segunda-feira, 17 de março de 2008

18ª Meia Maratona de Lisboa

A bonita medalha



Mais uma Meia Maratona de Lisboa se realizou. A 18ª! Embora subscreva muitos dos comentários negativos que já se fizeram, e sem que ninguém me tenha “encomendado o sermão” julgo que todos devemos ter a noção da diferença entre o controlar de uma prova e o controlar de uma multidão. Numa prova, embora com níveis competitivos dos mais díspares, todos têm (ou deveriam ter) uma noção do que é correr, do doseamento do esforço, do que significa partir na frente ou mais atrás. Aqui, o que aconteceu para 80% dos participantes foi simplesmente passar a ponte a caminhar. Saudavelmente, sublinhe-se, iniciando-se assim, para muitos, a prática da corrida e o nascimento de mais corredores! Porém, poucos teriam consciência das implicações de um posicionamento, na partida, menos… reflectido, digamos assim.

Todos sabemos :

-o que nos custa ver gente da mini, muitos que nunca correram, posicionados lá na frente, enquanto atletas com 1,15 são relegados lá para trás;
-o que nos custa ver alguns “alarves” que, à chegada, querem levar sacos para a família toda (neste aspecto pareceu-me que se registaram excelentes progressos);
-o quanto nos cai mal o aproveitamento que algumas figuras (ou figurões) fazem do evento; -o quanto injusto nos parece uma transmissão televisiva que apenas se concentra nos primeiros e numa ou noutra”figura de circo” que apareça entre a multidão, omitindo imagens que reflectissem com mais verdade, em amostragem, claro, participantes em vários estratos do pelotão.
-o quanto custa pagar uma inscrição cara, que não nos garante um distinção clara entre os que querem correr e os que simplesmente querem caminhar.

Mas também sabemos (ou se não sabemos é porque não pensámos nisso), que:

-A organização tem o direito de convidar pessoas que, de uma forma ou de outra, estarão ligadas à sponsorização da prova;
-É difícil garantir a 100% que as instruções dadas no gabinete coordenador dos vários sectores, sejam fielmente cumpridas;
-A transmissão televisiva está condicionada pela impossibilidade de um helicóptero poder sobrevoar o percurso (que está abrangido pelo corredor aéreo) tendo que se “contentar” com as imagens obtidas de mota. Mas também é verdade que poderiam circular mais motas.
-Não podemos, ainda, pensar nesta prova com fins competitivos, mas apenas de participação na grande festa da corrida em Portugal. E que bonita ela esteve este ano, com uma animação, em pontos estratégicos do percurso, muito melhor que nos anos anteriores !

Há coisas que podem ser melhoradas, merecendo mais atenção? Há sim senhor. Estou a lembrar-me da zona VIP:

-Porque não criar uma zona VIP para a Meia e uma zona VIP para a Mini? Não seria difícil e acabar-se-ia com uma das situações que mais incomodam os corredores que são também atletas.
-Porque não fazer, na zona da Mini, a separação dos caminheiros?

Outro aspecto que não me merece aplausos é o da partida de Algés para as elites! Percebe-se da importância de Lisboa ter o record do mundo, mas a verdade é que, com a partida de Algés estamos perante uma outra prova.

Mas acho que tudo o que possa dizer-se de menos positivo é irrelevante face à grandeza desta prova.

Diz-se que quanto maior é a nau, maior a tormenta! E esta “nau” é enorme! Tem, por isso, que ter um comando competente e firme e tenho a certeza de que, em tudo aquilo que não mereceu nota positiva, a organização irá pedir responsabilidades e corrigir. Podem achar que sou ingénuo, mas acredito.

2 comentários:

Zen disse...

Caro Fernando Andrade

Só hoje li no fórum " o mundo da corrida" que já tinha um "cantinho" para a sua deliciosa escrita. Já era sem tempo! Para quem com tanta facilidade se exprime através da palavra esta é uma das boas formas de fazer "catarse imaginativa", isto para além de proporcionar aos outros bons momentos de leitura.
Parabéns sr. cidadão de corrida!

Abraço.

Fernando Andrade. disse...

Muito Obrigado Amigo Zen.

Vindas de quem vêm, as suas palavras fazem-me sentir vaidoso.
Obrigado também pela visita a este espaço que ainda se encontra em construção e... o construtor é um nobo informático (expressão muito apropriada do nosso amigo Margarido).

Grande abraço.