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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Olha que bem !!!



“Sim senhor, está conforme” . – Dá cá 125 € !"
De um momento para o outro, sem qualquer explicação, a conversa passa a ser a seguinte:
-“Sim senhor, está conforme”. – Dá cá 250€ !"

Não duvido da legitimidade para a aprovação das suas tabelas, mas é das normas que, sempre que haja lugar a uma alteração, haja também uma fundamentação a acompanhá-la, justificando os novos valores apresentados.

Isto, porque numa lacónica circular às organizações de provas, a AAL comunicou o seguinte :

Às
Entidades Organizadoras de Provas

Para os devidos efeitos, vimos, por este meio, informar a nova tabela de preços relativa à homologação de provas, a vigorar a partir de 1 do corrente, é de 250 (duzentos e cinquenta) euros.

Lisboa, 01 de Agosto de 2013

Pel'A Direcção “

Assim, sem parcimónias.

De facto, pode-se ir directamente ao assunto sem se estar com rodeios, mas tenho sérias dúvidas que tão sucinto texto seja da responsabilidade do notável jurista que preside à referida Associação e por quem tenho especial consideração.

A questão do agravamento da taxa de homologação dos regulamentos das provas também poderá ser objecto de discussão, até porque a FPA, que transferiu para as associações essa competência, terá uma palavra a dizer no que respeita à harmonização dos valores praticados.

A tudo isto acresce o facto de as provas (ou a esmagadora maioria delas) a quem se pede que redobrem a “contribuição” não serem consideradas no calendário competitivo da AAL.


Pode ser que seja eu que esteja a ver mal as coisas.

domingo, 4 de agosto de 2013

Conseguiste, Paulo



Nesta foto, e honrosamente, aparece também Pedro Amorim,
 (que já apanhou a meio o disparo da máquina, e a quem pedimos desculpa)
o grande ultra maratonista  responsável pela assistência médica a Carlos Sá, na recente  e tão falada
vitória alcançada na Badwatter, nos E.U., a mais difícil Ultra maratona do mundo.


Missão cumprida, Paulo! Após 7 horas e 6 minutos de prova, eu, o Nelson e o Telmo, terminámos este saboroso feito, que te foi dedicado e em que tu estiveste connosco do 1º ao 50º Km. Agora, descansa em paz.

sábado, 3 de agosto de 2013

5º UTNLO , o mais amargo













“- Oh Sô Fernando, isso é muito para mim. Não me meto nessas coisas!” Era o que tu me dizias quando eu tentava aliciar-te para experimentares fazer comigo a maratona ou aquelas ultras como a Ultra Maratona Atlântica (UMA) ou o Ultra Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos (UTNLO). Tinhas sensatez e prudência bastante para fazeres o teu exercício sem grandes ambições competitivas e sem querer ir além dos limites que conhecias de ti.
Nunca insisti muito contigo, não porque tivesse dúvidas que conseguirias, mas porque estes desafios terão sempre de vir de dentro de cada um de nós.
Não te cheguei a contar como foi a UMA. E também não te poderei contar como vai ser o UTNLO, de logo à noite, enquanto a massa que utilizaste para estar entre nós, aguarda a transformação em pó.

Nunca insisti contigo, mas desta vez vais comigo, fazer o UTNLO. Cada passo que eu der, seremos os dois a dá-lo. Quero chegar, erguer os braços e dizer : “CONSEGUISTE, Paulo!” 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Em memória



O que eu queria mesmo era estar ainda a dissecar a minha participação na UMA e a fazer uma antevisão do que vai ser o UTNLO, no próximo Sábado, pois das provas especiais estas são as mais especiais que tenho. Entre uma e outra, porém, sou confrontado com o desaparecimento súbito de um amigo que me tinha desejado sorte para estes desafios. Um amigo de treinos, um amigo das provas, um amigo da terra. Um colaborador activo das nossas iniciativas em prol da modalidade que o cativou : A MMSJL, o TNL, o TL.
Queria, mas todo o pensamento fica rapidamente ocupado com o fraco valor da vida humana, que, sem aviso, de um momento para o outro, nos é retirada por quem terá poderes para isso. Nós, que somos feitos de uma mesma massa, fazemos todos um percurso idêntico e, numa curva qualquer desse percurso, voltaremos a encontrar-nos.
Paulo, continuarás entre nós, nas nossas lembranças e no teu exemplo. Apenas deixaste de ser visto.

