segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

25ª Maratón Popular Ciudad de Sevilla




No próximo Domingo irei participar na 25ª Maratón Popular Ciudad de Sevilla.


Esta é uma das minhas preferidas e aquela que mais vezes fiz (esta será a minha 11ª vez)!
Faltei em 2008, mas fui “ao baú” procurar o meu relato de 2007, numa altura em que o “cidadão de corrida” ainda não fazia parte desta comunidade .
É extenso e não é minha pretensão contar que o leiam, mas apenas para não ter de o procurar de novo.


Aqui vai:



Um Saloio na Andaluzia ( I )

Havia por aqui um gajo que, nas duas semanas anteriores, enjoou as pedras da calçada, à procura de companhia para ir à Maratona de Sevilha . Já estava por tudo, incluindo aconselhar egoisticamente um amigo que nunca tinha feito uma maratona nem estava minimamente treinado, dizendo-lhe que aquilo seria canja fazer-se em 5 horas. Isto só para ter companhia Ainda bem que ele pensou melhor e tomou uma decisão sem esperar pelo conselho.Esse gajo era eu !Mas o frenesim não parava. Faltavam 4 dias para a prova quando me inscrevi, ainda sem saber se teria mesmo de ir sozinho. Soube, então que um rapaz meu amigo, que mora aqui perto, já estava inscrito por um grupo de Grândola. Eram 9 e já tinham tratado da estadia e do transporte, alugando uma carrinha de 9 lugares . Só lhes disse que iria de carro atrás deles e o Fernando Alves ( o tal meu amigo) iria comigo ou com eles, conforme quisesse. Quis ir comigo. Às 11 horas locais estávamos no Estádio Olímpico de Sevilha, para levantar os dorsais e visitar a feira, repetindo-se o ritual de anos anteriores. Pasta Party no Pavilhão do Futuro, que funcionou excelentemente, sem qualquer demora. Eles foram para o hotel deles (que era 5 estrelas –oh-lá-lá) e eu nem me atrevi a perguntar se havia quartos individuais. De modos que, agora mesmo só, me dirigi para uma “hostal” já conhecida perto do centro da cidade. Não estava com pachorra para me pôr à procura, pois o estacionamento é muito complicado, principalmente para quem anda às apalpadelas. Cada vez que me enganava, lá ia eu dar uma volta ao bilhar grande, pois embora eu soubesse mais ou menos onde é que estava, os sentidos únicos complicavam-me a vida.Consegui arrumar a cerca de 200m e pensei cá para comigo :-Já não mexo mais no carro. Agora é a pé. Fui ver do quarto! Mas não vos conto para não se rirem muito de mim. Mas por 30€ não podia ser esquisito e as qualidades apresentadas na tabuleta estavam lá todas : “habitaciones com climatizacion e TV”. Um luxo !Mas...olhem : dormi bem! Antes porém, fui dar uma voltinha pelo centro histórico e tomar o pulso a uma cidade cheia de vida e de juventude, onde não havia esplanada que não tivesse apinhada de gente em animados diálogos. Aproximava-se a hora do Betis-Sevilha e os carros de adeptos iam passando naquela chinfrineira que também por cá é comum em circunstâncias idênticas.Anoiteceu e fui descansar para os meus “aposentos”. Como eu tinha um farnelzito que não comi na viagem, serviu-me de jantar. Telefonei ao Fernando Alves (que, enquanto deixei o telemóvel a carregar, já me tinha ligado para ver se me tinha desenrascado) para lhe comunicar que estava tudo “5 estrelas”eheheh.Preparo o equipamento, ponho o despertar e tudo a jeito para arrancar cedo . Finalmente deito-me, enquanto na televisão o tempo era ocupado com as cerimónias fúnebres da irmã da D.Litícia. Noutro canal, ia começar o derby. E foi pouco depois de um penalty falhado pelo Betis que adormeci. (Fim da 1ª parte )

Um Saloio na Andaluzia (II)

