segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

25ª Maratona de Lisboa - A minha apreciação

À entrada do Estádio (foto da Carla Fonseca)

A carinha dele à chegada (foto AMMA -José Gaspar)

Gostei

Da feira. Espaçosa, com vários stands onde deu para estar à conversa com o pessoal que ia chegando e o tempo passou depressa. Havia massa para todos, pois essa terá sido a grande argolada da Organização em 2009, ao reservá-la apenas para os estrangeiros. Não sei como estava, pois infelizmente, este ano, não pude participar. Afixação das listagens em letra ampliada, que facilita a entrega dos dorsais.

Dos km bem marcados e bem visíveis, se bem que a ventania, andasse constantemente a derrubar as placas.

Do percurso. Melhor que em 2009, mas a Almirante Reis deixa mossa não só quando a percorremos, mas pela preocupação da “reserva” a que nos obriga durante os 37 Km que a antecedem. E depois, se quisermos partir e chegar do mesmo local, já se sabe que tudo o que descermos teremos de subir. Parece-me bem melhor do que dar duas voltas junto ao rio.


Agora, o que não gostei … ui ui.

Partida. Ora, tendo em conta que, no ano passado a partida foi de dentro do estádio (e este ano, no mapa do percurso divulgado, também seria) não se verificou o devido esclarecimento dos atletas, pelo que, à hora da partida, muitos atletas estavam dentro do estádio. Isso terá feito atrasar o tiro, talvez uns 2 minutos. Não é que isso seja importante, mas nada disso aconteceria, se houvesse uma voz a fazer esse comunicado. Então e uma aparelhagem sonora, com um apresentador e música para estimular os atletas? Nada. Foi uma partida muito triste e não pode ser esquecido que hoje, grande parte dos maratonistas, têm outras referências e…comparam. Nota muito negativa neste parâmetro.

Animação no percurso.  Talvez haja alguma razão para isso (o temporal?) mas a verdade é que nem um pífaro se ouviu ao longo dos 42km. O que se ouviu foram buzinões, mas isso já estamos habituados.

Controlo do percurso. A falta de marcação da linha ideal de corrida e a ausência de meios que obrigassem a fazer o trajecto com que foi feita a medição da prova (não havia baias nem fitas balizadoras) possibilitavam que os atletas arrepiassem caminho, encurtando a prova numas dezenas de metros. Fiz, várias vezes, figura de tolo, ao contornar o passeio quando, 10 ou 15 metros antes, quase todos tinham feito apenas um dos lados do “triângulo”

Chegada. Continuava a não haver uma voz a fazer uma apresentação do que se ia passando. Tiravam-nos o chip (calhou-me a Beatriz Cunha que, simpaticamente, me desapertou o atacador) mas os bancos para os atletas se sentarem eram poucos para a afluência de atletas que chegaram na altura em que eu cheguei.

Provas associadas. Sou crítico em relação a este ponto. Percebo a intenção, mas acho que não funciona. Para o público, ninguém percebe quem é que está a fazer a Maratona e quem é que está a fazer a Meia. Acho que isso é importante se quisermos mais público a ver as provas. Quem é que vai ver uma prova em que não entende o que se está a passar? E para os atletas da maratona, também não conseguem “adivinhar” se o que vai à sua frente, pertence a uma ou outra prova. A continuar a haver a Meia, sou mais a favor dela no início, com partida em zonas separadas. Quanto à estafeta, é uma prova gira, mas é também uma fonte de problemas, pois a logística do transporte dos atletas para e dos locais de transição, a julgar pelos comentários que ouvi, não foi assegurada, tendo os atletas sido obrigados a desenrascarem-se. Também se compreende que a Organização não tenha meios para um controlo eficaz da prova e, já se sabe, continua a haver quem não esteja “talhado” para o cumprimento das regras.

Resultados. Demoraram um bocadinho, mas eles aí estão.

Não gostei da minha prestação! ...Mas isso é cá comigo.

13 comentários:

José Xavier disse...

Fernando;

Já agora vou meter a colher, nestes teu "prós & contras", e sempre vejo isto como comparação, daquilo que conheço por estas bandas.

