sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Era uma vez uma petição com 41.000 assinaturas



Hoje foi um dia decepcionante. Disse bem: "decePcionante". Custa-me muito a entender que, as "mentes brilhantes" que se apanharam a representar-nos no hemiciclo, se tenham revelado tão casmurras e sem a menor vontade de corrigirem um erro cujas consequências são difíceis de imaginar.
Alguns, da bancada da maioria que, cá fora,  diziam ser frontalmente contra o AO90 e que iriam apresentar uma proposta para que Portugal se desvinculasse desse empecilho, tendo a apoiá-los 41 mil cidadãos. 
Porém, na hora da verdade, alguém lhes fez má cara e eles foram riscando, riscando, riscando, até que a proposta que apresentaram (só por vergonha de a retirar) foi de que o governo crie um "Grupo de Trabalho para o Acompanhamento da Aplicação do AO90". De temíveis tigres passaram a gatinhos inofensivos . "Acompanhamento"! Olálá . Mas com a advertência prévia de que a maioria "nunca viabilizaria nada que pudesse retardar a aplicação do AO". E um tal Enes, orgulhoso, chamando a si os louros de ter sido no seu "reinado" que se fizeram os primeiros avanços na matéria. Um Correia arrogante, dizendo que seria irresponsabilidade voltar atrás, pois havia muito investimento feito por parte das editoras (olha a novidade!- mas não achou irresponsabilidade que aquilo fosse aprovado à pressa e sem ouvir quem deviam ouvir).
De nada lhes serviu as razões apresentadas e que davam substância à gigantesca petição, pois as razões deles obedeciam a outra lógica, que não a da sabedoria e do conhecimento. Por estarem onde estão, acham-se no direito de vir junto dos seus mestres, dizer-lhes que, agora são eles que  mandam e que lhes dizem como é que hão-de escrever.
Mendes Bota esteve bem. Miguel Tiago também. Honra lhes seja feita.
Seremos objeCtores. Continuaremos a ter projeCtos, a escrever aCtas e a ser pessoas de aCção. 
Entretanto, pela graça do governo, teremos direito a "acompanhantes".

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

6 Anos





Sou mesmo um cidadão desnaturado !
Com que então, o menino hoje faz 6 aninhos e...nem um bolinho, nem um arroz-doce, nem um brinde com champanhe!!!
Está mal.
Com esta tendência para me pôr a ver coisas de Sevilha e tentar pôr cá fora o regulamento do Trilho, acabei por me esquecer completamente. Nem um mísero balanço estatístico para comparar o último ano com os anteriores, em termos de "produtividade" : mais corridas? mais croniquetas? mais visitas ? (mais parvoice, porque não?). E ainda queria completar o meu apontamento sobre a prova onde ganhei aquela douradinha. Chatice: quando tenho tempo, deixo-o passar; quando preciso dele já não o tenho. Na minha terra a isto chama-se "relaxaria". 
No entanto, e ainda no dia de aniversário, quero agradecer muito a todos os amigos e amigas que aqui vêm fazer-me companhia e que, no fundo, são a razão de existir do "cidadão de corrida".

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

XXX Maratona Cidade de Sevilha



Mais uma vez, participei na fantástica Maratona de Sevilha, na sua 30ª Edição.

A Viagem

O “ataque” a Sevilha foi organizado pela minha equipa ACB e comandado pelo meu amigo e  companheiro Pedro Burguette, num trabalho irrepreensível, que mereceu rasgados elogios de todos os atletas e acompanhantes, pois tanto a viagem, como o hotel escolhido, como os momentos de convívio, foram do agrado de todos. E depois, com um motorista ( um agradecimento especial para ele, o Jorge) que conhece os cantos a Sevilha, tudo ficou facilitado.
Saímos do Parque das Nações às 8h de Sábado e chegámos a Sevilha pelas 14h locais.

Levantamento dos Dorsais

Desta vez quer a Expomaratona quer a Pasta Party decorriam no Palácio dos Congressos, um espaço maior a que a Organização, em resultado do enorme crescimento da Prova, teve que recorrer para conseguir dar resposta aos 9000 inscritos.
À hora a que chegámos, não havia qualquer fila para levantarmos os dorsais. Demos uma voltinha pelos stands ali representados (lá estava a XI Maratona do Porto, a realizar no dia 2 de Novembro, a marcar presença, e sempre deu para estar ali uns minutinhos à conversa com o seu grande mentor Jorge Teixeira e mais uns amigos).

