sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Por Vezes...

Hoje traga-vos um poema (um soneto) ! Daqueles que se lêem devagar, se saboreiam, se relêem e nos põem a pensar…e “Por vezes” dá vontade de decorar :




E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos.
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos.

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

David Mourão Ferreira

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

1 Ano

1 Ano

Aos vinte e seis dias do mês de Fevereiro do ano da graça de dois mil e oito, foi colocado na blogosfera, num espaço auto-designado “Cidadão de Corrida”, um texto experimental, que seria o primeiro de muitos outros que se seguiram.

Um ano depois e graças aos amigos e amigas que com maior ou menor regularidade aqui fazem a sua visita ou escrevem o seu comentário, constato que foram ultrapassadas as expectativas que tinha.

Com efeito, a partilha de experiências foi entusiasmante; o aparecimento de novos e muitos amigos foi surpreendente; o número de visitas 12400 (!) deixou-me perplexo.

A todos quero enviar um forte abraço e agradecer muito a atenção que tem sido dedicada a este blogue e eu, conforme posso e sei, obrigo-me a fazer por merecê-la.

Muito Obrigado.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

25ª Maratona Popular Cidade de Sevilha




Na véspera, de madrugada, fui ao encontro do meu amigo Manuel Faísca, que reside no sotavento algarvio, para irmos juntos até Sevilha, onde pretendíamos estar antes da hora do almoço. Pela Via do Infante, rapidamente chegámos ao destino e fomos, de imediato levantar os dorsais. Uns minutitos na fila e recebemo-los sem qualquer contratempo. Testados os chips ( não fosse a identificação estar trocada) seguia-se outra fila para levantarmos a “bolsa do corredor”, bastante completa, que incluía, uma singlete, uns calções, umas peúgas, um porta-chaves, um pin, fitas nasais, revista da prova e o último nº da revista Distance Running.

O equipamento oferecido


Seguiu-se a visita aos vários stands, comprámos uma “sudadera” da 25ª, preenchi um questionário sobre a forma como encarava esta maratona e fomos até à Isla Mágica, onde iria ser servida a “Comida de Hidratos”.




Não precisámos de esperar em fila sendo servidos de imediato, só tendo que deslisar um tabuleiro descartável sobre um balcão, onde cada voluntário nos ia colocando “o seu artigo”. No final o tabuleiro estava composto, faltando apenas a bebida que seria oferecida noutro local, mas com igual celeridade. Enquanto comíamos, havia música ao vivo, bastante animada, que dava um ambiente festivo à ocasião.

Na Comida de Hidratos


Quando saímos, então já víamos fila e nesse mesmo instante, chega o autocarro com o pessoal do Mundo da Corrida, que me chamaram e a quem agradeço o cumprimento, pois não tinha dado por eles.

Segue-se uma volta pela cidade, de carro, na busca de alojamento. Encontrámos bem o sítio habitual (Hotel Dona Blanca), mas estava esgotado, tendo-nos sido recomendado o Don Paco, mesmo em frente. OK, o preço era carote, mas para não andarmos às voltas e havia um parque de estacionamento próximo, resolvemos ficar ali. Má decisão, pois não havia pequeno almoço e as condições estavam longe de corresponderem ao elevado preço que nos tinha sido pedido por um quarto. Serviu de lição!

Para fazer tempo, fomos dar um passeio a pé. Um passeio pelo centro da cidade, que durou até ao anoitecer. O Faísca tinha um farnel que serviu de jantar e assim, sempre se economizou alguma coisa. Não voltámos a saír . Optámos por nos deitarmos cedo, porque cedo tínhamos de nos levantarmos. Vimos um jogo de futebol entre o Barcelona e o Espanhol, em que Barça perdeu 1-2 e fomos dormir:

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

Toca o despertador, banhoca, arrumámos a tralha e fomos buscar o carro para tomarmos o pequeno almoço. Decidimos seguir um outro carro com atletas espanhóis, convencidos que eles saberiam melhor que nós ir até ao Estádio. Asneira da grossa! Nunca mais aprendo! Eles não sabiam onde é que andavam, enfiando-se em ruelas angulosas e de difícil circulação. Assim que encontrámos “terra firme” deixámos de os seguir, mas já não sabia onde é que estava e o stress começava a carregar. Conclusão: faltavam 20 minutos para as 9h, quando estacionámos e comemos qualquer coisa à pressa, para irmos levar o saco ao guarda-roupa. Entrámos na zona da partida, faltavam apenas 4 ou 5 minutos para começar a 25ª Maratona Popular da Cidade de Sevilha.
Posicionámo-nos junto ao balão das 3,30.
No ecran do estádio, passavam as imagens que as várias câmaras iam captando destes instantes prévios. Lá estava alguém (um ilustre desconhecido, para mim) com uma pistola na mão, em grande plano esperando um sinal para disparar. Há hora exacta, PUM ! Mais de 3500 são lançados pela porta sul do estádio. O balão das 3,30h avançou logo muito e demorei um minuto a passar pela linha da meta, logo fiquei com um desfazamento de um minuto entre o tempo real e o tempo oficial. O Faísca conseguiu aproximar-se do balão, mas eu não sentia grande necessidade de forçar o andamento. Tinha feito 2km, já vinham os primeiros em sentido contrário, com destaque para a Marisa Barros que viria talvez nos 20 primeiros, com uma passada impressionante. Durante alguns km vi que estava a andar a 5’/km e achei que era assim que deveria ir.
Aos 10km passa por mim o Manuel Fonseca que não estava a ganhar terreno, pelo que pensei em me juntar a ele.