Acordei logo que o telemóvel me deu o sinal. Eram 6,30. Banho, preparo a tralha, pequeno almoço (que levava comigo, pois claro) e… ala ! Queria chegar a horas.O carro lá estava à minha espera. Inicio a viagem de acordo com o “plano” feito na véspera . De repente : - “porra que já me enganei!” mas fui avançando, convencido que naquela direcção, havia de chegar ao rio e voltava a orientar-me a partir dali. Vejo um sujeito a caminhar, de fato de treino e mochila às costas e pensei : -“Porreiro, vou perguntar-lhe se vai para o Estádio Olímpico, dou-lhe boleia e ele ensina-me o caminho”: (… e agora peço desculpa pelas “bacoroadas”, pois isto não é língua que se apresente em lado nenhum )
- Buenos dias (ainda era noite) ! Vai para el Estádio Olímpico ?
Disse-me que sim, sorriu e enquanto entrava no carro disse-me:
- Je ne suis pás espagnol !
- Ah bom. Moi também non . Je suis portuguais.
- Je sais, je sais . Vous êtes três gentil.
- Non. C’est pas bien! Vou savez où est le Estádio Olimpique ?
- Oui, oui. La bas, a droite!
- Oh, merci.
(Pudera, tínhamos chegado, precisamente ao rio. Fiquei a pensar cá para comigo, que o meu francês andava mesmo pelas ruas da amargura e o homem até era simpático mas, tanto ele como eu, tínhamos alguma dificuldade em comunicar. Entrei naquela de… pensar a frase e depois ver se conseguia traduzi-la e então perguntei-lhe)
– Vous connaissez bien cette maratone ?
-Oui, mais cette anée j’ai pas fair l’entreinement necessaire.
-Mois aussi. Je pense faire trois heures et demie .
-Ah, bom!!! C’est très vite pour moi. Plus de 4h !
(depois pensei em dizer que já cá tinha vindo muitas vezes, mas achei melhor não para que ele não pensasse :- “bolas! veio cá tanta vez e ainda não aprendeu o caminho para o Estádio Olímpico!? )Falámos depois na Maratona de Paris e ele achou que tinha gente de mais para que a Prova pudesse ter mais qualidade. E depois diz-me ele :
-Moi, j’organize une Marathon en France!
-Et comment s’apelle ?
-La Marathon du Mèdoc!
-Ah oui? J’ai des amis que on fait cette maraton et ont aimé beucoup. J’ai vu beaucoup de publicitée . Au Marathon de Madrid il y avait beaucoup de “palhaces”…
- Des guisés! – corrigiu ele, entendendo-me, e continuou :
- je suis un guisé ! Au Mèdoc il y a 8000 courreurs et 6000 sont des guisés!-8000?-Nous ne pouvons pas acepter plus de maratoniens parce que les routes sont três etroites.
- Quelque jour j’irais courrir la Marathon du Mèdoc.
-Quand vou voulez .
Estávamos no Estádio Olímpico. Estacionei e fomos ao guarda roupa para deixar o saco. Ficámos, por ali mais um bocado e sempre ia aparecendo um ou outro conhecido.Gostava muito de saber mais sobre Medoc, logo, assunto haveria com fartura para estarmos ali um bocado na conversa, mas o meu francês é que anda bem pior do que eu pensava, pelo que me despedi do meu recente amigo com um “bonne chance” que ele, simpaticamente retribuiu e cada um foi à sua vida.
Fim da 2ª Parte (então e sobre a maratona...? - já vai!)

