-se duas atletas : a Tânia Machado e a Rita Carrola, da Açoreana-Banif, minhas colegas de equipa. Diz a Tânia :- “para o ano é umas coisas dessas que eu trago!” referindo-se ao meu calçado. De imediato lhe disse que não era grande coisa, pois deixava entrar a água. Aproveitando a passagem da motoquatro da organização, ela pediu para lhe levarem os tenis e optou por correr descalça. E lá foram as duas continuando sempre a ganhar terreno.
Às 3 horas de prova, sou ultrapassado por um atleta que vinha num passo que era uma “desgraça”, mas mantinha-se em corrida e a verdade é que em 5 minutos deixei de o ver ! Pensei então, que era muito importante manter um passo de corrida. Lembrei-me daquela máxima acerca do sorriso : “corre ainda que o teu passo seja triste, porque mais triste que o teu passo triste, é a tristeza de não saber correr”! E pus-me a dar à perna. A pouco e pouco, vou ganhando um ritmo aceitável e até vou ganhando posições.
28,5km. Vinha bem. Aceito as duas garrafinhas de água, bem mais fresquinha que a da mochila, e, com sofreguidão, não resisti a uns bons goles. Asneira. Lá vem a náusea e o desconforto e tive de me pôr a passo outra vez, à espera de melhores momentos.
Passa o José Valentim, que me convida a segui-lo, mas não fui capaz. Mas dali a bocado, recomecei e apanhei-o. Estava ele, entusiasmado a olhar o mar e disse-me:
-Oh Andrade, olha p’r ali ! Não vês uma baleia ? Olha! Olha! – e fazia-me seguir com os olhos a direcção que ele apontava com o dedo.
-Onde?
-Ali, ali, oh,oh!!!
Eu não podia parar. Ia saltitando, tentando, ao mesmo tempo, descortinar a baleia que ele dizia que ali estava.
Às tantas, digo-lhe : - Ãh,ãh! Iiiiiiiiii...
Não tinha visto nada, mas a verdade é que se parasse, sabia lá quando é que voltaria a ter vontade de correr!?
Sei que é feio o que disse, mas, dadas as circunstâncias, o Zé Valentim, grande amigo das grandes jornadas, vai-me perdoar ter “concordado” só para me despachar.
Hoje, no jornal, vi a notícia : “Tubarão-Frade assusta costa alentejana” ! E trazia a fotografia do bicho, a poucos metros dos banhistas de uma das praias por onde passámos, por volta da hora do almoço.

.../...

Fui novamente alcançado pelo Valentim e ele aconselhou-me a não ir a passo; para tentar encontrar uma marcha que nem seja a andar nem a correr. Dei-lhe razão e viemos os dois alguns quilómetros, quando ele me disse para eu continuar que ele já não conseguia. Tentei dar-lhe o mesmo conselho que ele me dera, mas não resultou. Pôs-se a passo e eu contava que me acontecesse o mesmo lá mais para a frente.
Uma senhora vinha a caminhar, em sentido contrário e diz-me : -“Vá já falta pouco, que eu saí de lá!”- O que ela não disse foi a que horas saíu, pois não se viam sinais da meta! Quando vejo o pórtico branco da meta lá longe, já me custava a acreditar. Só depois da última curva é que me certifico de que aquilo era mesmo o “ponto final” desta longa caminhada.
Entro na areia solta. Naqueles 50m de areia que eram a “passadeira da glória”. 6.27.32!
Alguém agachado junto ao pórtico, aplaudia mais vibrantemente a minha chegada. Era o Rui Lacerda! Apetecia-me “entrar” com ele, dizendo com uma “vozinha de vodafone desgastada” : “ontem à noite, Ãin !?” mas muito mais desgastado que a voz, estava todo eu!
Em vez de andar, cambaleava. As pernas não obedeciam. A tenda da Cruz Vermelha tinha “clientela” com fartura: uns faziam massagens, outros tratavam das caimbras e das bolhas dos pés (tás bom Jorge?!). Recebo o saco e vou direitinho à tenda, para me sentar e refrescar com a soborosíssima melancia e o saborosíssimo melão e a saborosíssima sombra e o apetecidíssimo repouso.