O Manuel Fonseca e eu (por volta dos 14km)


E fomos juntos até à Meia Maratatona (1,45 Tempo Real), mas notei que tinha de abrandar e o Fonseca seguiu. Subitamente, aos 22km, senti uma quebra enorme e tomei um gel para ver se animava. Começo a ser ultrapassado por tanta gente, que o moral começou a ficar mesmo em baixo. Deixei de olhar para o relógio. Passa um atleta que me reconheceu o equipamento (e que não faço ideia de quem seja) que me dirige a palavra, dizendo : - “Cumprimentos ao Luis Sousa”! – Só disse : -Tá... OK !
O efeito energético do gel nunca mais aparecia e a luta contra a tentação da marcha era gigantesca. Corria com uma passada leve mas ... com pernas pesadas e curta porque não conseguia maior amplitude. –“Mantém-te a correr!” era a ordem que dava a mim próprio, -“mesmo que seja devagar, porque se te pões a andar...lembras-te do Porto 2007?!” - e lá me mantive. Aos 29 passa o Helder Jorge. Ia bem e incentiva-me. Ainda andei 2km perto dele, mas a prudência mandava-me refrear.34Km Ouço um "-Vai Fernando" - era o Nuno Kabeça, que vinha em grande ritmo ; -Não sei o que é que tenho hoje! -dizia ele, entusiasmado. e eu..."pregado" só lhe disse : -"Força Nuno!"


Aos 35km outro gel e aqui já notei alguma progressão (ou então eram os outros que baixavam de rendimento) e ganhei algumas posições, principalmente quando passei os 40Km. Aos 41, corriamos ao lado do Estádio, quando há uma das frases mais moralizadoras que ouvi em todo o percurso : “-Esta és la puerta de la glória! Solo 1 km más!” . “Acordei” demasiado tarde, mas acabei em crescendo e por poucos segundos não apanhava o Fonseca.

O Fotodiploma


Depois foi a toalha sobre os ombros, as laranjas até fartar, retirar o chip e a medalha ao pescoço, receber o saco com uns biscoitos, sumo, água e fruta e ir buscar o saco da roupa. Havia muita confusão, pelo que, desta vez não tomámos banho no estádio.


Com o meu amigo Faísca (foto do Vitor de Grândola)


Contra o que é hábito, resolvemos ir à “Festa da Clausura” para assistirmos à entrega dos prémios e ficarmos habilitados ao sorteio de um automóvel e de outros prémios.
Muita gente presente (bem mais que na véspera) e muitos portugueses. Quando foi chamada a Marisa Barros, que obteve o record da Prova e a 3ª melhor marca portuguesa de sempre, para além do record ibérico dos últimos anos, ouviu-se uma ovação arrepiante, de tanta satisfação terem sentido os participantes lusos. Obrigado Marisa.

Só por isto já teria valido a pena, porque o almoço, muito honestamente não gostei : um arroz de cogumelos que não me caíu bem e uma sopa(?) de copo fria que eu “emborquei” sem saber o que era, mas que tinha um sabor estranho.
Mas fizemos bem : O Faísca, afinal tinha sido o 3º da sua categoria, com direito a um troféu e eu, imaginem, acabei por ser contemplado no sorteio, com uma viagem a Madrid, mesmo a jeito para a próxima Maratona a 27 de Abril.


Então não é que fui contemplado!?



Eu bem quero evitar, mas não consigo...!eheheh

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Mea Culpa

Em comentário ao meu post anterior, o nosso amigo Fernando P. escreveu o seguinte :

Olá Caro Amigo,Lamento dizer-lhe que essa é uma falsa citação do Marx, que nunca escreveu isso (embora tenha escrito outras coisas igualmente actuais).O mail tem circulado um pouco por todo o lado, mas não passa de uma brincadeira de mau gosto.

E já agora: então e essa Maratona?

Fico danado quando me enfiam o barrete!
Não sei se é qualidade se é defeito, mas acredito nas pessoas. Quando me vêm com informações que até nem tinha pedido, sinto-me agradecido pois considero que o meu conhecimento fica mais rico e transformo-me, também eu, num “veículo” portador da mensagem a outras pessoas, igualmente “crentes”.
Brincar-se com afirmações (que até podem ser verdadeiras), e “colando” o invento a citações de cérebros insuspeitos, para além de divulgar uma falsidade, faz com que se descreia da enorme eficácia que a blogosfera permite.
Errei, porque fiz fé sem ter exigido a prova.
Errei porque difundi o que precisava ser comprovado.
“Profecias” à posteriori, também eu as faço, mas em jeito de chalaça. Não me passaria pela cabeça ir atribuir essas “grandes verdades” a quem já não está cá para as desmentir.
Atenção, pois, caros amigos, ao “Certificado de Origem” !

