Isto dos prémios monetários nas nossas provas tem que se lhe diga.
Fui dos que, durante muitos anos, achava que a atribuição de prémios monetários seria desvirtuante do espírito que se pretendia que as corridas para todos tivessem. Correria quem gostasse de correr e não quem quisesse fazer vida da corrida.
Porém, às tantas, acabei por vacilar neste princípio. Porquê?
É que o correr por gosto, sem exigir mais de nós do que aquilo que nos proporciona prazer, de facto, não precisa de dinheiro. Uma taxa de inscrição acessível já nos torna felizes e contentes.
Mas pensemos agora na modalidade Atletismo, na sua vertente do Fundo e Meio Fundo!
Os nossos primeiros planos, que para se manterem ao mais alto nível, precisam de treinar no duro, ter custos consideráveis com suplementação alimentar, etc, têm como único rendimento um magro subsídio da FPA. A menos que sejam mesmo “fora de série” e consigam umas receitas extra de publicidade e de cachés para participar em meetings. Teremos dois ou três atletas assim.
Ora, penso que as organizações, ao promoverem a corrida e torná-la ao alcance de um número crescente de pessoas, têm também o dever de colocar junto do pelotão os melhores valores que a modalidade tem, proporcionando-lhes, desta forma, a possibilidade de um rendimento extra que complemente, com inteira justiça, os magros subsídios federativos.
É que também cansa ouvirmos constantemente falar que o “Atletismo é o parente pobre do desporto nacional”.
Será errado que, à conta dos prémios para os primeiros, se descure o grosso do pelotão que apenas pretende ter um bocadinho de atenção por parte das organizações. Também será errado pensar que o que se poupasse nesses prémios iria contemplar muito mais gente.
Não nos esqueçamos que cada um tem o seu papel a desempenhar na modalidade.
Às organizações, como disse, competirá valorizar conforme lhe for possível, o esforço dos que melhor representam a modalidade. Se assim não fosse, as verbas que são colocadas à disposição dos atletas pela FPA, seriam manifestamente insuficientes para justificarem uma tal entrega à Corrida, que possibilite a todos nós, estarmos representados ao mais alto nível.
Devo dizer que existem grandes reticências por parte de alguns responsáveis, relativamente ao que acabo de referir. Há até quem considere que as Corridas de Estrada sejam referenciadas como factor de entrave ao desenvolvimento do nosso Fundo e Meio Fundo, pois se nas provas de pista não há prémios monetários, os atletas optam pelas de estrada...
No entender destes responsáveis, os atletas não precisariam de estímulo para atingirem a performance ideal. Discordo.
Em suma, os prémios monetários, na minha óptica, são uma espécie de justo contributo da “sociedade civil” para os nossos melhores atletas.
Porém, devo dizer que, se surgirem dificuldades financeiras às organizações, a primeira rubrica orçamental a ser reduzida, seria sempre a dos prémios monetários, nunca (ou só em último caso) qualquer das outras que se reflectisse no atleta de pelotão como perda de qualidade da prova .