terça-feira, 30 de julho de 2013

UMA 2013 - A nona




UMA 2013
Muito gostava eu de vos contar o que ontem vivi naquele interminável areal entre Melides e Tróia, mas só sei que irá haver uma grande diferença entre o que aconteceu e aquilo que agora me ocorrer e que até pode nem ser o mais importante. E antes que me esqueça e me deixe embalar por outras emoções, digo já : Foi dura. Muito dura. A mais dura das nove que tenho na memória !
Com 460 inscritos, numa demonstração que esta Prova vai crescendo ano após ano,  logo cedo, começou, em Melides, a azáfama habitual: levantar o dorsal, receber a garrafa de água (para irmos hidratando, como convém) uma barra e um gel energéticos, uma maçã. Procurar, depois um local, para nos prepararmos para a “viagem”: protector solar (àquela hora nada faz lembrar a necessidade disso) bem aplicado (escaparam-me sítios que, à chegada, foram logo identificados) vestir o equipamento e verificação da trouxa (80% era para ir no carro!). Levei uma bolsa com a barra energética oferecida,  5 géis, marmelada e uma banana; e levei também um cinto com 3 frasquinhos de bebida isotónica. Na mão levava um boião do 0,5l de água.  ( Só viria a gastar a barra, um gel e a água ).
Umas fotografias com amigos, ouvir as recomendações da organização e encaminharmo-nos para o pórtico da partida. Por laracha, digo que não se viu ninguém a fazer aquecimento.
Tiro da partida dado pela antiga glória do nosso Atletismo, Carlos Lopes e começa o calvário que já se esperava nos quilómetros iniciais : areia solta. O mar não tinha descido, mas isso, já não era de estranhar, pois a maré vazia seria dali a umas horas. Passados  5 ou 6 km já teria deixado areia compacta para pisarmos, logo, mandava a prudência, não batalhar muito contra a areia difícil, para que quando ela colaborasse mais, ainda houvesse pernas para poder correr. O problema é que os quilómetros foram passando e… tudo na mesma: não só a água teimava em se atravessar no caminho, como nos obrigava a subir e descer um ondulado de dunas de areia fofa, que criou ao longo do areal. E assim foi até cerca dos 16 Km. Por mais contido que quisesse ser nos km iniciais, o facto de ter de fazer o triplo do previsto, viria a manifestar-se lá mais para a frente.
Às tantas vejo um atleta sair da linha da água, subir para a areia seca e encaminhar-se para a encosta da arriba, e pensei cá para comigo :-“aquele vai aliviar”. Depois outro, outro e mais outro. Mau! Tantos aflitos! E começo a vê-los a correr junto à base da arriba e verifico que os pés deles não se afundam. Ah ele é isso!? Encaminho-me também para lá e durante, cerca de 2km segui-lhes o exemplo. Corria-se bem. Pois, mas aquilo acabou-se e o remédio era retomar a linha da água.  Começava a sentir os pés com muita areia na parte da frente e, antes que começasse a incomodar muito, resolvi tirar os ténis e correr de peúgas. Gostei, mas a chatice era trazer os sapatos nas mãos.  Resolvi atá-los ao cinto, onde também já tinha encaixado o boião da água. Aquele balançar também era incomodativo, mas, pelo menos deixava-me as mãos livres.
Lembrava-me que, na apresentação inicial, nos falaram de um pórtico Vitalis instalado na praia do Carvalhal, local do abastecimento dos 28,5Km . Depois de muito prolongar a vista pelo areal, lá consegui ver um ponto minúsculo, que sobressaía de uma mancha mais escurecida da areia que deveria ser a desejada Praia do Carvalhal. Continuando a correr, desviava de lá os olhos, para mais tarde ver se notava alguma diferença no tamanho do pórtico. Nada. Passa o meu colega Carlos Souto que diz: “Carvalhal à vista!” “ - à vista está, respondi,  mas não se nota é a aproximação!”  Lá continuei, no meu ritmo, que me parecia razoável.  Pensei em utilizar a mesma estratégia do ano passado. Parar a seguir ao Carvalhal, mandar um mergulho e continuar. Só que, desta vez, tinha que voltar a calçar os ténis, quer porque estava farto de os levar à cintura, quer porque a areia entretanto mais firme, começava a magoar os pés. Recebo as duas garrafas de água, paro, tiro o cinto, os óculos e o chapéu e lá vou eu à água. Não me demorei. Demorei foi a calçar os ténis. Muitos foram os que passaram naqueles  6 ou 7 minutos (Zé Carlos Melo, Tigre, Analice, Carlos Freire). Bebi uma das garrafas e levei a outra no cinto. Retomo a corrida e senti-me mais fresco, com um andamento mais vivo. Aproximo-me do Nelson Alegre. Subitamente, começo a ficar nauseado e tive de me pôr a andar até que a indisposição passasse. Mas primeiro passou a Graça Roldão, que simpaticamente me perguntou se estava bem. Seria uma questão de tempo. Novamente a correr e novamente nauseado. Paro mais uma vez e recomeço.  Chego-me junto da Analice aos 37,5 e cheguei a passá-la, mas foi sol de pouca dura. Segue-se aquela sequência de curvas para a direita, mas a definitiva, aquela de onde haveríamos de ver o pórtico da chegada, ainda que pequeno, nunca mais aparecia. O meu colega e amigo Nelson Mota, que estava ali a ver o pessoal a passar, ofereceu-me uma água fresquinha, mas eu não aceitei – não com o receio de ser desclassificado, que isto é assunto de outra conversa – pois ainda tinha. Mais à frente, o Tó Jó vem também ao nosso encontro e a perguntar :”-O que é que se passa hoje, que o pessoal vem todo estoirado!??”. Eu só sabia dizer :-“Isto está terrível!”   Vem a Fernanda Parro, à procura do Luis, que me dirige também umas palavrinhas de incentivo. E eu pumba, pumba, pumba, ainda ganhei alguns lugares. Finalmente, a última curva. Agora era aguentar o barco, respirar e esperar . Ainda pensei em ir acelerando para chegar a par com a grande Analice, que estava a 20m de mim, mas achei que era melhor não servir de emplastro a esta ultra-lenda por quem todos têm a maior das admirações. Gostei de ouvir os merecidos aplausos que lhe dedicaram. A seguir foi a minha vez: tiro o chapéu e os óculos para a fotografia, mas já vi que fiz mal : pelo menos disfarçava um bocado a carinha com que cheguei, agravada ainda com a decepção do tempo que fiz: 5,44,40! Apesar dos contratempos, estava convencido que andaria pelas 5,10/5,15. Ah…esqueci-me de dizer que não uso relógio. Mais 50 minutos que em 2012!
Sentei-me, bebi um isotónico que o amigo Didier me foi buscar e esperei uns minutos para recuperar as condições. Fruta fresquinha, um guaraná e relax durante um bocado, antes de ir levantar o saco com as trapalhadas que não eram precisas e que tinha levado para Melides.
E pergunto eu agora : Quem é  que, no final da Prova, foi dançar a Zumba?!