Um Saloio na Andaluzia (III -Conclusão)

Nada como ir cedinho para as provas! Temos tempo para tudo, inclusive andar ali de um lado para o outro a ver se encontramos malta conhecida. Faltavam 20 minutos para a hora da partida, quando entro no estádio. Uma menina simpática dá-me uma garra da água para ir bebendo, pois é sabida a importância de ter o organismo suficientemente hidratado, antes, durante e após o esforço. Bebendo aos poucos e corricando, ao som de música ambiente, SEM NERVOS, aguardei pelo sinal da partida enquanto assistia, com uma certa tristeza, à transformação das faixas laterais da pista, em mictórios, onde às dezenas, “aliviaram a bexiga”, quando dispunham de locais adequados e em quantidade para o fazer, sem necessidade de usar a “selvajaria”. Enfim...servirá de algum consolo, constatar que não é só em Portugal que estes actos se praticam.9 horas! Soa o tiro e o speacker, incutindo entusiasmo naquilo que dizia ( e que eu não entendia patavina ) não deixava de nos causar alguma emoção. No ecran do estádio eram transmitidas aquelas imagens impressionantes do “esticar” do pelotão rumo ao túnel sul, por onde se iria iniciar a “visita” à cidade. A temperatura estava agradável ( 16 -18 º). Não havia ameaças de chuva, não estava vento e o céu estava encoberto q.b. para não deixar “passar” muiro calor.Desta vez o percurso era ligeiramente diferente (não sei se já o disse) pois retirava os atletas do centro histórico, incluindo, em compensação, a passagem, tanto na ida como na vinda, a passagem pelo Parque de Alamilo que confina a nascente com o Estádio.A táctica estava estudada : Conter o entusiasmo, para não passar à meia antes da 1,43. Logo, teria de “aguentar os cavalos” a 4,50 / 4,55 . Quando estava a aproximar-me, vi que ia conseguir cumprir aquele objectivo. Só fiquei “chateado” foi porque a “margem de folgadura” que eu devia ter como resultado de uma certa contenção, para aplicar na 2ª parte, cadê ela ? Conclusão : aquela frase que tanta força psicológica nos dá à passagem da meia : “acabou o aquecimento, agora é que vai começar a Prova”, eu ainda a disse. Mas a convicção não era nenhuma! O moral foi um bocadinho abaixo e, por volta dos 23 Km, resolvi “remediar” com um power gel! Passa um grupo de cerca de 30 atletas à “boleia” do marca-passo das 3,30 ! Consegui ir com eles 2 Km, mas comecei a ver que o melhor era não arriscar.Depois sou “bombardeado” por aqueles pensamentos, tipo “- que necessidade tenho eu, de fazer quatrocentos e tal Kms para vir para aqui cansar-me desta maneira? “ ou “ Já tenho idade para ter juizo e venho meter-me nestas alhadas”.Ânimo, ânimo, diziam do público, vendo que a coisa não me estava a correr bem. Passava pela marca dos Km, olhava para o relógio, mas não me lembrava do tempo que levava no anterior. Por outras palavras, já não sabia a quantas andava e como sabia que ia lento, o esquecimento até era uma defesa contra a decepção. Fiz um esforço de memorização entre os 25 e os 26Km. Estava a andar a 5,30 ! Vá lá, vá lá, pensei que fosse pior !Passa o “centurião” romano, com o seu elmo, espada e escudo e que merecia sempre a atenção do público. Gabo-lhe a pachorra. Aos 32Km vai outro power gel ! Daqui para a frente, porque comecei a ganhar posições, comecei a ter a sensação que o pior já tinha passado. Estabilizo o andamento a 5m/km sem notar esforço. Passo depois, por muitos que me tinham passado (incluindo o romano) e mantive-me em crescendo até ao final. O balão das 3,30 é que ganhou vantagem demais pelo que nem ao longe eu consegui voltar a vê-lo.Depois... foi aquela saborosa entrada no estádio, o cortar a meta (3,33 T.real) o colocarem-me uma toalha por cima das costas, o tirarem-me o chip, o alambazar-me com quartos de laranja, a medalha ao pescoço, o caminhar até ao guarda roupa , a banhoca . Fora dos balneário, a descansarem junto a um pilar, lá estava o pessoal de Grândola (Vitor, Mário, Vieira, Sobral, Zé, Flaviano –peço desculpa aos outros cujo nome não me lembro). E que tempos eles fizeram !? Sim senhor, não brincam em serviço. E o Fernando Alves ? Com 2,45 foi “só” o melhor português ! Estava terminada mais uma. A satisfação por isso, era boa! Pensámos em não ir à “Clausura” e iniciar rápido, a viagem de regresso, para virmos nas calmas. Despedimo-nos da malta e... ala. Eram 14h e começava a cair uma chuva miudinha.Uma vez que chegámos a tempo, ainda deu para dar a nossa “opinião” no referendo.
Pronto.
Sevilha já foi.
A próxima ? MADRID !

