terça-feira, 8 de julho de 2008

O Tarik


Cada vez mais me convenço que, por obra do Homem, as restantes espécies vão tendo cada vez mais dificuldade em saber qual o espaço que têm direito a ocupar neste mundo e vão ficando, progressivamente, desadaptadas às condições que, abusivamente, lhes fomos impingindo.
Só porque nos achamos superiores (temos “alma” e tudo) entendemos que os restantes terráqueos devem seguir os nossos valores e sujeitar-se às nossas pressas e a viver de favor no espaço de que nos apropriámos e que eles também têm o direito de utilizar.
O mundo tornou-se hostil. O menor descuido pode traçar o fim.
Digo isto em reflexão, pois habituei-me a ter, todas as manhãs, quando abria o estore da janela do quarto, a saudação amiga do Tarik. Dava o seu “miau” a pedir uma festinha e ficava ali, sossegado ou a roçar-se, meigamente, a pedir mais. Hoje, ninguém sabia, mas fê-lo pela última vez!
Quando eu saía do portão, após o almoço, vi que ele jazia no meio da estrada, após um atropelamento que, desta vez, foi fatal.
À distância, pode pensar-se que foi apenas um gato que perdi e que é “lamechas” este apontamento. Mas se a relação de afecto que estabeleci com o “bichano” se perde por causa tão forte, cria-se uma espécie de ferida que, como tudo aquilo porque passamos e nos magoa, só o tempo há-de sarar.

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