A par dos deveres de cidadania, o intenso gosto pelo desporto pedestre. Sou um gajo que tem a mania do desporto e que desde os tempos do PREC pratica a Corrida, tendo feito uma incursão pelo Triatlo e que tem preferência pelas longas distâncias. Não corro nada de jeito, mas gosto disto, pronto... ...Ah, e escrevo de acordo com a grafia correCta.
A minha Lista de blogues
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Por Vezes...
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos.
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos.
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.
David Mourão Ferreira
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
1 Ano
Aos vinte e seis dias do mês de Fevereiro do ano da graça de dois mil e oito, foi colocado na blogosfera, num espaço auto-designado “Cidadão de Corrida”, um texto experimental, que seria o primeiro de muitos outros que se seguiram.
Um ano depois e graças aos amigos e amigas que com maior ou menor regularidade aqui fazem a sua visita ou escrevem o seu comentário, constato que foram ultrapassadas as expectativas que tinha.
Com efeito, a partilha de experiências foi entusiasmante; o aparecimento de novos e muitos amigos foi surpreendente; o número de visitas 12400 (!) deixou-me perplexo.
A todos quero enviar um forte abraço e agradecer muito a atenção que tem sido dedicada a este blogue e eu, conforme posso e sei, obrigo-me a fazer por merecê-la.
Muito Obrigado.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
25ª Maratona Popular Cidade de Sevilha
Seguiu-se a visita aos vários stands, comprámos uma “sudadera” da 25ª, preenchi um questionário sobre a forma como encarava esta maratona e fomos até à Isla Mágica, onde iria ser servida a “Comida de Hidratos”.
Não precisámos de esperar em fila sendo servidos de imediato, só tendo que deslisar um tabuleiro descartável sobre um balcão, onde cada voluntário nos ia colocando “o seu artigo”. No final o tabuleiro estava composto, faltando apenas a bebida que seria oferecida noutro local, mas com igual celeridade. Enquanto comíamos, havia música ao vivo, bastante animada, que dava um ambiente festivo à ocasião.

Quando saímos, então já víamos fila e nesse mesmo instante, chega o autocarro com o pessoal do Mundo da Corrida, que me chamaram e a quem agradeço o cumprimento, pois não tinha dado por eles.
Segue-se uma volta pela cidade, de carro, na busca de alojamento. Encontrámos bem o sítio habitual (Hotel Dona Blanca), mas estava esgotado, tendo-nos sido recomendado o Don Paco, mesmo em frente. OK, o preço era carote, mas para não andarmos às voltas e havia um parque de estacionamento próximo, resolvemos ficar ali. Má decisão, pois não havia pequeno almoço e as condições estavam longe de corresponderem ao elevado preço que nos tinha sido pedido por um quarto. Serviu de lição!
Para fazer tempo, fomos dar um passeio a pé. Um passeio pelo centro da cidade, que durou até ao anoitecer. O Faísca tinha um farnel que serviu de jantar e assim, sempre se economizou alguma coisa. Não voltámos a saír . Optámos por nos deitarmos cedo, porque cedo tínhamos de nos levantarmos. Vimos um jogo de futebol entre o Barcelona e o Espanhol, em que Barça perdeu 1-2 e fomos dormir:
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Toca o despertador, banhoca, arrumámos a tralha e fomos buscar o carro para tomarmos o pequeno almoço. Decidimos seguir um outro carro com atletas espanhóis, convencidos que eles saberiam melhor que nós ir até ao Estádio. Asneira da grossa! Nunca mais aprendo! Eles não sabiam onde é que andavam, enfiando-se em ruelas angulosas e de difícil circulação. Assim que encontrámos “terra firme” deixámos de os seguir, mas já não sabia onde é que estava e o stress começava a carregar. Conclusão: faltavam 20 minutos para as 9h, quando estacionámos e comemos qualquer coisa à pressa, para irmos levar o saco ao guarda-roupa. Entrámos na zona da partida, faltavam apenas 4 ou 5 minutos para começar a 25ª Maratona Popular da Cidade de Sevilha.