Quanto à Maratona, fiquei tão irritado em ter passado por aldrabão, que primeiro entendi que devia fazer o “mea culpa” sobre um “peixe que vendi ao preço que comprei” e agradecer que o Fernando P. me tenha corrigido.

Sim! Completei a 25ª Maratona de Sevilha e falarei dela no próximo post.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

…E contudo ela move-se!

Há dias recebi de um amigo um e-mail que dizia assim :


"Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado" .

Karl Marx, in Das Kapital, 1867

Uma “profecia” que, 140 anos depois, veio a confirmar-se.

Confesso que nunca me deu para estudar, a fundo, a doutrina deste homem, conhecendo dele apenas o conceito vago, quiçá impraticável, de uma sociedade sem classes.

À luz dos seus princípios, constituíram-se estados que, entretanto e para gáudio de outros, ruíram ,tendo sido dito, “com quantos dentes tinham na boca”, que se tratava de um “modelo falido”!

Tal como Galileu, que apesar de condenado por defender que era a Terra que se movia em torno do Sol – contra uma corrente dominante – proferiu a célebre frase do título, também Marx apresentou ideias que, por serem “contra a corrente dominante” não vingaram, mas que o tempo veio a confirmar.

…”e contudo ela move-se”.


Ah... falta dizer (mesmo sem que mo tenham perguntado) que não tenho qualquer cor política.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

25ª Maratón Popular Ciudad de Sevilla




No próximo Domingo irei participar na 25ª Maratón Popular Ciudad de Sevilla.


Esta é uma das minhas preferidas e aquela que mais vezes fiz (esta será a minha 11ª vez)!
Faltei em 2008, mas fui “ao baú” procurar o meu relato de 2007, numa altura em que o “cidadão de corrida” ainda não fazia parte desta comunidade .
É extenso e não é minha pretensão contar que o leiam, mas apenas para não ter de o procurar de novo.


Aqui vai:



Um Saloio na Andaluzia ( I )

Havia por aqui um gajo que, nas duas semanas anteriores, enjoou as pedras da calçada, à procura de companhia para ir à Maratona de Sevilha . Já estava por tudo, incluindo aconselhar egoisticamente um amigo que nunca tinha feito uma maratona nem estava minimamente treinado, dizendo-lhe que aquilo seria canja fazer-se em 5 horas. Isto só para ter companhia Ainda bem que ele pensou melhor e tomou uma decisão sem esperar pelo conselho.Esse gajo era eu !Mas o frenesim não parava. Faltavam 4 dias para a prova quando me inscrevi, ainda sem saber se teria mesmo de ir sozinho. Soube, então que um rapaz meu amigo, que mora aqui perto, já estava inscrito por um grupo de Grândola. Eram 9 e já tinham tratado da estadia e do transporte, alugando uma carrinha de 9 lugares . Só lhes disse que iria de carro atrás deles e o Fernando Alves ( o tal meu amigo) iria comigo ou com eles, conforme quisesse. Quis ir comigo. Às 11 horas locais estávamos no Estádio Olímpico de Sevilha, para levantar os dorsais e visitar a feira, repetindo-se o ritual de anos anteriores. Pasta Party no Pavilhão do Futuro, que funcionou excelentemente, sem qualquer demora. Eles foram para o hotel deles (que era 5 estrelas –oh-lá-lá) e eu nem me atrevi a perguntar se havia quartos individuais. De modos que, agora mesmo só, me dirigi para uma “hostal” já conhecida perto do centro da cidade. Não estava com pachorra para me pôr à procura, pois o estacionamento é muito complicado, principalmente para quem anda às apalpadelas. Cada vez que me enganava, lá ia eu dar uma volta ao bilhar grande, pois embora eu soubesse mais ou menos onde é que estava, os sentidos únicos complicavam-me a vida.Consegui arrumar a cerca de 200m e pensei cá para comigo :-Já não mexo mais no carro. Agora é a pé. Fui ver do quarto! Mas não vos conto para não se rirem muito de mim. Mas por 30€ não podia ser esquisito e as qualidades apresentadas na tabuleta estavam lá todas : “habitaciones com climatizacion e TV”. Um luxo !Mas...olhem : dormi bem! Antes porém, fui dar uma voltinha pelo centro histórico e tomar o pulso a uma cidade cheia de vida e de juventude, onde não havia esplanada que não tivesse apinhada de gente em animados diálogos. Aproximava-se a hora do Betis-Sevilha e os carros de adeptos iam passando naquela chinfrineira que também por cá é comum em circunstâncias idênticas.Anoiteceu e fui descansar para os meus “aposentos”. Como eu tinha um farnelzito que não comi na viagem, serviu-me de jantar. Telefonei ao Fernando Alves (que, enquanto deixei o telemóvel a carregar, já me tinha ligado para ver se me tinha desenrascado) para lhe comunicar que estava tudo “5 estrelas”eheheh.Preparo o equipamento, ponho o despertar e tudo a jeito para arrancar cedo . Finalmente deito-me, enquanto na televisão o tempo era ocupado com as cerimónias fúnebres da irmã da D.Litícia. Noutro canal, ia começar o derby. E foi pouco depois de um penalty falhado pelo Betis que adormeci. (Fim da 1ª parte )