O Almoço

Para tentar manter o processo controlado, a organização distribuiu senhas com horários diferentes. Calhou-nos às 15,30, tendo este grupo que aguardar a hora de entrada. Formou-se uma grande fila, mas que não demorou muito tempo a despachar. A refeição do costume em que só temos que ir a uma ponta do balcão, pegar num tabuleiro vazio e ir deslocando o dito até à outra ponta, onde chega cheio com meio copo de gaspacho, um prato de massa saborosa, fruta, sumo, chocolates. Colocado o tabuleiro na mesa, era só ir até ao balcão das bebidas, onde havia cerveja com ou sem álcool, coca-cola, água. Tudo à “fartazana” e quem quisesse podia repetir. E música ao vivo.

O Passeio

Terminado o almoço, fomos, no autocarro até à zona da Praça de Touros  e combinámos a hora do reencontro. Entretanto demos uma voltinha pelo centro histórico, Avenida da Constituition, Catedral, Judiaria e demos com o negas a alguns condutores de charretes que nos queriam impingir um passeio pela zona. Coisas de gente fina, que não estavam nos nossos planos. Tirámos umas fotos e regressámos ao local para que o autocarro nos levasse ao hotel que ficava a uns km dali. Pelo caminho, deixámos uns companheiros de viagem que já tinham feito reserva em hotel diferente.

O Hotel

Hotel da Bela Vista, situado na avenida do mesmo nome. Check In rápido pois as identificações tinham sida dadas previamente. O Pedro só teve que distribuir as chaves das “habitationes” pelo pessoal. Entretanto estavam a ser horas do jantar. Enquanto aguardávamos, achámos curioso que, à porta do hotel estivesse estacionado um autocarro especial da equipa de ciclismo do grande Eddy Mercx que ali pernoitava. Lá dentro, alguém repartia em diferentes boiões poções energéticas (?) para os ciclistas .
Seguiu-se o jantar em que todos tínhamos à disposição grande variedade de comida. Conversa agradável com os amigos e, quando estavam a ser 11h, caminha, que às 6,30h, tínhamos de estar ali novamente para o pequeno almoço e sairmos para o Estádio Olímpico, a cerca de 15 km dali.

