sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Os ovos e a Omelete



Tenho estado a pensar se o texto que fiz há dois dias atrás “Autodeterminação”, não poderá parecer “revolucionário”.!?

Não é que eu tenha algo contra os revolucionários na perspectiva de quem procura lutar contra um situacionismo hostil, mas, nesse texto, poderia parecer que as organizações seriam dispensáveis para que pudessem continuar a existir provas.

Ora, isto dito por um organizador, poderia parecer contraproducente e levar-vos a pensar:”- o gajo já não deve estar a bater bem!”

Por isso, sinto-me na obrigação de explicar melhor o meu ponto de vista, pois o que quis dizer é que, em certas circunstâncias, podem os atletas assumir-se como organização.

O que é que é preciso para se fazer uma prova?

-Escolha de uma data e hora; definição de uma distância; um percurso; um seguro de acidentes pessoais; um regulamento e a sua homologação pela Associação da área; a licença da Cãmara Municipal e de outras entidades com poderes na área; o policiamento; serviço de segurança; divulgação; angariação de patrocinadores; um orçamento que não deixe gastar mais que a receita prevista; processamento das inscrições e classificações. O resto é trabalho de campo.

Com a utilização da net, se virmos bem as coisas, grande parte destas tarefas pode ser feita, comodamente, em casa. Basta que alguém se dê ao trabalho de as cumprir, pois todas elas (e esta lista é apenas exemplificativa) são importantes, e qualquer um, minimamente familiarizado com a Corrida, pode avançar. E tudo ficará muito mais fácil, se se prescindir de prémios e de classificações. Mas isto, meus amigos, é um treino, embora no fundo, cumpra os objectivos da grande maioria dos que andam no pelotão.

Porém, para se fazer uma “coisa” destas é na mesma preciso uma organização, por mais simplificada e espontânea que seja a Prova. Tem que haver um corredor ( ou grupo de corredores) a assumir as funções e transformam-se, por via disso, eles próprios em organização.

Agora, se os corredores puderem ter tudo isso,( ou isso e muito mais) sem se chatearem lá teremos as clássicas organizações a fazerem o trabalho. E fazem-no, também com amor à causa, independentemente de se tratar de associativismo ou actividade empresarial. Todas procurarão agradar aos corredores pois disso depende o seu sucesso e continuidade. E isso só é possível com uma grande entrega e competência. São as organizações que vêem os seus projectos em perigo quando os patrocinadores habituais se retraem, quando as autarquias revêem em baixa os seus apoios. São as organizações que terão de fazer “ginástica orçamental” para não reduzir a qualidade da prova, pois isso afastará a “clientela”. São também as organizações que terão de ter a frontalidade de, dizer aos corredores :
-“meus amigos, este ano, a única possibilidade que temos de fazer a Prova é sem prémios. Somos solidários convosco porque sabemos que os prémios são merecidos. Mas não temos dinheiro. Estamos na disposição de fazer o nosso trabalho habitual, desde que vocês também façam o vosso .”


Mas acabar com uma Prova só porque não há dinheiro é ter consideração pelos atletas de elite mas é um desrespeito para com a grande maioria dos corredores, que apenas pretende que os deixem correr.

3 comentários:

JoaoLima disse...

Subscrevo inteiramente.

Não quero saber de t-shirts, medalhas e outros brindes (nem falo em prémios pois nunca os poderei ganhar), o que não quero perder são as nossas ricas provas!

E com a enorme relação de provas que têm sido canceladas nos últimos 2 anos, e as que estão ameaçadas, todos temos que nos unir em salvá-las, colaborando com as organizações e cumprirmos com a nossa parte (por exemplo não haver os chico-espertos que correm sem ter pago inscrição) e não limitarmos a exigir.

Um abraço

Fernando Andrade. disse...

É isso aí, João.
Se somos nós os principais interessados nas provas, devemos dizer às organizações que a falta de dinheiro não é problema, preparem lá as coisas que a gente arranja malta para lá ir correr sem precisar de nada em troca.
Se esta mensagem for passndo, salvar-se-ão muitas provas.
Abraço.
FA

Carlos Castro disse...

Mais um a favor!
Vejamos:
Quem faz realmente as grandes corridas? São o enorme número de atletas de pelotão.
O que ganham eles? Uma t-shirt e um prazer enorme por ter participado e convivido.
Quanto pagam actualmente? Em média são 5 euros... pela t-shirt e a garrafita de água.
Se se organizassem provas sem t-shirt, com as inscrições a 2€, sem os cachés para a elite... com polícia, licenciamento e seguro...
Teriamos ou não grandes aglomerados de atletas na estrada, alegres e contentes, com um prémio igual para todos, e as organizações com despesas mínimas a fazerem grandes festas?
Obviamente que aqueles que correm para o prémio não íam gostar... e os que nem nisso pensam... não são em grande maioria?
São apenas pontos de reflexão pessoal...