-nesta altura ainda havia por ali algum espaço-
Cedo, muito cedo mesmo, fui-me aproximando do local. O dia estava bonito, sem vento, nem frio, nem chuva, pelo que saí do hotel (cerca das 7,45) já equipado, sem necessidade de qualquer agasalho descartável. Já muita gente se ia movimentando por ali, mas o espaço na zona da partida era muito e dava para “deitarmos” a vista à distância, procurando detectar caras conhecidas, o que não demorou a acontecer. O meu colega da ACB, Pedro Burguette, foi o primeiro que encontrei, mas como ele ainda tinha de ir ao “guarda-roupa”, não voltei a vê-lo, se bem que me tenha mantido na zona próxima da linha de partida. Só que aquilo vai enchendo e, sem darmos por isso, vamos ficando “cercados”. Estava também ali o meu amigo Rodrigo Silva, do blogue “Fugindo ao Cão” (que tantas saudades nos deixou) e foi com ele que passei aquela meia hora que antecedeu a partida. Os paraquedistas, vindos lá de cima, aterravam milimetricamente no ponto estabelecido ante os aplausos dos corredores.
Como novidade, foi introduzida uma corrida de 10 mil metros, com partida no mesmo local da maratona, se bem que em corredor diferente. Tinha como atracção o grande “Gabre”, que, como era de esperar, correu só, tendo como companhia uma mota da polícia. Inscritos, ouvi dizer que estavam 4000 nesta e 9000 na Maratona.
Ao som de uma música fortemente moralizadora, foi dada a partida. Começámos imediatamente a correr, tendo demorado menos de 30 segundos a passar pela linha de partida. Nunca mais vi o Rodrigo.
Partir rápido não é bom, mas procurei o meu ritmo de cerca de 5’/km, o que não consegui logo. Nos primeiros 2 ou 3 km passo pelo pessoal do Porto Runners, comandados pelos experientes Luis Pires e Vitor Dias, que entenderam seguir mais devagar, pois tinham acordado seguir em grupo, onde havia um estreante. À Meia Maratona, levava 1,45h conforme tinha previsto, mas tinha a sensação de estar em quebra, o que é terrível para a força anímica que sabemos ter de manter até ao fim.
Ouço um cumprimento vindo de trás. Era o João Hébil, que andava a “treinar” para a sua próxima aventura em Junho. Logo a seguir, passa o pessoal do Porto. Estava, mesmo numa fase má. À entrada na Casa de Campo, cerca dos 23km, disse para o João seguir no seu passo (que era bem mais forte que o meu) que eu já o apanhava...se pudesse. Tomo um gel, que me fez – penso eu que foi isso - reanimar, encontrando uma passada agradável, confiante, fazendo-me novamente acreditar. 30Km: agarro numa garrafa de powerade, decidido a levá-la comigo até a esvaziar completamente, o que só aconteceu aos 40. 32Km : uma subida “tramada”, o público bem que incentivava os corredores, mas eram muitos os que se punham a passo, complicando até a vida aos que corriam, pois a passagem era estreita e, como não dava para zigue-zaguear, lá se via um ou outro encontrão. Sentia-me bem. 34km: mais um gel. Dois ou 3 km que ele demorasse a fazer efeito, mais dois ou 3 km que esse efeito durasse, mais uma hidratação adequada (até porque o calor nos “lembrava” dessa necessidade)... parecia-me que tudo estava controlado. 39Km : Recolletos (local da partida) passo pelo Vitor Dias que continuava na sua função de “agrupar” os elementos da equipa (Já o Luis Pires, um pouco antes, vinha dando ânimo a um colega) que me disse para seguir. Agora só faltava a demolidora subida de Alcalá, até entrar no Parque do Retiro onde se faria o último Km (um abraço, Jorge Branco). Mas estes 2 penúltimos eram penosos. Ouvia-se alguém do público gritar : “-Campeones, esta es la fuerza de Alcalá!” Os mais determinados cerravam os dentes e deixavam que essa força se juntasse à pouca que ainda tinham e “cresciam” por ali acima. Os mais resignados pensavam : “-tá bem, tá. A passo também lá chego!!!...” . Muito público nesta zona, que até complicava um pouco a passagem dos corredores. Entrada no Parque. Agora era a descer. Lá está a curva ligeira, uma enorme zona vedada, a sequência de pórticos e, finalmente, o que tinha o relógio: 3,40,34. Era hora de desligar também o meu :3,40,08.
Depois, dão-nos a medalha, um resguardo que, dada a temperatura, até nem fazia muita falta, água, cerveja, sumos, powerade, frutas,etc. Etc.
Regresso ao hotel e, depois de uma banhoca revigorante, apanho o Metro e ala para o Aeroporto.
















