sábado, 12 de abril de 2008

Linhas de...nada

Sento-me, com o teclado e monitor à frente, para escrever uma “estória”. Sem assunto, mas, assim mesmo, um “registo” de um momento daqueles iguais aos de grande parte do tempo das nossas vidas. Em que nada acontece, em que nada pensamos e em que também não estamos à espera de que algo aconteça ou que surja uma ideia brilhante, para deixar testemunho. Um pouco à semelhança do falar do tempo que faz, quando queremos combater o silêncio. Como se a conversa fosse o “bom” e o silêncio o “mau”.
Mas a verdade é que com ambos se comunica. E este é um dos momentos em que, mesmo com silêncio, quero comunicar, mas... para dizer o quê ?
-“Meus amigos, quero dizer-vos que não tenho nada para vos contar!”
É ou não é ridículo ?
Porém, o que não nos falta, ao longo da nossa existência, são momentos destes. Dos que não têm qualquer interesse !
Ora aí está : “interesse”! Mesmo sem querer, falamos de “interesse”. Tudo tem que ter “interesse”. Como se fosse em torno dele que o mundo girasse! E não será ?

4 comentários:

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Oh Fernando, já parece alguém que eu conheço, que fala de nada como se estivesse a falar de alguma coisa "com muito interesse".

Mas não é que está mesmo?!

Dou-lhe um exemplo: hoje ligou-me um amigo e pergunta-me se há novidades, e eu respondo-lhe de chofre que não, não há, o que na minha situação pessoal e actual é sinónimo que se as coisas não melhoraram e não há boas novas, também o inverso se verifica: não há más novas para anunciar.

Claro que isto tem o "interesse" que tem, pois interesse é algo sobejamente relativo e tão diverso quanto o número de indivíduos existentes ao cimo da terra.

Portanto, ainda bem que nos disse que não tem nada para nos dizer Fernando. O "intersse" deste post cada um lho achará, ou não.

Um beijinho
Ana Pereira

Paula Pinto disse...

Normalmente, é assim que acontece. De clic em clic avançamos por "canteiros" e "quintais" desconhecidos. Em alguns, detemo-nos mais tempo. Sentimo-nos bem lá.

Da "corrida de constância" do fórum "O Mundo da Corrida" a este (leia-se mundo) foi um pequeno salto de muro.

Senti-me bem por aqui. "Cidadão de corrida" é uma antevisão do pensar, do sentir e do agir que iremos encontrar...
"não corro nada de jeito, mas gosto disto, pronto!" A simplicidade cativou-me.

Acho que corre e corre muito. Mas não foi para que lhe digam isso que as escolheu como apresentação.

Com linhas de nada, linhas de muito, linhas de muito ou pouco "interesse", tenciono deter-me por aqui.

Ana Paula Pinto

Fernando Andrade. disse...

Com os dois comentários "de peso" que antecedem o "nada" transformou-se em "muito".
É bastante honroso para mim, encontrar "retorno" por parte de quem tanto aprecio e que me têm oferecido tão bons momentos de leitura, da tal em que nos entranhamos e vivemos como se fosse escrita nossa (querias...!!!).
Obrigado Ana, por me ter dado a "receita" para fazer "estórias de nada";
Obrigado Ana Paula (e bem vinda a este quadradinho)por todos os lindos e profundos textos que nos tem proporcionado e pela lição de serenidade (mesmo que possa ser aparente) com que encara os desígnios de "quem tem do confuso mundo o regimento".

Beijinho.
Fernando

Joaquim Margarido disse...

Deve haver um dito popular mais adequado. Mas ao ler-te, querido amigo, só me ocorre "Deus dá nozes a quem não tem dentes". É que eu tenho tanto - mas mesmo tanto! - para contar e não tenho tempo.

Bem sabes que vou escrevendo, mantenho os meus blogues (mais ou menos) actualizados, vou deixando algo no "Resistir é Vencer", duas ou três notícias semanais nos jornais da terra, mais os artigos e as entrevistas para a Revista de Atletismo e agora (também) este "bichinho" da Orientação a atormentar-me e a pôr à prova a minha capacidade de gerir o tempo.

Mas sentar-me como tu, puxar pela cabeça e sair uma coisa preciosa de coisa nenhuma... Ai que inveja!

Tenho de arranjar tempo para falar das minhas quintas floridas de maias mil, do "Principezinho" e do muito que o La Feria (ainda) tem de aprender, dos meus tristes treinos e das ainda mais tristes corridas, do sufoco da organização da Milha Urbana Cidade de Ovar, da felicidade de ver os olhitos das crianças esbugalhados ante a figura do "campeoníssimo" Carlos Lopes, de...

Saudações atléticas.

JOAQUIM MARGARIDO

P.S. - Boa tarde, Ana Paula Pinto. Há quanto tempo não a lia e que bem me soube.