A Maratona

Aconselhavam-nos a estar na zona de partida, pelas 8,30, para evitar confusões com a implementação das portas de acesso às diferentes zonas de tempos, que estavam bem patentes nos dorsais, que tinham uma cor diferente para cada uma das zonas. O dia estava bonito, mas àquela hora, ainda estava frio. Mas já tinha estado bastante pior. Decidi-me a correr com uma t-shirt de manga comprida por baixo do equipamento da ACB.
Tirámos umas fotos e fomos para o local que este ano era fora do estádio (já no ano passado parece que também foi). Tem vantagens ser fora do estádio, pois é muito menor a diferença entre o tempo oficial e o tempo de chip ou, por outras palavras, todos demoram muito menos tempo a passar a linha da partida. A saída pelo túnel estrangulava a passagem quando eram 3000, agora, com 9000…
Muita gente amiga e conhecida (lembro que estavam 900 portugueses inscritos na Prova).
Às 9,00 é dado o tiro da partida e, em resultado do posicionamento dos atletas consoante os tempos, rapidamente se entra em ritmo de corrida. Não queria exagerar.
Fui fazendo a minha prova calmamente, numa passada confortável. Sabia que a preparação era fraca (quase que não há maratona em que não venha com esta desculpa) pelo que não dava para arriscar. Por volta dos 6 ou 7 Km passa o Rui Silva, de Almada, que me diz assim :”isso vai bem:4,52” – Eh lá- respondi eu –tenho que “levantar o pé”.E assim foi. Passagem aos 10Km com 47, e não voltei a saber a que velocidade ia até que passei à Meia Maratona (1,46,50). Mesmo já tendo abrandado há muito tempo, sabia que não conseguiria apontar para um tempo na casa das 3,35. Retardar ao máximo o”estoiro” era o pensamento que tinha que ter presente. E para isso tinha que pensar que a Maratona é uma prova de paciência. Não dava para ir mais depressa, mas indo mais devagar não iria cansar-me menos. Só tinha que saber esperar e manter o andamento. Senti uma “marretada” leve, por volta dos 30, mas tentei ignorá-la e voltei a apelar à paciência. Muita paciência: “Se te sentes bem, só tens que ter calma”. O apoio popular ia sendo “incorporado”. A animação musical, com bandas ao vivo, na 2ª parte da prova foi fantástica e pensei :- Sevilha não faz parte do Circuito Rock’n’Roll das maratonas, mas tem muito mais Rock´n´Roll que Lisboa (não é elegante estar a fazer comparações destas, mas também não se perde nada em referir esta constatação, mesmo que “doutos varões dêem razões subidas”). Usei 3 géis : aos 15, aos 25 e aos 33, para me ajudarem, ainda que talvez por efeito placebo, a manter-me firme. Aos 39 entra-se no Parque de Alamillo e é ali que nos capacitamos que “está no papo”. Diz-me o Rui Pedro Julião (que ia a acompanhar um amigo) que ia com tempo para 3,40 (!). Achei muito. Já ficava satisfeito se não tivesse quebra nos 3 km que faltavam. Animei-me (talvez porque via muitos a claudicarem) e vejo a placa dos 41 “O Km prometido ao amigo Jorge Branco”. Contorno o estádio e entro no túnel ante os aplausos do muito público ali presente. Depois da sombra do túnel, a luz do estádio, o ecran gigante a dar-nos as boas vindas e a volta triunfal para chegar ao pórtico final: 3,42,37 indicava o cronómetro a que corresponde o tempo de chip de 3,41,42.Feita. Bem feita. E vão 14. É dourada e bonita a medalha.
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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Nos Trilhos do Trilho







Imagens recolhidas ontem, 15.Fev.2014


Bem sei que Sevilha é já de hoje a oito e sei também que estar uma semana inteirinha parado, quando falta tão pouco tempo para uma das maratonas que mais quero  correr, não é bom. Umas vezes a culpa é do tempo, outras de não me sentir bem, outras da vontade. Ontem, porém, aproveitando umas réstias de sol da tarde, achei que tinha que fazer qualquer coisa, sob pena de ir até à Andaluzia e me ver grego para terminar a prova. Mas já não era tempo para fazer um treino longo que pudesse compensar tantas faltas. Achei então, que o melhor que tinha a fazer, era pôr-me ao caminho, no reconhecimento do Trilho das Lampas, que está aí a chegar, a 10 de Maio. Era assim uma oportunidade para um passeio com corrida, caminhada e pausas. Não fiz o percurso todo, mas cerca de 15km e demorei  2,10h. Gostei  e acho que valeu de alguma coisa.  
E entretanto, amigos, vamos pensando no II Trilho das Lampas, que vai começar a "bombar".

sábado, 8 de fevereiro de 2014

É do caneco!!!



Nunca eu tinha passado por isto, mas vários amigos meus já me tinham asseverado que não era pêra doce, pois não encontravam posição de alívio quando ela atacava. Hoje calhou-me a mim.
Então não é que tive uma cólica renal que me torturou durante 3 longas horas, até que a sábia intervenção do pessoal médico e paramédico do Hospital Amadora-Sintra resolvessem (pelo menos para já)  a situação. Chiça!!!

“…Tudo passei. Mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que ficaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca estar contente.”… - LVC

Trouxe para casa, medicação que irei cumprir rigorosamente, que  “do mal ficam as mágoas na lembrança”  e eu não queria voltar a passar pelo mesmo, embora me tenham dito que eu deveria estar preparado para essa eventualidade. Mau.
Treinar ? Hoje foi daqueles dias em que ter controlado a dor já foi razão bastante para me sentir feliz.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Um Saloio na Andaluzia

O texto é um bocado longo ( e ainda eu lhe suprimi as duas primeiras partes ) e reporta-se a Fevereiro de 2007, quando, mesmo sem companhia, decidi ir à Maratona de Sevilha. Em cima da hora lá arranjei um amigo, o Fernando Alves, que era para ter ido com o pessoal de Grândola, com quem tinha também a estadia já marcada,  mas, como mora aqui pertinho, acabou por ir comigo, embora tivéssemos ido juntos até Sevilha. Mas depois, andei por lá sozinho pois era o único que não tinha alojamento reservado. Fui ficar precisamente no mesmo local onde tinha ficado em 1995. 
Foi publicado no Forum do Mundo da Corrida. 