Um Saloio na Andaluzia (II)

Acordei logo que o telemóvel me deu o sinal. Eram 6,30. Banho, preparo a tralha, pequeno almoço (que levava comigo, pois claro) e… ala ! Queria chegar a horas.O carro lá estava à minha espera. Inicio a viagem de acordo com o “plano” feito na véspera . De repente : - “porra que já me enganei!” mas fui avançando, convencido que naquela direcção, havia de chegar ao rio e voltava a orientar-me a partir dali. Vejo um sujeito a caminhar, de fato de treino e mochila às costas e pensei : -“Porreiro, vou perguntar-lhe se vai para o Estádio Olímpico, dou-lhe boleia e ele ensina-me o caminho”: (… e agora peço desculpa pelas “bacoroadas”, pois isto não é língua que se apresente em lado nenhum )
- Buenos dias (ainda era noite) ! Vai para el Estádio Olímpico ?
Disse-me que sim, sorriu e enquanto entrava no carro disse-me:
- Je ne suis pás espagnol !
- Ah bom. Moi também non . Je suis portuguais.
- Je sais, je sais . Vous êtes três gentil.
- Non. C’est pas bien! Vou savez où est le Estádio Olimpique ?
- Oui, oui. La bas, a droite!
- Oh, merci.
(Pudera, tínhamos chegado, precisamente ao rio. Fiquei a pensar cá para comigo, que o meu francês andava mesmo pelas ruas da amargura e o homem até era simpático mas, tanto ele como eu, tínhamos alguma dificuldade em comunicar. Entrei naquela de… pensar a frase e depois ver se conseguia traduzi-la e então perguntei-lhe)
– Vous connaissez bien cette maratone ?
-Oui, mais cette anée j’ai pas fair l’entreinement necessaire.
-Mois aussi. Je pense faire trois heures et demie .
-Ah, bom!!! C’est très vite pour moi. Plus de 4h !
(depois pensei em dizer que já cá tinha vindo muitas vezes, mas achei melhor não para que ele não pensasse :- “bolas! veio cá tanta vez e ainda não aprendeu o caminho para o Estádio Olímpico!? )Falámos depois na Maratona de Paris e ele achou que tinha gente de mais para que a Prova pudesse ter mais qualidade. E depois diz-me ele :
-Moi, j’organize une Marathon en France!
-Et comment s’apelle ?
-La Marathon du Mèdoc!
-Ah oui? J’ai des amis que on fait cette maraton et ont aimé beucoup. J’ai vu beaucoup de publicitée . Au Marathon de Madrid il y avait beaucoup de “palhaces”…
- Des guisés! – corrigiu ele, entendendo-me, e continuou :
- je suis un guisé ! Au Mèdoc il y a 8000 courreurs et 6000 sont des guisés!-8000?-Nous ne pouvons pas acepter plus de maratoniens parce que les routes sont três etroites.
- Quelque jour j’irais courrir la Marathon du Mèdoc.
-Quand vou voulez .
Estávamos no Estádio Olímpico. Estacionei e fomos ao guarda roupa para deixar o saco. Ficámos, por ali mais um bocado e sempre ia aparecendo um ou outro conhecido.Gostava muito de saber mais sobre Medoc, logo, assunto haveria com fartura para estarmos ali um bocado na conversa, mas o meu francês é que anda bem pior do que eu pensava, pelo que me despedi do meu recente amigo com um “bonne chance” que ele, simpaticamente retribuiu e cada um foi à sua vida.
Fim da 2ª Parte (então e sobre a maratona...? - já vai!)

Um Saloio na Andaluzia (III -Conclusão)