Posicionámo-nos junto ao balão das 3,30.
No ecran do estádio, passavam as imagens que as várias câmaras iam captando destes instantes prévios. Lá estava alguém (um ilustre desconhecido, para mim) com uma pistola na mão, em grande plano esperando um sinal para disparar. Há hora exacta, PUM ! Mais de 3500 são lançados pela porta sul do estádio. O balão das 3,30h avançou logo muito e demorei um minuto a passar pela linha da meta, logo fiquei com um desfazamento de um minuto entre o tempo real e o tempo oficial. O Faísca conseguiu aproximar-se do balão, mas eu não sentia grande necessidade de forçar o andamento. Tinha feito 2km, já vinham os primeiros em sentido contrário, com destaque para a Marisa Barros que viria talvez nos 20 primeiros, com uma passada impressionante. Durante alguns km vi que estava a andar a 5’/km e achei que era assim que deveria ir.
Aos 10km passa por mim o Manuel Fonseca que não estava a ganhar terreno, pelo que pensei em me juntar a ele.


O efeito energético do gel nunca mais aparecia e a luta contra a tentação da marcha era gigantesca. Corria com uma passada leve mas ... com pernas pesadas e curta porque não conseguia maior amplitude. –“Mantém-te a correr!” era a ordem que dava a mim próprio, -“mesmo que seja devagar, porque se te pões a andar...lembras-te do Porto 2007?!” - e lá me mantive. Aos 29 passa o Helder Jorge. Ia bem e incentiva-me. Ainda andei 2km perto dele, mas a prudência mandava-me refrear.34Km Ouço um "-Vai Fernando" - era o Nuno Kabeça, que vinha em grande ritmo ; -Não sei o que é que tenho hoje! -dizia ele, entusiasmado. e eu..."pregado" só lhe disse : -"Força Nuno!"

O Fotodiploma
Depois foi a toalha sobre os ombros, as laranjas até fartar, retirar o chip e a medalha ao pescoço, receber o saco com uns biscoitos, sumo, água e fruta e ir buscar o saco da roupa. Havia muita confusão, pelo que, desta vez não tomámos banho no estádio.
Com o meu amigo Faísca (foto do Vitor de Grândola)
Contra o que é hábito, resolvemos ir à “Festa da Clausura” para assistirmos à entrega dos prémios e ficarmos habilitados ao sorteio de um automóvel e de outros prémios.
Muita gente presente (bem mais que na véspera) e muitos portugueses. Quando foi chamada a Marisa Barros, que obteve o record da Prova e a 3ª melhor marca portuguesa de sempre, para além do record ibérico dos últimos anos, ouviu-se uma ovação arrepiante, de tanta satisfação terem sentido os participantes lusos. Obrigado Marisa.
Só por isto já teria valido a pena, porque o almoço, muito honestamente não gostei : um arroz de cogumelos que não me caíu bem e uma sopa(?) de copo fria que eu “emborquei” sem saber o que era, mas que tinha um sabor estranho.
Mas fizemos bem : O Faísca, afinal tinha sido o 3º da sua categoria, com direito a um troféu e eu, imaginem, acabei por ser contemplado no sorteio, com uma viagem a Madrid, mesmo a jeito para a próxima Maratona a 27 de Abril.
Então não é que fui contemplado!?
Eu bem quero evitar, mas não consigo...!eheheh
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Mea Culpa
Olá Caro Amigo,Lamento dizer-lhe que essa é uma falsa citação do Marx, que nunca escreveu isso (embora tenha escrito outras coisas igualmente actuais).O mail tem circulado um pouco por todo o lado, mas não passa de uma brincadeira de mau gosto.
E já agora: então e essa Maratona?
Fico danado quando me enfiam o barrete!
Não sei se é qualidade se é defeito, mas acredito nas pessoas. Quando me vêm com informações que até nem tinha pedido, sinto-me agradecido pois considero que o meu conhecimento fica mais rico e transformo-me, também eu, num “veículo” portador da mensagem a outras pessoas, igualmente “crentes”.