Acordei logo que o telemóvel me deu o sinal. Eram 6,30. Banho, preparo a tralha, pequeno almoço (que levava comigo, pois claro) e… ala ! Queria chegar a horas.
O carro lá estava à minha espera. Inicio a viagem de acordo com o “plano” feito na véspera . De repente : - “porra que já me enganei!” mas fui avançando, convencido que naquela direcção, havia de chegar ao rio e voltava a orientar-me a partir dali.

Vejo um sujeito a caminhar, de fato de treino e mochila às costas e pensei : -“Porreiro, vou perguntar-lhe se vai para o Estádio Olímpico, dou-lhe boleia e ele ensina-me o caminho”: (… e agora peço desculpa pelas “bacoradas”, pois isto não é língua que se apresente em lado nenhum )
- Buenos dias (ainda era noite) ! Vai para el Estádio Olímpico ?
Disse-me que sim, sorriu e enquanto entrava no carro disse-me:
- Je ne suis pás espagnol !
- Ah bom. Moi também non . Je suis portuguais.
- Je sais, je sais . Vous êtes três gentil.
- Non. C’est pas bien! Vou savez où est le Estádio Olimpique ?
- Oui, oui. La bas, a droite!
- Oh, merci. (Pudera, tínhamos chegado, precisamente ao rio. Fiquei a pensar cá para comigo, que o meu francês andava mesmo pelas ruas da amargura e o homem até era simpático mas, tanto ele como eu, tínhamos alguma dificuldade em comunicar. Entrei naquela de… pensar a frase e depois ver se conseguia traduzi-la e então perguntei-lhe) – Vous connaissez bien cette maratone ?
-Oui, mais cette anée j’ai pas fair l’entreinement necessaire.
-Mois aussi. Je pense faire trois heures et demie .
-Ah, bom . C’est très vite pour moi. Plus de 4h !
(depois pensei em dizer que já cá tinha vindo muitas vezes, mas achei melhor não para que ele não pensasse :- “bolas! veio cá tanta vez e ainda não aprendeu o caminho para o Estádio Olímpico!? )
Falámos depois na Maratona de Paris e ele achou que tinha gente de mais para que a Prova pudesse ter mais qualidade. E depois diz-me ele :
-Moi, j’organize une Marathon en France!
-Et comment s’apelle ?
-La Marathon du Mèdoc!
-Ah oui? J’ai des amis que on fait cette maraton et ont aimé beucoup. J’ai vu beaucoup de publicitée . Au Marathon de Madrid il y avait beaucoup de “palhaces”…
- Des guisés! – corrigiu ele, entendendo-me, e continuou : - je suis un guisé ! Au Mèdoc il y a 8000 courreurs et 6000 sont des guisés!
-8000?
-Nous ne pouvons pas acepter plus de maratoniens parce que les routes sont três etroites.
- Quelque jour j’irais courrir la Marathon du Mèdoc.
-Quand vou voulez .

Estávamos no Estádio Olímpico. Estacionei e fomos ao guarda roupa para deixar o saco. Ficámos, por ali mais um bocado e sempre ia aparecendo um ou outro conhecido.
Gostava muito de saber mais sobre Medoc, logo, assunto haveria com fartura para estarmos ali um bocado na conversa, mas o meu francês é que anda bem pior do que eu pensava, pelo que me despedi do meu recente amigo com um “bonne chance” que ele, simpaticamente retribuiu e cada um foi à sua vida.