Pelo que vejo a organizaçã conseguiu estar bem naquilo que é fácil e que não depende de grandes operações.

Na partida não poderá nunca haver dúvidas, e tem de haver clareza nas informações aos atletas, pois é um momento muito importante da corrida. Cá no burgo o sistema é bem defnido, até nos tempos que cada um corre e tudo está agrupado. Olha que não correm por aqui só cerca de 2.000 atletas!!
Na animação e controlo do percurso, só digo que participam dezenas de grupos de animação, com milhares de pessoas a incentivar os atletas ( em portugal buzinam os automobilistas zangados, porque têm de ir beber um copo ou almoçar com os amigos! e as ruas estão vazias, porque toda a gente foge ou fica dentro de casa !). Os percursos são bem controlados, porque os voluntários que coloaboram são cerca de centenas.

Olha na Holanda já se começou a utilizar o chip descartável ( D-tag - http://www.chronotrack.com/pdf/D_Tag_Instructions.pdf) que é uma fitinha no sapato e terminou a prova e vai para o lixo ( eu guardo como souvenir!).

As provas associadas a uma maratona ou meia, podem existir, quando as mesmas forem independentes. Aqui também fazem, mas tudo separado, e por vezes no mesmo percurso mas em horários.
diferentes.

Os resultados, por vezes ainda não cheguei a casa e eles j''a estão online.

Sobre o teu tempo, na 40a maratona cederto vais melhorar.

Um abraço
Xavier

Fernando Andrade. disse...

Pois é, Xavier.
Que bom era se por cá as coisas estivessem a esse nível. Diga-se, por ser justo, que a maratona do Porto, tem um nível organizativo de grande estatuto. Tenho pena que Lisboa, com 25 edições já realizadas cometa falhas que são tão notadas. Já parece quase o gajo que correu 39 maratonas e ainda não aprendeu, eheheh.
Grande abraço.
FA

João Paulo Meixedo disse...

Do que eu gostei: dos relatos do Fernando Andrade.
Aquele abraço e muitos parabéns por mais uma maratona.

Fernando Andrade. disse...

Obrigado João.
Ainda um dia, o Luis Pires há-de convencê-lo a vir até cá abaixo correr esta maratona, pouco festiva, é certo, se a compararmos com a do Porto ou outras, mas, à falta do ambiente de festa exterior, contrapõe-se aquilo que, interiormente nos anima e nos faz ultrapassar essa mazela : a paixão pela maratona.
Mas aquela do circo Chen, está de mais.
Grande abraço.
FA

Carlos Lopes disse...

Outro belo texto... o Jornal dos Atletas.. boa semana

Jorge Branco disse...

Quem organiza uma prova há tantos anos sabe melhor que ninguém apontar os pontos positivos e negativos de uma prova mas sempre com um sentido de crítica pela positiva.
Do muito pouco que vi da prova confirmo o problema das fitas a para evitar os “atalhos”.
Também não gosto da mistura das provas. Para quem assiste é uma confusão e para quem corre, do meu ponto de vista meramente pessoal, não me ajudaria nada ir ali ao lado com um atleta que só vai fazer meia dose. Por mim antes correr sozinho!
Mas a organização tem que fazer render as coisas e quanto mais atletas meter no mesmo percurso melhor até porque os custos com o policiamento são extremamente elevados.
Mas indo pela política do mal menor acho que a partida devia ser comum a meia e a maratona embora separando as duas provas na zona da partida e até, se possível, dar um desfazendo entre a partida das duas provas.
Mas isso implicaria que a chegada da meia maratona fosse noutro lado o que acarreta custos e mais problemas técnicos.
E fazer um percurso diferente para a meia maratona implica mais custos com o policiamento.
Enfim não gosto nada da fórmula encontrada mas entendo-a perfeitamente em termos organizativos.

Fernando Andrade. disse...