Brincar-se com afirmações (que até podem ser verdadeiras), e “colando” o invento a citações de cérebros insuspeitos, para além de divulgar uma falsidade, faz com que se descreia da enorme eficácia que a blogosfera permite.
Errei, porque fiz fé sem ter exigido a prova.
Errei porque difundi o que precisava ser comprovado.
“Profecias” à posteriori, também eu as faço, mas em jeito de chalaça. Não me passaria pela cabeça ir atribuir essas “grandes verdades” a quem já não está cá para as desmentir.
Atenção, pois, caros amigos, ao “Certificado de Origem” !
Quanto à Maratona, fiquei tão irritado em ter passado por aldrabão, que primeiro entendi que devia fazer o “mea culpa” sobre um “peixe que vendi ao preço que comprei” e agradecer que o Fernando P. me tenha corrigido.
Sim! Completei a 25ª Maratona de Sevilha e falarei dela no próximo post.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
…E contudo ela move-se!
"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado" .
Karl Marx, in Das Kapital, 1867
Uma “profecia” que, 140 anos depois, veio a confirmar-se.
Confesso que nunca me deu para estudar, a fundo, a doutrina deste homem, conhecendo dele apenas o conceito vago, quiçá impraticável, de uma sociedade sem classes.
À luz dos seus princípios, constituíram-se estados que, entretanto e para gáudio de outros, ruíram ,tendo sido dito, “com quantos dentes tinham na boca”, que se tratava de um “modelo falido”!
Tal como Galileu, que apesar de condenado por defender que era a Terra que se movia em torno do Sol – contra uma corrente dominante – proferiu a célebre frase do título, também Marx apresentou ideias que, por serem “contra a corrente dominante” não vingaram, mas que o tempo veio a confirmar.
…”e contudo ela move-se”.
Ah... falta dizer (mesmo sem que mo tenham perguntado) que não tenho qualquer cor política.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
25ª Maratón Popular Ciudad de Sevilla

Esta é uma das minhas preferidas e aquela que mais vezes fiz (esta será a minha 11ª vez)!
Faltei em 2008, mas fui “ao baú” procurar o meu relato de 2007, numa altura em que o “cidadão de corrida” ainda não fazia parte desta comunidade .
É extenso e não é minha pretensão contar que o leiam, mas apenas para não ter de o procurar de novo.
Aqui vai:
Um Saloio na Andaluzia ( I )
Havia por aqui um gajo que, nas duas semanas anteriores, enjoou as pedras da calçada, à procura de companhia para ir à Maratona de Sevilha . Já estava por tudo, incluindo aconselhar egoisticamente um amigo que nunca tinha feito uma maratona nem estava minimamente treinado, dizendo-lhe que aquilo seria canja fazer-se em 5 horas. Isto só para ter companhia Ainda bem que ele pensou melhor e tomou uma decisão sem esperar pelo conselho.Esse gajo era eu !Mas o frenesim não parava. Faltavam 4 dias para a prova quando me inscrevi, ainda sem saber se teria mesmo de ir sozinho. Soube, então que um rapaz meu amigo, que mora aqui perto, já estava inscrito por um grupo de Grândola. Eram 9 e já tinham tratado da estadia e do transporte, alugando uma carrinha de 9 lugares . Só lhes disse que iria de carro atrás deles e o Fernando Alves ( o tal meu amigo) iria comigo ou com eles, conforme quisesse. Quis ir comigo. Às 11 horas locais estávamos no Estádio Olímpico de Sevilha, para levantar os dorsais e visitar a feira, repetindo-se o ritual de anos anteriores. Pasta Party no Pavilhão do Futuro, que funcionou excelentemente, sem qualquer demora. Eles foram para o hotel deles (que era 5 estrelas –oh-lá-lá) e eu nem me atrevi a perguntar se havia quartos individuais. De modos que, agora mesmo só, me dirigi para uma “hostal” já conhecida perto do centro da cidade. Não