Nada como ir cedinho para as provas! Temos tempo para tudo, inclusive andar ali de um lado para o outro a ver se encontramos malta conhecida. Faltavam 20 minutos para a hora da partida, quando entro no estádio. Uma menina simpática dá-me uma garra da água para ir bebendo, pois é sabida a importância de ter o organismo suficientemente hidratado, antes, durante e após o esforço. Bebendo aos poucos e corricando, ao som de música ambiente, SEM NERVOS, aguardei pelo sinal da partida enquanto assistia, com uma certa tristeza, à transformação das faixas laterais da pista, em mictórios, onde às dezenas, “aliviaram a bexiga”, quando dispunham de locais adequados e em quantidade para o fazer, sem necessidade de usar a “selvajaria”. Enfim...servirá de algum consolo, constatar que não é só em Portugal que estes actos se praticam.9 horas! Soa o tiro e o speacker, incutindo entusiasmo naquilo que dizia ( e que eu não entendia patavina ) não deixava de nos causar alguma emoção. No ecran do estádio eram transmitidas aquelas imagens impressionantes do “esticar” do pelotão rumo ao túnel sul, por onde se iria iniciar a “visita” à cidade. A temperatura estava agradável ( 16 -18 º). Não havia ameaças de chuva, não estava vento e o céu estava encoberto q.b. para não deixar “passar” muiro calor.Desta vez o percurso era ligeiramente diferente (não sei se já o disse) pois retirava os atletas do centro histórico, incluindo, em compensação, a passagem, tanto na ida como na vinda, a passagem pelo Parque de Alamilo que confina a nascente com o Estádio.A táctica estava estudada : Conter o entusiasmo, para não passar à meia antes da 1,43. Logo, teria de “aguentar os cavalos” a 4,50 / 4,55 . Quando estava a aproximar-me, vi que ia conseguir cumprir aquele objectivo. Só fiquei “chateado” foi porque a “margem de folgadura” que eu devia ter como resultado de uma certa contenção, para aplicar na 2ª parte, cadê ela ? Conclusão : aquela frase que tanta força psicológica nos dá à passagem da meia : “acabou o aquecimento, agora é que vai começar a Prova”, eu ainda a disse. Mas a convicção não era nenhuma! O moral foi um bocadinho abaixo e, por volta dos 23 Km, resolvi “remediar” com um power gel! Passa um grupo de cerca de 30 atletas à “boleia” do marca-passo das 3,30 ! Consegui ir com eles 2 Km, mas comecei a ver que o melhor era não arriscar.Depois sou “bombardeado” por aqueles pensamentos, tipo “- que necessidade tenho eu, de fazer quatrocentos e tal Kms para vir para aqui cansar-me desta maneira? “ ou “ Já tenho idade para ter juizo e venho meter-me nestas alhadas”.Ânimo, ânimo, diziam do público, vendo que a coisa não me estava a correr bem. Passava pela marca dos Km, olhava para o relógio, mas não me lembrava do tempo que levava no anterior. Por outras palavras, já não sabia a quantas andava e como sabia que ia lento, o esquecimento até era uma defesa contra a decepção. Fiz um esforço de memorização entre os 25 e os 26Km. Estava a andar a 5,30 ! Vá lá, vá lá, pensei que fosse pior !Passa o “centurião” romano, com o seu elmo, espada e escudo e que merecia sempre a atenção do público. Gabo-lhe a pachorra. Aos 32Km vai outro power gel ! Daqui para a frente, porque comecei a ganhar posições, comecei a ter a sensação que o pior já tinha passado. Estabilizo o andamento a 5m/km sem notar esforço. Passo depois, por muitos que me tinham passado (incluindo o romano) e mantive-me em crescendo até ao final. O balão das 3,30 é que ganhou vantagem demais pelo que nem ao longe eu consegui voltar a vê-lo.Depois... foi aquela saborosa entrada no estádio, o cortar a meta (3,33 T.real) o colocarem-me uma toalha por cima das costas, o tirarem-me o chip, o alambazar-me com quartos de laranja, a medalha ao pescoço, o caminhar até ao guarda roupa , a banhoca . Fora dos balneário, a descansarem junto a um pilar, lá estava o pessoal de Grândola (Vitor, Mário, Vieira, Sobral, Zé, Flaviano –peço desculpa aos outros cujo nome não me lembro). E que tempos eles fizeram !? Sim senhor, não brincam em serviço. E o Fernando Alves ? Com 2,45 foi “só” o melhor português ! Estava terminada mais uma. A satisfação por isso, era boa! Pensámos em não ir à “Clausura” e iniciar rápido, a viagem de regresso, para virmos nas calmas. Despedimo-nos da malta e... ala. Eram 14h e começava a cair uma chuva miudinha.Uma vez que chegámos a tempo, ainda deu para dar a nossa “opinião” no referendo.
Pronto.
Sevilha já foi.
A próxima ? MADRID !

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mundo-cão

Hoje não vou falar de corridas, mas de um pensador que eu não conhecia e que deveria ter conhecido há muito tempo. Li duas ou três "coisinhas "dele e fiquei...rendido.
Viveu há 100 anos, mas o que disse na altura mantém-se impressionantemente actual.

Falo de Ruy Barbosa.

Não sei se é um poema em forma de discurso, ou um discurso em forma de poema, mas isso importa pouco quando é tão tocante a mensagem :

De tanto ver triunfar as nulidades,
De tanto ver prosperar a desonra,
De tanto ver crescer a injustiça,
De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
O homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
A ter vergonha de ser honesto.


(Senado Federal, RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Maratonas

Sei que muitos dirão de mim :

“-Aquele gajo é doido! Faz maratonas atrás de maratonas. Esquece-se que uma maratona deixa marcas e é preciso tempo para a recuperação. Ainda por cima, já não é nenhum jovem. Fez há dias a Maratona de Badajoz e 3 semanas depois está a pensar ir à Maratona de Sevilha! E sem treinos adequados. Ainda arranja alguma...”

Pois!

E para se fazer uma maratona, o que é que é preciso ?

- Gostar de correr ;
- Estar em boa condição física;
- Fazer um treino adequado à distância;
- Ter uma boa alimentação;
- Ter o descanso suficiente.

De todas estas condições, acho que só tenho a primeira, que, no meu modesto entendimento (ou ignorância...pronto) é a principal.

Por outro lado, existe alguma diferença entre ser “maratonista” e “maratonoturista” que é aquilo que eu me considero :estou lá, vejos os outros a correr e eu, contemplando as paisagens, vou correndo tendo como única preocupação “saborear” a corrida o máximo de tempo possível, procurando retardar o momento em que ela se torne penosa. No final, é gratificante aquela sansação de ter conseguido “fazer mais uma”.