Ahhhhh! “Bendita a fruta da vossa tenda! De truz!”

domingo, 3 de agosto de 2008

Raide Melides-Tróia 2008


O período PR (Pós Raide) imediato, é pouco amigo de incentivar à escrita quem nele participou. Quero contar tudo aquilo que conseguir lembrar-me. Mas hoje, sinto-me cansado e falho de muitas qualidades. Amanhã, farei uma tentativa. Deixo apenas o testemunho da minha pior marca dos 4 Raides, mas que é também, uma grande vitória (como os políticos, que ganham sempre...!) Volto Já!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Raide 2007 -Conclusão

António Rebelo e João Hébil, com a "armada madrilena" em alegre recuperação (foto de Ana Pereira)


Vejo que, um pouco à minha frente, um atleta alto, de equipamento escuro, optou por parar e colocar as suas grarrafas na mochila. Não achei má ideia, mas parecia-me que, se eu parasse de novo, ia ser um problema recomeçar, pelo que entendi melhor continuar com ambas as mãos ocupadas.Lá vai mais um atleta a passo. Parece que não mas, quando ainda conseguimos correr, vermos alguém a andar, dá-nos algum alento. Pode é ser por pouco tempo.
Por volta dos 32 Km, a cena do Luis Oliveira, repete-se. Desta vez era o João Serra, meu companheiro de Equipa, a Açoreana.Seguros: - Bora, João - digo-lhe eu.- Eh, pá, estou cheio de caimbras!Dali a pouco, lá me ponho eu a passo. O João “apareceu” ao pé de mim e, ambos a passo, prosseguimos o caminho, que não tinha nada que enganar. Andávamos 100 metros, corríamos o que as caimbras deixassem.
Um trio de atletas, passa-nos e um deles tira-nos uma fotografia.Passa,depois, o José Valentim, o homem que num mês “espeta-lhe” com três ultra-maratonas : Comrades; Freita e esta ! E esta, hein!? De repente, era ela, a Analice ! Lá se ia um “ponto de honra”, mas não havia capacidade de reacção! Pouco depois, passa a Rute Sousa, nossa colega de equipa . Vai bem, dirige-nos um: -“então?, vamos embora!”, mas a nossa reacção foi apenas um “-Vai,Rute, força”, que nós estávamos ... como dizer?... “prontinhos”.
-Agora vamos até à tenda verde! –dizia o João.-Bora! –dizia eu.
-Agora vamos tentar atravessar e praia –dizia eu.-Bora! -Dizia ele- só se a caimbra não deixar !
E falávamos da “loucura” que nos levava para ali, sentida no momento, mas que sabíamos vir a sentir vontade de repetir, logo que esta terminasse. E doía-nos o coração de estarmos apenas a andar, enquanto passávamos por um piso excelente para correr .E andámos nisto. Aos 37,5Km o João disse-me para prosseguir (aliás, já o tinha dito antes) e não voltei a parar até à meta, ganhando, até, algumas posições.5.26.40, foi a marca com que tive de me contentar, que foi boa atendendo à fraca preparação que fiz, mas que foi má se atendermos às excelentes condições climatéricas e... de piso.
Depois foi o repouso na tenda da fruta para ganhar ânimo para ir ao duche. Aí tive oportunidade de conhecer os nossos amigos Miranda e Serrazina, mas, lamentavelmente, o ânimo ainda não se encontrava suficientemente recuperado para conversar um bocadinho com eles sobre as suas experiências “ultra-maratónicas”. Há-de haver outra oportunidade.
Segue-se o duche...frio –brrr. Como não era o único, uns deram coragem aos outros (Um abraço Vitor Silva, António Rebelo, José Valentim).Uma chuva fria e incomodativa fez-nos uma visitinha. E a roupa que tinha não era adequada a estas condições, pelo que passei um bocadinho de “briol”, até que o sol reaparecesse, para permitir a entrega de prémios e o convívio final ao ar livre, na Praça das Quadras.
Caía, assim, o pano, sobre mais uma edição do Raide 2007 .
Uma palavra de apreço pelo excelente trabalho da organização a cargo da Câmara de Grândola e para o grande número de voluntários que foi determinante para mais este grande sucesso desportivo.
E em 2008 ? como vai ser ?