estava com pachorra para me pôr à procura, pois o estacionamento é muito complicado, principalmente para quem anda às apalpadelas. Cada vez que me enganava, lá ia eu dar uma volta ao bilhar grande, pois embora eu soubesse mais ou menos onde é que estava, os sentidos únicos complicavam-me a vida.Consegui arrumar a cerca de 200m e pensei cá para comigo :-Já não mexo mais no carro. Agora é a pé. Fui ver do quarto! Mas não vos conto para não se rirem muito de mim. Mas por 30€ não podia ser esquisito e as qualidades apresentadas na tabuleta estavam lá todas : “habitaciones com climatizacion e TV”. Um luxo !Mas...olhem : dormi bem! Antes porém, fui dar uma voltinha pelo centro histórico e tomar o pulso a uma cidade cheia de vida e de juventude, onde não havia esplanada que não tivesse apinhada de gente em animados diálogos. Aproximava-se a hora do Betis-Sevilha e os carros de adeptos iam passando naquela chinfrineira que também por cá é comum em circunstâncias idênticas.Anoiteceu e fui descansar para os meus “aposentos”. Como eu tinha um farnelzito que não comi na viagem, serviu-me de jantar. Telefonei ao Fernando Alves (que, enquanto deixei o telemóvel a carregar, já me tinha ligado para ver se me tinha desenrascado) para lhe comunicar que estava tudo “5 estrelas”eheheh.Preparo o equipamento, ponho o despertar e tudo a jeito para arrancar cedo . Finalmente deito-me, enquanto na televisão o tempo era ocupado com as cerimónias fúnebres da irmã da D.Litícia. Noutro canal, ia começar o derby. E foi pouco depois de um penalty falhado pelo Betis que adormeci. (Fim da 1ª parte )
Um Saloio na Andaluzia (II)
Acordei logo que o telemóvel me deu o sinal. Eram 6,30. Banho, preparo a tralha, pequeno almoço (que levava comigo, pois claro) e… ala ! Queria chegar a horas.O carro lá estava à minha espera. Inicio a viagem de acordo com o “plano” feito na véspera . De repente : - “porra que já me enganei!” mas fui avançando, convencido que naquela direcção, havia de chegar ao rio e voltava a orientar-me a partir dali. Vejo um sujeito a caminhar, de fato de treino e mochila às costas e pensei : -“Porreiro, vou perguntar-lhe se vai para o Estádio Olímpico, dou-lhe boleia e ele ensina-me o caminho”: (… e agora peço desculpa pelas “bacoroadas”, pois isto não é língua que se apresente em lado nenhum )
Um Saloio na Andaluzia (III -Conclusão)
Nada como ir cedinho para as provas! Temos tempo para tudo, inclusive andar ali de um lado para o outro a ver se encontramos malta conhecida. Faltavam 20 minutos para a hora da partida, quando entro no estádio. Uma menina simpática dá-me uma garra da água para ir bebendo, pois é sabida a importância de ter o organismo suficientemente hidratado, antes, durante e após o esforço. Bebendo aos poucos e corricando, ao som de música ambiente, SEM NERVOS, aguardei pelo sinal da partida enquanto assistia, com uma certa tristeza, à transformação das faixas laterais da pista, em mictórios, onde às dezenas, “aliviaram a bexiga”, quando dispunham de locais adequados e em quantidade para o fazer, sem necessidade de usar a “selvajaria”. Enfim...servirá de algum consolo, constatar que não é só em Portugal que estes actos se praticam.9 horas! Soa o tiro e o speacker, incutindo entusiasmo naquilo que dizia ( e que eu não entendia patavina ) não deixava de nos causar alguma emoção. No ecran do estádio eram transmitidas aquelas imagens impressionantes do “esticar” do pelotão rumo ao túnel sul, por onde se iria iniciar a “visita” à cidade. A temperatura estava agradável ( 16 -18 º). Não havia ameaças de chuva, não estava vento e o céu estava encoberto q.b. para não deixar “passar” muiro calor.Desta vez o percurso era ligeiramente