Num interessante debate sobre a Maratona em Outubro de 2006 no omundodacorrida.com,
quando já estava todo “apanhadinho”, postei o seguinte :

“De ti já sou cativo! Sou teu escravo!
Vais-me levar até ao fim do mundo.
Tenho a pena perpétua com agravo;
Por tanto desejar-te mais me afundo
Num mar onde … não ganho nem um avo,
(Pois nunca fui primeiro nem segundo)”
É assim que minha mente funciona
Depois que conheci a Maratona,

A grande prova de capacidade
De autocontrole e de superação
Da resistência, da tenacidade
De treino intenso, de motivação,
Que nos traz calma e tranquilidade
Logo que feita uma primeira acção;
E o nosso ego enche-se de confiança
Que o mundo é nosso; de quem não se cansa!

“Deixei tudo por ela, deixei, deixei…”
Dizia o Zé Cabra, do amor da vida,
Assim ando eu, sem regra, sem lei,
Neste fascinante Mundo da Corrida
Onde fiquei preso e onde, ao que sei,
Há p’raí mais gente que ficou “detida”.
Venham, venham mais ver-nos à “prisão”
Quantos mais vierem, mais livres serão.

Conclusão : A maratona é "viciante" !

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Badajoz - mais algumas imagens

O amigo José Sousa teve a amabilidade de me enviar algumas fotos desta Maratona Badajoz 2009. Aqui as reproduzo, com agrado, pois as imagens transmitem coisas que as palavras não conseguem:
Célia Azenha - José Sousa - Sílvia Coelho - Adriana Ascenso - Mayer Raposo
(antes da partida, claro)





A minha chegada



" Apanhado" na massagem (que viria a revelar-se "milagrosa")


Ao José Sousa (que captou estas imagens) e aos corredores e corredoras que aqui são apresentados, aqui vai o meu abraço.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Badajoz à Chuva



Ainda a aurora não tinha chegado à "Notável Vila de Estremoz" fazíamos nós uma pequena ronda à procura de um café. Excluimos dois (cujo aspecto e clientes deixavam muito a desejar) e entrámos num terceiro que ainda estava vazio, mas onde tomámos o nosso pequeno almoço, para termos tempo de o digerir até à hora da Prova e pusemo-nos a caminho.
Quando chegámos à zona da partida, já o João estava à nossa espera. A área para estacionar era muito grande, embora estivesse alagada numa parte significativa. Ou em vias disso, pois as tréguas que a chuva tinha feito durante a viagem, pareciam estar a terminar.
Havia que equipar-nos, pois estávamos a 45 minutos da hora estipulada. Parecia tempo mais que suficiente, mas um episódio inconfessável relacionado com um “misterioso guarda-jóias armadilhado” fez-nos ser os últimos a passar pelo controlo da partida.
Era feita a leitura óptica do dorsal, com um aparelho manual, sem o que ninguém estaria considerado em prova. Não conhecia este sistema. Entre o pelotão ainda parado, vejo passar apressado o Sérgio Santos, do Triatlo, que se posiciona uns 20 metros à nossa frente.
Soa o tiro da partida e lá arrancam os quinhentos e tal corredores (havia 590 inscritos).
Tanto o João Hébil como o Carlos Neto, por não estarem minimamente preparados, apenas pretendiam chegar ao fim (mais o Carlos que o João) sem estarem preocupados com a marca. Eu, que também não tinha feito nada de especial (4 horas de corrida nas duas últimas semanas), ao pé deles, achava-me um corredor de elite e o único objectivo que tinha em mente era o de não passar à meia com menos de 1,45 para, então, avaliar a minha capacidade para correr a 2ª parte.
Fizemos juntos o 1º km. Oh p'ra eles aqui:
Carlos Neto e João Hébil no 1º Km (tão contentes que eles ainda iam...)