Raide 2007-Parte II (...mais um bocadinho)

No princípio era o "afundanço". E tanta areia assim, pela frente !
.../...

Desde cedo comecei a sentir a mochila a arranhar as costas, na zona lombar! Mau, Maria! Ponho a mão e vejo que a T-shirt se enrolava, deixando a pele em contacto directo com a mochila (digo sempre “mochila”; não gosto de dizer “camelbag” ! é assim ou não é, Orlando Duarte?). Lá compus a T-shirt (também não gosto de dizer “T-shirt”, vou passar a dizer “camisola” ) para baixo, gesto que tive de repetir mais algumas vezes, mas esta pequena contrariedade, foi suficiente para me deixar a região lombar marcada de tal forma que, depois, no duche, só apetecia dizer palavrões.
Pelo caminho, a minha mente ia a matutar :- que raio de velocidade é esta !?; -será que vou a 7m/Km (condição para concluir a prova nas 5h)!? Só o saberia quando chegasse à primeira das bandeirinhas, colocada aos 5,5Km ! Lá estava ela:- 39 minutos ! Não estava muito fora dos planos, mas a verdade é que o à-vontade e a descontracção com que esta passada deveria ser encarada, não o estava a ser. Achei logo que seria melhor encontrar o tal passo confortável e esquecer o relógio.
À medida que a distância ia sendo percorrida, os atletas dispersavam-se mais. Cada vez era maior o espaço entre o da frente e o de trás. “Levanto o pé” por alguns minutos e olho para trás. Vinha lá a Analice, a 50 metros! Inconformado, resolvo abandonar o estado de “relaxaria” em que estava a correr e, progressivamente, aumentar o andamento sem provocar grande “choque”. Passado um bocado, talvez meia hora, volto a olhar para trás e já não a via. Bom, a coisa compôs-se. Por volta dos 15 Km, os ténis é que começaram a meter areia e eu estava a sentir que uma bolha estava a preparar-se para surgir no dedo grande do pé direito. Antes que fosse tarde, resolvo então utilizar o “material” que estava destinado a esta eventualidade : -“arreio” a mochila e tiro de lá um saco de plástico e um “resguardo” também de plástico. Descalço-me , tiro a areia dos ténis, lavo as peúgas encho de água o saco e vou sentar-me no tal resguardo, para me calçar de novo, podendo tirar a areia dos pés na água do saco! Nisto passa o Eduardo Estevez, que me cumprimenta e a quem digo, por graça, que ia acampar ali (vontade não faltava!) e, depois de calçado de novo e “tralha” arrumada, retomo o caminho. Noto que me vou aproximando de um atleta (pudera… ele ia a andar!) vestido de cor-de-laranja . Era um rapaz meu conhecido e conterrâneo, o Luís Oliveira, estreante nestas andanças. Dirijo-lhe uma palavra de incentivo e continuo, como se estivesse muito melhor do que ele. Mas não. Corri talvez uns 200 metros mais e pus-me, também, a passo. Ele fez um esforço, aproximou-se e lá fomos os dois andando… na maior. E quem é que estava a chegar perto de nós, quem era? A Analice! Nãããooo! - Bora, Luís.E ele veio comigo até aos 28,5km, local do abastecimento.
Prossegui, de novo, sozinho, com uma garrafa de água em cada mão e ainda com quase toda a água na mochila, pois a temperatura não obrigou a grandes consumos. Em suma : fui ainda mais carregado, mas não fui capaz de dizer que não, a quem tão gentilmente, me dava aquela água.
.../...

