sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mundo-cão

Hoje não vou falar de corridas, mas de um pensador que eu não conhecia e que deveria ter conhecido há muito tempo. Li duas ou três "coisinhas "dele e fiquei...rendido.
Viveu há 100 anos, mas o que disse na altura mantém-se impressionantemente actual.

Falo de Ruy Barbosa.

Não sei se é um poema em forma de discurso, ou um discurso em forma de poema, mas isso importa pouco quando é tão tocante a mensagem :

De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver prosperar a desonra,
De tanto ver crescer a injustiça,
De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
O homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
A ter vergonha de ser honesto.


(Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

6 comentários:

José Alberto disse...

Amigo Fernando,

Foi mesmo há cem anos?

Não terá tido ontem à noite ou hoje de manhã?

Um abraço e boas corridas.

José Alberto

Ricardo Hoffmann disse...

Atualíssimo!!! Fernando, me manda um mail, tenho uma coisita para lhe mandar. Abs.

joaquim adelino disse...

Muito oportuno.
Palavras sábias que não necessitam de tradução, fariam corar de vergonha as nossas crianças se tivessem a noção de que os responsáveis pelas nulidades, a desonra e a injustição são os mesmos que ontem e hoje lhes estão a moldar as consciências. E são estas mesmas crianças que vão ter de no futuro trabalhar para recuperar as virtudes, a honra e a honestidade entre as pessoas, mas para isso acontecer muita coisa tem de mudar.
Amigo fernando, obrigado pela dica e peço desculpa pelo longo.
Um abraço.

david santos disse...

Um bom São Valentim 2009.

Cris Folgar disse...

100 anos...mas infelizmente continua tão atual, né ?

Abraço!
http://viciadasendorfinas.blogspot.com/

Guy de Maupassant disse...

Ainda mais antigo, igualmente actual e do nosso LVC:

"Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado."

Luís de Camões