Captados pela maquineta que levei na minha bolsa, para ver se conseguia recolher algumas imagens da prova. A chuva e o frio, acabaram por me enregelar os dedos, tirando-lhe a destreza necessária para usar a máquina.
Fui avançando a partir daqui. Passo pela Célia Azenha e, ao 5º km, pelo Mayer Raposo. Em sentido contrário, já com 8 km vejo o Fernando Alves, lançado para as suas 2,46 (parabéns, Fernando).
O percurso é plano, constituído por duas voltas e, entre o 2º e o 9º Km, há atletas nos dois sentidos. Subidas dignas desse nome não existem, ou melhor, não nos apercebemos delas na 1ªvolta, mas na 2ª até custa a crer como é que já ali tínhamos passado (!), principalmente a dos 35 para os 36km.
Voltando à minha prestação: -depois do 1º km feito em 5,40 tentei ir aumentando um bocadinho a velocidade para me aproximar dos 5'/km. Aos 5 km já só tinha 10'' de atraso, mas, pela forma como ia reagindo ao esforço, vi logo que era demasiado imprudente continuar a forçar. Há que ter calma, pois o objectivo era não passar à meia antes da 1,45 ! De facto, acabei por passar com 1,47,50, mas sentia-me com aquela "margem" que nos faz sentir seguros.
Por esta altura, estava instalado um pórtico insuflável, com cronómetro e tudo, mas que não estava a assinalar a Meia Maratona, nem os 20 Km, nem tão pouco correspondia ao local do fim da prova. Fiquei sem perceber o sentido daquele pórtico. Aliás, eu não sabia que muitos dos quinhentos e tal corredores, poderiam fazer apenas a Meia Maratona. Quando me aproximava, via corredores a caminhar em sentido contrário, com medalha ao peito (vim a saber que era uma medalha igualzinha à da Maratona). Havia, então uma faixa transversal, que dizia "Media Maraton", debaixo da qual estavam duas raparigas a dar medalhas !
Continuando... lá vou eu para a 2ª volta. Chovia mesmo bem. Passa um sujeito de motoreta, que afrouxa junto a mim, com um saco de plástico na mão e me grita :-"chuvaquero?" – Non, grácias – pois naquela altura já estava repassado até ao osso …para que é que eu queria o “chuvaquero”?! Vai um gel para ver se “a coisa arrebita”.
No 2º retorno , ia eu com 28 km feitos, lá vinham o Carlos e o João, talvez uns 3km atrás de mim. Havia que começar o “combate” psicológico e ir confrontando o ritmo da respiração com o da passada : “-man-tém…man-tém, q’assim é que vais bem!” e com esta ladainha lá fui progredindo. Mas já estava a lembrar-me de outra, caso esta começasse a “falhar” : “-a-frouxa…a-frouxa, q’assim ninguém amocha”. O importante era manter o positivismo fosse qual fosse o andamento.
Aos 35,estava eu a tomar o meu 2º gel energético, quando vejo o único sinal de animação, numa altura em que bem precisávamos dela: um grupo de bombos dava-nos algum ânimo, para enfrentar aquela subida de 1 km, que acabou por se fazer bem, pois o piso era bastante bom.
Passo alguns atletas e sou passado por outros, mas acho que o saldo foi a meu favor. Um espanhol que ia a passo, resolveu retomar a corrida, pondo-se na minha passada. Ajudou-me um bocadinho, mas aos 40, voltou a parar.
Recta final. Os tons eram os vermelhos da Coca Cola. Dadas as condições climatéricas, não havia por ali muita gente, mas sempre se ouvia alguns aplausos. Corto, finalmente, a meta: 3,46,09. É-me oferecida uma medalha e dão-me um pedacinho de papel com o resultado. Dão-me depois uma manta para que não arrefeça e logo a seguir foi o “Tomar de um Abraço” do nosso Luís Mota e da sua família. Uma surpresa muito agradável. Estava por ali também o amigo José Carlos Sousa, que registou o momento:

Com o Luis Mota (que já tinha acabado quase há uma hora)


A conselho do Luís e também para aproveitar o abrigo, pois começava a chover novamente, entrei na tenda da massagem. Não havia muita gente pelo que fui rapidamente atendido. Devo dizer que não sou muito disto, mas aceitei. Deito-me na marquesa e uma jovem simpática perguntou-me onde é que me doía mais as pernas. Resposta difícil, mas lá disse que eram os gémeos (e se calhar não eram). Com uns sacos de gelo, massajou-me energicamente as pernas e, de seguida, faz o mesmo com um creme de massagem (acho eu). Fez-me uns leves alongamentos, manipulando os pés e finaliza com uns movimentos de descontracção muscular. Brilhante! Agradeci, levantei-me, calcei-me e pus-me a andar. Para meu espanto, o “andar novo”, meu inseparável companheiro sempre que termino uma maratona, desapareceu! Movia-me com a maior das naturalidades e… ria-me por dentro, eheheh. Volto a pôr a manta pelos ombros e encaminho-me para a carrinha, quando se aproxima de mim um segurança, que me diz : “- La manta é para ficar!” Dei-lhe a manta, com vontade de lhe dizer para limpar o c… com ela, e fui à chuva.
Foi a primeira vez que recebi um prémio …emprestado!
Bom, na carrinha, seco-me com uma toalha que trazia e troco de roupa, pois o banho “estava tomado” e espero pelo João e pelo Carlos, que chegaram na casa das 4,25, depois de terem caminhado durante uma boa parte da distância. Mas chegaram contentes, pois bateram os seus records (da maratona mais "duradoura") e chegaram em boas condições, que era o principal.
Fomos almoçar uma pizza, ali perto, enquanto conversámos um pouco e regressámos.
Estava concluída mais uma maratona.
Gostei da pasta party (não seria preciso tanto), do secretariado, do percurso, do controlo da partida, da imediata disponibilização dos resultados, da medalha;
Não gostei da Meia Maratona com dorsal igual ao da Maratona e quem quisesse acabava a meio; da falta de animação; de correr vários km sozinho; de ter de devolver a manta “quentinha”!
Ah… e não gostei do tempo que fez, pois o tempo que fiz não era de esperar muito melhor.

Badajoz já foi.
Hasta Sevilla!!!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Badajoz à vista

Participar numa Maratona não é só dispor-se a correr 42195m. Há toda uma envolvência que deve ser absorvida, para dar consistência àquilo a que nos propomos. E há um acervo de coisas passadas neste dia, que vêm à memória e que, ficando escritas, ajudarão a revivê-lo (Oh happy days...).