Nada como ir cedinho para as provas! Temos tempo para tudo, inclusive andar ali de um lado para o outro a ver se encontramos malta conhecida.
Faltavam 20 minutos para a hora da partida, quando entro no estádio. Uma menina simpática dá-me uma garra da água para ir bebendo, pois é sabida a importância de ter o organismo suficientemente hidratado, antes, durante e após o esforço. Bebendo aos poucos e corricando, ao som de música ambiente, SEM NERVOS, aguardei pelo sinal da partida enquanto assistia, com uma certa tristeza, à transformação das faixas laterais da pista, em mictórios, onde às dezenas, “aliviaram a bexiga”, quando dispunham de locais adequados e em quantidade para o fazer, sem necessidade de usar a “selvajaria”. Enfim...servirá de algum consolo, constatar que não é só em Portugal que estes actos se praticam.

9 horas! Soa o tiro e o speacker, incutindo entusiasmo naquilo que dizia ( e que eu não entendia patavina ) não deixava de nos causar alguma emoção. No ecran do estádio eram transmitidas aquelas imagens impressionantes do “esticar” do pelotão rumo ao túnel sul, por onde se iria iniciar a “visita” à cidade. A temperatura estava agradável ( 16 -18 º). Não havia ameaças de chuva, não estava vento e o céu estava encoberto q.b. para não deixar “passar” muiro calor.

Desta vez o percurso era ligeiramente diferente (não sei se já o disse) pois retirava os atletas do centro histórico, incluindo, em compensação, a passagem, tanto na ida como na vinda, a passagem pelo Parque de Alamilo que confina a nascente com o Estádio.

A táctica estava estudada : Conter o entusiasmo, para não passar à meia antes da 1,43. Logo, teria de “aguentar os cavalos” a 4,50 / 4,55 . Quando estava a aproximar-me, vi que ia conseguir cumprir aquele objectivo. Só fiquei “chateado” foi porque a “margem de folgadura” que eu devia ter como resultado de uma certa contenção, para aplicar na 2ª parte, cadê ela ? Conclusão : aquela frase que tanta força psicológica nos dá à passagem da meia : “acabou o aquecimento, agora é que vai começar a Prova”, eu ainda a disse. Mas a convicção não era nenhuma! O moral foi um bocadinho abaixo e, por volta dos 23 Km, resolvi “remediar” com um power gel! Passa um grupo de cerca de 30 atletas à “boleia” do marca-passo das 3,30 ! Consegui ir com eles 2 Km, mas comecei a ver que o melhor era não arriscar.

Depois sou “bombardeado” por aqueles pensamentos, tipo “- que necessidade tenho eu, de fazer quatrocentos e tal Kms para vir para aqui cansar-me desta maneira? “ ou “ Já tenho idade para ter juizo e venho meter-me nestas alhadas”.

Ânimo, ânimo, diziam do público, vendo que a coisa não me estava a correr bem. Passava pela marca dos Km, olhava para o relógio, mas não me lembrava do tempo que levava no anterior. Por outras palavras, já não sabia a quantas andava e como sabia que ia lento, o esquecimento até era uma defesa contra a decepção. Fiz um esforço de memorização entre os 25 e os 26Km. Estava a andar a 5,30 ! Vá lá, vá lá, pensei que fosse pior !

Passa o “centurião” romano, com o seu elmo, espada e escudo e que merecia sempre a atenção do público. Gabo-lhe a pachorra.

Aos 32Km vai outro power gel ! Daqui para a frente, porque comecei a ganhar posições, comecei a ter a sensação que o pior já tinha passado. Estabilizo o andamento a 5m/km sem notar esforço. Passo depois, por muitos que me tinham passado (incluindo o romano) e mantive-me em crescendo até ao final. O balão das 3,30 é que ganhou vantagem demais pelo que nem ao longe eu consegui voltar a vê-lo.

Depois... foi aquela saborosa entrada no estádio, o cortar a meta (3,33 T.real) o colocarem-me uma toalha por cima das costas, o tirarem-me o chip, o alambazar-me com quartos de laranja, a medalha ao pescoço, o caminhar até ao guarda roupa , a banhoca .

Fora dos balneário, a descansarem junto a um pilar, lá estava o pessoal de Grândola (Vitor, Mário, Vieira, Sobral, Zé, Flaviano –peço desculpa aos outros cujo nome não me lembro). E que tempos eles fizeram !? Sim senhor, não brincam em serviço. E o Fernando Alves ? Com 2,45 foi “só” o melhor português !

