sexta-feira, 14 de março de 2008

"Douceman"

Depois de um “sono” de 40 dias (certinhos) - disse “sono” mas seria mais correcto falar de “tortura” que me foi infligida por uma sinusite tramada - estou a ver se recomeçoas minhas corridas.

Como me disseram que era bom água do mar, resolvi pôr-me a correr na direcção do dito, num treino leve e descontraído como tantas vezes fiz durante o Verão.

Terça Feira ao cair da noite, pelo caminho velho, lá fui eu, levando comigo um boião para trazer cheio com a “milagrosa” água do mar e poder, depois, “snifá-la” sempre que quisesse e no aconchego do lar.

29 minutos, foi o tempo que levei a chegar à Praia da Samarra, contra os 24 que, em boa condição física costumava fazer . Nada mau, pois eu ia mesmo apenas reiniciar as corridas, consciente que o deveria fazer sem forçar mesmo nada. “Douceman” (como dizia o Ti Miguel Ratão, meu progenitor, que há vinte e um anos partiu para a “grande viagem” quando queria apelar à calma) !

O mar estava terrível ! “De branca escuma os mares se mostravam /cobertos…”. Na Samarra também. E “cavalgava” nas fortes ondas que avançavam pela estreita língua de areia e seixos e “regressavam”, enérgicas e dispostas a arrastar consigo o que lhes aparecesse no caminho. E eu ali, com o boião na mão, à espera da melhor oportunidade para não ter de “beber” muito mais água do que aquela que pretendia. Ainda por cima, a luz começava a ser pouca.

À beira de uma rocha maior, tinha-se formado uma poça. Era aí que eu devia aproveitar. Com um ”olho no burro e outro no cigano” – e preparado para sprintar – lá enchi o frasco, desta vez, para “consumo no local” : vai numa narina, vai na outra e é “péssima” a sensação! Segue-se o “expelir” da água que entrou na esperança de que arrastasse consigo outros fluidos mais “teimosos” alojados nos meus seios frontais. Sem o meu consentimento! Repetido o gesto, encho mais uma vez o recipiente e… ala, de regresso.

Agora já era mesmo noite. Já tinha de vir a”apalpar” para não torcer um pé e, como tal, a passo. Só corria onde o podia fazer com alguma segurança, pelo que, talvez metade do caminho, foi feito a andar.
Tempo total 1,15h .

No dia seguinte, parecia que tinha feito uma maratona, tal era a sensação de peso nas pernas. Mas seria pior se não sentisse nada .

Ontem, mais meia hora. “Douceman.”

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