11 comentários:

luis mota disse...

Uma boa Maratona Fernando!
Que tudo lhe corra pelo melhor.
Luís Mota

joaquim adelino disse...

É longo mas atractivo.
É também uma espécie de alimento antecipado para o que aí vem, que não sendo melhor pelo menos que se repita o sucesso relatado.
Foi curioso o "papo com o francês, só que ainda não percebo poeque é que têm de ser sempre os portugueses a tentar "entrar" na lingua dos outros. Se o Fernando "pesca" um pouco daquilo, imagine eu, que estou a zero, a tentar perceber os dois, ainda procurei a tradução daquilo que ia dizendo ao francês mas a seguir vinha mais francês e mais e... e resolvi seguir para o capítulo seguinte...
Amigo Fernando o que importa agora é manter a serenidade, coisa que não será novidade para si, dada a já longa experiência que tem neste tipo de provas, contudo a prudência aconselha a ser cuidadoso em todos os passos que der até à conclusão de mais esta etapa.
Desculpe o longo mas há coisasa que eu não resisto.
Um abraço e continuidade de bons treinos, para a MARATONA.

António Bento disse...

Então Amigo Fernando, votos de uma óptima viagem e de uma excelente maratona, para incrementar esse curriculum invejável e todo o esforço e prazer que lhe vêm associados.
Abraço
até breve
AB - Tartaruga

Carlos Lopes disse...

Desejo uma boa prova

JP disse...

Boa sorte e espero um relato igualmente pormenorizado, pois nós, os pré-maratonistas ou aspirantes, gostamos de aprender.
Abraço

António Almeida disse...

Caro Fernando
li com muito gosto o seu relato de Sevilha 2007.
Uma boa 11ª vez em Sevilha...a correr a maratona.
Abraço,
António Almeida

Fernando P disse...

Então, como lhe correu a Maratona? Espero pelo relato!
Um abraço,
Fernando

Stéphanie Perrone disse...

Boa sorte na prova!
Depois conte aqui no blog como tudo ocorreu.

Maria Sem Frio Nem Casa disse...

Um óptimo fim de semana Fernando Andrade!

Usufrua de todos os momentos, antes, durante e depois da Maratona!

Tudo a correr-lhe muito bem e ficamos a aguardar estórias bem contadas como é costume.

Um beijinho
Ana Pereira

Fernando Andrade. disse...

Caros(a)s Amigo(a)s

Muitíssimo obrigado pelos vossos simpáticos comentários, no desejo de uma boa maratona em Sevilha.
Embora mal (muito mal) preparado, penso saber até onde poderei ir, por forma a acabar sem outras queixas que não seja "cansado"!
Quero usufruir da corrida sem preocupação com o resultado (mas a "pancada" das 3,30 anda a dar-me). Só que, já sei, altero os objectivos à medida que a prova se for desenrolando, pois o meu espírito de sacrifício é quase nulo. Quero uma passada confortável que me dê 3,30h de prazer. Espero que as condições atmosféricas ajudem.
Depois conto-vos como foi.
Grande Abraço.
FA

...tuttA... disse...

Belo relato Fernando.
Parabéns.

Obrigado pelo comentário no meu blog sobre minha queda no treino.
Graças a Deus não me feri, a não ser uns pequenos arranhões no braço esquerdo, mas tudo bem, isso acontece.rsrs

Valeu.
Abraços e ótimos kms pra você.


...tuttA...
ubiratã-Pr.
www.correndocorridas.blogspot.com