Estava terminada mais uma. A satisfação por isso, era boa!
Pensámos em não ir à “Clausura” e iniciar rápido, a viagem de regresso, para virmos nas calmas. Despedimo-nos da malta e... ala. Eram 14h e começava a cair uma chuva miudinha.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Já cheira a Sevilha

Fiz a minha primeira maratona em Dezembro de 1983, a Maratona Spiridon. Gostei muito, mas só passados 10 anos, voltei a correr uma maratona, em Lisboa. Não é que não tivesse gostado da experiência, mas é que não havia mesmo por onde escolher : ou se estava em condições adequadas para a fazer em Dezembro, ou então tinha que se esperar pelo próximo ano.
A ideia de irmos correr a Maratona a Sevilha, surgiu, na brincadeira, depois de termos acabado de fazer a de Lisboa em 1994. Dois meses depois ali estava outra à nossa espera. Na Andaluzia. Sem as facilidades que a net hoje nos concede, arranjei o contacto da organização e, num “portinhol” minimamente entendível, lá consegui fazer as 4 inscrições : Eu, Carlos Neto, António Teles e Domingos Ferreira.
Não tenho relato dessa participação (talvez a Esmeralda Neto tenha algumas fotos dessa 1ª “internacionalização” dos Papa-Léguas de Assafora, a minha equipa dos tempos do Triatlo, até 2004), mas ficaram-me bem registadas na memória, as sensações vividas na 11ª Maratona Cidade de Sevilha, em que tudo era novo : uma pasta party fabulosa com um espectáculo de Sevilhanas completamente inesperado, o local de partida e chegada (Parque Maria Luísa)  ricamente ornamentados com milhares de balões e boa música ambiente, 3000 atletas na Maratona (enquanto por cá, não se chegava aos 300 (!)), a passagem pelo centro histórico da cidade, muito público a aplaudir e a incentivar os atletas, os requintes à chegada…
Claro que fiquei fã desta Maratona e só não estive lá nos anos em que me foi de todo impossível.
Faltam duas semanas e pouco para lá voltar, à 30ª Edição, desta vez em viagem organizada pela Açoreana Clube Banif, a minha grande equipa.


domingo, 2 de fevereiro de 2014

O Mar de Ovar




O mar é lixado. Por vezes encanta-nos com a sua imensidão,  permite-nos estender o olhar até ao horizonte, espairecer as ideias, retemperar os ânimos, criar empatia com a mãe natureza, fazendo-nos sentir uma pequena partícula do planeta e do universo.
Outras vezes, quando enfurece, torna-se medonho, assenhoreia-se do espaço, ceifa vidas, transpõe a costa, varre tudo o que encontra.
Quem se sentia encantado por estar perto dele, sente-se aliviado se estiver longe.
Em pouco tempo, por duas vezes, o mar enfureceu-se e galgou a costa. E fez das suas, como que a dizer que todos aqueles que têm ganho a vida à sua custa, também poderão perder o que ganharam quando ele bem entender.
Incerta é a relação que se pode ter com ele.
Vi na televisão, há momentos, que na Praia do Furadouro, em Ovar, enormes blocos de cimento que delimitavam a praia, foram arrastados a 200m, pelas ondas que inundaram as ruas da povoação. Que força é esta, amigo?
Imagino-me a correr a Meia Maratona de Ovar e, ao passar pelo Furadouro, ser “contemplado” por uma onda destas, que arrastaria todo o pelotão sabe-se lá para onde e com que consequências!
Quando lhe salta a tampa, ele, o mar, faz o que lhe dá na real gana e sem olhar a quem, mostra o seu poder imenso e lembra-nos que somos pequeninos sempre e não só quando nos sentimos  a tal partícula do universo ao abeirarmo-nos da sua imensidão durante a calmaria,  expiando os nossos males e revigorando o nosso espírito.
Um abraço solidário a toda aquela forte gente vareira que vai ter muito trabalho para repor a situação.