Saímos (eu e o Carlos Neto) cedo e passámos por por Setúbal, onde o João Hébil viria ao nosso encontro para nos entregar os comprovativos das inscrições e depois, fizemos uma nova paragem em Estremoz por assuntos de trabalho.

Quando chegámos a Badajoz (14,30 locais) já estava o secretariado fechado para almoço, pelo que não nos foi possível levantar os dorsais.

Perguntei onde se estava a realizar o almoço da Maratona e informaram-me que era pertinho, no Complejo "Alcântara" um local bastante aprazível, que tinha muitos carros parados ali nas imediações. Carros havia –e muitos- mas pessoas …nada! –Mau!!! Perguntei a uma rapariga que estava por ali no jardim, num "portunhol" que ela deverá ter entendido bem, mas não sabia de nada. Estranhei, pois se fosse ali o almoço, teria de haver "sinais" de atletas. Continuámos a abrir tudo quanto era porta em busca dos tais sinais. Por sorte apareceu um rapaz (namorado dela?) , que nos disse que era na porta onde ainda não tínhamos ido. Entrámos: um enorme salão completamente preenchido por "maratonianos" e acompanhantes, já a "dar ao serrote", animadamente. Íamos para entrar, quando nos pedem o talão de ingresso. Mostrei os comprovativos da inscrição e informei que ainda não tínhamos levantado os dorsais, pelo que ainda não tínhamos esses talões. E vem o curto diálogo :
"- Entonces tienen que pagar 6 € !"
- "Si, pero non me parece justo, pois non tiengo culpa que el secretariado esteja cerrado!"

Quando ia para pagar, o rapaz disse-nos : - " Um momento que vamos contactar la organizacion!"

Veio a resposta positiva e deixaram-nos entrar, com a condição de lhes levar os talões logo que os tivéssemos.

Girámos a cabeça, a ver se encontrávamos lugares vagos junto de alguém conhecido, mas apareceu logo uma funcionária, indicando-nos os lugares que deveríamos ocupar. Já trariam cadeiras e pratos.

Causou-nos alguma estranheza, pois estamos mais familiarizados com o self-service.
Educadamente, os nossos companheiros de mesa, aguardaram que nos servissem para comermos todos ao mesmo tempo (o que não demorou muito tempo, mas registei com agrado este gesto).

Os funcionários, fardados a rigor, de preto com galões dourados, circulavam pelas mesas com agilidade, para que não nos faltasse nada.

A um primeiro prato de massas, por sinal, muito saborosas (que repetimos), seguiu-se um outro composto por um bife panado com batatas fritas e salada. As bebidas, pão e a fruta já estavam colocados na mesa.

Primeira impressão muito positiva.

Terminado o almoço, encaminhámo-nos para o secretariado. Só abria às 16h, pelo que tivemos de fazer um compasso de espera. Fomos verificar a lista de inscritos, quando deparámos com a Chantal e o Jaime Lamego, com quem estive à conversa por alguns minutos, até que fomos levantar os dorsais. Sem qualquer tipo de contratempo, rapidamente nos deram "la bolsa do corredor" que continha para além do dorsal, um equipamento completo (em branco e azul) comemorativo desta maratona e uma t-shirt vermelha da Cruz Campo, um brinde da Coca Cola e... lá estava ele: o talão do almoço. O homem lembrou-se logo que tínhamos estado a almoçar sem a senha e tratou logo de a retirar do saco, não fôssemos nós dá-la a alguém que quisesse comer à borla. Tudo bem. Poupou-nos o trabalho de ir entregá-las a 500m dali, ou o esquecimento de um compromisso que tínhamos assumido.

Feito isto regressámos a Estremoz, onde iríamos pernoitar no Monte que o Carlos Neto ali tem, bem perto dos campos onde, vai para 350 anos, se deu a sangrenta Batalha do Ameixial,uma das mais pesadas derrotas das tropas espanholas na Guerra da Restauração.E deixou marcas na população local, principalmente a mais idosa, a quem foram contadas lendas relacionadas com essa batalha. Hoje, fica a dúvida, se terá valido a pena, pois o conceito de fronteira é cada vez mais posto em causa.

Caíu a noite e a escuridão era total! Sem iluminação pública num raio que a vista alcançasse, contemplei o breu com a mesma admiração do verde que ali estava horas antes, pois era mágico como um pequeno retorcer do planeta esconde dos nossos olhos as espectaculares paisagens que a mãe natureza nos oferece. Lembrei-me do Ensaio sobre a Cegueira.

Durante a noite, o temporal que varreu todo o País, sentia-se –e bem- por aquelas bandas. Vento e chuva fortes, fazia-nos pensar que loucura era aquela que nos levava a ter de madrugar no dia seguinte e ir enfrentar a intempérie? Gostar de correr, será assim uma coisa primária ou ... antes muito complexa?

Seis da matina : toca o despertador. Parece que não, mas uma hora na diferença horária entre Portugal e Espanha, troca-nos um bocado as voltas Preparámos a tralha e ...ala , que ainda tinhamos de encontrar uma tasca aberta para tomarmos o pequeno almoço.

(.../...)