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Badwater, Badnews


Foto do fb -Paulo Santos

Juntaram-se os pasquins e os jornais
Conciliando ideias p’rós destaques
Buscando os feitos que vendessem mais
E não coisa menor ou simples traques.
Mesmo estando nas redes sociais
Já eleitos por esclarecidas claques:
O Costa ganha em França e o Sá forte
Ganhou e convenceu no Vale da Morte.

- Mas que feitos são estes que mereçam
Manchetes mais visíveis que os demais?
Sem bola  não se vende e não se esqueçam
Que é bola que o pagode gosta mais
Talvez uns sérvios que agora começam
A jogar  no Benfica, dão sinais
De encherem mais o olho em parangonas
Que esses lá das ultra-maratonas .

Assim se decidiu  e logo cedo
Abriram-se os quiosques e então...
O Costa ainda apareceu, um pouco a medo
E o Sá, quase completa omissão.
Desolados ficámos e o folguedo
À raiva deu lugar por frustração
E o que é que a gente fez? Fizemos fita.
Mandámos os jornais pela sanita.

Lendo isto entrou em cena o SlowRunner, que "tais palavras tirou do experto peito":

O Carlos que ganhou na "água má"
Venceu o alcatrão e a montanha
Sem nunca antes ter corrido lá
Tornou maior a já grande façanha
E o que fizeram os jornais de cá?
Demonstraram indiferença tamanha!
Então alguém os mandou p'rá retrete
O que nos vale é termos Internet!

Percebo que não fiques satisfeito
Por "A Bola", "Record" e companhia
Não terem divulgado o grande feito
Com o destaque que este merecia.
É uma grande falta de respeito
Da parte de pasquins que eu dantes lia
Acho que concordamos, eu e tu:
Nem sequer servem p'ra limpar o c*!

Abraço
SlowRunner

E esta hein?

Por outro lado, quem  leu os comentários no meu mural do fb, viu que "já levei na corneta" por causa disto. Com alguma razão, diga-se, pois não havia tempo entre o final da prova e o fecho das edições dos jornais, para que  se pudesse tratar a notícia a apresentar logo no dia seguinte. Aceito e não vale estar a apresentar outros exemplos em que tinha havido tempo de sobra e... o resultado foi o mesmo.Um abraço ao Nelson Barreiros, jornalista/corredor que muito tem feito para  alterar as mentalidades dos que mandam nas edições no sentido de que a nossa Corrida passe a merecer mais atenção e que me alertou para a injustiça que estava a cometer, ao "embarcar" neste coro de descontentamento para com a imprensa escrita. Não gosto de mostrar indiferença perante aquilo de que não gosto, mas também não gosto de ser injusto. Acredito que estejamos no bom caminho.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Carlos Sá, isto é para ti

O 1º a chegar na Badwatter

O Vale era da Morte e a Água Má,
A terra em brasa e o lago fumegando,
E  eis a inóspita montanha  que ali está
Onde muitos foram capitulando.
Mas o luso valente, Carlos Sá
Ouvindo o que lhe foram relatando
Não hesitou e toma a decisão
De viajar p’ra lá, a meio do Verão.

 96 titãs se reuniram
Naquele vale fundo (ou frigideira?)
P’ra correr a distância que aferiram:
Mais de 40 léguas ! Que canseira!!!!
Chegados lá ao  cume,  que subiram
Pensando e debitando tanta asneira,
Desvendando caminho, quem vem lá?
Só podia ser mesmo o Carlos Sá.

Saltámos e chorámos de emoção
Por ver tão dura empresa conquistada
E renasce o orgulho na nação
Que dá ao mundo gente assim esforçada.
Rejubilemos com um Campeão
P’ra quem os impossíveis não são nada
E acreditemos mais nos bons valores

E menos nos que são nossos senhores.