diferente (não sei se já o disse) pois retirava os atletas do centro histórico, incluindo, em compensação, a passagem, tanto na ida como na vinda, a passagem pelo Parque de Alamilo que confina a nascente com o Estádio.A táctica estava estudada : Conter o entusiasmo, para não passar à meia antes da 1,43. Logo, teria de “aguentar os cavalos” a 4,50 / 4,55 . Quando estava a aproximar-me, vi que ia conseguir cumprir aquele objectivo. Só fiquei “chateado” foi porque a “margem de folgadura” que eu devia ter como resultado de uma certa contenção, para aplicar na 2ª parte, cadê ela ? Conclusão : aquela frase que tanta força psicológica nos dá à passagem da meia : “acabou o aquecimento, agora é que vai começar a Prova”, eu ainda a disse. Mas a convicção não era nenhuma! O moral foi um bocadinho abaixo e, por volta dos 23 Km, resolvi “remediar” com um power gel! Passa um grupo de cerca de 30 atletas à “boleia” do marca-passo das 3,30 ! Consegui ir com eles 2 Km, mas comecei a ver que o melhor era não arriscar.Depois sou “bombardeado” por aqueles pensamentos, tipo “- que necessidade tenho eu, de fazer quatrocentos e tal Kms para vir para aqui cansar-me desta maneira? “ ou “ Já tenho idade para ter juizo e venho meter-me nestas alhadas”.Ânimo, ânimo, diziam do público, vendo que a coisa não me estava a correr bem. Passava pela marca dos Km, olhava para o relógio, mas não me lembrava do tempo que levava no anterior. Por outras palavras, já não sabia a quantas andava e como sabia que ia lento, o esquecimento até era uma defesa contra a decepção. Fiz um esforço de memorização entre os 25 e os 26Km. Estava a andar a 5,30 ! Vá lá, vá lá, pensei que fosse pior !Passa o “centurião” romano, com o seu elmo, espada e escudo e que merecia sempre a atenção do público. Gabo-lhe a pachorra. Aos 32Km vai outro power gel ! Daqui para a frente, porque comecei a ganhar posições, comecei a ter a sensação que o pior já tinha passado. Estabilizo o andamento a 5m/km sem notar esforço. Passo depois, por muitos que me tinham passado (incluindo o romano) e mantive-me em crescendo até ao final. O balão das 3,30 é que ganhou vantagem demais pelo que nem ao longe eu consegui voltar a vê-lo.Depois... foi aquela saborosa entrada no estádio, o cortar a meta (3,33 T.real) o colocarem-me uma toalha por cima das costas, o tirarem-me o chip, o alambazar-me com quartos de laranja, a medalha ao pescoço, o caminhar até ao guarda roupa , a banhoca . Fora dos balneário, a descansarem junto a um pilar, lá estava o pessoal de Grândola (Vitor, Mário, Vieira, Sobral, Zé, Flaviano –peço desculpa aos outros cujo nome não me lembro). E que tempos eles fizeram !? Sim senhor, não brincam em serviço. E o Fernando Alves ? Com 2,45 foi “só” o melhor português ! Estava terminada mais uma. A satisfação por isso, era boa! Pensámos em não ir à “Clausura” e iniciar rápido, a viagem de regresso, para virmos nas calmas. Despedimo-nos da malta e... ala. Eram 14h e começava a cair uma chuva miudinha.Uma vez que chegámos a tempo, ainda deu para dar a nossa “opinião” no referendo.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Mundo-cão
Viveu há 100 anos, mas o que disse na altura mantém-se impressionantemente actual.
Falo de Ruy Barbosa.
Não sei se é um poema em forma de discurso, ou um discurso em forma de poema, mas isso importa pouco quando é tão tocante a mensagem :
De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver prosperar a desonra,
De tanto ver crescer a injustiça,
De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
O homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
A ter vergonha de ser honesto.
(Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)