terça-feira, 6 de maio de 2008

CICLOMUTISMO

Aqueles que, como eu, têm de passar o dia a vender a sua disponibilidade por mor de uns trocados que lhes permitam subsistir, só lá pr’à tardinha é que arranjam um bocadinho para fazer algum exercício físico. Uns vão para os ginásios ou piscinas, outros andam de bicicleta, outros (onde me incluo) correm.

Se os primeiros têm o seu espaço bem definido, os segundos e os terceiros partilham frequentemente a estrada.

Um dos meus percursos preferidos, pois tem bom piso, a estrada é larga, bem marcada e bem iluminada, tem também a preferência de dezenas de ciclistas que, constantemente, se cruzam comigo ou me ultrapassam.

Enquanto corro, tenho por regra, cumprimentar com uma simples saudação os desportistas que, conhecendo ou não, vou encontrando no meu caminho. Talvez por isso me custe a aceitar que os ciclistas, habitualmente, não retribuam o cumprimento! Será da “concentração”? será da “velocidade”? será que um “Ói” interfere com o ritmo respiratório ?

Seja porque razão fôr, fazem-me sentir um intruso no “pedaço”.

Uma outra hipótese que tenho de considerar é que se esteja em presença de uma nova modalidade – O “Ciclomutismo” em que o ciclista, por força do regulamento, esteja impedido de proferir qualquer palavra!

Claro que há excepções, mas essas, já se sabe, servem para confirmar a regra.

Disse. Caberá, agora aos “ciclomudos” demonstrar o contrário das conclusões do meu “estudo”.

Poderei passar por aldrabão, mas ficaria satisfeito se o que referi deixasse de acontecer.

Ou então, sou eu que ando com a mania que sou importante e afino quando não me ligam nenhuma .

6 comentários:

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Bem Fernando, é verdade que por vezes (muiiitas vezes) se criam assim uma espécie de elitismos. Nas mais vastas áreas da vida e onde também não poderia nunca ficar exluído as diferentes modalidades desportivas. É um facto.

No entanto, quando há uns tempos atrás eu treinava (já houve um tempo em que eu treinava, sabia?), quer em estradas ou caminhos de pinhal, ou circuitos de manutenção, sempre que me cruzava com um corredor, caminheiro, apaixonado dos abdominais, ciclista ou outro amigo da actividade física) em cerca de 80% dos casos eles/as respondiam ao meu aceno, sorriso ou "Bom dia" (se ainda vou numa fase em que consiga falar)ou são eles/as próprias a tomarem a iniciativa do cumprimento.

Tenho a melhor impressão dos ciclistas, não desfazendo de praticantes de outras modalidades.

Claro que há sempre um ou outro, que depois do meu sonoro "Bom dia!" (quando ainda consigo falar claro a plenos pulmões) me ignoram por completo. Como se ninguem tivesse passado por eles. Fico danada! Mas não desisto. Já lá vem o próximo e lá vai mais um "bom dia", agora entre dentes que o fôlego não dá para mais, e vale sempre a pena!

É que como comentava eu hoje com um amigo meu, "há de tudo em todo o lado", e essa espécie de mutismo está espalhada pelas várias modalidades, e acredito ainda que os desportistas (mesmo de diferentes modalidades) se acenem como código de irmandade, como comunhão de um mesmo pão, e é uma linguagem universal. Reconhecem-se entre milhares e há essa necessidade de dizer "eu pertenço ao mesmo grupo, sou um do Grupo".

Podemos correr no meio de uma muda multidão, calados, e se avistamos "um dos nossos", mesmo desconhecido, cumprimentamo-nos, é ou não é?

Claro que há excepções ( ou é a regra e eu hoje é que estou num dia de boa vontade?) e que não englobe os desportistas num grupo só e os fraccione por modalidade, ignorando e marginalizando os que não são dos "seus".

Embora, o individualismo e o egoísmo tenha tendência a aumentar e muitos atletas correm com "música nos ouvidos" e não ouvem mais nada! Nem mais nada lhes interessa ouvir.

Bom, vamos acreditar que o Fernando hoje estava num dia mais sensível e teve algum azar com os caramelos que se cruzaram consigo. Vai ver amanhã já não é assim!

Ah! E continue a acenar! Pode ser que um dia passe por mim e eu vou gostar de o ouvir!

Um Beijinho grande, Fernando!

Ana Pereira

Fernando Andrade. disse...

Olá, Ana
Obrigado pelo seu comentário.
De facto, talvez eu não devesse exprimir-me como o fiz, pois até gosto muito de ciclismo.
Chateia-me é que eles andem ali agarrados à bicicleta, olhos na estrada e não passam cartão a quem vai a pé.
Gostei da expressão "código de irmandade" entre os desportistas.
Tenho é que distribuir alguns "exemplares" quando repetir o trajecto de ontem.
Beijinho, Ana
FA

Mim disse...

Fernando eu não tenho muita boa opinião sobre este assunto. Sinceramente se ao passar eu não disser nada os outros corredores/ciclistas nada dizem.E quando eu cumprimento, e que faço bastantes vezes, tenho um cumprimento mas depois da passagem perguntam quem era eu...Penso que assim como o nosso país não está ligado ao atletas a não ser que sejam famosos, muito menos estão ligados ao tais cumprimentos. Mas...e há sempre um mas, quando já tenho notado que para os lados de Lisboa existem mais pessoas que se cumprimentam, deve de ser algum virús daqui da linha de Cascais. Espero que as coisas mudem, eu pelo menos faço por isso.
Beijinho
Bons treinos e vemo-nos por aí.

Que política em Campolide disse...

Deixa o desânimo de lado!

Manda a tristeza embora!

Dança. Pula.

Rodopia. Brinca.

Espanta tudo o que te incomoda.

Sorri... E lembra-te:

Não estás só, há quem Goste muito de ti!!!

Fernando Andrade. disse...

Obrigado Fátima e Orlando
Devo dizer que, quando fiz este apontamento não foi com a intenção de vir fazer "queixinhas" tipo : "-Oh MÃE, os ciclistas não falam comiiiiiigo!!"
Se calhar até fui injusto, mas só quis registar o estado de espírito com que andei durante uma hora, com ciclistas para cá e para lá, a dar vida à estrada, o que me dá muito gosto ver. Mas eu também lá andava e... parecia que não.
Mas, no fundo, no fundo, eu não queria que levassem a sério o que disse, até porque, no final, eu já estava a descambar p'rà parvoice.
Abraço.
FA

luis mota disse...

Olá Fernando!
Também sou daqueles que me cumprimento as pessoas com que me cruzo.
A diferença é que Tomar, apesar de cidade, é como uma pequena aldeia.
Quando consigo correr pela manhã, é com alegria que digo a quem passo:
- Bom-dia! - E a retribuição reconforta e motiva para o treino.
Para todos BOM-DIA!
Luís Mota