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Raide 2007-Parte I ( ... eu e a "moda dos capítulos", mas é para não chatear muito)

Antes da partida, com António Pereira, João Hébil e Carlos Neto



“Se não fosse pelo dinheiro, a gente não andava aqui, não!” – Depois de seis horas e tal de prova, era assim que um raider, todo "torto", a coxear, com bolhas num pé, dizia para outro que estava nas mesmas condições. Era o nosso amigo João Hébil a caricaturar a nossa participação nesta prova que é tão longa e tão dura, mas também tão aliciante.
Vá-se lá explicar esta misteriosa atracção que continua a ser incompreensível para o comum dos mortais.
7,30 da manhã. Estacionado em Melides (desta vez não fui no autocarro disponibilizado pela Organização) tudo o que via à minha volta me era familiar. Quase todas as caras eram conhecidas, o que atesta que a “reincidência” neste “martírio” é uma das principais características dos raiders.
Dorsal levantado, equipo-me e avalio o "conforto da carga” (2 litros de água, 3 cubos de marmelada, 2 powergels, 2 barras energéticas, uma banana, uma maçã, uma garrafa de pawerade. Ah …e ainda, umas peúgas, um saco de plástico e um pedaço de plástico. E telemóvel). Convenhamos que era mais pesada do que aquilo que eu queria, mas…Apliquei protector solar disponibilizado pela Organização (…e graças à influência do nosso amigo Luís Parro junto da Coppertone) e, enquanto nos fomos aproximando do local da partida, troca-se umas larachas com amigos, tiram-se umas fotos e ouvimos atentamente as palavras da Directora da Prova e do Sr. Vereador, esclarecendo dúvidas e desejando a todos uma boa Prova.
O tiro da partida pôs em movimento a centena e meia de atletas inscritos que, cheios de energia – ainda – remexiam a areia seca de forma determinada, o que provocava um som engraçado. A maré já tinha deixado a descoberto uma superfície de areia lisa, se bem que ainda “fofa” e a obrigar a correr em plano inclinado, pelo que houve quem, nos primeiros quilómetros tivesse optado por correr na areia seca, pela parte superior da duna. Eu, ao ver que uns iam para a esquerda, outros para a direita, fiquei meio despistado, sem saber quais é que havia de seguir. Optei pela esquerda, se bem que procurando acautelar que os pés se molhassem logo no início. Desta vez não via ninguém subir as dunas. Antes pelo contrário, ia-os vendo a descer para junto da água.As condições atmosféricas estavam excelentes: céu encoberto, vento fraco e a favor, uma ligeira neblina que, contudo nos encurtava o horizonte, escondendo-nos a paisagem e trazendo uma certa monotonia no percurso. Gente “normal” não havia (e logo que desta vez, estava preparada uma campanha informativa aos banhistas) e, não fossem uns quantos pescadores – também poucos – e um ou outro familiar ou amigo de raiders em prova, teríamos mesmo atravessado 43 km de “deserto” (não! O ministro não é pr’aqui chamado).
Para pôr em prática uma das minhas “ideias”, a de “relativizar” o tempo, 10 minutos depois de andar a correr, coloco os auriculares e lá vou eu a ouvir música, numa selecção da responsabilidade do meu filho (-acho que vais gostar destas - dizia-me ele ). Duração da música: 2 horas ! Mas, a grande verdade é que a teoria é uma coisa e a prática é outra, pois a música acabou e demorei mais de meia hora a aperceber-me disso. Apesar disso, “vira o disco e toca o mesmo” para mais duas horas, mas não chegou ao fim, porque já tudo me irritava : a música, a pressão nos ouvidos… ná! 1º Erro – Só deveria ter ligado a música depois de 2 horas de corrida. (outros se seguiram, mas, por agora...)