A “Reproletarização" da Corrida




Caíu-me tudo aos pés! Mesmo “tendo vendido o peixe pelo preço que o comprei”, senti-me pequenino quando  soube que tinha difundido uma notícia que não correspondia à verdade. Não tenho qualquer prazer em ser o arauto da desgraça, apressando-me a divulgar tudo quanto seja má notícia. Mas esta indignava pelas razões que expus. Confirmei uma vez, duas vezes…via o site partilhado por amigos insuspeitos (e que sei defensores do Movimento Sindical) e não via qualquer outra informação que pudesse contradizer aquela.
De raiva, escrevi o texto que antecede e logo com o primeiro comentário recebido fiquei a achar que havia coisa! Então a União de Sindicatos não sabe de nada e a Corrida do 1º de Maio é  publicitada num site, com regulamento, fotografias de pessoas insuspeitas,  logótipo…? Ná.
Minutos depois recebo a notícia de que o Regulamento da Prova ainda não fora publicado, pelo que a informação dada no texto, carecia de fundamento até que a União de Sindicatos se pronunciasse.
Fiquei contente por se tratar de um mal entendido, mas devia um pedido de desculpas quer aos Sindicatos, quer aos leitores a quem induzi em erro. Foi o que fiz e volto a fazer as vezes que forem necessárias.
Mas há uma coisa que gostaria de ver esclarecida : porque será que não se deve acreditar no tal site a que me referi “Running Portugal” ? Agora sei que se destina a angariar atletas estrangeiros para vir correr a Portugal, mas recusará algum português que desconhecendo outra via, se queira inscrever através dele?  
Nada tenho contra a actividade que o site promove, mas a clareza com que se apresenta à estranja é exactamente a mesma com que se apresenta aos portugueses. Só que os portugueses terão que ter o condão de adivinhar que aquelas mensagens só se destinam aos outros.
Dentro de poucos dias estará disponível o Regulamento OFICIAL que, certamente não fugirá muito àquele a que estamos habituados e nos permitirá fazer aqueles 15 Km de grande prazer num dia que é muito especial e muito nosso.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

A "desproletarização" da Corrida




ESTE TEXTO FOI FEITO COM BASE
 EM NOTÍCIA FALSA
 A QUE SE FAZIA REFERÊNCIA EM 

http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.15kmlisboa.com%2Fbr%2Finscricao.html&h=wAQH7UeBh


Algo se passa no reino da Corrida!
Depois da polémica com as inscrições no Grande Prémio Fim da Europa (único ponto negativo que encontrei nesta excelente Prova sintrense)  surge, agora um novo caso, com a publicação do regulamento da Corrida do 1º de Maio.
Ora, esta Prova,  já balsaquiana,  que vai para a sua 33ª Edição, foi ganhando expressão ao longo da sua existência, não só por ser uma boa Prova na cidade de Lisboa, mas porque constituía uma forma interessante e festiva de manifestação, dando maior dimensão humana às comemorações do Dia do Trabalhador. Com inscrições de valor acessível à generalidade dos corredores,  e que visava apenas disciplinar o acto e evitar-se os abusos a que infelizmente se assiste quando são gratuitas, seria razoável que passassem de 4€ para 8 euros, vá . Mas o que acontece é que aplicam a taxa de 18€ (!!!) no período económico, transformando uma prova popular e quase gratuita, na prova mais cara (por Km) de Lisboa! Sem qualquer explicação.
Tratando-se de uma organização da União de Sindicatos, onde não falta quem passe o ano inteiro protestando contra  a exploração e a perda do poder de compra de que os trabalhadores têm vindo a ser vítimas, custa muito a entender esta medida.
Hoje ainda é o 1º de Fevereiro e até ao 1º de Maio ainda irá correr muita tinta sobre este assunto,  mas... que moral têm os sindicatos – que são os organizadores da Prova – para castigarem assim os trabalhadores que se associam à Festa a que eles próprios dão corpo?

Talvez estejamos perante um dos maiores contra-sensos a que assistimos neste binómio organização - corredores.  Quando os organizadores são empresas percebe-se que haja a mira do lucro e que o “produto” que se oferece seja suficientemente aliciante para que os corredores se sujeitem a taxas menos convidativas. É o tal mercado! Mas quando a organização da Prova é a mesma que representa os trabalhadores/corredores  porque é que lhes há-de exigir um esforço destes  a somar aos tantos sacrifícios que têm que fazer durante o ano?

Ainda bem que não é nada disto e peço desculpa à União dos Sindicatos por ter "embarcado".

TODOS À 33ª CORRIDA DO 1º DE MAIO