Olá Carlos Lopes
Obrigado pela mensagem. Agora essa do "Jornal dos Atletas" é elogiosa, mas a minha função não é informar, mas registar as minhas experiências e os meus pontos de vista. Mas se houver quem goste de aqui vir, fico muito contente por isso e procurarei fazer por merecer esse privilégio.
Abraço.
FA


Caro Jorge
Mais uma vez, lhe agradeço as palavras gentis e a partilha das opiniões na apreciação desta prova, que, pelo seu respeitável historial, por se disputar na capital deste País (que até é bem bonita) pelo know how (ai o Orlando!) já adquirido pela organização, tinha tudo para ser uma grande Festa que, na minha opinião, não conseguiu transparecer.
Isto é a gente a falar, porque "quem está no convento é que sabe o que lá vei dentro."
Grande abraço.
FA

ana paula pinto disse...

Apenas para deixar um beijinho de parabéns.

Fernando Andrade. disse...

Muito obrigado Paula.
Espero que esteja a recuperar bem da lesão, pois as corridas precisam de si.
Beijinho.
FA

joaquim adelino disse...

Das apreciações que li da tua autoria aquela que mais destaco diz respeito aquela em que dizes "não gostei da minha prestação" não pelo facto da simplicidade da apreciação, mas pelo facto de ela encaixar na perfeição nas notas negativas em apreciação. Isto não quer dizer que aceitamos de bom grado as falhas detectadas só porque nós também falhamos nos objectivos traçados, isso é outra história. Tenho a noção que estas pequenas achegas (grandes na sua amplitude) permitem á Organização refletir sobre estes aspectos se querem verdadeiramente ter uma prova de verdadeira dimensão internacional, se calhar não querem e esse é o verdadeiro problema.
Parabéns pela tua prova, terminá-la é sempre um sucesso e deves estar satisfeito por o ter conseguido, já li que outros o tentaram e não conseguiram. Haverá sempre uma próxima vez em que as coisas poderão correr melhor.
Um abraço.

Fernando Andrade. disse...

Obrigado, Adelino. Parabéns também para ti, pois aguentas-te-te bem à bronca, mesmo depois da enorme quantidade de provas que fizeste este ano. És mesmo dos duros.
Quanto ao facto de eu não ter gostado daminha prestação, não quer dizer que, por essa razão, me tenha posto a dizer mal de tudo.Não. Falei apenas porque gostava que aqueles pontos negativos tivessem merecido outro cuidado. Em nome da Festa e da Verdade Desportiva.
Grande abraço.
FA

Mário Lima disse...

Fernando

Para já grato pela colocação do meu blogue num tema acima, mas a Maratona é para maratonistas e não para mim que fui fazer meia daquilo que vocês fizeram por inteiro.

Como já tenho dito, conjugar várias provas num evento como a Maratona é só para dar uma ideia de balão cheio quando o mesmo está semi-vazio.

Quem não tenha visto os primeiros vinte e um km e sim os seguintes, diria que estava gente na Maratona que nunca mais acabava, afinal não foram mais que 1107 os que acabaram na Maratona, sendo o grosso do pelotão 1229 os da meia, o que dá ideia que esta prova é mais uma meia com cheiro a maratona do que uma maratona com cheiro a nada.

Acabaste mais uma Maratona a juntar às muitas que já tens. O baralho está quase pronto, falta só um Ás.

O Ás em falta será o culminar de um belo naipe e como penso que será em Espanha será o Ás de Ouros, que simboliza esse grande "Imperador" romano Júlio César que, como deves saber, "andou" pela península ibérica.


Abraços Fernando e Parabéns pelo teu belo "curriculum".

Fernando Andrade. disse...

Obrigado pelas tuas palavras,Mário.
Sem querer menosprezar os participantes da meia, concordo contigo, quando dizes que a Meia é apenas uma operação de cosmética para "engordar" a Maratona. Mas acaba por saír uma coisa que nem é carne nem é peixe.
Que ninguém pense que a Meia dá um novo fôlego a quem está na Maratona. Enquanto que, até ali se sabe quem está em prova, a partir de Santos é a confusão total. Nem o público percebe nem os próprios atletas, o que se está a passar.
Achas que alguém está com atenção ao dorsal para saber se diz "CEFAD" ou "SEASIDE?
Conforme disse no texto, não encaixo esta ainda que haja o pretexto de apresentar mais gente a correr ( e sei que isso é bom em termos de patrocínios).
Grande abraço, Mário e, mais uma vez, obrigado epla tua sempre agradável visita a este cantinho.
FA